Evangelium Vitae

Carta encíclica

Evangelium Vitae

João Paulo II · 25 de março de 1995

Contexto histórico

Momento histórico

A Evangelium Vitae foi assinada em 25 de março de 1995, quando mudanças nas leis de vários países punham em debate o começo e o fim da vida. Nos Países Baixos, primeiro país da Europa Ocidental a ter uma regulamentação legal da eutanásia, o médico podia invocar a força maior prevista no Código Penal quando os meios usuais de aliviar o sofrimento se esgotassem. No estado americano do Oregon, os eleitores aprovaram em novembro de 1994, com 51% dos votos, uma lei que permite a doentes terminais pôr fim à vida com medicação letal receitada por um médico; uma liminar adiou sua aplicação até 1997.

No plano internacional, o tema ganhara projeção com a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que as Nações Unidas realizaram no Cairo em setembro de 1994, Ano Internacional da Família. Em carta de 18 de março de 1994 à secretária-geral da conferência, Nafis Sadik, João Paulo II manifestou grave preocupação com o projeto de documento final, sobretudo com a proposta de um direito internacionalmente reconhecido ao aborto a pedido.

A Igreja naquele momento

Na Igreja, o debate moral seguia aceso desde a Veritatis Splendor, de 1993. Segundo Richard Spinello, os moralistas progressistas inclinados ao proporcionalismo ainda reagiam a ela em 1995. Discutia-se também o peso das intervenções papais: em 1994, uma carta apostólica de João Paulo II declarara que o juízo de que a Igreja não tem autoridade para ordenar mulheres devia ser mantido definitivamente por todos os fiéis, e teólogos como o jesuíta Francis Sullivan debatiam seu alcance.

Em abril de 1991, um consistório extraordinário de cardeais pediu ao Papa, por voto unânime, que reafirmasse o valor e a inviolabilidade da vida humana, e no Pentecostes daquele ano ele pediu por carta a colaboração de cada bispo do mundo.

O documento

Assim como Leão XIII, na Rerum Novarum, defendera a classe operária, a Igreja deve agora, diz João Paulo II, “dar voz a quem a não tem”, sobretudo às crianças ainda não nascidas. O Papa denuncia uma “cultura de morte” promovida por fortes correntes culturais, econômicas e políticas.

No terceiro capítulo, em três fórmulas solenes pronunciadas em comunhão com os bispos, o Papa confirma que a morte direta e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral, declara que o aborto direto constitui sempre uma desordem moral grave e confirma que a eutanásia é uma violação grave da lei de Deus. As leis que autorizam o aborto e a eutanásia não obrigam a consciência e geram o dever de opor-se a elas pela objeção de consciência. Sobre a pena de morte, a encíclica pede que não se chegue à execução “senão em casos de absoluta necessidade” e acrescenta que esses casos são hoje “muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes”.

Recepção

Num balanço de 2025, Spinello avalia que a encíclica foi recebida com amplo louvor na maior parte dos ambientes católicos, enquanto os moralistas progressistas mostraram pouco entusiasmo e a imprensa secular reagiu com apatia, ceticismo e às vezes desdém. Na apresentação, em 30 de março de 1995, o cardeal Joseph Ratzinger contou, segundo relato parcial da coletiva, que a palavra “infalivelmente” constara de rascunhos, mas fora retirada porque as definições dogmáticas nunca falaram da própria infalibilidade e seria um tanto absurdo solenizar ensinamentos tão evidentes na Escritura e na tradição. Em Theological Studies, Sullivan sustentou que havia boas razões para ver nas três fórmulas um apelo à infalibilidade do magistério ordinário e universal, mas deixou a questão em aberto até haver consenso entre os teólogos. Citado pelo Pittsburgh Post-Gazette, o bispo Anthony Bosco, de Greensburg, objetou que o Papa teria usado a palavra se quisesse falar infalivelmente, e Richard McCormick insistiu na diferença entre os princípios afirmados e sua aplicação. Em 1996, na revista Medicina e Morale, o holandês W. J. Eijk julgou que, à luz da encíclica, a regulamentação de seu país podia ser qualificada como mais uma contribuição à cultura de morte.

O ensino da encíclica sobre a pena de morte foi incorporado à edição típica do Catecismo da Igreja Católica. Em 2018, quando o Papa Francisco aprovou a nova redação que declara a pena de morte inadmissível, a Congregação para a Doutrina da Fé apontou a Evangelium Vitae como de grande importância nesse desenvolvimento.

Fontes

  • Francis A. Sullivan, “The Doctrinal Weight of Evangelium Vitae”, Theological Studies 56, 1995. https://theologicalstudies.net/wp-content/uploads/2022/08/56.3.9.pdf
  • Richard A. Spinello, “Evangelium Vitae after Thirty Years”, Catholic World Report, 2025. https://www.catholicworldreport.com/2025/03/23/evangelium-vitae-after-thirty-years/
  • João Paulo II, Letter to Mrs Nafis Sadik, Secretary General of the International Conference on Population and Development, vatican.va, 1994. https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/en/letters/1994/documents/hf_jp-ii_let_19940318_cairo-population-sadik.html
  • W. J. Eijk, “Is the Dutch euthanasia regulation compatible with Evangelium Vitae?”, Medicina e Morale 45, 1996. https://www.medicinaemorale.it/index.php/mem/article/view/907
  • Oregon Health Authority, Death with Dignity Act History, oregon.gov, s.d. https://www.oregon.gov/oha/PH/PROVIDERPARTNERRESOURCES/EVALUATIONRESEARCH/DEATHWITHDIGNITYACT/Documents/history.pdf
  • Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos bispos sobre a nova redação do n. 2267 do Catecismo da Igreja Católica, vatican.va, 2018. https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20180801_lettera-vescovi-penadimorte_en.html

INTRODUÇÃO

1. O Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus. Amorosamente acolhido cada dia pela Igreja, há-de ser fiel e corajosamente anunciado como boa nova aos homens de todos os tempos e culturas.

Na aurora da salvação, é proclamado como feliz notícia o nascimento de um menino: « Anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, Senhor » (Lc 2, 10-11). O motivo imediato que faz irradiar esta « grande alegria » é, sem dúvida, o nascimento do Salvador; mas, no Natal, manifesta-se também o sentido pleno de todo o nascimento humano, pelo que a alegria messiânica se revela fundamento e plenitude da alegria por cada criança que nasce (cf. Jo 16, 21).

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Lucas 2, 10-11

Matos Soares: 10 Porém o anjo disse-lhes: “Não temais, porque eis que vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: 11 Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O anjo lhes disse: “Não tenham medo, pois eis que lhes trago uma boa notícia de grande alegria, que será para todo o povo. 11 Pois hoje lhes nasceu, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo o Senhor.

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João 16, 21

Matos Soares: 21 A mulher, quando dá à luz, está em sofrimento, porque chegou a sua hora, mas, depois que deu à luz um menino, já se não lembra da sua aflição, pelo gozo que sente de ter nascido um homem para o mundo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 21 A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque a sua hora chegou. Mas, quando dá à luz a criança, ela não se lembra mais da angústia, por causa da alegria pelo nascimento de uma criança.

Ao apresentar o núcleo central da sua missão redentora, Jesus diz: « Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância » (Jo 10, 10). Ele fala daquela vida « nova » e « eterna » que consiste na comunhão com o Pai, à qual todo o homem é gratuitamente chamado no Filho, por obra do Espírito Santificador. Mas é precisamente em tal « vida » que todos os aspectos e momentos da vida do homem adquirem pleno significado.

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João 10, 10

Matos Soares: 10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que elas tenham vida e estejam na abundância.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.

O valor incomparável da pessoa humana

2. O homem é chamado a uma plenitude de vida que se estende muito para além das dimensões da sua existência terrena, porque consiste na participação da própria vida de Deus.

A sublimidade desta vocação sobrenatural revela a grandeza e o valor precioso da vida humana, inclusive já na sua fase temporal. Com efeito, a vida temporal é condição basilar, momento inicial e parte integrante do processo global e unitário da existência humana: um processo que, para além de toda a expectativa e merecimento, fica iluminado pela promessa e renovado pelo dom da vida divina, que alcançará a sua plena realização na eternidade (cf. 1 Jo 3, 1-2). Ao mesmo tempo, porém, o próprio chamamento sobrenatural sublinha a relatividade da vida terrena do homem e da mulher. Na verdade, esta vida não é realidade « última », mas « penúltima »; trata-se, em todo o caso, de uma realidade sagrada que nos é confiada para a guardarmos com sentido de responsabilidade e levarmos à perfeição no amor pelo dom de nós mesmos a Deus e aos irmãos.

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1 João 3, 1-2

Matos Soares: 1 Considerai que amor nos mostrou o Pai (em querer) que sejamos chamados filhos de Deus! E nós o somos. O mundo não nos conhece, porque não o conhece a ele. 2 Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que seremos (um dia). Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele (na glória), porque o veremos como ele é.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Vejam quão grande amor o Pai nos concedeu, para que fôssemos chamados filhos de Deus! Por esta razão o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. 2 Amados, agora somos filhos de Deus. Ainda não se manifestou o que seremos; mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é.

A Igreja sabe que este Evangelho da vida, recebido do seu Senhor, 1 encontra um eco profundo e persuasivo no coração de cada pessoa, crente e até não crente, porque se ele supera infinitamente as suas aspirações, também lhes corresponde de maneira admirável. Mesmo por entre dificuldades e incertezas, todo o homem sinceramente aberto à verdade e ao bem pode, pela luz da razão e com o secreto influxo da graça, chegar a reconhecer, na lei natural inscrita no coração (cf. Rm 2, 14-15), o valor sagrado da vida humana desde o seu início até ao seu termo, e afirmar o direito que todo o ser humano tem de ver plenamente respeitado este seu bem primário. Sobre o reconhecimento de tal direito é que se funda a convivência humana e a própria comunidade política.

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Romanos 2, 14-15

Matos Soares: 14 Com efeito, quando os gentios, que não têm lei (escrita), fazem naturalmente as coisas que são da lei, esses, não tendo lei, a si mesmos servem de lei (ver nota) 15 e mostram que o que a lei ordena está escrito nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua própria consciência e os pensamentos, que os acusam (se fizerem o mal) ou defendem (se fizerem o bem) .

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 (pois, quando os gentios, que não têm a lei, fazem por natureza o que a lei exige, eles, embora não tenham a lei, são lei para si mesmos, 15 mostrando que a obra da lei está escrita em seus corações, enquanto a consciência deles também dá testemunho, e seus pensamentos ora os acusam, ora os defendem)

De modo particular, devem defender e promover este direito os crentes em Cristo, conscientes daquela verdade maravilhosa, recordada pelo Concílio Vaticano II: « Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem ». 2 De facto, neste acontecimento da salvação, revela-se à humanidade não só o amor infinito de Deus que « amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único » ( Jo 3, 16), mas também o valor incomparável de cada pessoa humana.

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João 3, 16

Matos Soares: 16 Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho unigênito, para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna.

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito , para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

A Igreja, perscrutando assiduamente o mistério da Redenção, descobre com assombro incessante 3 este valor, e sente-se chamada a anunciar aos homens de todos os tempos este « evangelho », fonte de esperança invencível e de alegria verdadeira para cada época da história. O Evangelho do amor de Deus pelo homem, o Evangelho da dignidade da pessoa e o Evangelho da vida são um único e indivisível Evangelho.

É por este motivo que o homem, o homem vivo, constitui o primeiro e fundamental caminho da Igreja. 4

As novas ameaças à vida humana

3. Precisamente por causa do mistério do Verbo de Deus que Se fez carne (cf. Jo 1, 14), cada homem está confiado à solicitude materna da Igreja. Por isso, qualquer ameaça à dignidade e à vida do homem não pode deixar de se repercutir no próprio coração da Igreja, é impossível não a tocar no centro da sua fé na encarnação redentora do Filho de Deus, não pode passar sem a interpelar na sua missão de anunciar o Evangelho da vida pelo mundo inteiro a toda a criatura (cf. Mc 16, 15).

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João 1, 14

Matos Soares: 14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória como de Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 O Verbo se fez carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Filho unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

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Marcos 16, 15

Matos Soares: 15 Disse-lhes: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 Ele lhes disse: “Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda a criação.

Hoje, este anúncio torna-se particularmente urgente pela impressionante multiplicação e agravamento das ameaças à vida das pessoas e dos povos, sobretudo quando ela é débil e indefesa. Às antigas e dolorosas chagas da miséria, da fome, das epidemias, da violência e das guerras, vêm-se juntar outras com modalidades inéditas e dimensões inquietantes.

Já o Concílio Vaticano II, numa página de dramática actualidade, deplorou fortemente os múltiplos crimes e atentados contra a vida humana. À distância de trinta anos e fazendo minhas as palavras da Assembleia Conciliar, uma vez mais e com idêntica força os deploro em nome da Igreja inteira, com a certeza de interpretar o sentimento autêntico de toda a consciência recta: « Tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho, em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador ». 5

4. Infelizmente, este panorama inquietante, longe de diminuir, tem vindo a dilatar-se: com as perspectivas abertas pelo progresso científico e tecnológico, nascem outras formas de atentados à dignidade do ser humano, enquanto se delineia e consolida uma nova situação cultural que dá aos crimes contra a vida um aspecto inédito e — se é possível — ainda mais iníquo, suscitando novas e graves preocupações: amplos sectores da opinião pública justificam alguns crimes contra a vida em nome dos direitos da liberdade individual e, sobre tal pressuposto, pretendem não só a sua impunidade mas ainda a própria autorização da parte do Estado para os praticar com absoluta liberdade e, mais, com a colaboração gratuita dos Serviços de Saúde.

Ora, tudo isto provoca uma profunda alteração na maneira de considerar a vida e as relações entre os homens. O facto de as legislações de muitos países, afastando-se quiçá dos próprios princípios basilares das suas Constituições, terem consentido em não punir ou mesmo até reconhecer a plena legitimidade de tais acções contra a vida, é conjuntamente sintoma preocupante e causa não marginal de uma grave derrocada moral: opções, outrora consideradas unanimamente criminosas e rejeitadas pelo senso moral comum, tornam-se pouco a pouco socialmente respeitáveis. A própria medicina que, por vocação, se orienta para a defesa e cuidado da vida humana, em alguns dos seus sectores vai-se prestando em escala cada vez maior a realizar tais actos contra a pessoa, e, deste modo, deforma o seu rosto, contradiz-se a si mesma e humilha a dignidade de quantos a exercem. Em semelhante contexto cultural e legal, os graves problemas demográficos, sociais ou familiares — que incidem sobre numerosos povos do mundo e exigem a atenção responsável e operante das comunidades nacionais e internacionais —, encontram-se também sujeitos a soluções falsas e ilusórias, em contraste com a verdade e o bem das pessoas e das nações.

O resultado de tudo isto é dramático: se é muitíssimo grave e preocupante o fenómeno da eliminação de tantas vidas humanas nascentes ou encaminhadas para o seu ocaso, não o é menos o facto de à própria consciência, ofuscada por tão vastos condicionalismos, lhe custar cada vez mais a perceber a distinção entre o bem e o mal, precisamente naquilo que toca o fundamental valor da vida humana.

Em comunhão com todos os Bispos do mundo

5. Ao problema das ameaças à vida humana no nosso tempo, foi dedicado o Consistório Extraordinário dos Cardeais, realizado em Roma de 4 a 7 de Abril de 1991. Depois de amplo e profundo debate do problema e dos desafios postos à família humana inteira e, de modo particular, à Comunidade cristã, os Cardeais, com voto unânime, pediram-me que reafirmasse, com a autoridade do Sucessor de Pedro, o valor da vida humana e a sua inviolabilidade, à luz das circunstâncias actuais e dos atentados que hoje a ameaçam.

Acolhendo tal pedido, no Pentecostes de 1991 escrevi uma carta pessoal a cada Irmão no Episcopado para que, em espírito de colegialidade, me oferecesse a sua colaboração com vista à elaboração de um específico documento. 6 Agradeço profundamente a todos os Bispos que responderam, fornecendo-me preciosas informações, sugestões e propostas. Deram também assim testemunho da sua participação concorde e convicta na missão doutrinal e pastoral da Igreja acerca do Evangelho da vida.

Nessa mesma carta, que fora enviada poucos dias depois da celebração do centenário da Encíclica Rerum novarum, chamava a atenção de todos para esta singular analogia: « Como há um século, oprimida nos seus direitos fundamentais era a classe operária, e a Igreja com grande coragem tomou a sua defesa, proclamando os sacrossantos direitos da pessoa do trabalhador, assim agora, quando outra categoria de pessoas é oprimida no direito fundamental à vida, a Igreja sente que deve, com igual coragem, dar voz a quem a não tem. O seu é sempre o grito evangélico em defesa dos pobres do mundo, de quantos estão ameaçados, desprezados e oprimidos nos seus direitos humanos ». 7

Espezinhada no direito fundamental à vida, é hoje uma grande multidão de seres humanos débeis e indefesos, como o são, em particular, as crianças ainda não nascidas. Se, ao findar do século passado, não fora consentido à Igreja calar perante as injustiças então reinantes, menos ainda pode ela calar hoje, quando às injustiças sociais do passado — infelizmente ainda não superadas — se vêm somar, em tantas partes do mundo, injustiças e opressões ainda mais graves, mesmo se disfarçadas em elementos de progresso com vista à organização de uma nova ordem mundial.

A presente Encíclica, fruto da colaboração do Episcopado de cada país do mundo, quer ser uma reafirmação precisa e firme do valor da vida humana e da sua inviolabilidade, e, conjuntamente, um ardente apelo dirigido em nome de Deus a todos e cada um: respeita, defende, ama e serve a vida, cada vida humana! Unicamente por esta estrada, encontrarás justiça, progresso, verdadeira liberdade, paz e felicidade!

Cheguem estas palavras a todos os filhos e filhas da Igreja! Cheguem a todas as pessoas de boa vontade, solícitas pelo bem de cada homem e mulher e pelo destino da sociedade inteira!

6. Em profunda comunhão com cada irmão e irmã na fé e animado por sincera amizade para com todos, quero meditar de novo e anunciar o Evangelho da vida, clara luz que ilumina as consciências, esplendor de verdade que cura o olhar ofuscado, fonte inexaurível de constância e coragem para enfrentar os desafios sempre novos que encontramos no nosso caminho.

Tendo no pensamento a rica experiência vivida durante o Ano da Família, e quase completando idealmente a Carta que dirigi « a cada família concreta de cada região da terra », 8 olho com renovada confiança para todas as comunidades domésticas e faço votos por que renasça ou se reforce, em todos e aos diversos níveis, o compromisso de apoiarem a família, para que também hoje — mesmo no meio de numerosas dificuldades e graves ameaças — ela se conserve sempre, segundo o desígnio de Deus, como « santuário da vida ». 9

A todos os membros da Igreja, povo da vida e pela vida, dirijo o mais premente convite para que, juntos, possamos dar novos sinais de esperança a este nosso mundo, esforçando-nos por que cresçam a justiça e a solidariedade e se afirme uma nova cultura da vida humana, para a edificação de uma autêntica civilização da verdade e do amor.

 

CAPÍTULO I

A VOZ DO SANGUE DO TEU IRMÃO CLAMA DA TERRA ATÉ MIM

AS ACTUAIS AMEAÇAS À VIDA HUMANA

« Caim levantou a mão contra o irmão Abel e matou-o » (Gn 4, 8): na raiz da violência contra a vida

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Gênesis 4, 8

Matos Soares: 8 Caim disse a seu irmão Abel: saiamos fora. E, quando estavam no campo, investiu Caim contra seu irmão Abel, e matou-o.

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 Caim disse a Abel, seu irmão: “Vamos para o campo.” Enquanto estavam no campo, Caim se levantou contra Abel, seu irmão, e o matou.

7. « Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não Lhe dá nenhuma alegria. Porquanto Ele criou tudo para a existência. (…) Com efeito, Deus criou o homem para a incorruptibilidade, e fê-lo à imagem da sua própria natureza. Por inveja do demónio é que a morte entrou no mundo e prová-la-ão os que pertencem ao demónio » (Sab 1, 13-14; 2, 23-24).

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Sabedoria 1, 13-14

Matos Soares: 13 Com efeito. Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos vivos. 14 Porquanto ele criou todas as coisas para a existência, e fez saudáveis todas as criaturas do mundo; não há nelas nenhum princípio de destruição, nem o domínio da morte se estende sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 porque Deus não fez a morte, nem tem prazer na destruição dos vivos. 14 Pois ele criou todas as coisas para que existissem. As forças geradoras do mundo são salutares, e nelas não há veneno de destruição, nem o Hades exerce domínio real sobre a terra;

Sabedoria 2, 23-24

Matos Soares: 23 Com efeito Deus criou o homem para a imortalidade, fê-lo à imagem da sua própria natureza. 24 Por inveja do demônio, é que entrou no mundo a morte; (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 23 Pois Deus criou o ser humano para a incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria eternidade; 24 mas, pela inveja do diabo, a morte entrou no mundo, e os que pertencem a ele a experimentam.

O Evangelho da vida, que ressoa, logo ao princípio, com a criação do homem à imagem de Deus para um destino de vida plena e perfeita (cf. Gn 2, 7; Sab 9, 2-3), vê-se contestado pela experiência dilacerante da morte que entra no mundo, lançando o espectro da falta de sentido sobre toda a existência do homem.

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Gênesis 2, 7

Matos Soares: 7 O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma (pessoa) vivente.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 O SENHOR Deus formou o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem se tornou uma alma vivente.

Sabedoria 9, 2-3

Matos Soares: 2 e que estabeleceste o homem, pela tua sabedoria, para ter domínio sobre as criaturas, que por ti foram feitas, 3 para governar o mundo com equidade e justiça, para sentenciar em Juízo com rectidão do coração.

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 e, por tua sabedoria, formaste o ser humano para que dominasse sobre as criaturas que fizeste, 3 governasse o mundo com santidade e justiça e exercesse o julgamento com retidão de alma,

A morte entra por causa da inveja do diabo (cf. Gn 3, 1.4-5) e do pecado dos primeiros pais (cf. Gn 2, 17; 3, 17-19). E entra de modo violento, através do assassínio de Abel por obra do seu irmão: « Logo que chegaram ao campo, Caim levantou a mão contra o irmão Abel e matou-o » (Gn 4, 8).

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Gênesis 3, 1.4-5

Matos Soares: 1 Mas a serpente era o mais astuto de todos os animais da terra que o Senhor Deus tinha feito. E ela disse à mulher: por que vos mandou Deus que não comêsseis de toda a árvore do paraíso? […] 4 Porém a serpente disse à mulher: vós de nenhum modo morrereis; 5 mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Ora, a serpente era mais astuta que qualquer animal do campo que o SENHOR Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “Deus realmente disse: ‘Vocês não comerão de nenhuma árvore do jardim’?” […] 4 A serpente disse à mulher: “Certamente vocês não morrerão, 5 porque Deus sabe que no dia em que comerem dele, os seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal.”

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Gênesis 2, 17

Matos Soares: 17 mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, porque, em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitàvelmente.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não comerá; pois no dia em que dela comer, você certamente morrerá.”

Gênesis 3, 17-19

Matos Soares: 17 E disse a Adão: porque deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore, de que eu te tinha ordenado que não comesses, a terra será maldita por tua causa; tirarás dela o sustento com trabalhos penosos todos os dias da tua vida. 18 Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. 19 Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de que foste tomado, porque tu és pó, e em pó te hás-de tornar.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 A Adão ele disse: “Porque você deu ouvidos à voz da sua mulher, e comeu da árvore, a respeito da qual eu lhe ordenei, dizendo: ‘Você não comerá dela’, maldita é a terra por sua causa. Com muito trabalho você comerá dela todos os dias da sua vida. 18 Ela lhe produzirá espinhos e abrolhos; e você comerá a erva do campo. 19 Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, pois dela você foi tirado. Porque você é pó, e ao pó você retornará.”

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Gênesis 4, 8

Matos Soares: 8 Caim disse a seu irmão Abel: saiamos fora. E, quando estavam no campo, investiu Caim contra seu irmão Abel, e matou-o.

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 Caim disse a Abel, seu irmão: “Vamos para o campo.” Enquanto estavam no campo, Caim se levantou contra Abel, seu irmão, e o matou.

Este primeiro assassínio é apresentado, com singular eloquência, numa página paradigmática do Livro do Génesis: página transcrita cada dia, sem cessar e com degradante repetição, no livro da história dos povos.

Queremos ler de novo, juntos, esta página bíblica, que, apesar do seu aspecto arcaico e extrema simplicidade, se apresenta riquíssima de ensinamentos.

« Abel foi pastor; e Caim, lavrador. Ao fim de algum tempo, Caim apresentou ao Senhor uma oferta de frutos da terra. Por seu lado, Abel ofereceu primogénitos do seu rebanho e as gorduras deles. O Senhor olhou favoravelmente para Abel e para a sua oferta, mas não olhou para Caim nem para a sua oferta.

Caim ficou muito irritado e o rosto transtornou-se-lhe. O Senhor disse a Caim: “Porque estás zangado e o teu rosto abatido? Se procederes bem, certamente voltarás a erguer o rosto; se procederes mal, o pecado deitar-se-á à tua porta e andará a espreitar-te. Cuidado, pois ele tem muita inclinação para ti, mas deves dominá-lo”.

Entretanto, Caim disse a Abel, seu irmão: “Vamos ao campo”. Porém, logo que chegaram ao campo, Caim levantou a mão contra o irmão Abel e matou-o.

O Senhor disse a Caim: “Onde está Abel, teu irmão?” Caim respondeu: “Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?” O Senhor replicou: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim. De futuro, serás maldito sobre a terra que abriu a sua boca para beber da tua mão o sangue do teu irmão. Quando a cultivares, negar-te-á as suas riquezas. Serás vagabundo e fugitivo sobre a terra”.

Caim disse ao Senhor: “A minha culpa é grande demais para obter perdão! Expulsas-me hoje desta terra; obrigado a ocultar-me longe da tua face, terei de andar fugitivo e vagabundo pela terra, e o primeiro a encontrar-me matar-me-á”.

O Senhor respondeu: “Não, se alguém matar Caim, será castigado sete vezes mais”. E o Senhor marcou-o com um sinal, a fim de nunca ser morto por quem o viesse a encontrar. Caim afastou-se da presença do Senhor e foi residir na região de Nod, ao oriente do Éden » (Gn 4, 2-16).

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Gênesis 4, 2-16

Matos Soares (Gênesis 4, 2-14): 2 E, depois, deu à luz seu irmão Abel. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim lavrador. 3 Passado muito tempo, aconteceu oferecer Caim, em oblação ao Senhor, dos frutos da terra. 4 Abel também ofereceu dos primogênitos do seu rebanho, e das gorduras deles. O Senhor olhou para Abel, e para os seus dons; 5 não olhou, porém, para Caim, nem para os seus dons. Caim irou-se extremamente, e o seu semblante ficou abatido. 6 E o Senhor disse-lhe: por que estás irado? e por que está abatido o teu semblante? 7 Porventura, Se tu obrares bem, não receberás (por isso galardão)? Se obrares mal, estará logo o pecado à tua porta, Mas sob ti está o teu desejo, e tu o dominarás. 8 Caim disse a seu irmão Abel: saiamos fora. E, quando estavam no campo, investiu Caim contra seu irmão Abel, e matou-o. 9 E o Senhor disse a Caim: onde está teu irmão Abel? E ele respondeu: não sei. Porventura sou eu o guarda de meu irmão? 10 E o Senhor disse-lhe: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão ergue o seu clamor da terra até mim. 11 Agora, pois, serás maldito sobre a terra, que abriu a sua boca, e recebeu da tua mão o sangue de teu irmão. 12 Quando a cultivares, ela não te dará os seus frutos; serás vagabundo e fugitivo sobre a terra. 13 E Caim disse ao Senhor: Insuportavelmente grande é o meu castigo, grande demais para que eu mereça perdão. […]

Bíblia Portuguesa Mundial (Gênesis 4, 2-14): 2 Depois deu à luz também a Abel, irmão de Caim. Abel era pastor de ovelhas, mas Caim era lavrador da terra. 3 Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. 4 Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. O SENHOR se agradou de Abel e de sua oferta, 5 mas não se agradou de Caim e de sua oferta. Caim ficou muito irado, e o seu semblante caiu. 6 O SENHOR disse a Caim: “Por que você está irado? Por que o seu semblante caiu? 7 Se você fizer o bem, o seu semblante não será levantado? Se você não fizer o bem, o pecado espreita à porta. O desejo dele é contra você, mas você deve dominá-lo.” 8 Caim disse a Abel, seu irmão: “Vamos para o campo.” Enquanto estavam no campo, Caim se levantou contra Abel, seu irmão, e o matou. 9 O SENHOR disse a Caim: “Onde está Abel, seu irmão?” Ele respondeu: “Eu não sei. Sou eu o guardador do meu irmão?” 10 O SENHOR disse: “O que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra. 11 Agora você é amaldiçoado pela terra, que abriu a sua boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão. 12 De agora em diante, quando você cultivar a terra, ela não lhe dará mais a sua força. Você será um fugitivo e um errante pela terra.” 13 Caim disse ao SENHOR: “Meu castigo é maior do que posso suportar. […]

8. Caim está « muito irritado » e tem o rosto « transtornado », porque « o Senhor olhou favoravelmente para Abel e para a sua oferta » (Gn 4, 4). O texto bíblico não revela o motivo pelo qual Deus preferiu o sacrifício de Abel ao de Caim; mas indica claramente que, mesmo preferindo a oferta de Abel, não interrompe o seu diálogo com Caim. Acautela-o, recordando-lhe a sua liberdade frente ao mal: o homem não está de forma alguma predestinado para o mal. Certamente, à semelhança de Adão, ele é tentado pela força maléfica do pecado que, como um animal feroz, se agacha à porta do seu coração, à espera de lançar-se sobre a presa. Mas Caim permanece livre diante do pecado. Pode e deve dominá-lo: « Cuidado, pois ele tem muita inclinação para ti, mas deves dominá-lo » (Gn 4, 7).

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Gênesis 4, 4

Matos Soares: 4 Abel também ofereceu dos primogênitos do seu rebanho, e das gorduras deles. O Senhor olhou para Abel, e para os seus dons;

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. O SENHOR se agradou de Abel e de sua oferta,

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Gênesis 4, 7

Matos Soares: 7 Porventura, Se tu obrares bem, não receberás (por isso galardão)? Se obrares mal, estará logo o pecado à tua porta, Mas sob ti está o teu desejo, e tu o dominarás.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 Se você fizer o bem, o seu semblante não será levantado? Se você não fizer o bem, o pecado espreita à porta. O desejo dele é contra você, mas você deve dominá-lo.”

Sobre a advertência feita pelo Senhor, porém, levam a melhor o ciúme e a ira, e Caim atira-se contra o próprio irmão e mata-o. Como lemos no Catecismo da Igreja Católica, « a Sagrada Escritura, na narrativa da morte de Abel por seu irmão Caim, revela, desde os primórdios da história humana, a presença no homem da cólera e da inveja, consequências do pecado original. O homem tornou-se inimigo do seu semelhante ». 10

O irmão mata o irmão. Como naquele primeiro fratricídio, também em cada homicídio é violado o parentesco « espiritual » que congrega os homens numa única grande família, 11 sendo todos participantes do mesmo bem fundamental: a igual dignidade pessoal. E, não raro, resulta violado também o parentesco « da carne e do sangue », quando, por exemplo, as ameaças à vida se verificam ao nível do relacionamento pais e filhos, como sucede com o aborto ou quando, no mais vasto contexto familiar ou de parentela, é encorajada ou provocada a eutanásia.

Na raiz de qualquer violência contra o próximo, há uma cedência à « lógica » do maligno, isto é, daquele que « foi assassino desde o princípio » (Jo 8, 44), como nos recorda o apóstolo João: « Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não seja como Caim que era do maligno, e matou o seu irmão » (1 Jo 3, 11-12). Assim o assassinato do irmão, desde os alvores da história, é o triste testemunho de como o mal progride com rapidez impressionante: à revolta do homem contra Deus no paraíso terreal segue-se a luta mortal do homem contra o homem.

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João 8, 44

Matos Soares: 44 Vós tendes por pai o demônio, e quereis satisfazer os desejos do vosso pai. Ele foi homicida desde o principio, e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando ele diz a mentira, fala do que é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

Bíblia Portuguesa Mundial: 44 Vocês são do pai de vocês, o diabo, e querem realizar os desejos do pai de vocês. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere uma mentira, fala do que lhe é próprio; pois é mentiroso e o pai da mentira.

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1 João 3, 11-12

Matos Soares: 11 visto que a mensagem que ouvistes, desde o princípio, é esta: Amemo-nos uns aos outros. 12 Não como Caim, que era do (espírito) maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão justas.

Bíblia Portuguesa Mundial: 11 Porque esta é a mensagem que ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros — 12 não como Caim, que era do Maligno e assassinou o seu irmão. E por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão eram justas.

Depois do crime, Deus intervém para vingar a vítima. Frente a Deus que o interroga sobre a sorte de Abel, Caim, em vez de se mostrar confundido e desculpar-se, esquiva-se à pergunta com arrogância: « Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão? » (Gn 4, 9). « Não sei dele »: com a mentira, Caim procura encobrir o crime. Assim aconteceu frequentemente e continua a verificar-se quando se servem das mais diversas ideologias para justificar e mascarar os crimes mais atrozes contra a pessoa. « Sou, porventura, guarda do meu irmão? »: Caim não quer pensar no irmão, e recusa-se a assumir aquela responsabilidade que cada homem tem pelo outro. Saltam espontaneamente ao pensamento as tendências actuais para sonegar a responsabilidade do homem pelo seu semelhante, de que são sintomas, entre outros, a falta de solidariedade com os membros mais débeis da sociedade — como são os idosos, os doentes, os imigrantes, as crianças —, e a indiferença que tantas vezes se regista nas relações entre os povos, mesmo quando estão em jogo valores fundamentais como a sobrevivência, a liberdade e a paz.

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Gênesis 4, 9

Matos Soares: 9 E o Senhor disse a Caim: onde está teu irmão Abel? E ele respondeu: não sei. Porventura sou eu o guarda de meu irmão?

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 O SENHOR disse a Caim: “Onde está Abel, seu irmão?” Ele respondeu: “Eu não sei. Sou eu o guardador do meu irmão?”

9. Mas Deus não pode deixar impune o crime: da terra onde foi derramado, o sangue da vítima exige que Ele faça justiça (cf. Gn 37, 26; Is 26, 21; Ez 24, 7-8). Deste texto, a Igreja retirou a denominação de « pecados que bradam ao Céu », incluindo em primeiro lugar o homicídio voluntário. 12 Para os hebreus, como para muitos povos da antiguidade, o sangue é a sede da vida, ou melhor « o sangue é a vida » ( Dt 12, 23), e a vida, sobretudo a humana, pertence unicamente a Deus: por isso, quem atenta contra a vida do homem, de algum modo atenta contra o próprio Deus.

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Gênesis 37, 26

Matos Soares: 26 Judá então disse a seus irmãos: de que nos aproveita matar o nosso irmão e ocultar a sua morte?

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Judá disse a seus irmãos: “Que proveito haverá se matarmos nosso irmão e ocultarmos o seu sangue?

Isaías 26, 21

Matos Soares: 21 Porque eis que o Senhor vai sair da sua morada para castigar a iniquidade que os habitantes da terra cometeram contra ele, e a terra descobrirá o sangue que bebeu, e não ocultará mais os (justos) que nela foram mortos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 21 Pois, eis que o SENHOR sai do seu lugar para punir os habitantes da terra por sua iniquidade. A terra também revelará o seu sangue, e não cobrirá mais os seus mortos.

Ezequiel 24, 7-8

Matos Soares: 7 O sangue (inocente) que derramou está ainda no meio dela; sobre pedra nua o derramou; não o derramou sobre a terra, para o cobrir com o pó. 8 Para fazer cair sobre ela a minha indignação, para me vingar (como ela merece), espalhei também o seu sangue sobre a pedra nua, para que não fosse coberto.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 “‘“Pois o sangue que ela derramou está no meio dela. Ela o colocou sobre a rocha nua. Ela não o derramou no chão, para cobri-lo com pó. 8 Para fazer subir a ira para tomar vingança, eu coloquei o seu sangue sobre a rocha nua, para que não fosse coberto.”

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Deuteronômio 12, 23

Matos Soares: 23 Abstém-te sòmente de comer o sangue, porque o sangue é vida, e, por isso, não deves comer a vida com a carne,

Bíblia Portuguesa Mundial: 23 Apenas certifique-se de não comer o sangue; pois o sangue é a vida. Você não comerá a vida com a carne.

Caim é amaldiçoado por Deus como também pela terra, que lhe recusará os seus frutos (cf. Gn 4, 11-12). E é punido: habitará em terras agrestes e desertas. A violência homicida altera profundamente o ambiente da vida do homem. A terra, que era o « jardim do Éden » (Gn 2, 15), lugar de abundância, de serenas relações interpessoais e de amizade com Deus, torna-se o « país de Nod » (Gn 4, 16), lugar de « miséria », de solidão e de afastamento de Deus. Caim será « fugitivo e vagabundo pela terra » (Gn 4, 14): dúvida e instabilidade sempre o acompanharão.

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Gênesis 4, 11-12

Matos Soares: 11 Agora, pois, serás maldito sobre a terra, que abriu a sua boca, e recebeu da tua mão o sangue de teu irmão. 12 Quando a cultivares, ela não te dará os seus frutos; serás vagabundo e fugitivo sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 11 Agora você é amaldiçoado pela terra, que abriu a sua boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão. 12 De agora em diante, quando você cultivar a terra, ela não lhe dará mais a sua força. Você será um fugitivo e um errante pela terra.”

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Gênesis 2, 15

Matos Soares: 15 Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no jardim do Eden, para que o cultivasse e guardasse,

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 O SENHOR Deus tomou o homem, e o colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo.

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Gênesis 4, 16

Matos Soares: 16 E Caim, tendo-se retirado de diante da face do Senhor, andou errante sobre a terra, e habitou no pais de Nod, que está ao nascente do Eden.

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Caim saiu da presença do SENHOR e foi habitar na terra de Node, a leste do Éden.

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Gênesis 4, 14

Matos Soares: 14 Eis que tu hoje me expulsas desta terra, e eu me esconderei da tua face, e serei vagabundo e fugitivo na terra; portanto todo o que me achar, me matará.

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Eis que hoje o Senhor me expulsa da face da terra. Estarei escondido da sua face, e serei um fugitivo e um errante pela terra. Quem me encontrar me matará.”

Contudo Deus, misericordioso mesmo quando castiga, « marcou com um sinal, a fim de nunca ser morto por quem o viesse a encontrar » ( Gn 4, 15): põe-lhe um sinal, cujo objectivo não é condená-lo à abominação dos outros homens, mas protegê-lo e defendê-lo daqueles que o quiserem matar, ainda que seja para vingar a morte de Abel. Nem sequer o homicida perde a sua dignidade pessoal e o próprio Deus Se constitui seu garante. E é precisamente aqui que se manifesta o mistério paradoxal da justiça misericordiosa de Deus, como escreve Santo Ambrósio: « Visto que tinha sido cometido um fratricídio — ou seja, o maior dos crimes —, no momento em que se introduziu o pecado, teve imediatamente de ser ampliada a lei da misericórdia divina; para que, caso o castigo atingisse imediatamente o culpado, não sucedesse que os homens, ao punirem, não usassem de qualquer tolerância nem mansidão, mas entregassem imediatamente ao castigo os culpados. (…) Deus repeliu Caim da sua presença e, renegado pelos seus pais, como que o desterrou para o exílio de uma habitação separada, pelo facto de ter passado da mansidão humana à crueldade selvagem. Todavia Deus não quer punir o homicida com um homicídio, porque prefere o arrependimento do pecador à sua morte ». 13

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Gênesis 4, 15

Matos Soares: 15 E o Senhor disse-lhe: não será assim; mas qualquer que matar Caim, será castigado sete vezes mais. E o Senhor pôs um sinal em Caim, para que o não matasse ninguém que o encontrasse.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 O SENHOR lhe disse: “Portanto, quem matar Caim, sofrerá vingança sete vezes.” O SENHOR colocou um sinal em Caim, para que ninguém que o encontrasse o ferisse.

« Que fizeste? » (Gn 4, 10): o eclipse do valor da vida

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Gênesis 4, 10

Matos Soares: 10 E o Senhor disse-lhe: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão ergue o seu clamor da terra até mim.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O SENHOR disse: “O que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra.

10. O Senhor disse a Caim: « Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim » (Gn 4, 10). A voz do sangue derramado pelos homens não cessa de clamar, de geração em geração, assumindo tons e acentos sempre novos e diversos.

ac

Gênesis 4, 10

Matos Soares: 10 E o Senhor disse-lhe: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão ergue o seu clamor da terra até mim.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O SENHOR disse: “O que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra.

A pergunta do Senhor « que fizeste? », à qual Caim não se pode esquivar, é dirigida também ao homem contemporâneo, para que tome consciência da amplitude e gravidade dos atentados à vida que continuam a registar-se na história da humanidade, para que vá à procura das múltiplas causas que os geram e alimentam, e, enfim, para que reflita com extrema seriedade sobre as consequências que derivam desses mesmos atentados para a existência das pessoas e dos povos.

Algumas ameaças provêm da própria natureza, mas são agravadas pelo descuido culpável e pela negligência dos homens que, não raro, lhes poderiam dar remédio; outras, ao contrário, são fruto de situações de violência, de ódio, de interesses contrapostos, que induzem homens a agredirem outros homens com homicídios, guerras, massacres, genocídios.

Como não pensar na violência causada à vida de milhões de seres humanos, especialmente crianças, constrangidos à miséria, à subnutrição e à fome, por causa da iníqua distribuição das riquezas entre os povos e entre as classes sociais? Ou na violência inerente às guerras, e ainda antes delas, ao escandaloso comércio de armas, que favorece o torvelinho de tantos conflitos armados que ensanguentam o mundo? Ou então na sementeira de morte que se provoca com a imprudente alteração dos equilíbrios ecológicos, com a criminosa difusão da droga, ou com a promoção do uso da sexualidade segundo modelos que, além de serem moralmente inaceitáveis, acarretam ainda graves riscos para a vida? É impossível registar de modo completo a vasta gama das ameaças à vida humana, tantas são as formas, abertas ou camufladas, de que se revestem no nosso tempo!

11. Mas queremos concentrar a nossa atenção, de modo particular, sobre outro género de atentados, relativos à vida nascente e terminal, que apresentam novas características em relação ao passado e levantam problemas de singular gravidade: é que, na consciência colectiva, aqueles tendem a perder o carácter de « crimes » para assumir, paradoxalmente, o carácter de « direitos », a ponto de se pretender um verdadeiro e próprio reconhecimento legal da parte do Estado e a consequente execução gratuita por intermédio dos profissionais da saúde. Tais atentados ferem a vida humana em situações de máxima fragilidade, quando se acha privada de qualquer capacidade de defesa. Mais grave ainda é o facto de serem consumados, em grande parte, mesmo no seio e por obra da família que está, pelo contrário, chamada constitutivamente a ser « santuário da vida ».

Como se pôde criar semelhante situação? Há que tomar em consideração diversos factores. Como pano de fundo, existe uma crise profunda da cultura, que gera cepticismo sobre os próprios fundamentos do conhecimento e da ética e torna cada vez mais difícil compreender claramente o sentido do homem, dos seus direitos e dos seus deveres. A isto, vêm juntar-se as mais diversas dificuldades existenciais e interpessoais, agravadas pela realidade de uma sociedade complexa, onde frequentemente as pessoas, os casais, as famílias são deixadas sozinhas a braços com os seus problemas. Não faltam situações de particular pobreza, angústia e exasperação, onde a luta pela sobrevivência, a dor nos limites do suportável, as violências sofridas, especialmente aquelas que investem as mulheres, tornam por vezes exigentes até ao heroísmo as opções de defesa e promoção da vida.

Tudo isto explica — pelo menos em parte — como possa o valor da vida sofrer hoje uma espécie de « eclipse », apesar da consciência não cessar de o apontar como valor sagrado e intocável; e comprova-o o próprio fenómeno de se procurar encobrir alguns crimes contra a vida nascente ou terminal com expressões de âmbito terapêutico, que desviam o olhar do facto de estar em jogo o direito à existência de uma pessoa humana concreta.

12. Com efeito, se muitos e graves aspectos da problemática social actual podem, de certo modo, explicar o clima de difusa incerteza moral e, por vezes, atenuar a responsabilidade subjectiva no indivíduo, não é menos verdade que estamos perante uma realidade mais vasta que se pode considerar como verdadeira e própria estrutura de pecado, caracterizada pela imposição de uma cultura anti-solidária, que em muitos casos se configura como verdadeira « cultura de morte ». É activamente promovida por fortes correntes culturais, económicas e políticas, portadoras de uma concepção eficientista da sociedade.

Olhando as coisas deste ponto de vista, pode-se, em certo sentido, falar de uma guerra dos poderosos contra os débeis: a vida que requereria mais acolhimento, amor e cuidado, é reputada inútil ou considerada como um peso insuportável, e, consequentemente, rejeitada sob múltiplas formas. Todo aquele que, pela sua enfermidade, a sua deficiência ou, mais simplesmente ainda, a sua própria presença, põe em causa o bem-estar ou os hábitos de vida daqueles que vivem mais avantajados, tende a ser visto como um inimigo do qual defender-se ou um inimigo a eliminar. Desencadeia-se assim uma espécie de « conjura contra a vida ». Esta não se limita apenas a tocar os indivíduos nas suas relações pessoais, familiares ou de grupo, mas alarga-se muito para além até atingir e subverter, a nível mundial, as relações entre os povos e os Estados.

13. Para facilitar a difusão do aborto, foram investidas — e continuam a sê-lo — somas enormes, destinadas à criação de fármacos que tornem possível a morte do feto no ventre materno, sem necessidade de recorrer à ajuda do médico. A própria investigação científica, neste âmbito, parece quase exclusivamente preocupada em obter produtos cada vez mais simples e eficazes contra a vida e, ao mesmo tempo, capazes de subtrair o aborto a qualquer forma de controlo e responsabilidade social.

Afirma-se frequentemente que a contracepção, tornada segura e acessível a todos, é o remédio mais eficaz contra o aborto. E depois acusa-se a Igreja Católica de, na realidade, favorecer o aborto, porque continua obstinadamente a ensinar a ilicitude moral da contracepção.

Bem vista, porém, a objecção é falaciosa. De facto, pode acontecer que muitos recorram aos contraceptivos com a intenção também de evitar depois a tentação do aborto. Mas os pseudo-valores inerentes à « mentalidade contraceptiva » — muito diversa do exercício responsável da paternidade e maternidade, actuada no respeito pela verdade plena do acto conjugal — são tais que tornam ainda mais forte essa tentação, na eventualidade de ser concebida uma vida não desejada. De facto, a cultura pro-aborto aparece sobretudo desenvolvida nos mesmos ambientes que recusam o ensinamento da Igreja sobre a contracepção. Certo é que a contracepção e o aborto são males especificamente diversos do ponto de vista moral: uma contradiz a verdade integral do acto sexual enquanto expressão própria do amor conjugal, o outro destrói a vida de um ser humano; a primeira opõe-se à virtude da castidade matrimonial, o segundo opõe-se à virtude da justiça e viola directamente o preceito divino « não matarás ».

Mas, apesar de terem natureza e peso moral diversos, eles surgem, com muita frequência, intimamente relacionados como frutos da mesma planta. É verdade que não faltam casos onde, à contracepção e ao próprio aborto se vem juntar a pressão de diversas dificuldades existenciais que, no entanto, não podem nunca exonerar do esforço de observar plenamente a lei de Deus. Mas, em muitíssimos outros casos, tais práticas afundam as suas raízes numa mentalidade hedonista e desresponsabilizadora da sexualidade, e supõem um conceito egoísta da liberdade que vê na procriação um obstáculo ao desenvolvimento da própria personalidade. A vida que poderia nascer do encontro sexual torna-se assim o inimigo que se há-de evitar absolutamente, e o aborto a única solução possível diante de uma contracepção falhada.

Infelizmente, emerge cada vez mais a estreita conexão que existe, a nível de mentalidade, entre as práticas da contracepção e do aborto, como o demonstra, de modo alarmante, a produção de dispositivos intra-uterinos e de fármacos administrados por via oral ou injectáveis subcutaneamente, os quais, distribuídos com a mesma facilidade dos contraceptivos, actuam na prática como abortivos nos primeiros dias de desenvolvimento da vida do novo ser humano.

14. Também as várias técnicas de reprodução artificial, que pareceriam estar ao serviço da vida e que, não raro, são praticadas com essa intenção, na realidade abrem a porta a novos atentados contra a vida. Para além do facto de serem moralmente inaceitáveis, porquanto separam a procriação do contexto integralmente humano do acto conjugal, 14 essas técnicas registam altas percentagens de insucesso: este diz respeito não tanto à fecundação como sobretudo ao desenvolvimento sucessivo do embrião, sujeito ao risco de morte em tempos geralmente muito breves. Além disso, são produzidos às vezes embriões em número superior ao necessário para a implantação no útero da mulher e esses, chamados « embriões supranumerários », são depois suprimidos ou utilizados para pesquisas que, a pretexto de progresso científico ou médico, na realidade reduzem a vida humana a simples « material biológico », de que se pode livremente dispor.

Os diagnósticos pré-natais, que não apresentam dificuldades morais quando feitos para individuar a eventualidade de curas necessárias à criança ainda no seio materno, tornam-se, com muita frequência, ocasião para propor e solicitar o aborto. É o aborto eugénico, cuja legitimação, na opinião pública, nasce de uma mentalidade — julgada, erradamente, coerente com as exigências « terapêuticas » — que acolhe a vida apenas sob certas condições, e que recusa a limitação, a deficiência, a enfermidade.

Seguindo a mesma lógica, chegou-se a negar os cuidados ordinários mais elementares, mesmo até a alimentação, a crianças nascidas com graves deficiências ou enfermidades. E o cenário contemporâneo apresenta-se ainda mais desconcertante com as propostas — avançadas aqui e além — para, na mesma linha do direito ao aborto, se legitimar até o infanticídio, retornando assim a um estado de barbárie que se esperava superado para sempre.

15. Ameaças não menos graves pesam também sobre os doentes incuráveis e os doentes terminais, num contexto social e cultural que, tornando mais difícil enfrentar e suportar o sofrimento, aviva a tentação de resolver o problema do sofrimento eliminando-o pela raiz, com a antecipação da morte para o momento considerado mais oportuno.

Para tal decisão concorrem, muitas vezes, elementos de natureza diversa mas infelizmente convergentes para essa terrível saída. Pode ser decisivo, na pessoa doente, o sentimento de angústia, exasperação, ou até desespero, provocado por uma experiência de dor intensa e prolongada. Vêem-se, assim, duramente postos à prova os equilíbrios, por vezes já abalados, da vida pessoal e familiar, de maneira que, por um lado, o doente, não obstante os auxílios cada vez mais eficazes da assistência médica e social, corre o risco de se sentir esmagado pela própria fragilidade; por outro lado, naqueles que lhe estão afectivamente ligados, pode gerar-se um sentimento de compreensível, ainda que mal-entendida, compaixão. Tudo isto fica agravado por uma atmosfera cultural que não vê qualquer significado nem valor no sofrimento, antes considera-o como o mal por excelência, que se há-de eliminar a todo o custo; isto verifica-se especialmente quando não se possui uma visão religiosa que ajude a decifrar positivamente o mistério da dor.

Mas, no conjunto do horizonte cultural, não deixa de incidir também uma espécie de atitude prometéica do homem que, desse modo, se ilude de poder apropriar-se da vida e da morte para decidir delas, quando na realidade acaba derrotado e esmagado por uma morte irremediavelmente fechada a qualquer perspectiva de sentido e a qualquer esperança. Uma trágica expressão de tudo isto, encontramo-la na difusão da eutanásia, ora mascarada e subreptícia, ora actuada abertamente e até legalizada. Para além do motivo de presunta compaixão diante da dor do paciente, às vezes pretende-se justificar a eutanásia também com uma razão utilitarista, isto é, para evitar despesas improdutivas demasiado gravosas para a sociedade. Propõe-se, assim, a supressão dos recém-nascidos defeituosos, dos deficientes profundos, dos inválidos, dos idosos, sobretudo quando não auto-suficientes, e dos doentes terminais. Nem nos é lícito calar frente a outras formas mais astuciosas, mas não menos graves e reais, de eutanásia, como são as que se poderiam verificar, por exemplo, quando, para aumentar a disponibilidade de material para transplantes, se procedesse à extracção dos órgãos sem respeitar os critérios objectivos e adequados de certificação da morte do dador.

16. Outro motivo actual, que frequentemente é acompanhado por ameaças e atentados à vida, é o fenómeno demográfico. Este reveste aspectos diversos, nas várias partes do mundo: nos países ricos e desenvolvidos, regista-se uma preocupante diminuição ou queda da natalidade; os países pobres, ao contrário, apresentam em geral uma elevada taxa de aumento da população, dificilmente suportável num contexto de menor progresso económico e social, ou até de grave subdesenvolvimento. Face ao sobrepovoamento dos países pobres, verifica-se, a nível internacional, a falta de intervenções globais — sérias políticas familiares e sociais, programas de crescimento cultural e de justa produção e distribuição dos recursos — enquanto se continuam a actuar políticas anti-natalistas.

Devendo, sem dúvida, incluir-se a contracepção, a esterilização e o aborto entre as causas que contribuem para determinar as situações de forte queda da natalidade, pode ser fácil a tentação de recorrer aos mesmos métodos e atentados contra a vida, nas situações de « explosão demográfica ».

O antigo Faraó, sentindo como um íncubo a presença e a multiplicação dos filhos de Israel, sujeitou-os a todo o tipo de opressão e ordenou que fossem mortas todas as crianças do sexo masculino (cf. Ex 1, 7-22). Do mesmo modo se comportam hoje bastantes poderosos da terra.

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Êxodo 1, 7-22

Matos Soares (Êxodo 1, 7-19): 7 os filhos de Israel cresceram e multiplicaram-se: tendo-se tornado extremamente numerosos e fortes, encheram aquela terra. 8 Entretanto levantou-se no Egípto um novo rei, que não conhecia José, 9 e disse ao seu povo: O povo dos filhos de Israel é mais numeroso e forte que nós. 10 Vinde, oprimámo-Io com astúcia para que ele não se multiplique e para que, se sobrevier contra nós alguma guerra, se não una contra os nossos inimigos, e, depois de nos vencer; saia deste país. 11 Portanto estabeleceu sobre eles inspectores de obras, para os oprimirem com trabalhos penosos; assim edificaram a Faraó, para servirem de armazéns, as cidades de Fitom e Ramessés. 12 Mas, quanto mais os oprimiam, tanto mais se multiplicavam e cresciam. 13 Os Egípcios odiavam os filhos de Israel e os afligiam com insultos, 14 fazendo-lhes passar uma vida amarga com penosos trabalhos de barro, de tejolos e do campo, com toda espécie de Serviço duramente imposto. 15 O rei do Egipto falou também às parteiras dos hebreus, uma das quais se chamava Séfoira, e a outra Fua, 16 ordenando-lhes: Quando assistirdes às mulheres hebreias, e chegar o tempo do parto se for menino, matai-o, se for menina, conservai-a. 17 Contudo as parteiras temeram a Deus e não obedeceram à ordem do rei do Egipto, mas conservavam os meninos. 18 Então, tendo-as chamado, o rei disse-lhes: O que é que quisestes fazer, conservando os meninos? […]

Bíblia Portuguesa Mundial (Êxodo 1, 7-19): 7 Os filhos de Israel foram frutíferos, aumentaram abundantemente, multiplicaram-se e tornaram-se extremamente poderosos; e a terra se encheu deles. 8 Ora, levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecia a José. 9 Ele disse ao seu povo: “Eis que, o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais poderoso do que nós. 10 Venham, vamos agir com sabedoria para com eles, para que não se multipliquem e aconteça que, se estourar alguma guerra, eles também se juntem aos nossos inimigos, lutem contra nós e escapem da terra.” 11 Portanto, colocaram sobre eles feitores para afligi-los com seus fardos. Eles construíram cidades-armazéns para o Faraó: Pitom e Ramsés. 12 Mas quanto mais os afligiam, mais eles se multiplicavam e mais se espalhavam. Eles começaram a ter pavor dos filhos de Israel. 13 Os egípcios forçaram os filhos de Israel a servir com crueldade, 14 e tornaram suas vidas amargas com o duro serviço em argamassa e em tijolos, e em todos os tipos de serviço no campo, todo o seu serviço, no qual os forçaram a servir com crueldade. 15 O rei do Egito falou com as parteiras hebréias, das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá, 16 e ele disse: “Quando vocês fizerem o trabalho de parteira para as mulheres hebréias e as virem na cadeira de parto, se for um filho, então vocês o matarão; mas se for uma filha, então ela viverá.” 17 Mas as parteiras temeram a Deus, e não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenou, mas deixaram os meninos vivos. 18 O rei do Egito chamou as parteiras e lhes disse: “Por que vocês fizeram isso e deixaram os meninos vivos?” […]

Também estes vêem como um íncubo o crescimento demográfico em acto, e temem que os povos mais prolíferos e mais pobres representem uma ameaça para o bem-estar e a tranquilidade dos seus países. Consequentemente, em vez de procurarem enfrentar e resolver estes graves problemas dentro do respeito da dignidade das pessoas e das famílias e do inviolável direito de cada homem à vida, preferem promover e impor, por qualquer meio, um maciço planeamento da natalidade. As próprias ajudas económicas, que se dizem dispostos a dar, ficam injustamente condicionadas à aceitação desta política anti-natalista.

17. A humanidade de hoje oferece-nos um espectáculo verdadeiramente alarmante, se pensarmos não só aos diversos âmbitos em que se realizam os atentados à vida, mas também à singular dimensão numérica dos mesmos, bem como ao múltiplo e poderoso apoio que lhes é dado pelo amplo consenso social, pelo frequente reconhecimento legal, pelo envolvimento de uma parte dos profissionais da saúde.

Como senti dever bradar em Denver, por ocasião do VIII Dia Mundial da Juventude, « com o tempo, as ameaças contra a vida não diminuíram. Elas, ao contrário, assumem dimensões enormes. Não se trata apenas de ameaças vindas do exterior, de forças da natureza ou dos « Cains » que assassinam os « Abéis »; não, trata-se de ameaças programadas de maneira científica e sistemática. O século XX ficará considerado uma época de ataques maciços contra a vida, uma série infindável de guerras e um massacre permanente de vidas humanas inocentes. Os falsos profetas e os falsos mestres conheceram o maior sucesso possível ». 15 Para além das intenções, que podem ser várias e quiçá assumir formas persuasivas em nome até da solidariedade, a verdade é que estamos perante uma objectiva « conjura contra a vida » que vê também implicadas Instituições Internacionais, empenhadas a encorajar e programar verdadeiras e próprias campanhas para difundir a contracepção, a esterilização e o aborto. Não se pode negar, enfim, que os mass-media são frequentemente cúmplices dessa conjura, ao abonarem junto da opinião pública aquela cultura que apresenta o recurso à contracepção, à esterilização, ao aborto e à própria eutanásia como sinal do progresso e conquista da liberdade, enquanto descrevem como inimigas da liberdade e do progresso as posições incondicionalmente a favor da vida.

« Sou, porventura, guarda do meu irmão? » (Gn 4, 9): uma noção perversa de liberdade

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Gênesis 4, 9

Matos Soares: 9 E o Senhor disse a Caim: onde está teu irmão Abel? E ele respondeu: não sei. Porventura sou eu o guarda de meu irmão?

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 O SENHOR disse a Caim: “Onde está Abel, seu irmão?” Ele respondeu: “Eu não sei. Sou eu o guardador do meu irmão?”

18. O panorama descrito requer ser conhecido não somente nos fenómenos de morte que o caracterizam, mas também nas múltiplas causas que o determinam. A pergunta do Senhor « que fizeste? » (Gn 4, 10) quase parece um convite dirigido a Caim para que, ultrapassando a materialidade do gesto homicida, veja toda a gravidade nas motivações que estão na sua origem e nas consequências que dele derivam.

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Gênesis 4, 10

Matos Soares: 10 E o Senhor disse-lhe: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão ergue o seu clamor da terra até mim.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O SENHOR disse: “O que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra.

As opções contra a vida nascem, às vezes, de situações difíceis ou mesmo dramáticas de profundo sofrimento, de solidão, de carência total de perspectivas económicas, de depressão e de angústia pelo futuro. Estas circunstâncias podem atenuar, mesmo até notavelmente, a responsabilidade subjectiva e, consequentemente, a culpabilidade daqueles que realizam tais opções em si mesmas criminosas. Hoje, todavia, o problema estende-se muito para além do reconhecimento, sempre necessário, destas situações pessoais. Põe-se também no plano cultural, social e político, onde apresenta o seu aspecto mais subversivo e perturbador na tendência, cada vez mais largamente compartilhada, de interpretar os mencionados crimes contra a vida como legítimas expressões da liberdade individual, que hão-de ser reconhecidas e protegidas como verdadeiros e próprios direitos.

Chega assim a uma viragem de trágicas consequências, um longo processo histórico, o qual, depois de ter descoberto o conceito de « direitos humanos » — como direitos inerentes a cada pessoa e anteriores a qualquer Constituição e legislação dos Estados —, incorre hoje numa estranha contradição: precisamente numa época em que se proclamam solenemente os direitos invioláveis da pessoa e se afirma publicamente o valor da vida, o próprio direito à vida é praticamente negado e espezinhado, particularmente nos momentos mais emblemáticos da existência, como são o nascer e o morrer.

Por um lado, as várias declarações dos direitos do homem e as múltiplas iniciativas que nelas se inspiram, indicam a consolidação a nível mundial de uma sensibilidade moral mais diligente em reconhecer o valor e a dignidade de cada ser humano enquanto tal, sem qualquer distinção de raça, nacionalidade, religião, opinião política, estrato social.

Por outro lado, a estas nobres proclamações contrapõem-se, infelizmente nos factos, a sua trágica negação. Esta é ainda mais desconcertante, antes mais escandalosa, precisamente porque se realiza numa sociedade que faz da afirmação e tutela dos direitos humanos o seu objectivo principal e, conjuntamente, o seu título de glória. Como pôr de acordo essas repetidas afirmações de princípio com a contínua multiplicação e a difusa legitimação dos atentados à vida humana? Como conciliar estas declarações com a recusa do mais débil, do mais carenciado, do idoso, daquele que acaba de ser concebido? Estes atentados encaminham-se exactamente na direcção contrária à do respeito pela vida e representam uma ameaça frontal a toda a cultura dos direitos do homem. É uma ameaça capaz, em última análise, de pôr em risco o próprio significado da convivência democrática: de sociedade de « con-viventes », as nossas cidades correm o risco de passar a sociedade de excluídos, marginalizados, irradiados e suprimidos. Se depois o olhar se alarga ao horizonte mundial, como não pensar que a afirmação dos direitos das pessoas e dos povos, verificada em altas reuniões internacionais, se reduz a um estéril exercício retórico, se lá não é desmascarado o egoísmo dos países ricos que fecham aos países pobres o acesso ao desenvolvimento ou o condicionam a proibições absurdas de procriação, contrapondo o progresso ao homem? Porventura não é de pôr em discussão os próprios modelos económicos, adoptados pelos Estados frequentemente também por pressões e condicionamentos de carácter internacional, que geram e alimentam situações de injustiça e violência, nas quais a vida humana de populações inteiras fica degradada e espezinhada?

19. Onde estão as raízes de uma contradição tão paradoxal?

Podemo-las individuar em avaliações globais de ordem cultural e moral, a começar daquela mentalidade que, exasperando e até deformando o conceito de subjectividade, só reconhece como titular de direitos quem se apresente com plena ou, pelo menos, incipiente autonomia e esteja fora da condição de total dependência dos outros. Mas, como conciliar tal impostação com a exaltação do homem enquanto ser « não-disponível »? A teoria dos direitos humanos funda-se precisamente na consideração do facto de o homem, ao contrário dos animais e das coisas, não poder estar sujeito ao domínio de ninguém. Deve-se acenar ainda àquela lógica que tende a identificar a dignidade pessoal com a capacidade de comunicação verbal e explícita e, em todo o caso, experimentável. Claro que, com tais pressupostos, não há espaço no mundo para quem, como o nascituro ou o doente terminal, é um sujeito estruturalmente débil, parece totalmente à mercê de outras pessoas e radicalmente dependente delas, e sabe comunicar apenas mediante a linguagem muda de uma profunda simbiose de afectos. Assim a força torna-se o critério de decisão e de acção, nas relações interpessoais e na convivência social. Mas isto é precisamente o contrário daquilo que, historicamente, quis afirmar o Estado de direito, como comunidade onde as « razões da força » são substituídas pela « força da razão ».

A outro nível, as raízes da contradição que se verifica entre a solene afirmação dos direitos do homem e a sua trágica negação na prática, residem numa concepção da liberdade que exalta o indivíduo de modo absoluto e não o predispõe para a solidariedade, o pleno acolhimento e serviço do outro. Se é certo que, por vezes, a supressão da vida nascente ou terminal aparece também matizada com um sentido equivocado de altruísmo e de compaixão humana, não se pode negar que tal cultura de morte, no seu todo, manifesta uma concepção da liberdade totalmente individualista que acaba por ser a liberdade dos « mais fortes » contra os débeis, destinados a sucumbir.

Precisamente neste sentido, se pode interpretar a resposta de Caim à pergunta do Senhor « onde está Abel, teu irmão? »: « Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão? » (Gn 4, 9). Sim, todo o homem é « guarda do seu irmão », porque Deus confia o homem ao homem. E é tendo em vista também tal entrega que Deus dá a cada homem a liberdade, que possui uma dimensão relacional essencial. Trata-se de um grande dom do Criador, quando colocada como deve ser ao serviço da pessoa e da sua realização mediante o dom de si e o acolhimento do outro; quando, pelo contrário, a liberdade é absolutizada em chave individualista, fica esvaziada do seu conteúdo originário e contestada na sua própria vocação e dignidade.

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Gênesis 4, 9

Matos Soares: 9 E o Senhor disse a Caim: onde está teu irmão Abel? E ele respondeu: não sei. Porventura sou eu o guarda de meu irmão?

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 O SENHOR disse a Caim: “Onde está Abel, seu irmão?” Ele respondeu: “Eu não sei. Sou eu o guardador do meu irmão?”

Mas há um aspecto ainda mais profundo a sublinhar: a liberdade renega-se a si mesma, autodestrói-se e predispõe-se à eliminação do outro, quando deixa de reconhecer e respeitar a sua ligação constitutiva com a verdade. Todas as vezes que a razão humana, querendo emancipar-se de toda e qualquer tradição e autoridade, se fecha até às evidências primárias de uma verdade objectiva e comum, fundamento da vida pessoal e social, a pessoa acaba por assumir como única e indiscutível referência para as próprias decisões, não já a verdade sobre o bem e o mal, mas apenas a sua subjectiva e volúvel opinião ou, simplesmente, o seu interesse egoísta e o seu capricho.

20. Nesta concepção da liberdade, a convivência social fica profundamente deformada. Se a promoção do próprio eu é vista em termos de autonomia absoluta, inevitavelmente chega-se à negação do outro, visto como um inimigo de quem defender-se. Deste modo, a sociedade torna-se um conjunto de indivíduos, colocados uns ao lado dos outros mas sem laços recíprocos: cada um quer afirmar-se independentemente do outro, mais, quer fazer prevalecer os seus interesses. Todavia, na presença de análogos interesses da parte do outro, terá de se render a procurar qualquer forma de compromisso, se se quer que, na sociedade, seja garantido a cada um o máximo de liberdade possível. Deste modo, diminui toda a referência a valores comuns e a uma verdade absoluta para todos: a vida social aventura-se pelas areias movediças de um relativismo total. Então, tudo é convencional, tudo é negociável: inclusivamente o primeiro dos direitos fundamentais, o da vida.

É aquilo que realmente acontece, mesmo no âmbito mais especificamente político e estatal: o primordial e inalienável direito à vida é posto em discussão ou negado com base num voto parlamentar ou na vontade de uma parte — mesmo que seja maioritária — da população. É o resultado nefasto de um relativismo que reina incontestado: o próprio « direito » deixa de o ser, porque já não está solidamente fundado sobre a inviolável dignidade da pessoa, mas fica sujeito à vontade do mais forte. Deste modo e para descrédito das suas regras, a democracia caminha pela estrada de um substancial totalitarismo. O Estado deixa de ser a « casa comum », onde todos podem viver segundo princípios de substancial igualdade, e transforma-se num Estado tirano, que presume de poder dispor da vida dos mais débeis e indefesos, desde a criança ainda não nascida até ao idoso, em nome de uma utilidade pública que, na realidade, não é senão o interesse de alguns.

Tudo parece acontecer no mais firme respeito da legalidade, pelo menos quando as leis, que permitem o aborto e a eutanásia, são votadas segundo as chamadas regras democráticas. Na verdade, porém, estamos perante uma mera e trágica aparência de legalidade, e o ideal democrático, que é verdadeiramente tal apenas quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana, é atraiçoado nas suas próprias bases: « Como é possível falar ainda de dignidade de toda a pessoa humana, quando se permite matar a mais débil e a mais inocente? Em nome de qual justiça se realiza a mais injusta das discriminações entre as pessoas, declarando algumas dignas de ser defendidas, enquanto a outras esta dignidade é negada? ». 16 Quando se verificam tais condições, estão já desencadeados aqueles mecanismos que levam à dissolução da convivência humana autêntica e à desagregação da própria realidade estatal.

Reivindicar o direito ao aborto, ao infanticídio, à eutanásia, e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade: « Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado » (Jo 8, 34).

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João 8, 34

Matos Soares: 34 Jesus respondeu-lhes: “Em verdade, em verdade vos digo que todo o que comete o pecado, é escravo do pecado.

Bíblia Portuguesa Mundial: 34 Jesus lhes respondeu: “Em verdade, em verdade lhes digo: todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.

« Obrigado a ocultar-me longe da tua face » (Gn 4, 14): o eclipse do sentido de Deus e do homem

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Gênesis 4, 14

Matos Soares: 14 Eis que tu hoje me expulsas desta terra, e eu me esconderei da tua face, e serei vagabundo e fugitivo na terra; portanto todo o que me achar, me matará.

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Eis que hoje o Senhor me expulsa da face da terra. Estarei escondido da sua face, e serei um fugitivo e um errante pela terra. Quem me encontrar me matará.”

21. Quando se procuram as raízes mais profundas da luta entre a « cultura da vida » e a « cultura da morte », não podemos deter-nos na noção perversa de liberdade acima referida. É necessário chegar ao coração do drama vivido pelo homem contemporâneo: o eclipse do sentido de Deus e do homem, típico de um contexto social e cultural dominado pelo secularismo que, com os seus tentáculos invasivos, não deixa às vezes de pôr à prova as próprias comunidades cristãs. Quem se deixa contagiar por esta atmosfera, entra facilmente na voragem de um terrível círculo vicioso: perdendo o sentido de Deus, tende-se a perder também o sentido do homem, da sua dignidade e da sua vida; por sua vez, a sistemática violação da lei moral, especialmente na grave matéria do respeito da vida humana e da sua dignidade, produz uma espécie de ofuscamento progressivo da capacidade de enxergar a presença vivificante e salvífica de Deus.

Podemos, mais uma vez, inspirar-nos na narração da morte de Abel provocada pelo seu irmão. Depois da maldição infligida por Deus a Caim, este dirige-se ao Senhor dizendo: « A minha culpa é grande demais para obter perdão. Expulsas-me hoje desta terra; obrigado a ocultar-me longe da tua face, terei de andar fugitivo e vagabundo pela terra, e o primeiro a encontrar-me matar-me-á » (Gn 4, 13-14).

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Gênesis 4, 13-14

Matos Soares: 13 E Caim disse ao Senhor: Insuportavelmente grande é o meu castigo, grande demais para que eu mereça perdão. 14 Eis que tu hoje me expulsas desta terra, e eu me esconderei da tua face, e serei vagabundo e fugitivo na terra; portanto todo o que me achar, me matará.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Caim disse ao SENHOR: “Meu castigo é maior do que posso suportar. 14 Eis que hoje o Senhor me expulsa da face da terra. Estarei escondido da sua face, e serei um fugitivo e um errante pela terra. Quem me encontrar me matará.”

Caim pensa que o seu pecado não poderá obter perdão do Senhor e que o seu destino inevitável será « ocultar-se longe » d’Ele. Se Caim chega a confessar que a sua culpa é « grande demais », é por saber que se encontra diante de Deus e do seu justo juízo. Na realidade, só diante do Senhor é que o homem pode reconhecer o seu pecado e perceber toda a sua gravidade. Tal foi a experiência de David, que, depois « de ter feito o que é mal aos olhos do Senhor » e de ser repreendido pelo profeta Natã (cf. 2 Sam 11-12), exclama: « Eu reconheço os meus pecados, e as minhas culpas tenho-as sempre diante de mim. Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos » (Sal 51 [50], 5-6).

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Salmos 51, 5-6

Matos Soares (Salmos 50, 5-6): 5 Porque eu reconheço a minha maldade, e o meu pecado está sempre diante de mim. 6 Pequei contra ti só, fiz o que é mau diante dos teus olhos, para que te manifestes justo na tua sentença, recto no teu juízo. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 51, 3-4): 3 Pois eu conheço as minhas transgressões. O meu pecado está sempre diante de mim. 4 Contra ti, e só contra ti, eu pequei, e fiz o que é mau aos teus olhos, para que sejas provado justo quando falas, e justificado quando julgas.

22. Por isso, quando declina o sentido de Deus, também o sentido do homem fica ameaçado e adulterado, como afirma de maneira lapidar o Concílio Vaticano II: « Sem o Criador, a criatura não subsiste. (…) Antes, se se esquece Deus, a própria criatura se obscurece ». 17 O homem deixa de conseguir sentir-se como « misteriosamente outro » face às diversas criaturas terrenas; considera-se apenas como um de tantos seres vivos, como um organismo que, no máximo, atingiu um estado muito elevado de perfeição. Fechado no estreito horizonte da sua dimensão física, reduz-se de certo modo a « uma coisa », deixando de captar o carácter « transcendente » do seu « existir como homem ». Deixa de considerar a vida como um dom esplêndido de Deus, uma realidade « sagrada » confiada à sua responsabilidade e, consequentemente, à sua amorosa defesa, à sua « veneração ». A vida torna-se simplesmente « uma coisa », que ele reivindica como sua exclusiva propriedade, que pode plenamente dominar e manipular.

Assim, diante da vida que nasce e da vida que morre, o homem já não é capaz de se deixar interrogar sobre o sentido mais autêntico da sua existência, assumindo com verdadeira liberdade estes momentos cruciais do próprio « ser ». Preocupa-se somente com o « fazer », e, recorrendo a qualquer forma de tecnologia, moureja a programar, controlar e dominar o nascimento e a morte. Estes acontecimentos, em vez de experiências primordiais que requerem ser « vividas », tornam-se coisas que se pretende simplesmente « possuir » ou « rejeitar ».

Aliás, uma vez excluída a referência a Deus, não surpreende que o sentido de todas as coisas resulte profundamente deformado, e a própria natureza, já não vista como mater 1, fique reduzida a « material » sujeito a todas as manipulações. A isto parece conduzir certa mentalidade técnico-científica, predominante na cultura contemporânea, que nega a ideia mesma de uma verdade própria da criação que se há-de reconhecer, ou de um desígnio de Deus sobre a vida que temos de respeitar. E isto não é menos verdade, quando a angústia pelos resultados de tal « liberdade sem lei » induz alguns à exigência oposta de uma « lei sem liberdade », como sucede, por exemplo, em ideologias que contestam a legitimidade de qualquer forma de intervenção sobre a natureza, como que em nome de uma sua « divinização », o que uma vez mais menospreza a sua dependência do desígnio do Criador.

Na realidade, vivendo « como se Deus não existisse », o homem perde o sentido não só do mistério de Deus, mas também do mistério do mundo, e do mistério do seu próprio ser.

23. O eclipse do sentido de Deus e do homem conduz inevitavelmente ao materialismo prático, no qual prolifera o individualismo, o utilitarismo e o hedonismo. Também aqui se manifesta a validade perene daquilo que escreve o Apóstolo: « Como não procuraram ter de Deus conhecimento perfeito, entregou-os Deus a um sentimento pervertido, a fim de que fizessem o que não convinha (Rm 1, 28). Assim os valores do ser ficam substituídos pelos do ter.

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Romanos 1, 28

Matos Soares: 28 E, como não procuraram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, que os levou a fazer o que não convém,

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 E, como se recusaram a reconhecer a Deus, Deus os entregou a uma mente reprovada, para fazerem o que não convém;

O único fim que conta, é a busca do próprio bem-estar material. A chamada « qualidade de vida » é interpretada prevalente ou exclusivamente como eficiência económica, consumismo desenfreado, beleza e prazer da vida física, esquecendo as dimensões mais profundas da existência, como são as interpessoais, espirituais e religiosas.

Em tal contexto, o sofrimento — peso inevitável da existência humana mas também factor de possível crescimento pessoal —, é « deplorado », rejeitado como inútil, ou mesmo combatido como mal a evitar sempre e por todos os modos. Quando não é possível superá-lo e a perspectiva de um bem-estar, pelo menos futuro, se desvanece, parece então que a vida perdeu todo o significado e cresce no homem a tentação de reivindicar o direito à sua eliminação.

Sempre no mesmo horizonte cultural, o corpo deixa de ser visto como realidade tipicamente pessoal, sinal e lugar da relação com os outros, com Deus e com o mundo. Fica reduzido à dimensão puramente material: é um simples complexo de órgãos, funções e energias, que há-de ser usado segundo critérios de mero prazer e eficiência. Consequentemente, também a sexualidade fica despersonalizada e instrumentalizada: em lugar de ser sinal, lugar e linguagem do amor, ou seja, do dom de si e do acolhimento do outro na riqueza global da pessoa, torna-se cada vez mais ocasião e instrumento de afirmação do próprio eu e de satisfação egoísta dos próprios desejos e instintos. Deste modo se deforma e falsifica o conteúdo original da sexualidade humana, e os seus dois significados — unitivo e procriativo —, inerentes à própria natureza do acto conjugal, acabam artificialmente separados: assim a união é atraiçoada e a fecundidade fica sujeita ao arbítrio do homem e da mulher. A geração torna-se, então, o « inimigo » a evitar no exercício da sexualidade: se aceite, é-o apenas porque exprime o próprio desejo ou mesmo a determinação de ter o filho « a todo o custo », e não já porque significa total acolhimento do outro e, por conseguinte, abertura à riqueza de vida que o filho é portador.

Na perspectiva materialista até aqui descrita, as relações interpessoais experimentam um grave empobrecimento. E os primeiros a sofrerem os danos são a mulher, a criança, o enfermo ou atribulado, o idoso. O critério próprio da dignidade pessoal — isto é, o do respeito, do altruísmo e do serviço — é substituído pelo critério da eficiência, do funcional e da utilidade: o outro é apreciado não por aquilo que « é », mas por aquilo que « tem, faz e rende ». É a supremacia do mais forte sobre o mais fraco.

24. É no íntimo da consciência moral que se consuma o eclipse do sentido de Deus e do homem, com todas as suas múltiplas e funestas consequências sobre a vida. Em questão está, antes de mais, a consciência de cada pessoa, onde esta, na sua unicidade e irrepetibilidade, se encontra a sós com Deus. 18 Mas, em certo sentido, é posta em questão também a « consciência moral » da sociedade: esta é, de algum modo, responsável, não só porque tolera ou favorece comportamentos contrários à vida, mas também porque alimenta a « cultura da morte », chegando a criar e consolidar verdadeiras e próprias « estruturas de pecado » contra a vida. A consciência moral, tanto do indivíduo como da sociedade, está hoje — devido também à influência invasora de muitos meios de comunicação social —, exposta a um perigo gravíssimo e mortal: o perigo da confusão entre o bem e o mal, precisamente no que se refere ao fundamental direito à vida. Uma parte significativa da sociedade actual revela-se tristemente semelhante àquela humanidade que Paulo descreve na Carta aos Romanos. É feita « de homens que sufocam a verdade na injustiça » (1, 18): tendo renegado Deus e julgando poder construir a cidade terrena sem Ele, « desvaneceram nos seus pensamentos », pelo que « se obscureceu o seu insensato coração » (1, 21); « considerando-se sábios, tornaram-se néscios » (1, 22), fizeram-se autores de obras dignas de morte, e « não só as cometem, como também aprovam os que as praticam » (1, 32). Quando a consciência, esse luminoso olhar da alma (cf. Mt 6, 22-23), chama « bem ao mal e mal ao bem » ( Is 5, 20), está já no caminho da sua degeneração mais preocupante e da mais tenebrosa cegueira moral.

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Mateus 6, 22-23

Matos Soares: 22 O olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho for são, todo o teu corpo terá luz. (ver nota) 23 Mas, se teu olho for defeituoso, todo o teu corpo estará em trevas. Se pois a luz, que há em ti, é trevas, quão espessas serão as próprias trevas!

Bíblia Portuguesa Mundial: 22 “O olho é a candeia do corpo. Portanto, se o seu olho for bom, todo o seu corpo será cheio de luz. 23 Mas, se o seu olho for mau, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está em você for trevas, quão grandes serão essas trevas!

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Isaías 5, 20

Matos Soares: 20 Ai de vós os que ao mal chamais bem, e ao bem mal, que tomais as trevas por luz, e a luz por trevas, que tendes o amargo por doce, e o doce por amargo!

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 Ai daqueles que chamam ao mal bem, e ao bem mal; que colocam as trevas por luz, e a luz por trevas; que colocam o amargo por doce, e o doce por amargo!

Mas todos esses condicionalismos e tentativas de impor silêncio não conseguem sufocar a voz do Senhor, que ressoa na consciência de cada homem: é sempre deste sacrário íntimo da consciência que pode recomeçar um novo caminho de amor, de acolhimento e de serviço à vida humana.

« Aproximaste-vos do sangue de aspersão » (cf. Heb 12, 22.24): sinais de esperança e convite ao compromisso

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Hebreus 12, 22.24

Matos Soares: 22 Vós, porém, aproximastes-vos da montanha de Sião e da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste e da multidão de muitos milhares de anjos, […] 24 e de Jesus, mediador da nova aliança, e do sangue purificador, que fala melhor que o de Abel.

Bíblia Portuguesa Mundial: 22 Mas vocês chegaram ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a inumeráveis multidões de anjos, […] 24 a Jesus, o mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.

25. « A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim! » (Gn 4, 10). Não é só a voz do sangue de Abel, o primeiro inocente morto, a gritar por Deus, fonte e defensor da vida. Também o sangue de todos os outros homens, assassinados depois de Abel, é voz que brada ao Senhor. De uma forma absolutamente única, porém, grita a Deus a voz do sangue de Cristo, de quem Abel, na sua inocência, é figura profética, como nos recorda o autor da Carta aos Hebreus: « Vós, porém, aproximaste-vos do monte de Sião, da cidade do Deus vivo, (…) de Jesus, o Mediador da Nova Aliança, e de um sangue de aspersão que fala melhor do que o de Abel » (12, 22.24).

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Gênesis 4, 10

Matos Soares: 10 E o Senhor disse-lhe: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão ergue o seu clamor da terra até mim.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O SENHOR disse: “O que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra.

É o sangue de aspersão. Símbolo e sinal prefigurador dele fora o sangue dos sacrifícios da Antiga Aliança, com os quais Deus exprimia a vontade de comunicar a sua vida aos homens, purificando-os e consagrando-os (cf. Ex 24, 8; Lv 17, 11). Agora em Cristo, tudo isso se cumpre e realiza: o d’Ele é o sangue de aspersão que redime, purifica e salva; é o sangue do Mediador da Nova Aliança, « derramado por muitos, em remissão dos pecados » ( Mt 26, 28). Este sangue, que brota do peito trespassado de Cristo na Cruz (cf. Jo 19, 34), « fala melhor » do que o sangue de Abel; aquele, com efeito, exprime e exige uma « justiça » mais profunda, mas sobretudo implora misericórdia, 19 torna-se junto do Pai intercessão pelos irmãos (cf. Heb 7, 25), é fonte de perfeita redenção e dom de vida nova.

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Êxodo 24, 8

Matos Soares: 8 (Moisés) tomou o sangue, derramou-o sobre o povo, e disse: Este é o sangue da aliança que o Senhor celebrou convosco, sobre todas estas palavras.

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 Moisés pegou o sangue, aspergiu-o sobre o povo e disse: “Vejam, este é o sangue da aliança que o SENHOR fez com vocês a respeito de todas estas palavras.”

Levítico 17, 11

Matos Soares: 11 porque a vida da carne está no sangue, e eu dei-o a vós, para que com ele façais expiações sobre o altar pelas vossas almas: o sangue expia, por ser vida. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 11 Pois a vida da carne está no sangue. Eu o dei a vocês sobre o altar para fazer expiação pelas suas almas; pois é o sangue que faz expiação em virtude da vida.

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Mateus 26, 28

Matos Soares: 28 Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que será derramado por muitos para remissão dos pecados. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 pois isto é o meu sangue da nova aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados.

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João 19, 34

Matos Soares: 34 mas um dos soldados traspassou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 34 No entanto, um dos soldados perfurou o seu lado com uma lança, e imediatamente saíram sangue e água.

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Hebreus 7, 25

Matos Soares: 25 Por isso pode salvar perpetuamente os que por ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder em seu favor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 25 Portanto, ele também é capaz de salvar perfeitamente aqueles que se aproximam de Deus por meio dele, visto que vive para sempre para interceder por eles.

O sangue de Cristo, ao mesmo tempo que revela a grandeza do amor do Pai, manifesta também como o homem é precioso aos olhos de Deus e quão inestimável seja o valor da sua vida. Isto mesmo nos recorda o apóstolo Pedro: « Sabei que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição dos vossos pais, não a preço de coisas corruptíveis, prata ou ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro imaculado e sem defeito algum » ( 1 Ped 1, 18-19). Contemplando precisamente o sangue precioso de Cristo, sinal da sua doação de amor (cf. Jo 13, 1), o crente aprende a reconhecer e a apreciar a dignidade quase divina de cada homem, e pode exclamar com incessante e agradecida admiração: « Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se “mereceu tão grande Redentor” (Precónio Pascal), se “Deus deu o seu Filho”, para que ele, o homem, “não pereça, mas tenha a vida eterna” (cf. Jo 3, 16) »! 20

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1 Pedro 1, 18-19

Matos Soares: 18 sabendo que fostes resgastados da nossa vã maneira de viver recebida de vossos pais, não a preço de coisas corruptíveis, de prata ou de ouro, 19 mas pelo precioso sangue de Cristo, o cordeiro sem defeito e sem mancha.

Bíblia Portuguesa Mundial: 18 sabendo que vocês foram redimidos, não com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, do modo de vida inútil que receberam de seus pais, 19 mas com o precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito ou mancha, o sangue de Cristo,

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João 13, 1

Matos Soares: 1 Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Ora, antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai. Ele havia amado os seus que estavam no mundo e os amou até o fim.

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João 3, 16

Matos Soares: 16 Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho unigênito, para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna.

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito , para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Além disso, o sangue de Cristo revela ao homem que a sua grandeza e, consequentemente, a sua vocação consiste no dom sincero de si. Precisamente porque é derramado como dom de vida, o sangue de Jesus já não é sinal de morte, de separação definitiva dos irmãos, mas instrumento de uma comunhão que é riqueza de vida para todos. Quem, no sacramento da Eucaristia, bebe este sangue e permanece em Jesus (cf. Jo 6, 56), vê-se associado ao mesmo dinamismo de amor e doação de vida d’Ele, para levar à plenitude a primordial vocação ao amor que é própria de cada homem (cf. Gn 1, 27; 2, 18-24).

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João 6, 56

Matos Soares: 56 O que come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele.

Bíblia Portuguesa Mundial: 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele.

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Gênesis 1, 27

Matos Soares: 27 E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, varão e fêmea os criou.

Bíblia Portuguesa Mundial: 27 Deus criou o homem à sua própria imagem. À imagem de Deus ele o criou; macho e fêmea ele os criou.

Gênesis 2, 18-24

Matos Soares: 18 Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: façamos-lhe um adjutório semelhante a ele. 19 Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais terrestres, e todas as aves do céu, levou-os diante de Adão, para este ver como os havia de chamar: e todo o nome que Adão pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. 20 E Adão pôs nomes convenientes a todos os animais (domésticos), a todas as aves do céu, e a todos os animais selváticos: mas não se achava para Adão um adjutório semelhante a ele. 21 Mandou, pois, o Senhor Deus um profundo sono a Adão, e, enquanto ele estava dormindo, tirou uma das suas costelas, e pôs carne no lugar dela. 22 E da costela, que tinha tirado de Adão, Formou o Senhor Deus uma mulher, e a levou a Adão. 23 E Adão disse: eis aqui agora o osso de meus ossos e a carne da minha carne; ela se chamará Virago, porque do varão foi tomada. 24 Por isso deixará o homem seu pai e a sua mãe, e se unirá a sua mulher, e os dois serão uma só carne.

Bíblia Portuguesa Mundial: 18 O SENHOR Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Farei para ele uma auxiliadora comparável a ele.” 19 Do solo, o SENHOR Deus formou todos os animais do campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem para ver como ele os chamaria. O que o homem chamou a cada criatura vivente, esse se tornou o seu nome. 20 O homem deu nomes a todo o gado, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não foi encontrada uma auxiliadora comparável a ele. 21 O SENHOR Deus fez o homem cair em um sono profundo. Enquanto o homem dormia, ele tirou uma de suas costelas e fechou a carne em seu lugar. 22 O SENHOR Deus fez uma mulher da costela que havia tirado do homem, e a trouxe ao homem. 23 O homem disse: “Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne. Ela será chamada ‘mulher’, porque do Homem foi tirada.” 24 Portanto, um homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.

É, enfim, do sangue de Cristo que todos os homens recebem a força para se empenharem a favor da vida. Precisamente esse sangue é o motivo mais forte de esperança, melhor é o fundamento da certeza absoluta de que, segundo o desígnio de Deus, a vitória será da vida. « Nunca mais haverá morte » — exclama a voz poderosa que sai do trono de Deus na Jerusalém celeste (Ap 21, 4). E S. Paulo assegura-nos que a vitória actual sobre o pecado é sinal e antecipação da vitória definitiva sobre a morte, quando « se cumprirá o que está escrito: “A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” » (1 Cor 15, 54-55).

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Apocalipse 21, 4

Matos Soares: 4 Enxugar-lhes-á todas as lágrimas dos seus olhos; não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte; nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor. As primeiras coisas já passaram.”

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1 Coríntios 15, 54-55

Matos Soares: 54 Quando, pois, este corpo corruptível se tiver revestido da incorruptibilidade e este corpo mortal se tiver revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória (Is. 25, 8). 55 Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? (Os. 13, 14). (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 54 Mas, quando este corpo perecível se tornar imperecível, e este corpo mortal se revestir da imortalidade, então acontecerá o que está escrito: “A morte foi tragada pela vitória.” 55 “Morte, onde está o seu aguilhão? Hades, onde está a sua vitória?”

26. Na realidade, não faltam prenúncios desta vitória nas nossas sociedade e culturas, apesar de marcadas tão fortemente pela « cultura da morte ». Dar-se-ia, por conseguinte, uma imagem unilateral que poderia induzir a um estéril desânimo, se a denúncia das ameaças contra a vida não fosse acompanhada pela apresentação dos sinais positivos, operantes na actual situação da humanidade.

Infelizmente, estes sinais positivos têm com frequência dificuldade em manifestar-se e ser reconhecidos, talvez também porque não recebem adequada atenção dos meios de comunicação social. Mas quantas iniciativas de ajuda e amparo às pessoas mais débeis e indefesas surgiram — e continuam a surgir — na comunidade cristã e na sociedade, a nível local, nacional e internacional, por obra de indivíduos, grupos, movimentos e organizações de vário género!

Muitos são ainda os esposos que, com generosa responsabilidade, sabem acolher os filhos como « o maior dom do matrimónio ». 21 E não faltam famílias que, para além do seu serviço quotidiano à vida, sabem também abrir-se ao acolhimento de crianças abandonadas, de adolescentes e jovens em dificuldade, de pessoas inválidas, de idosos que vivem na solidão. Numerosos são os centros de ajuda à vida ou instituições análogas, dinamizadas por pessoas e grupos que, com admirável dedicação e sacrifício, oferecem apoio moral e material às mães em dificuldade, tentadas a recorrer ao aborto. Surgem e multiplicam-se ainda os grupos de voluntários, empenhados em dar hospitalidade a quem não tem família, encontra-se em condições de particular dificuldade ou precisa de reencontrar um ambiente educativo que o ajude a superar hábitos destrutivos e recuperar o sentido da vida.

A medicina, promovida com grande empenho por investigadores e profissionais, prossegue no seu esforço por encontrar remédios cada vez mais eficazes: resultados, antes totalmente impensáveis e capazes de abrir promissoras perspectivas, são hoje obtidos em favor da vida nascente, das pessoas que sofrem e dos doentes em fase grave ou terminal. Várias entidades e organizações se mobilizam para levar aos países mais atingidos pela miséria e por doenças crónicas, tais benefícios da medicina mais avançada. Do mesmo modo, associações nacionais e internacionais de médicos movem-se rapidamente, para prestar socorro às populações provadas por calamidades naturais, epidemias ou guerras. Apesar de estar ainda longe da sua plena consecução uma verdadeira justiça internacional na partilha dos recursos médicos, como não reconhecer, nos passos até agora dados, o sinal de crescente solidariedade entre os povos, de apreciável sensibilidade humana e moral, e de maior respeito pela vida?

27. Face a legislações que permitiram o aborto e a tentativas, aqui e além concretizadas, de legalizar a eutanásia, surgiram em todo o mundo movimentos e iniciativas de sensibilização social a favor da vida. Quando estes movimentos, de acordo com a sua inspiração autêntica, agem com determinada firmeza mas sem recorrer à violência, então eles favorecem uma tomada de consciência mais ampla e profunda do valor da vida, fazem apelo e realizam um empenho mais decisivo em sua defesa.

Como não recordar, além disso, todos aqueles gestos diários de acolhimento, de sacrifício, de cuidado desinteressado, que um número incalculável de pessoas realiza com amor nas famílias, nos hospitais, nos orfanatos, nos lares da terceira idade, e noutros centros ou comunidades em defesa da vida? A Igreja, deixando-se guiar pelo exemplo de Jesus, « bom samaritano » (cf. Lc 10, 29-37), e sustentada pela sua força, sempre esteve em primeira fila nestes confins da caridade: muitos dos seus filhos e filhas, especialmente religiosas e religiosos, em formas antigas e novas, consagraram e continuam a consagrar a sua vida a Deus, dando-a por amor do próximo mais débil e necessitado.

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Lucas 10, 29-37

Matos Soares: 29 Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus, retomando a palavra, disse; “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que o despojaram, e, tendo-lhe feito feridas, retiraram-se, deixando-o meio morto. 31 Ora aconteceu que descia pelo mesmo caminho um sacerdote, o qual, quando o viu, passou de largo. 32 Igualmente um levita, chegando perto daquele lugar, e vendo-o, passou adiante. 33 Um samaritano, porém, que ia de viagem, chegou perto dele, e, quando o viu, moveu-se de compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, lançando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu jumento, levou-o a uma estalagem, e teve cuidado dele. 35 No dia seguinte tirou dois dinheiros, deu-os ao estalajadeiro, e disse-lhe: Tem cuidado dele; quanto gastares a mais, eu to satisferei quando voltar. 36 Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?” 37 Ele respondeu: “O que usou com ele de misericórdia.” Então Jesus disse-lhe: “Vai, e faz tu o mesmo.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 29 Mas ele, desejando justificar a si mesmo, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus respondeu: “Um certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e o espancaram, e se retiraram, deixando-o quase morto. 31 Por acaso, um certo sacerdote descia por aquele caminho. Quando o viu, passou pelo outro lado. 32 Do mesmo modo, também um levita, quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. 33 Mas um certo samaritano, estando de viagem, chegou onde ele estava. Quando o viu, moveu-se de compaixão, 34 aproximou-se dele e atou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Ele o colocou sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. 35 No dia seguinte, ao partir, ele tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e lhe disse: ‘Cuide dele. O que gastar além disso, eu lhe pagarei quando voltar.’ 36 Qual destes três, pois, lhe parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” 37 Ele disse: “Aquele que teve misericórdia dele.” Então Jesus lhe disse: “Vai, e faze tu o mesmo.”

Estes gestos constroem em profundidade aquela « civilização do amor e da vida », sem a qual a existência das pessoas e da sociedade perde o seu significado humano mais autêntico. Ainda que ninguém os notasse, e ficassem escondidos aos olhos dos outros, a fé assegura que o Pai, « que vê no segredo » (Mt 6, 4), saberá não só recompensá-los, mas também torná-los desde já fecundos de frutos duradouros para todos.

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Mateus 6, 4

Matos Soares: 4 para que a tua esmola fique em segredo, e teu Pai, que vê (o que fazes) em segredo, te pagará.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 para que as suas obras de misericórdia sejam feitas em secreto; então o seu Pai, que vê em secreto, o recompensará publicamente.

Entre os sinais de esperança, há que incluir ainda o crescimento, em muitos estratos da opinião pública, de uma nova sensibilidade cada vez mais contrária à guerra como instrumento de solução dos conflitos entre os povos, e sempre mais inclinada à busca de instrumentos eficazes, mas « não violentos », para bloquear o agressor armado. No mesmo horizonte, se coloca igualmente a aversão cada vez mais difusa na opinião pública à pena de morte — mesmo vista só como instrumento de « legítima defesa » social —, tendo em consideração as possibilidades que uma sociedade moderna dispõe para reprimir eficazmente o crime, de forma que, enquanto torna inofensivo aquele que o cometeu, não lhe tira definitivamente a possibilidade de se redimir.

Também ocorre saudar favoravelmente a atenção crescente à qualidade de vida e à ecologia, que se regista sobretudo nas sociedades mais avançadas, nas quais os anseios das pessoas já não estão concentrados tanto sobre os problemas da sobrevivência como sobretudo na procura de um melhoramento global das condições de vida. Particularmente significativo é o despertar da reflexão ética acerca da vida: a aparição e o desenvolvimento cada vez maior da bioética favoreceu a reflexão e o diálogo — entre crentes e não crentes, como também entre crentes de diversas religiões — sobre problemas éticos, mesmo fundamentais, que dizem respeito à vida do homem.

28. Este horizonte de luzes e sombras deve tornar-nos, a todos, plenamente conscientes de que nos encontramos perante um combate gigantesco e dramático entre o mal e o bem, a morte e a vida, a « cultura da morte » e a « cultura da vida ». Encontramo-nos não só « diante », mas necessariamente « no meio » de tal conflito: todos estamos implicados e tomamos parte nele, com a responsabilidade iniludível de decidir incondicionalmente a favor da vida.

Também para nós, ressoa claro e forte o convite de Moisés: « Vê, ofereço-te hoje, de um lado, a vida e o bem; do outro, a morte e o mal. (…) Coloco diante de ti a vida e a morte, a felicidade e a maldição. Escolhe a vida, e então viverás com toda a tua posteridade » (Dt 30, 15.19). É um convite muito apropriado para nós, chamados cada dia a ter de escolher entre a « cultura da vida » e a « cultura da morte ». Mas o apelo do Deuteronómio é ainda mais profundo, porque nos chama a uma opção especificamente religiosa e moral. Trata-se de dar à própria existência uma orientação fundamental, vivendo com fidelidade e coerência a Lei do Senhor: « Recomendo-te hoje que ames o Senhor, teu Deus, que andes nos seus caminhos, que guardes os seus preceitos, suas leis e seus decretos. (…) Escolhe a vida, e então viverás com toda a tua posteridade. Ama o Senhor, teu Deus, escuta a sua voz e permanece-Lhe fiel, porque é Ele a tua vida e a longevidade dos teus dias » (30, 16.19-20).

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Deuteronômio 30, 15.19

Matos Soares: 15 Considera que eu hoje te pus, diante de ti, duma parte a vida e o bem, e doutra parte a morte e o mal […] 19 Eu chamo hoje por testemunhas o céu e a terra, em como vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas tu e a tua posteridade,

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 Eis que hoje coloquei diante de você a vida e a prosperidade, a morte e o mal. […] 19 Hoje chamo os céus e a terra como testemunhas contra você, de que coloquei diante de você a vida e a morte, a bênção e a maldição. Portanto, escolha a vida, para que você viva, você e os seus descendentes,

A decisão incondicional a favor da vida atinge em plenitude o seu significado religioso e moral, quando brota, é plasmada e alimentada pela fé em Cristo. Nada ajuda tanto a enfrentar positivamente o conflito entre a morte e a vida, no qual estamos imersos, como a fé no Filho de Deus que Se fez homem e veio habitar entre os homens, « para que tenham vida, e a tenham em abundância » (Jo 10, 10): é a fé no Ressuscitado, que venceu a morte; é a fé no sangue de Cristo « que fala melhor do que o de Abel » (Heb 12, 24).

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João 10, 10

Matos Soares: 10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que elas tenham vida e estejam na abundância.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.

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Hebreus 12, 24

Matos Soares: 24 e de Jesus, mediador da nova aliança, e do sangue purificador, que fala melhor que o de Abel.

Bíblia Portuguesa Mundial: 24 a Jesus, o mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.

Assim, com a luz e a força desta fé, perante os desafios da situação actual, a Igreja toma consciência mais viva da graça e da responsabilidade, que lhe vêm do seu Senhor, de anunciar, celebrar e servir o Evangelho da vida.

 

CAPÍTULO II

VIM PARA QUE TENHAM VIDA

A MENSAGEM CRISTÃ SOBRE A VIDA

« A vida manifestou-se, nós vimo-la » (1 Jo 1, 2): o olhar voltado para Cristo, « o Verbo da vida »

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1 João 1, 2

Matos Soares: 2 porque a vida se manifestou: nós a vimos, damos dela testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e nos apareceu

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 (e a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testemunhamos, e anunciamos a vocês a vida, a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada);

29. Frente às inumeráveis e graves ameaças contra a vida, presentes no mundo contemporâneo, poder-se-ia ficar como que dominado por um sentido de impotência insuperável: jamais o bem poderá ter força para vencer o mal!

Este é o momento em que o Povo de Deus, e nele cada um dos crentes, é chamado a professar, com humildade e coragem, a própria fé em Jesus Cristo, « o Verbo da vida » (1 Jo 1, 1). O Evangelho da vida não é uma simples reflexão, mesmo se original e profunda, sobre a vida humana; nem é apenas um preceito destinado a sensibilizar a consciência e provocar mudanças significativas na sociedade; tampouco é a ilusória promessa de um futuro melhor. O Evangelho da vida é uma realidade concreta e pessoal, porque consiste no anúncio da própria pessoa de Jesus. Ao apóstolo Tomé, e nele a cada homem, Jesus apresenta-Se com estas palavras: « Eu sou o caminho, a verdade e a vida » (Jo 14, 6). A mesma identidade foi referida a Marta, irmã de Lázaro: « Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim, não morrerá jamais » (Jo 11, 25-26). Jesus é o Filho que, desde toda a eternidade, recebe a vida do Pai (cf. Jo 5, 26) e veio estar com os homens, para os tornar participantes deste dom: « Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância » (Jo 10, 10).

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1 João 1, 1

Matos Soares: 1 O que era desde o principio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos, o que apalparam as nossas mãos relativamente ao Verbo da vida,

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram, a respeito do Verbo da vida

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João 14, 6

Matos Soares: 6 Jesus disse-lhe: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim.

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 Jesus lhe disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.

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João 11, 25-26

Matos Soares: 25 Jesus disse-lhe: “Eu sou a ressurreição e a vida; o que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; 26 e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Crês isto?”

Bíblia Portuguesa Mundial: 25 Jesus lhe disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá. 26 E todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Você crê nisso?”

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João 5, 26

Matos Soares: 26 Com efeito assim como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu ao Filho ter vida em si mesmo;

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Pois, assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.

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João 10, 10

Matos Soares: 10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que elas tenham vida e estejam na abundância.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.

Deste modo, a possibilidade de « conhecer » a verdade plena sobre o valor da vida humana é oferecida ao homem pela palavra, a acção e a própria pessoa de Jesus; e desta « fonte », vem-lhe, de forma especial, a capacidade de « praticar » perfeitamente tal verdade (cf. Jo 3, 21), ou seja, a capacidade de assumir e realizar em plenitude a responsabilidade de amar e servir, de defender e promover a vida humana.

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João 3, 21

Matos Soares: 21 mas aquele que procede segundo a verdade, chega-se para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas segundo Deus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 21 Mas quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que as suas obras sejam manifestas e se veja que são realizadas em Deus.”

Em Cristo, de facto, é anunciado definitivamente e concedido plenamente aquele Evangelho da vida, que, oferecido já na Revelação do Antigo Testamento e, antes ainda, de algum modo escrito no próprio coração de cada homem e mulher, ressoa em toda a consciência « desde o princípio », ou seja, desde a própria criação, de tal modo que, não obstante os condicionalismos negativos do pecado, pode também ser conhecido nos seus traços essenciais pela razão humana. Como escreve o Concílio Vaticano II, Cristo « com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição, enfim, com o envio do Espírito da verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está connosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna ». 22

30. É, pois, com o olhar fixo no Senhor Jesus que desejamos novamente escutar d’Ele « as palavras de Deus » (Jo 3, 34) e meditar o Evangelho da vida. O sentido mais profundo e original desta meditação sobre a mensagem revelada relativa à vida humana foi recolhido pelo apóstolo João, quando escreve, no início da sua Primeira Carta: « O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos apalparam acerca do Verbo da vida, — porque a vida manifestou-se, nós vimo-la, damos testemunho dela e vos anunciamos esta vida eterna que estava no Pai e que nos foi manifestada — o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco » (1, 1-3).

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João 3, 34

Matos Soares: 34 Aquele a quem Deus enviou, fala palavras de Deus, porque Deus não lhe dá o Espírito por medida.

Bíblia Portuguesa Mundial: 34 Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; porque Deus dá o Espírito sem medida.

Então, a vida divina e eterna é anunciada e comunicada em Jesus, « Verbo da vida ». Graças a este anúncio e a este dom, a vida física e espiritual do homem, mesmo na sua fase terrena, adquire plenitude de valor e significado: com efeito, a vida divina e eterna é o fim, para o qual está orientado e chamado o homem que vive neste mundo. Assim, o Evangelho da vida encerra tudo aquilo que a própria experiência e a razão humana dizem acerca do valor da vida humana: acolhe-o, eleva-o e condu-lo à sua plena realização.

« O Senhor é a minha força e a minha glória, foi Ele quem me salvou » (Ex 15, 2): a vida é sempre um bem

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Êxodo 15, 2

Matos Soares: 2 O Senhor é a minha fortaleza, para ele o meu louvor. Foi a minha salvação. Ele é o meu Deus, eu o glorificarei; o Deus de meu pai, eu o exaltarei.

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 O SENHOR é a minha força e o meu cântico. Ele se tornou a minha salvação. Este é o meu Deus, e eu o louvarei; o Deus de meu pai, e eu o exaltarei.

31. Na verdade, a plenitude evangélica do anúncio sobre a vida fora preparada já no Antigo Testamento. É sobretudo nos acontecimentos do Êxodo, fulcro da experiência de fé do Antigo Testamento, que Israel descobre quão preciosa é aos olhos de Deus a sua vida. Quando já parece votado ao extermínio, dado que sobre todos os seus recém-nascidos do sexo masculino grava a ameaça de morte (cf. Ex 1, 15-22), o Senhor revela-Se-lhes como salvador, capaz de assegurar um futuro a quem vive sem esperança. Nasce, assim, em Israel uma certeza bem precisa: a sua vida não se acha à mercê de um faraó que a pode usar com despótico arbítrio; mas, ao contrário, é objecto de um terno e intenso amor da parte de Deus.

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Êxodo 1, 15-22

Matos Soares: 15 O rei do Egipto falou também às parteiras dos hebreus, uma das quais se chamava Séfoira, e a outra Fua, 16 ordenando-lhes: Quando assistirdes às mulheres hebreias, e chegar o tempo do parto se for menino, matai-o, se for menina, conservai-a. 17 Contudo as parteiras temeram a Deus e não obedeceram à ordem do rei do Egipto, mas conservavam os meninos. 18 Então, tendo-as chamado, o rei disse-lhes: O que é que quisestes fazer, conservando os meninos? 19 Elas responderam: As mulheres hebreias não são como as egípcias, pois sabem assistir-se no seu parto, e, antes de nós chegarmos, dão à luz. 20 Por isto, Deus fez bem às parteiras: e o povo cresceu, e se fortificou extraordinàriamente. 21 Visto que as parteiras temeram a Deus, ele fez prosperar as suas casas. 22 Então ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: Tudo o que nascer do sexo masculino lançai-o ao rio: tudo o (que nascer) do sexo feminino conservai-o.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 O rei do Egito falou com as parteiras hebréias, das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá, 16 e ele disse: “Quando vocês fizerem o trabalho de parteira para as mulheres hebréias e as virem na cadeira de parto, se for um filho, então vocês o matarão; mas se for uma filha, então ela viverá.” 17 Mas as parteiras temeram a Deus, e não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenou, mas deixaram os meninos vivos. 18 O rei do Egito chamou as parteiras e lhes disse: “Por que vocês fizeram isso e deixaram os meninos vivos?” 19 As parteiras disseram ao Faraó: “Porque as mulheres hebréias não são como as mulheres egípcias; pois elas são vigorosas e dão à luz antes que a parteira chegue a elas.” 20 Deus tratou bem as parteiras, e o povo se multiplicou e se tornou muito poderoso. 21 Como as parteiras temeram a Deus, ele lhes constituiu famílias. 22 O Faraó ordenou a todo o seu povo, dizendo: “Vocês lançarão no rio todo filho que nascer, e deixarão viva toda filha.”

A libertação da escravidão é o dom de uma identidade, o reconhecimento de uma dignidade indelével e o início de uma história nova, na qual caminham lado a lado a descoberta de Deus e a descoberta de si próprio. A experiência do Êxodo é constitutiva e paradigmática. Lá Israel compreendeu que, todas as vezes que estiver ameaçado na sua existência, terá apenas de recorrer a Deus com renovada confiança para encontrar n’Ele eficaz assistência: « Formei-te, tu és meu servo; Israel, não te posso esquecer » (Is 44, 21).

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Isaías 44, 21

Matos Soares: 21 Lembra-te destas coisas, ó Jacob, ó Israel, porque tu és meu servo; eu formei-te; tu és meu servo, Israel, não te posso esquecer.

Bíblia Portuguesa Mundial: 21 Lembre-se destas coisas, Jacó e Israel, pois você é meu servo. Eu o formei. Você é meu servo. Israel, você não será esquecido por mim.

Assim, enquanto reconhece o valor da própria existência como povo, Israel avança também na percepção do sentido e valor da vida como tal. É uma reflexão que se desenvolve particularmente nos Livros Sapienciais, partindo da experiência quotidiana da precariedade da vida e da consciência das ameaças que a tramam. Diante das contradições da existência, a fé é chamada a dar uma resposta.

É sobretudo o problema da dor, o que mais pressiona a fé e a põe à prova. Como não identificar o gemido universal do homem na meditação do Livro de Job? O inocente esmagado pelo sofrimento é compreensivelmente levado a interrogar-se: « Por que razão foi concedida a luz ao infeliz, e a vida àquele cuja alma está desconsolada, os quais esperam a morte sem que ela venha e a procuram com mais ardor que um tesouro? » (3, 20-21). Mas, mesmo na escuridão mais densa, a fé encaminha para o reconhecimento confiante e adorador do « mistério »: « Sei que podes tudo e que nada Te é impossível » (Job 42, 2).

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Jó 42, 2

Matos Soares: 2 Sei que podes tudo, e que nenhum projeto é, para ti, demasiado difícil.

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 “Sei que o Senhor pode fazer todas as coisas, e que nenhum dos seus planos pode ser frustrado.

Progressivamente a Revelação faz ver, com uma clareza cada vez maior, o germe de vida imortal posto pelo Criador no coração dos homens: « Todas as coisas que Deus fez são boas no seu tempo. Além disso, pôs no coração 1 a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina de um extremo ao outro » (Ecl 3, 11). Este germe de totalidade e plenitude anseia por se manifestar no amor e realizar-se, por dom gratuito de Deus, na participação da sua vida eterna.

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Eclesiastes 3, 11

Matos Soares: 11 Todas as coisas que Deus fez são boas, no seu tempo. Além disso, pôs no seu coração a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina, dum extremo ao outro.

Bíblia Portuguesa Mundial: 11 Ele fez tudo belo no seu tempo. Ele também colocou a eternidade no coração deles, contudo, de modo que o homem não pode descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim.

« Pela fé no nome de Jesus, este homem recobrou as forças » (Act 3, 16): na precariedade da existência humana, Jesus realiza plenamente o sentido da vida

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Atos dos Apóstolos 3, 16

Matos Soares: 16 Mediante a fé em seu nome, é que o seu mesmo nome deu firmeza a este que vós vedes e conheceis; e a fé que vem dele foi que deu a este uma cura perfeita à vista de todos vós.

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Pela fé em seu nome, o seu nome fortaleceu a este homem que vocês veem e conhecem. Sim, a fé que vem por meio dele deu a este homem esta plena saúde diante de todos vocês.

32. A experiência do povo da Aliança renova-se em todos os « pobres » que encontram Jesus de Nazaré. Como Deus, « amante da vida » (Sab 11, 26), já tinha tranquilizado Israel no meio dos perigos, assim agora o Filho de Deus anuncia a quantos se sentem ameaçados e limitados na própria existência, que a sua vida é um bem, ao qual o amor do Pai dá sentido e valor.

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Sabedoria 11, 26

Matos Soares: 26 E como poderia subsistir uma coisa, se tu o não quisesses? Ou de que modo se conservaria o que por ti não fosse chamado?

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Mas poupas todas as coisas porque são tuas, ó Senhor soberano, que amas os seres vivos.

« Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, a boa nova é anunciada aos pobres » (Lc 7, 22). Com estas palavras do profeta Isaías (35, 5-6; 61, 1), Jesus apresenta o significado da sua própria missão: deste modo, aqueles que sofrem por causa de uma existência de qualquer modo « limitada » ouvem d’Ele a boa nova do interesse que Deus nutre por eles e têm a confirmação de que também a sua vida é um dom zelosamente guardado nas mãos do Pai (cf. Mt 6, 25-34).

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Lucas 7, 22

Matos Soares: 22 Depois respondeu-lhes: “Ide referir a João o que vistes e ouvistes: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho;

Bíblia Portuguesa Mundial: 22 Jesus lhes respondeu: “Vão e contem a João as coisas que vocês viram e ouviram: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho.

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Mateus 6, 25-34

Matos Soares: 25 Portanto vos digo: Não vos preocupeis (demasiadamente), nem com a vossa vida, acerca do que haveis de comer, nem com o vosso corpo, acerca do que haveis de vestir. Porventura não vale mais a vida que o alimento, e o corpo mais que o vestido? 26 Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem fazem provisões nos celeiros, e contudo vosso Pai celeste as sustenta. Porventura não valeis vós muito mais do que elas? 27 Qual de vós, por mais que se afadigue, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida? 28 E porque vos inquietais com o vestido? Considerai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. 29 Digo-vos todavia que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 30 Se pois Deus veste assim uma erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé ! 31 Não vos aflijais pois, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? 32 Os gentios é que procuram com excessivo cuidado todas estas coisas. Vosso Pai sabe que tendes necessidade delas. 33 Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34 Não vos preocupeis, pois, demasiadamente, pelo dia de amanhã; o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.

Bíblia Portuguesa Mundial: 25 Portanto, eu lhes digo: não andem ansiosos com a sua vida, quanto ao que vão comer ou beber; nem com o seu corpo, quanto ao que vão vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as roupas? 26 Observem as aves do céu, que não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros. O seu Pai celestial as alimenta. Vocês não têm muito mais valor do que elas? 27 “Quem de vocês, por estar ansioso, pode acrescentar um só momento à sua vida? 28 E por que andam ansiosos quanto às roupas? Considerem os lírios do campo, como eles crescem. Eles não trabalham, nem fiam, 29 contudo, eu lhes digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, vestiu-se como um deles. 30 Mas, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá muito mais vocês, homens de pouca fé? 31 “Portanto, não andem ansiosos, dizendo: ‘O que vamos comer?’, ‘O que vamos beber?’ ou ‘Com que vamos nos vestir?’ 32 Pois os gentios buscam todas essas coisas; mas o seu Pai celestial sabe que vocês precisam de todas elas. 33 Mas busquem primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. 34 Portanto, não andem ansiosos com o dia de amanhã, pois o amanhã terá suas próprias preocupações. Cada dia já tem os seus próprios males.”

Quem se sente particularmente interpelado pela pregação e acção de Jesus, são os « pobres ». As multidões de doentes e marginalizados, que O seguem e procuram (cf. Mt 4, 23-25), encontram na sua palavra e nos seus gestos a revelação do valor imenso da vida deles e de quão fundados sejam os seus anseios de salvação.

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Mateus 4, 23-25

Matos Soares: 23 Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, e pregando o Evangelho do reino (de Deus), e curando todas as enfermidades entre o povo. 24 A sua fama espalhou-se por toda a Síria, e trouxeram-lhe todos os que tinham algum mal, possuídos de vários achaques e dores: possessos, lunáticos, paralíticos; e curava-os. 25 Seguiram-no grandes multidões (de povo) da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.

Bíblia Portuguesa Mundial: 23 Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. 24 As notícias a seu respeito se espalharam por toda a Síria. Trouxeram-lhe todos os que estavam doentes, afligidos por várias doenças e tormentos, endemoninhados, epilépticos e paralíticos; e ele os curou. 25 Grandes multidões da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia e do outro lado do Jordão o seguiam.

Acontece o mesmo na missão da Igreja, já desde as suas origens. Ao anunciar Jesus como Aquele que « andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele » (Act 10, 38), ela sabe que é portadora de uma mensagem de salvação que ressoa, com toda a sua novidade, precisamente nas situações de miséria e pobreza da vida humana. Assim faz Pedro, ao curar o paralítico que estava colocado diariamente junto da porta « Formosa » do templo de Jerusalém a pedir esmola: « Não tenho ouro nem prata, mas vou dar-te o que tenho: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda! » (Act 3, 6). Pela fé em Jesus, « Príncipe da vida » (Act 3, 15), a vida que ali jaz abandonada e suplicante, reencontra a consciência de si mesma e a sua plena dignidade.

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Atos dos Apóstolos 10, 38

Matos Soares: 38 Como Deus ungiu com o Espírito Santo e com poder a Jesus de Nazaré, o qual andou, de lugar em lugar, fazendo bem e sarando todos os oprimidos do demônio, porque Deus era com ele.

Bíblia Portuguesa Mundial: 38 como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte fazendo o bem e curando a todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.

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Atos dos Apóstolos 3, 6

Matos Soares: 6 Mas Pedro disse: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: Em nome de Jesus Cristo de Nazaré, levanta-te e anda.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 Mas Pedro disse: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levante-se e ande!”

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Atos dos Apóstolos 3, 15

Matos Soares: 15 e matastes o autor da vida, a quem Deus ressuscitou dos mortos, do que nós somos testemunhas.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 e mataram o Príncipe da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, e nós somos testemunhas disso.

A palavra e os gestos de Jesus e da sua Igreja não dizem respeito apenas a quem está enfermo, aflito pela provação, ou é vítima das diversas formas de marginalização social. Vão mais fundo, tocando o próprio sentido da vida de cada homem nas suas dimensões morais e espirituais. Só quem reconhece que a própria vida está tocada pelas mazelas do pecado, pode reencontrar a verdade e a autenticidade da própria existência junto de Jesus Salvador, segundo as suas próprias palavras: « Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos, mas os pecadores, que Eu vim chamar ao arrependimento » (Lc 5, 31-32).

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Lucas 5, 31-32

Matos Soares: 31 Jesus respondeu-lhes: “Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. 32 Não vim chamar os justos, mas os pecadores à penitência.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 31 Jesus lhes respondeu: “Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 32 Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.”

Pelo contrário, aquele que à semelhança do rico agricultor da parábola evangélica julga poder assegurar a própria vida com a posse de simples bens materiais, na realidade engana-se. A vida está-lhe escapando, e bem depressa ficará privado dela sem ter chegado a perceber o seu verdadeiro significado: « Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma; e o que acumulaste para quem será? » (Lc 12, 20).

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Lucas 12, 20

Matos Soares: 20 Mas Deus disse-lhe: Néscio, esta noite te virão demandar a tua alma; e as coisas que juntaste, para quem serão?

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 “Mas Deus lhe disse: ‘Louco, esta noite a sua alma lhe será exigida. E as coisas que você preparou, para quem serão?’

33. Na vida de Jesus, desde o início até ao fim, encontra-se esta « dialéctica » singular entre a experiência da contingência da vida humana e a afirmação do seu valor. De facto, a precariedade caracteriza a vida de Jesus, desde o seu nascimento. Ele depara certamente com o acolhimento dos justos, que se unem ao « sim » pronto e feliz de Maria (cf. Lc 1, 38). Mas logo aparece também a rejeição por parte de um mundo que se torna hostil e procura o Menino « para O matar » (Mt 2, 13), ou então fica indiferente e alheio ao cumprimento do mistério desta vida que entra no mundo: « não havia para eles lugar na hospedaria » (Lc 2, 7). Exactamente por este contraste — as ameaças e inseguranças, por um lado, e o poder do dom de Deus, pelo outro — resplandece com maior força a glória que irradia da casa de Nazaré e da manjedoura de Belém: esta vida que nasce é salvação para a humanidade inteira (cf. Lc 2, 10-11).

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Lucas 1, 38

Matos Soares: 38 Então Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim a tua palavra.” E o anjo afastou-se dela.

Bíblia Portuguesa Mundial: 38 Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor; que se cumpra em mim segundo a sua palavra.” Então o anjo retirou-se dela.

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Mateus 2, 13

Matos Soares: 13 Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para Egipto, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para lhe tirar a vida.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Depois que eles partiram, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em um sonho, dizendo: “Levante-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes procurará o menino para matá-lo.”

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Lucas 2, 7

Matos Soares: 7 e deu à luz o seu filho primogénito, e o enfaixou, e o reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 Ela deu à luz o seu filho primogênito. Envolveu-o em faixas de pano e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

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Lucas 2, 10-11

Matos Soares: 10 Porém o anjo disse-lhes: “Não temais, porque eis que vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: 11 Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O anjo lhes disse: “Não tenham medo, pois eis que lhes trago uma boa notícia de grande alegria, que será para todo o povo. 11 Pois hoje lhes nasceu, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo o Senhor.

As contradições e riscos da vida são assumidos plenamente por Jesus: « sendo rico, fez-Se pobre por vós, a fim de vos enriquecer pela pobreza » (2 Cor 8, 9). Esta pobreza, de que fala Paulo, não é apenas despojamento dos privilégios divinos, mas também partilha das condições mais humildes e precárias da vida humana (cf. Fil 2, 6-7). Jesus vive esta pobreza ao longo de toda a sua vida até ao momento culminante da cruz: « Humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome » (Fil 2, 8-9). É precisamente na sua morte que Jesus revela toda a grandeza e valor da vida, enquanto a sua doação na cruz se torna fonte de vida nova para todos os homens (cf. Jo 12, 32). Neste peregrinar por entre as contradições e a própria perda da vida, Jesus é guiado pela certeza de que ela está nas mãos do Pai. Por isso, na cruz pode dizer-Lhe: « Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito » (Lc 23, 46), isto é, a minha vida. Verdadeiramente grande é o valor da vida humana, se o Filho de Deus a assumiu e fez dela o lugar onde se realiza a salvação para a humanidade inteira!

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2 Coríntios 8, 9

Matos Soares: 9 Com efeito conheceis a liberalidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de que fósseis ricos pela sua pobreza.

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor a vocês se fez pobre, para que vocês, por meio da sua pobreza, se tornassem ricos.

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Filipenses 2, 6-7

Matos Soares: 6 o qual, existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma usurpação o seu ser igual a Deus, (ver nota) 7 mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido, por condição, como homem.

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 o qual, existindo na forma de Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que se apegar, 7 mas esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens.

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Filipenses 2, 8-9

Matos Soares: 8 Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte da cruz. 9 Por isso também Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todo o nome,

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 E, sendo encontrado em forma humana, ele humilhou a si mesmo, tornando-se obediente até a morte — e morte de cruz. 9 Por isso Deus também o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que está acima de todo nome,

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João 12, 32

Matos Soares: 32 E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 32 E eu, se for levantado da terra, atrairei todos a mim.”

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Lucas 23, 46

Matos Soares: 46 Jesus, exclamando em alta voz, disse: “Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito (Ps. 30, 6).” Dizendo isto, expirou.

Bíblia Portuguesa Mundial: 46 Jesus, clamando em alta voz, disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” Tendo dito isso, ele expirou.

« Chamados (…) a ser conformes à imagem do Seu Filho » (Rm 8, 28-29): a glória de Deus resplandece no rosto do homem

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Romanos 8, 28-29

Matos Soares: 28 Ora nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, para o bem daqueles que, segundo o seu desígnio, foram chamados. 29 Porque os que ele conheceu na sua presciência, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 29 Pois os que ele conheceu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

34. A vida é sempre um bem. Esta é uma intuição ou até um dado de experiência, cuja razão profunda o homem é chamado a compreender.

Por que motivo a vida é um bem? Esta pergunta percorre a Bíblia inteira, encontrando já nas primeiras páginas uma resposta eficaz e admirável. A vida que Deus dá ao homem é diversa e original, se comparada com a de qualquer outra criatura viva, dado que ele, apesar de emparentado com o pó da terra (cf. Gn 2, 7; 3, 19; Job 34, 15; Sal 103 [102], 14; 104 [103], 29), é, no mundo, manifestação de Deus, sinal da sua presença, vestígio da sua glória (cf. Gn 1, 26-27; Sal 8, 6). Isto mesmo quis sublinhar Santo Ireneu de Lião, com a célebre definição: « A glória de Deus é o homem vivo ». 23 Ao homem foi dada uma dignidade sublime, que tem as suas raízes na ligação íntima que o une ao seu Criador: no homem, brilha um reflexo da própria realidade de Deus.

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Gênesis 2, 7

Matos Soares: 7 O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma (pessoa) vivente.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 O SENHOR Deus formou o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem se tornou uma alma vivente.

Gênesis 3, 19

Matos Soares: 19 Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de que foste tomado, porque tu és pó, e em pó te hás-de tornar.

Bíblia Portuguesa Mundial: 19 Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, pois dela você foi tirado. Porque você é pó, e ao pó você retornará.”

Jó 34, 15

Matos Soares: 15 toda a carne perecera num instante, e o homem voltaria ao pó.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 toda a carne pereceria juntamente, e o homem voltaria ao pó.

Salmos 103, 14

Matos Soares (Salmos 102, 14): 14 porque ele sabe bem que somos formados: lembra-se de que somos pó,

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Pois ele sabe como somos formados. Ele se lembra de que somos pó.

Salmos 104, 29

Matos Soares (Salmos 103, 29): 29 Se escondes o teu rosto, perturbam-se; se lhes tiras o espírito, perecem e voltam ao seu pó (de que saíram).

Bíblia Portuguesa Mundial: 29 Tu escondes o teu rosto; eles ficam perturbados. Tu retiras o fôlego deles; eles morrem e voltam ao pó.

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Gênesis 1, 26-27

Matos Soares: 26 e (por fim) disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e presida aos peixes do mar, e as aves do Céu, e aos animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis, que se movem sobre a terra. 27 E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, varão e fêmea os criou.

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Que eles tenham domínio sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo animal rastejante que rasteja sobre a terra.” 27 Deus criou o homem à sua própria imagem. À imagem de Deus ele o criou; macho e fêmea ele os criou.

Salmos 8, 6

Matos Soares: 6 Tu o fizeste pouco inferior aos anjos, de glória e de honra o coroaste;

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 8, 5): 5 Pois o Senhor o fez um pouco menor que os anjos, e o coroou de glória e honra.

Afirma-o o Livro do Génesis, na primeira narração das origens, ao colocar o homem no vértice da actividade criadora de Deus, como seu coroamento, no termo de um processo que vai do caos indefinido até à criatura mais perfeita. Na criação, tudo está ordenado para o homem e tudo lhe fica submetido: « Enchei e dominai a terra. Dominai (…) sobre todos os animais que se movem na terra » (1, 28) — ordena Deus ao homem e à mulher. Mensagem semelhante aparece também no outro relato das origens: « O Senhor levou o homem e colocou-o no jardim do Éden para o cultivar e, também, para o guardar » (Gn 2, 15). Confirma- -se assim o primado do homem sobre as coisas: estas estão ordenadas ao homem e entregues à sua responsabilidade, enquanto por nenhuma razão pode o homem ser subjugado pelos seus semelhantes e como que reduzido ao estatuto de coisa.

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Gênesis 2, 15

Matos Soares: 15 Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no jardim do Eden, para que o cultivasse e guardasse,

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 O SENHOR Deus tomou o homem, e o colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo.

Na narração bíblica, a distinção entre o homem e as demais criaturas é evidenciada sobretudo pelo facto de apenas a sua criação ser apresentada como fruto de uma especial decisão da parte de Deus, de uma deliberação que consiste em estabelecer uma ligação particular e específica com o Criador: « Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança » (Gn 1, 26). A vida que Deus oferece ao homem, é um dom, pelo qual Deus participa algo de Si mesmo à sua criatura.

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Gênesis 1, 26

Matos Soares: 26 e (por fim) disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e presida aos peixes do mar, e as aves do Céu, e aos animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis, que se movem sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Que eles tenham domínio sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo animal rastejante que rasteja sobre a terra.”

Israel interrogar-se-á longamente acerca do sentido desta ligação particular e específica do homem com Deus. O Livro de Ben-Sirá reconhece que Deus, ao criar os homens, « revestiu-os da força conveniente e fê-los à própria imagem » (17, 3). E a isso subordina o autor sagrado, não só o domínio sobre o mundo, mas também as faculdades espirituais mais específicas do homem, como a razão, o discernimento do bem e do mal, a vontade livre: « Encheu-os de saber e inteligência, e mostrou-lhes o bem e o mal » ( Sir 17, 7). A capacidade de alcançar a verdade e a liberdade são prerrogativas do homem enquanto criatura feita à imagem do seu Criador, o Deus verdadeiro e justo (cf. Dt 32, 4). Dentre todas as criaturas visíveis, apenas o homem é « capaz de conhecer e amar o seu Criador ». 24 A vida que Deus dá ao homem, é muito mais do que uma existência no tempo. É tensão para uma plenitude de vida; é germe de uma existência que ultrapassa os próprios limites do tempo: « Deus criou o homem para a incorruptibilidade, e fê-lo à imagem da sua própria natureza » ( Sab 2, 23).

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Eclesiástico 17, 7

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 Encheu-os com o conhecimento da sabedoria e mostrou-lhes o bem e o mal.

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Deuteronômio 32, 4

Matos Soares: 4 As obras de Deus são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. Deus é fiel, e sem nenhuma iniquidade, ele é justo e recto.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 A Rocha: sua obra é perfeita, pois todos os seus caminhos são justos. Um Deus de fidelidade que não comete injustiça, justo e reto é ele.

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Sabedoria 2, 23

Matos Soares: 23 Com efeito Deus criou o homem para a imortalidade, fê-lo à imagem da sua própria natureza.

Bíblia Portuguesa Mundial: 23 Pois Deus criou o ser humano para a incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria eternidade;

35. Também o relato jahvista das origens exprime a mesma convicção. Esta antiga narração fala de um sopro divino que é insuflado no homem, para que este dê entrada na vida: « O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo » (Gn 2, 7).

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Gênesis 2, 7

Matos Soares: 7 O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma (pessoa) vivente.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 O SENHOR Deus formou o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem se tornou uma alma vivente.

A origem divina deste espírito de vida explica a perene insatisfação que acompanha o homem, ao longo dos seus dias. Obra plasmada pelo Senhor e trazendo em si mesmo um traço indelével de Deus, o homem tende naturalmente para Ele. Quando escuta o anseio profundo do coração, não pode deixar de fazer sua esta afirmação de Santo Agostinho: « Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Vós ». 25

Como é eloquente aquela insatisfação que se apodera da vida do homem no Éden, quando lhe resta como única referência o mundo vegetal e animal (cf. Gn 2, 20)! Somente a aparição da mulher, isto é, de um ser que é carne da sua carne e osso dos seus ossos (cf. Gn 2, 23) e no qual vive igualmente o espírito de Deus Criador, pode satisfazer a exigência de diálogo interpessoal, tão vital para a existência humana. No outro, homem ou mulher, reflecte-Se o próprio Deus, abrigo definitivo e plenamente feliz de toda a pessoa.

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Gênesis 2, 20

Matos Soares: 20 E Adão pôs nomes convenientes a todos os animais (domésticos), a todas as aves do céu, e a todos os animais selváticos: mas não se achava para Adão um adjutório semelhante a ele.

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 O homem deu nomes a todo o gado, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não foi encontrada uma auxiliadora comparável a ele.

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Gênesis 2, 23

Matos Soares: 23 E Adão disse: eis aqui agora o osso de meus ossos e a carne da minha carne; ela se chamará Virago, porque do varão foi tomada.

Bíblia Portuguesa Mundial: 23 O homem disse: “Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne. Ela será chamada ‘mulher’, porque do Homem foi tirada.”

« Que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para dele cuidardes? » — interroga-se o Salmista ( Sal 8, 5). Diante da imensidão do universo, coisa bem pequena é o homem; mas é precisamente este contraste que faz sobressair a sua grandeza: « Pouco lhe falta para que seja um ser divino; de glória e de honra o coroastes » ( Sal 8, 6). A glória de Deus resplandece no rosto do homem. Nele, o Criador encontra o seu repouso, como comenta, maravilhado e comovido, Santo Ambrósio: « Terminou o sexto dia, ficando concluída a criação do mundo com a formação daquela obra-prima, o homem, que exerce o domínio sobre todos os seres vivos e é como que o ápice do universo e a suprema beleza de todo o ser criado. Verdadeiramente deveremos manter um silêncio reverente, já que o Senhor Se repousou de toda a obra do mundo. Repousou-Se no íntimo do homem, repousou-Se na sua mente e no seu pensamento; de facto, tinha criado o homem dotado de razão, capaz de O imitar, émulo das suas virtudes, desejoso das graças celestes. Nestes seus dotes, repousa Deus que disse: “Sobre quem repousarei senão naquele que é humilde, pacífico e teme as minhas palavras?” ( Is 66, 1-2). Agradeço ao Senhor nosso Deus que criou uma obra tão maravilhosa que nela encontra o seu repouso ». 26

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Salmos 8, 5

Matos Soares: 5 (exclamo): Que é o homem, para te lembrares dele? ou que é o filho do homem, para cuidares dele?

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 8, 4): 4 o que é o homem, para que o Senhor pense nele? E o que é o filho do homem, para que o Senhor cuide dele?

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Salmos 8, 6

Matos Soares: 6 Tu o fizeste pouco inferior aos anjos, de glória e de honra o coroaste;

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 8, 5): 5 Pois o Senhor o fez um pouco menor que os anjos, e o coroou de glória e honra.

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Isaías 66, 1-2

Matos Soares: 1 Eis o que diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra é o escabelo de meus pés. Que casa, pois, é essa que me edificareis, que lugar será o meu descanso? (ver nota) 2 Todas estas coisas fez a minha mão, todas elas foram assim criadas, diz o Senhor. Quem atrai o meu olhar é o aflito, o contrito do coração, que teme as minhas palavras.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 O SENHOR diz: “O céu é o meu trono, e a terra é o estrado dos meus pés. Que tipo de casa vocês edificarão para mim? Onde será o meu lugar de descanso? 2 Pois a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas estas coisas vieram a existir”, diz o SENHOR: “mas eu olharei para este homem, para aquele que é humilde e de espírito contrito, e que treme diante da minha palavra.

36. Infelizmente, este projecto maravilhoso de Deus ficou ofuscado pela irrupção do pecado na história. Com o pecado, o homem revolta-se contra o Criador, acabando por idolatrar as criaturas: « Veneraram a criatura e prestaram-lhe culto de preferência ao Criador » (Rm 1, 25). Deste modo, o ser humano não só deturpa a imagem de Deus em si mesmo, mas é tentado a ofendê-la também nos outros, substituindo as relações de comunhão por atitudes de desconfiança, indiferença, inimizade, até chegar ao ódio homicida. Quando não se reconhece Deus como tal, atraiçoa-se o sentido profundo do homem e prejudica-se a comunhão entre os homens.

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Romanos 1, 25

Matos Soares: 25 eles que trocaram a verdade de Deus pela mentira e que adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém.

Bíblia Portuguesa Mundial: 25 eles que trocaram a verdade de Deus por uma mentira, e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente. Amém.

Na vida do homem, a imagem de Deus volta a resplandecer e manifesta-se em toda a sua plenitude com a vinda do Filho de Deus em carne humana: « Ele é a imagem do Deus invisível » (Col 1, 15), « o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância » (Heb 1, 3). Ele é a imagem perfeita do Pai.

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Colossenses 1, 15

Matos Soares: 15 Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura,

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.

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Hebreus 1, 3

Matos Soares: 3 o qual (Filho), sendo o resplendor da sua glória e a figura da sua substância, sustentando tudo com a sua poderosa palavra, depois de ter feito a purificação dos pecados (dos homens com os seus sofrimentos) está sentado (como homem) à direita da majestade (de Deus) nas alturas, (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 O seu Filho é o resplendor da sua glória, a exata imagem da sua substância, e, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter ele mesmo nos purificado dos nossos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas,

O projecto de vida confiado ao primeiro Adão encontra finalmente em Cristo a sua realização. Enquanto a desobediência de Adão arruína e deturpa o desígnio de Deus sobre a vida do homem e introduz a morte no mundo, a obediência redentora de Cristo é fonte de graça que se derrama sobre os homens, abrindo a todos, de par em par, as portas do reino da vida (cf. Rm 5, 12-21). Afirma o apóstolo Paulo: « O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão é um espírito vivificante » (1 Cor 15, 45).

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Romanos 5, 12-21

Matos Soares: 12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado (original) neste mundo, e pelo pecado a morte, e assim passou a morte a todos os homens, porque todos pecaram… (ver nota) 13 Porque até a lei o pecado estava no mundo; porém, o pecado não era imputado, não havendo lei. (ver nota) 14 Todavia a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram por uma transgressão semelhante à de Adão, o qual é a figura do (segundo Adão) que havia de vir. 15 Mas o dom gratuito não é como o delito, porque, se pelo delito de um só (homem) morreram todos os outros, muito mais a graça de Deus e o dom (que vem) pela graça de um só homem, (que é) Jesus Cristo, são abundantemente espalhados sobre todos os outros. 16 E não se dá com o dom o mesmo que se dá com o pecado de um só, porque a sentença de condenação foi dada por causa do pecado de um só, ao passo que o dom da graça traz a justificação de muitos pecados. 17 Com efeito, se pelo pecado de um, a morte reinou por um só, muito mais reinarão na vida por um só, que é Jesus Cristo, os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça. 18 Por isso, assim como pelo pecado de um só, incorreram todos os homens na condenação, assim pela justiça de um só, recebem todos os homens a justificação que dá a vida. 19 Porque, assim como pela desobediência de um só homem, todos os outros se tornaram pecadores, assim pela obediência de um só, todos os outros virão a ser justos. 20 Sobreveio a lei para que abundasse o pecado. Mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça (ver nota) 21 para que, assim como o pecado reinou dando a morte, assim reine a graça pela justiça para (dar) a vida eterna, por meio de Jesus Cristo Nosso Senhor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 12 Portanto, assim como o pecado entrou no mundo por meio de um só homem, e a morte por meio do pecado, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. 13 Pois, antes da lei, o pecado já estava no mundo; mas o pecado não é imputado quando não há lei. 14 No entanto, a morte reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles cujos pecados não foram semelhantes à desobediência de Adão, o qual é uma prefiguração daquele que havia de vir. 15 Mas o dom gratuito não é como a transgressão. Pois se pela transgressão de um só os muitos morreram, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundaram para os muitos. 16 Também não acontece com o dom como aconteceu por meio daquele que pecou; pois o julgamento veio de uma só transgressão para condenação, mas o dom gratuito veio depois de muitas transgressões para justificação. 17 Pois, se pela transgressão de um só a morte reinou por meio desse um, muito mais aqueles que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, Jesus Cristo. 18 Assim, pois, como por meio de uma só transgressão veio condenação para todos os homens, assim também, por meio de um só ato de justiça, veio para todos os homens a justificação que conduz à vida. 19 Pois assim como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também pela obediência de um só, muitos serão feitos justos. 20 A lei interveio para que a transgressão abundasse; mas onde o pecado abundou, a graça superabundou, 21 para que, assim como o pecado reinou na morte, assim também a graça reinasse por meio da justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.

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1 Coríntios 15, 45

Matos Soares: 45 O primeiro homem, Adão, foi alma vivente (Gn. 2, 7), o último Adão espírito vivificante. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 45 Assim também está escrito: “O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente.” O último Adão tornou-se espírito vivificante.

A todos aqueles que aceitam seguir Cristo, é-lhes dada a plenitude da vida: neles, a imagem divina é restaurada, renovada e levada à perfeição. Este é o desígnio de Deus para os seres humanos: tornarem-se « conformes à imagem do seu Filho » (Rm 8, 29). Só assim, no esplendor desta imagem, é que o homem pode ser liberto da escravidão da idolatria, pode reconstruir a fraternidade perdida e reencontrar a sua identidade.

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Romanos 8, 29

Matos Soares: 29 Porque os que ele conheceu na sua presciência, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 29 Pois os que ele conheceu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

« Quem crê em Mim, ainda que esteja morto viverá » (Jo 11, 26): o dom da vida eterna

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João 11, 26

Matos Soares: 26 e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Crês isto?”

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 E todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Você crê nisso?”

37. A vida que o Filho de Deus veio dar aos homens, não se reduz meramente à existência no tempo. A vida, que desde sempre está « n’Ele » e constitui « a luz dos homens » (Jo 1, 4), consiste em ser gerados por Deus e participar na plenitude do seu amor: « A todos os que O receberam, aos que crêem n’Ele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; eles que não nasceram do sangue, nem de vontade carnal, nem de vontade do homem, mas sim de Deus » (Jo 1, 12-13).

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João 1, 4

Matos Soares: 4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens,

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

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João 1, 12-13

Matos Soares: 12 Mas a todos os que o receberam, deu poder de se tornarem filhos de Deus, àqueles que crêem no seu nome; 13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 12 Mas, a todos os que o receberam, ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que creem no seu nome: 13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

Umas vezes, Jesus designa esta vida, que Ele veio dar, simplesmente como « a vida »; e apresenta o ser gerado por Deus como condição necessária para poder alcançar o fim para o qual o homem foi criado: « Quem não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus » (Jo 3, 3). O dom desta vida constitui o objecto próprio da missão de Jesus; Ele « é Aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo » (Jo 6, 33), de tal modo que pode afirmar com toda a verdade: « Quem Me segue (…) terá a luz da vida » (Jo 8, 12).

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João 3, 3

Matos Soares: 3 Jesus respondeu-lhe: “Em verdade, em verdade te digo que não pode ver o reino de Deus, senão aquele que nascer de novo.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 Jesus lhe respondeu: “Em verdade, em verdade lhe digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.”

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João 6, 33

Matos Soares: 33 Porque o pão de Deus é o que desceu do céu e dá a vida ao mundo.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 33 Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.”

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João 8, 12

Matos Soares: 12 Outra vez lhes falou Jesus, dizendo: “Eu sou a luz do mundo; o que me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 12 Novamente, portanto, Jesus lhes falou, dizendo: “Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.”

Outras vezes, Jesus fala de « vida eterna », sem querer com o adjectivo aludir apenas a uma perspectiva supratemporal. « Eterna » é a vida que Jesus promete e dá, porque é plenitude de participação na vida do « Eterno ». Todo aquele que crê em Jesus e vive em comunhão com Ele tem a vida eterna (cf. Jo 3, 15; 6, 40), porque d’Ele escuta as únicas palavras que revelam e infundem plenitude de vida à sua existência; são as « palavras de vida eterna », que Pedro reconhece na sua confissão de fé: « Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós acreditamos e sabemos que és o Santo de Deus » (Jo 6, 68-69). O que seja essa vida eterna, declara-o Jesus quando se dirigiu ao Pai na grande oração sacerdotal: « A vida eterna consiste nisto: que Te conheçam a Ti, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste » (Jo 17, 3). Conhecer a Deus e ao seu Filho é acolher o mistério da comunhão de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo, na própria vida que se abre, já desde agora, à vida eterna pela participação na vida divina.

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João 3, 15

Matos Soares: 15 a fim de que todo o que crê nele tenha a vida eterna.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

João 6, 40

Matos Soares: 40 A vontade de meu Pai, que me enviou, é que todo o que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 40 Esta é a vontade daquele que me enviou: que todo aquele que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.”

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João 6, 68-69

Matos Soares: 68 Simão Pedro respondeu-lhe: “Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna. 69 E nós acreditamos e conhecemos que tu és o Santo de Deus.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 68 Simão Pedro lhe respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna. 69 Nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”

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João 17, 3

Matos Soares: 3 Ora a vida eterna é esta: Que te conheçam a ti como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e àquele a quem enviaste, Jesus Cristo.

38. Por conseguinte, a vida eterna é a própria vida de Deus e simultaneamente a vida dos filhos de Deus. Um assombro incessante e uma gratidão sem limites não podem deixar de se apoderar do crente diante desta inesperada e inefável verdade que nos vem de Deus em Cristo. O crente faz suas as palavras do apóstolo João: « Vede com que amor nos amou o Pai, ao querer que fôssemos chamados filhos de Deus. E somo-lo de facto! (…) Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos, porém, que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é » (1 Jo 3, 1-2).

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1 João 3, 1-2

Matos Soares: 1 Considerai que amor nos mostrou o Pai (em querer) que sejamos chamados filhos de Deus! E nós o somos. O mundo não nos conhece, porque não o conhece a ele. 2 Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que seremos (um dia). Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele (na glória), porque o veremos como ele é.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Vejam quão grande amor o Pai nos concedeu, para que fôssemos chamados filhos de Deus! Por esta razão o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. 2 Amados, agora somos filhos de Deus. Ainda não se manifestou o que seremos; mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é.

Assim, chega ao seu auge a verdade cristã acerca da vida. A dignidade desta não está ligada apenas às suas origens, à sua proveniência de Deus, mas também ao seu fim, ao seu destino de comunhão com Deus no conhecimento e no amor d’Ele. É à luz desta verdade que Santo Ireneu especifica e completa a sua exaltação do homem: « glória de Deus » é, sim, « o homem vivo », mas « a vida do homem consiste na visão de Deus ». 27

Daqui resultam consequências imediatas para a vida humana em sua própria condição terrena, na qual já germinou e está a crescer a vida eterna. Se o homem ama instintivamente a vida porque é um bem, tal amor encontra ulterior motivação e força, nova amplitude e profundidade nas dimensões divinas desse bem. Em semelhante perspectiva, o amor que cada ser humano tem pela vida não se reduz à simples busca de um espaço onde poder exprimir-se a si mesmo e entrar em relação com os outros, mas evolui até à certeza feliz de poder fazer da própria existência o « lugar » da manifestação de Deus, do encontro e comunhão com Ele. A vida que Jesus nos dá, não desvaloriza a nossa existência no tempo, mas assume-a e condu-la ao seu último destino: « Eu sou a ressurreição e a vida; (…) todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá jamais » (Jo 11, 25.26).

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João 11, 25.26

Matos Soares (João 11, 25-26): 25 Jesus disse-lhe: “Eu sou a ressurreição e a vida; o que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; 26 e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Crês isto?”

Bíblia Portuguesa Mundial (João 11, 25-26): 25 Jesus lhe disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá. 26 E todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Você crê nisso?”

« A cada um, pedirei contas do seu irmão » (cf. Gn 9, 5): veneração e amor pela vida dos outros

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Gênesis 9, 5

Matos Soares: 5 porque eu vingarei o vosso sangue da mão de todos os animais (que o derramarem); e ao homem que matar seu irmão, pedirei contas da vida deste homem.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 Certamente pedirei contas do sangue da vida de vocês. Das mãos de todos os animais eu o requererei. Das mãos do homem, sim, das mãos do irmão de cada homem, eu requererei a vida do homem.

39. A vida do homem provém de Deus, é dom seu, é imagem e figura d’Ele, participação do seu sopro vital. Desta vida, portanto, Deus é o único senhor: o homem não pode dispor dela. Deus mesmo o confirma a Noé, depois do dilúvio: « Ao homem, pedirei contas da vida do homem, seu irmão » (Gn 9, 5). E o texto bíblico preocupa-se em sublinhar como a sacralidade da vida tem o seu fundamento em Deus e na sua acção criadora: « Porque Deus fez o homem à sua imagem » (Gn 9, 6).

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Gênesis 9, 5

Matos Soares: 5 porque eu vingarei o vosso sangue da mão de todos os animais (que o derramarem); e ao homem que matar seu irmão, pedirei contas da vida deste homem.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 Certamente pedirei contas do sangue da vida de vocês. Das mãos de todos os animais eu o requererei. Das mãos do homem, sim, das mãos do irmão de cada homem, eu requererei a vida do homem.

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Gênesis 9, 6

Matos Soares: 6 Todo o que derramar o sangue humano, (será castigado) com a efusão do seu próprio sangue, porque o homem foi feito à imagem de Deus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado, pois Deus fez o homem à sua própria imagem.

Portanto, a vida e a morte do homem estão nas mãos de Deus, em seu poder: « Deus tem nas suas mãos a alma de todo o ser vivente, e o sopro de vida de todos os homens » — exclama Job (12, 10). « O Senhor é que dá a morte e a vida, leva à habitação dos mortos e retira de lá » (1 Sam 2, 6). Apenas Ele pode afirmar: « Só Eu é que dou a vida e dou a morte » (Dt 32, 39).

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1 Samuel 2, 6

Matos Soares: 6 O Senhor é quem tira a vida e a dá, leva à habitação dos mortos e tira dela.

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 “O SENHOR mata e preserva a vida; ele faz descer ao Seol e faz subir.

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Deuteronômio 32, 39

Matos Soares: 39 Vede que sou eu só (o verdadeiro Deus), e que não há outro Deus fora de mim; eu faço morrer, e faço viver; firo e curo, e não há quem possa tirar da minha mão (coisa alguma).

Bíblia Portuguesa Mundial: 39 “Vejam agora que eu mesmo sou ele. Não há deus comigo. Eu mato e eu faço viver. Eu firo e eu curo. Não há ninguém que possa livrar da minha mão.

Mas Deus não exerce esse poder como arbítrio ameaçador, mas, sim, como cuidado e solicitude amorosa pelas suas criaturas. Se é verdade que a vida do homem está nas mãos de Deus, não o é menos que estas são mãos amorosas como as de uma mãe que acolhe, nutre e toma conta do seu filho: « Fico sossegado e tranquilo como criança deitada nos braços de sua mãe, como um menino deitado é a minha alma » (Sal 131 [130], 2; cf. Is 49, 15; 66, 12-13; Os 11, 4). Assim nas vicissitudes dos povos e na sorte dos indivíduos, Israel não vê o fruto de pura casualidade ou de um destino cego, mas o resultado de um desígnio de amor, pelo qual Deus resguarda todas as potencialidades da vida e se contrapõe às forças de morte que nascem do pecado: « Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não Lhe dá nenhuma alegria. Porquanto Ele criou tudo para a existência » (Sab 1, 13-14).

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Salmos 131, 2

Matos Soares (Salmos 130, 2): 2 Pelo contrário, acalmei e apaziguei a minha alma, como um menino no regaço de sua mãe: como um menino, assim está a minha alma em mim.

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 Certamente aquietei e tranquilizei a minha alma; como uma criança desmamada junto a sua mãe, como uma criança desmamada está a minha alma dentro de mim.

Isaías 49, 15

Matos Soares: 15 Porventura (respondeu o Senhor) pode uma mulher esquecer-se do seu menino de peito, não ter compaixão do filho das suas entranhas? Porém, ainda que ela se esquecesse dele, eu não me esqueceria de ti.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 “Pode uma mulher esquecer-se da criança que amamenta, a ponto de não se compadecer do filho do seu ventre? Sim, estas podem se esquecer, mas eu não me esquecerei de você!

Isaías 66, 12-13

Matos Soares: 12 Porque o Senhor diz isto: Eis que eu farei correr sobre ela como que um rio de paz e a glória das nações como uma torrente que inunda; sugareis o seu leite, aos seus peitos sereis levados, e acariciados sobre o seu regaço. 13 Como uma mãe acaricia o seu filhinho, assim eu vos consolarei, e em Jerusalém sereis consolados.

Bíblia Portuguesa Mundial: 12 Pois o SENHOR diz: “Eis que estenderei a paz sobre ela como um rio, e a glória das nações como um ribeiro transbordante, e vocês serão amamentados. Vocês serão carregados no colo, e serão acariciados sobre os seus joelhos. 13 Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu os consolarei. Vocês serão consolados em Jerusalém.”

Oseias 11, 4

Matos Soares: 4 Segurava-os com laços humanos, com laços de amor; fui para eles como o que tira o jugo de cima do pescoço e aproximei-me deles para os nutrir.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Eu os atraí com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles como os que levantam o jugo de seus pescoços; e me inclinei para ele e o alimentei.

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Sabedoria 1, 13-14

Matos Soares: 13 Com efeito. Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos vivos. 14 Porquanto ele criou todas as coisas para a existência, e fez saudáveis todas as criaturas do mundo; não há nelas nenhum princípio de destruição, nem o domínio da morte se estende sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 porque Deus não fez a morte, nem tem prazer na destruição dos vivos. 14 Pois ele criou todas as coisas para que existissem. As forças geradoras do mundo são salutares, e nelas não há veneno de destruição, nem o Hades exerce domínio real sobre a terra;

40. Da sacralidade da vida dimana a sua inviolabilidade, inscrita desde as origens no coração do homem, na sua consciência. A pergunta « que fizeste? » (Gn 4, 10), dirigida por Deus a Caim depois de ter assassinado o irmão Abel, traduz a experiência de cada homem: no fundo da sua consciência, ele sente incessantemente o apelo à inviolabilidade da vida — a própria e a alheia —, como realidade que não lhe pertence, pois é propriedade e dom de Deus Criador e Pai.

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Gênesis 4, 10

Matos Soares: 10 E o Senhor disse-lhe: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão ergue o seu clamor da terra até mim.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O SENHOR disse: “O que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra.

O preceito relativo à inviolabilidade da vida humana ocupa o centro dos « dez mandamentos » na aliança do Sinai (cf. Ex 34, 28). Nele se proíbe, antes de mais, o homicídio: « Não matarás » (Ex 20, 13), « não causarás a morte do inocente e do justo » (Ex 23, 7); mas proíbe também — como se explicita na legislação posterior de Israel — qualquer lesão infligida a outrem (cf. Ex 21, 12-27). Tem-se de reconhecer que esta sensibilidade pelo valor da vida no Antigo Testamento, apesar de já tão notável, não alcança ainda a perfeição do Sermão da Montanha, como resulta de alguns aspectos da legislação penal então vigente, que previa castigos corporais pesados e até mesmo a pena de morte. Mas globalmente esta mensagem, que o Novo Testamento levará à perfeição, é já um forte apelo ao respeito pela inviolabilidade da vida física e da integridade pessoal, e tem o seu ápice no mandamento positivo que obriga a cuidar do próximo como de si mesmo: « Amarás o teu próximo como a ti mesmo » (Lv 19, 18).

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Êxodo 34, 28

Matos Soares: 28 Moisés pois esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites: não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as dez palavras da aliança.

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 Ele esteve ali com o SENHOR quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água. Ele escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos.

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Êxodo 20, 13

Matos Soares: 13 Não matarás.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 “Você não matará.

eb

Êxodo 23, 7

Matos Soares: 7 Fugirás à mentira. Não farás morrer o inocente nem o justo, porque eu não absolverei um culpável.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 “Mantenha-se longe de uma falsa acusação, e não mate o inocente e o justo; pois eu não justificarei o ímpio.

ec

Êxodo 21, 12-27

Matos Soares (Êxodo 21, 12-24): 12 O que ferir um homem, querendo matá-lo, seja punido de morte 13 Aquele, porém, que não armou ciladas, mas (foi) Deus (quem) lho entregou nas suas mãos, eu te designarei um lugar no qual se deva refugiar. 14 Se alguém matar o seu próximo de caso pensado e a traição, tu o arrancarás mesmo do meu altar para que morra. 15 O que feri seu pai ou sua mãe, seja punido de morte. 16 Aquele tiver roubado um homem, e o tiver vendido ou o retiver em seu poder, seja morto. 17 O que amaldiçoar seu pai ou sua mãe, seja punido de morte, 18 Se alguns homens se travarem de razões, e um ferir o seu próximo com uma pedra ou com o punho, e ele não morrer, mas for para o leito, 19 se ele (depois) se levantar e andar por fora encostado ao seu bordão, será (declarado) inocente o que o feriu, com a condição, porém, de que o compense do seu trabalho (interrompido) e das despesas feitas com o tratamento. 20 O que ferir o seu escravo ou a sua escrava com uma vara, e eles morrerem nas suas mãos, será réu de crime. 21 Mas, se o escravo sobreviver um dia ou dois, não ficará sujeito à pena, porque é propriedade sua. 22 Se alguns homens renhirem, e um deles ferir uma mulher grávida e for causa de que aborte, mas ficando ela com vida, será obrigado a resarcír o dano segundo o que pedir o marido, e os árbitros julgarem. 23 Se, porém, se seguiu a morte dela, dará vida por vida. […]

Bíblia Portuguesa Mundial (Êxodo 21, 12-24): 12 “Aquele que ferir um homem de modo que ele morra, certamente será morto; 13 mas se não foi intencional, e Deus permitiu que isso acontecesse, então eu designarei a você um lugar para onde ele poderá fugir. 14 Se um homem tramar e atacar o seu próximo com presunção para matá-lo, você o tirará até mesmo do meu altar, para que morra. 15 “Aquele que atacar seu pai ou sua mãe certamente será morto. 16 “Aquele que sequestrar alguém e o vender, ou se a pessoa for encontrada em seu poder, certamente será morto. 17 “Aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe certamente será morto. 18 “Se homens brigarem e um ferir o outro com uma pedra, ou com o punho, e ele não morrer, mas ficar de cama; 19 se ele se levantar novamente e andar de um lado para o outro apoiado em seu cajado, então aquele que o feriu será absolvido; apenas pagará pela perda do seu tempo e providenciará o seu tratamento até que esteja totalmente curado. 20 “Se um homem ferir seu servo ou sua serva com um bordão, e o servo morrer sob a sua mão, o homem certamente será punido. 21 No entanto, se o servo se levantar após um ou dois dias, ele não será punido, pois o servo é sua propriedade. 22 “Se homens brigarem e ferirem uma mulher grávida, de modo que ela dê à luz prematuramente, mas não houver nenhum dano grave, o ofensor certamente será multado no valor que o marido da mulher exigir e os juízes permitirem. 23 Mas se houver dano grave, então você exigirá vida por vida, […]

ed

Levítico 19, 18

Matos Soares: 18 Não procurarás a vingança, nem conservarás a lembrança da injúria dos teus concidadãos. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 18 “’Você não se vingará, nem guardará rancor contra os filhos do seu povo; mas você amará o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o SENHOR.

41. O mandamento « não matarás », contido e aprofundado no mandamento positivo do amor do próximo, é confirmado em toda a sua validade pelo Senhor Jesus. Ao jovem rico que Lhe pede « Mestre, que hei-de fazer de bom para alcançar a vida eterna? », responde: « Se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos » (Mt 19, 16.17). E, logo em primeiro lugar, cita « não matarás » (19, 18). No Sermão da Montanha, Jesus exige dos discípulos uma justiça superior à dos escribas e fariseus, no campo do respeito pela vida: « Ouvistes que foi dito aos antigos: “Não matarás; aquele que matar está sujeito a ser condenado”. Eu, porém, digo-vos: quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal » (Mt 5, 21-22).

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Mateus 19, 16.17

Matos Soares (Mateus 19, 16-17): 16 Aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: “Mestre, que hei-de eu fazer de bom para alcançar a vida eterna?” 17 Jesus respondeu-lhe: “Porque me interrogas acerca do que é bom? Um só é bom, Deus. Porém, se queres entrar na vida (eterna) guarda os mandamentos.” (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial (Mateus 19, 16-17): 16 Eis que alguém se aproximou dele e disse: “Bom Mestre, que coisa boa devo fazer para ter a vida eterna?” 17 Ele lhe disse: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Mas se você quer entrar na vida, guarde os mandamentos.”

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Mateus 5, 21-22

Matos Soares: 21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás (Ex. 20, 13…), e quem matar será submetido ao juízo do tribunal. 22 Pois eu digo-vos que todo aquele que se irar contra o seu irmão, será submetido ao juízo do tribunal. E o que chamar “raca” a seu irmão será condenado pelo Sinédrio. E o que lhe chamar louco, será condenado ao fogo da geena. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 21 “Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás’; e ‘Quem matar estará sujeito a julgamento.’ 22 Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão sem motivo estará sujeito a julgamento. Quem disser a seu irmão: ‘Raca!’ estará sujeito ao tribunal. E quem disser: ‘Seu tolo!’ estará sujeito ao fogo da Geena.

Com a sua palavra e os seus gestos, Jesus explicita ulteriormente as exigências positivas do mandamento referente à inviolabilidade da vida. Estavam já presentes no Antigo Testamento, onde a legislação se preocupava em garantir e salvaguardar as situações de vida débil e ameaçada: o estrangeiro, a viúva, o órfão, o enfermo, o pobre em geral, a própria vida antes de nascer (cf. Ex 21, 22; 22, 20-26). Mas com Jesus, essas exigências positivas adquirem novo vigor e ímpeto, manifestando-se em toda a sua amplitude e profundidade: vão desde o velar pela vida do irmão (familiar, membro do mesmo povo, estrangeiro que habita na terra de Israel), passam pelo cuidar do desconhecido, para chegarem até ao amor do inimigo.

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Êxodo 21, 22

Matos Soares: 22 Se alguns homens renhirem, e um deles ferir uma mulher grávida e for causa de que aborte, mas ficando ela com vida, será obrigado a resarcír o dano segundo o que pedir o marido, e os árbitros julgarem.

Bíblia Portuguesa Mundial: 22 “Se homens brigarem e ferirem uma mulher grávida, de modo que ela dê à luz prematuramente, mas não houver nenhum dano grave, o ofensor certamente será multado no valor que o marido da mulher exigir e os juízes permitirem.

Êxodo 22, 20-26

Matos Soares: 20 Não molestarás nem afligirás o estrangeiro, por que também vós fostes estrangeiros na terra do Egipto. 21 Não fareis mal algum à viúva nem ao orfão. 22 Se os ofenderdes, eles gritarão por mim, eu ouvirei o seu clamor, 23 o meu furor se acenderá e eu vos exterminarei à espada, e as vossas mulheres ficarão viúvas, e os vossos filhos órfãos. 24 Se emprestares dinheiro ao meu povo pobre, que habita contigo, não o apertarás como um exactor, nem o oprimirás com usuras. 25 Se receberes do teu próximo, em penhor, a sua capa, tu lha darás antes do sol posto, 26 porque ela é a sua única cobertura, o único agasalho da sua carne, nem tem outro com que dormir. Se ele clamar por mim, ouvi-lo-ei, porque sou misericordioso.

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 “Você não fará injustiça a um estrangeiro nem o oprimirá, pois vocês foram estrangeiros na terra do Egito. 21 “Você não se aproveitará de nenhuma viúva ou órfão. 22 Se de algum modo você se aproveitar deles, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor; 23 e a minha ira se acenderá, e eu matarei vocês à espada; e as suas mulheres ficarão viúvas, e os seus filhos, órfãos. 24 “Se você emprestar dinheiro a qualquer um do meu povo que seja pobre entre vocês, não será para ele como um credor. Você não lhe cobrará juros. 25 Se você tomar a roupa do seu próximo como penhor, você a devolverá a ele antes do pôr do sol, 26 pois essa é a sua única coberta, é a roupa para a sua pele. Em que ele dormiria? Acontecerá que, quando ele clamar a mim, eu ouvirei, pois sou misericordioso.

O desconhecido deixa de ser tal para quem deve fazer-se próximo de todo aquele que se encontra necessitado, até assumir a responsabilidade da sua vida, como ensina, de modo eloquente e incisivo, a parábola do bom samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Também o inimigo cessa de o ser para quem é obrigado a amá-lo (cf. Mt 5, 38-48; Lc 6, 27-35) e « fazer-lhe bem » (cf. Lc 6, 27.33.35), levando remédio às carências da sua vida, com prontidão e sem esperar recompensa (cf. Lc 6, 34-35). No vértice deste amor, está a oração pelo inimigo, pela qual nos colocamos em sintonia com o amor providente de Deus: « Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores » (Mt 5, 44-45; cf. Lc 6, 28.35).

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Lucas 10, 25-37

Matos Soares: 25 Eis que se levantou um doutor da lei, e lhe disse para o tentar: “Mestre, que devo eu fazer para alcançar a vida eterna?” 26 Jesus respondeu-lhe: “O que é que está escrito na lei? Como lês tu?” 27 Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e o teu próximo como a ti mesmo.” 28 Jesus disse-lhe: “Respondeste bem ; faz isso, e viverás (Lv. 18, 5).” 29 Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus, retomando a palavra, disse; “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que o despojaram, e, tendo-lhe feito feridas, retiraram-se, deixando-o meio morto. 31 Ora aconteceu que descia pelo mesmo caminho um sacerdote, o qual, quando o viu, passou de largo. 32 Igualmente um levita, chegando perto daquele lugar, e vendo-o, passou adiante. 33 Um samaritano, porém, que ia de viagem, chegou perto dele, e, quando o viu, moveu-se de compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, lançando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu jumento, levou-o a uma estalagem, e teve cuidado dele. 35 No dia seguinte tirou dois dinheiros, deu-os ao estalajadeiro, e disse-lhe: Tem cuidado dele; quanto gastares a mais, eu to satisferei quando voltar. 36 Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?” […]

Bíblia Portuguesa Mundial: 25 Eis que um certo intérprete da lei se levantou e o testou, dizendo: “Mestre, o que farei para herdar a vida eterna?” 26 Ele lhe disse: “O que está escrito na lei? Como você lê?” 27 Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e ao teu próximo como a ti mesmo.” 28 Ele lhe disse: “Você respondeu corretamente. Faça isso, e viverá.” 29 Mas ele, desejando justificar a si mesmo, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus respondeu: “Um certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e o espancaram, e se retiraram, deixando-o quase morto. 31 Por acaso, um certo sacerdote descia por aquele caminho. Quando o viu, passou pelo outro lado. 32 Do mesmo modo, também um levita, quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. 33 Mas um certo samaritano, estando de viagem, chegou onde ele estava. Quando o viu, moveu-se de compaixão, 34 aproximou-se dele e atou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Ele o colocou sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. 35 No dia seguinte, ao partir, ele tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e lhe disse: ‘Cuide dele. O que gastar além disso, eu lhe pagarei quando voltar.’ 36 Qual destes três, pois, lhe parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” […]

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Mateus 5, 38-48

Matos Soares: 38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente (Lv. 24, 19-20). 39 Eu, porém, digo-vos que não resistais ao (que é) mau; mas, se alguém te ferir na tua face direita, apresenta-lhe também a outra; 40 e ao que quer chamar-te a juízo para te tirar a túnica, cede-Ihe também a capa. (ver nota) 41 Se alguém te forçar a dar mil passos, vai com ele mais dois mil. (ver nota) 42 Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. 43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo (Lv. 19, 18) e aborrecerás o teu inimigo. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre os justos e injustos. 46 Porque, se amais (sòmente) os que vos amara, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47 E se saudardes sòmente os vossos irmãos, que fazeis (nisso) de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? 48 Sede pois perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Bíblia Portuguesa Mundial: 38 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho, e dente por dente.’ 39 Mas eu lhes digo: não resistam ao perverso; se alguém bater na sua face direita, ofereça-lhe também a outra. 40 Se alguém quiser processá-lo para tirar a sua túnica, deixe que leve também a sua capa. 41 Se alguém o forçar a caminhar uma milha, vá com ele duas. 42 Dê a quem lhe pedir, e não se recuse a emprestar a quem lhe pedir emprestado. 43 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.’ 44 Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos, abençoem os que os amaldiçoam, façam o bem aos que os odeiam e orem pelos que os maltratam e os perseguem, 45 para que vocês sejam filhos do seu Pai que está nos céus. Pois ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons, e envia chuva sobre justos e injustos. 46 Pois se vocês amarem os que os amam, que recompensa vocês têm? Não fazem os cobradores de impostos a mesma coisa? 47 E se vocês saudarem apenas os seus amigos, o que fazem de mais? Não fazem os cobradores de impostos a mesma coisa? 48 Portanto, sejam perfeitos, assim como o Pai de vocês que está nos céus é perfeito.

Lucas 6, 27-35

Matos Soares: 27 Mas digo-vos a vós, que me ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam 28 abençoai os que vos amaldiçoam, orai pelos que vos caluniam. 29 Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. Ao que te tirar o manto, não o impeças de levar também a túnica. (ver nota) 30 Dá a todo aquele que te pede: e ao que leva o que é teu, não lho tornes a pedir. 31 O que quereis que vos façam os homens, fazei-o vós também a eles. 32 Se vós amais os que vos amam, que mérito tendes? Porque os pecadores também amam quem os ama. 33 Se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que mérito tendes? Os pecadores também fazem isto. 34 Se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que mérito tendes? Os pecadores também emprestam aos pecadores, para que se lhes faça outro tanto. 35 Vós, porém, amai os vossos inimigos; fazei bem e emprestai, sem daí esperardes nada; e será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que é bom para os ingratos e para os maus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 27 “Mas eu digo a vocês que estão ouvindo: amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, 28 abençoem os que os amaldiçoam, e orem por aqueles que os maltratam. 29 Àquele que bater em um lado do seu rosto, ofereça também o outro; e àquele que tirar a sua capa, não o impeça de levar também a túnica. 30 Dê a todo o que lhe pedir, e àquele que levar os seus bens, não os peça de volta. 31 “Façam às pessoas exatamente o que vocês gostariam que elas fizessem a vocês. 32 “Se vocês amam aos que os amam, que mérito há nisso? Pois até os pecadores amam aos que os amam. 33 Se fizerem o bem aos que lhes fazem o bem, que mérito há nisso? Pois até os pecadores fazem o mesmo. 34 Se emprestarem àqueles de quem esperam receber, que mérito há nisso? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem de volta a mesma quantia. 35 Mas amem os seus inimigos, e façam o bem, e emprestem, sem esperar nada em troca; e a recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo; pois ele é bondoso para com os ingratos e maus.

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Lucas 6, 27.33.35

Matos Soares: 27 Mas digo-vos a vós, que me ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam […] 33 Se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que mérito tendes? Os pecadores também fazem isto. […] 35 Vós, porém, amai os vossos inimigos; fazei bem e emprestai, sem daí esperardes nada; e será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que é bom para os ingratos e para os maus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 27 “Mas eu digo a vocês que estão ouvindo: amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, […] 33 Se fizerem o bem aos que lhes fazem o bem, que mérito há nisso? Pois até os pecadores fazem o mesmo. […] 35 Mas amem os seus inimigos, e façam o bem, e emprestem, sem esperar nada em troca; e a recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo; pois ele é bondoso para com os ingratos e maus.

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Lucas 6, 34-35

Matos Soares: 34 Se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que mérito tendes? Os pecadores também emprestam aos pecadores, para que se lhes faça outro tanto. 35 Vós, porém, amai os vossos inimigos; fazei bem e emprestai, sem daí esperardes nada; e será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que é bom para os ingratos e para os maus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 34 Se emprestarem àqueles de quem esperam receber, que mérito há nisso? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem de volta a mesma quantia. 35 Mas amem os seus inimigos, e façam o bem, e emprestem, sem esperar nada em troca; e a recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo; pois ele é bondoso para com os ingratos e maus.

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Mateus 5, 44-45

Matos Soares: 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre os justos e injustos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 44 Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos, abençoem os que os amaldiçoam, façam o bem aos que os odeiam e orem pelos que os maltratam e os perseguem, 45 para que vocês sejam filhos do seu Pai que está nos céus. Pois ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons, e envia chuva sobre justos e injustos.

Lucas 6, 28.35

Matos Soares: 28 abençoai os que vos amaldiçoam, orai pelos que vos caluniam. […] 35 Vós, porém, amai os vossos inimigos; fazei bem e emprestai, sem daí esperardes nada; e será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que é bom para os ingratos e para os maus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 abençoem os que os amaldiçoam, e orem por aqueles que os maltratam. […] 35 Mas amem os seus inimigos, e façam o bem, e emprestem, sem esperar nada em troca; e a recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo; pois ele é bondoso para com os ingratos e maus.

Assim, o mandamento de Deus, orientado para a defesa da vida do homem, tem a sua dimensão mais profunda na exigência de veneração e amor por toda a pessoa e sua vida. Este é o ensinamento que o apóstolo Paulo, dando eco às palavras de Jesus (cf. Mt 19, 17-18), dirige aos cristãos de Roma: « Com efeito: “Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás” e qualquer dos outros mandamentos resumem-se nestas palavras: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é, pois, o pleno cumprimento da lei » (Rm 13, 9-10).

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Mateus 19, 17-18

Matos Soares: 17 Jesus respondeu-lhe: “Porque me interrogas acerca do que é bom? Um só é bom, Deus. Porém, se queres entrar na vida (eterna) guarda os mandamentos.” (ver nota) 18 “Quais?”, perguntou ele. Jesus disse: “Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não dirás falso testemunho.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 Ele lhe disse: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Mas se você quer entrar na vida, guarde os mandamentos.” 18 Ele lhe perguntou: “Quais?” Jesus disse: “‘Não matarás’. ‘Não adulterarás’. ‘Não furtarás’. ‘Não darás falso testemunho’.

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Romanos 13, 9-10

Matos Soares: 9 Em verdade, (estes mandamentos): — Não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não cobiçarás — e qualquer outro mandamento, todos se resumem nesta palavra : amarás o teu próximo como a ti mesmo. (ver nota) 10 A caridade não faz mal ao próximo. Logo, o amor é o complemento da lei.

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 Pois os mandamentos: “Não cometerás adultério”, “Não matarás”, “Não furtarás”, “Não cobiçarás”, e quaisquer outros mandamentos que existam, todos se resumem nesta frase, a saber: “Você amará o seu próximo como a si mesmo.” 10 O amor não faz mal ao próximo. O amor, portanto, é o cumprimento da lei.

« Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra » (Gn 1, 28): as responsabilidades do homem pela vida

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Gênesis 1, 28

Matos Soares: 28 E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 Deus os abençoou. Deus lhes disse: “Sejam férteis, multipliquem-se, encham a terra e subjuguem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo ser vivo que se move sobre a terra.”

42. Defender e promover, venerar e amar a vida é tarefa que Deus confia a cada homem, ao chamá-lo enquanto sua imagem viva a participar no domínio que Ele tem sobre o mundo: « Abençoando-os, Deus disse: “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra” » (Gn 1, 28).

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Gênesis 1, 28

Matos Soares: 28 E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 Deus os abençoou. Deus lhes disse: “Sejam férteis, multipliquem-se, encham a terra e subjuguem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo ser vivo que se move sobre a terra.”

O texto bíblico manifesta claramente a amplitude e profundidade do domínio que Deus concede ao homem. Trata-se, antes de mais, de domínio sobre a terra e sobre todo o ser vivo, como recorda o Livro da Sabedoria: « Deus dos nossos pais e Senhor de misericórdia, (…) formastes o homem pela vossa sabedoria, para dominar sobre as criaturas a quem destes a vida, para governar o mundo com santidade e justiça » (9, 1.2-3). Também o Salmista exalta o domínio do homem como sinal da glória e honra recebidas do Criador: « Destes-lhe domínio sobre as obras das vossas mãos. Tudo submetestes debaixo dos seus pés; os rebanhos e os gados sem excepção, até mesmo os animais selvagens; as aves do céu e os peixes do mar, tudo o que se move nos oceanos » (Sal 8, 7-9).

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Salmos 8, 7-9

Matos Soares: 7 deste-lhe o mando sobre as obras das tuas mãos, sujeitaste todas as coisas debaixo de seus pés: 8 Todas as ovelhas e todos os bois e, além destes, os outros animais do campo, 9 as aves do céu e os peixes do mar: tudo o que percorre as veredas dos oceanos.

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 8, 6-8): 6 O Senhor o faz governar sobre as obras das suas mãos. O Senhor colocou todas as coisas debaixo dos seus pés: 7 Todas as ovelhas e os bois, sim, e os animais do campo, 8 as aves do céu, os peixes do mar, e tudo o que passa pelos caminhos dos mares.

Chamado a cultivar e guardar o jardim do mundo (cf. Gn 2, 15), o homem detém uma responsabilidade específica sobre o ambiente de vida, ou seja, sobre a criação que Deus pôs ao serviço da sua dignidade pessoal, da sua vida: e isto não só em relação ao presente, mas também às gerações futuras. É a questão ecológica — desde a preservação do « habitat » natural das diversas espécies animais e das várias formas de vida, até à « ecologia humana » propriamente dita 28 — que, no texto bíblico, encontra luminosa e forte indicação ética para uma solução respeitosa do grande bem da vida, de toda a vida. Na realidade, « o domínio conferido ao homem pelo Criador não é um poder absoluto, nem se pode falar de liberdade de “usar e abusar”, ou de dispor das coisas como melhor agrade. A limitação imposta pelo mesmo Criador, desde o princípio, e expressa simbolicamente com a proibição de “comer o fruto da árvore” (cf. Gn 2, 16-17), mostra com suficiente clareza que, nas relações com a natureza visível, nós estamos submetidos a leis, não só biológicas, mas também morais, que não podem impunemente ser transgredidas ». 29

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Gênesis 2, 15

Matos Soares: 15 Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no jardim do Eden, para que o cultivasse e guardasse,

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 O SENHOR Deus tomou o homem, e o colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo.

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Gênesis 2, 16-17

Matos Soares: 16 E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de todas as árvores do paraíso, 17 mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, porque, em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitàvelmente.

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 O SENHOR Deus ordenou ao homem, dizendo: “Você pode comer livremente de toda árvore do jardim; 17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não comerá; pois no dia em que dela comer, você certamente morrerá.”

43. Uma certa participação do homem no domínio de Deus manifesta-se também na específica responsabilidade que lhe está confiada no referente à vida propriamente humana. Essa responsabilidade atinge o auge na doação da vida, através da geração por obra do homem e da mulher no matrimónio, como nos recorda o Concílio Vaticano II: « O mesmo Deus que disse “não é bom que o homem esteja só” ( Gn 2, 18) e que “desde a origem fez o ser humano varão e mulher” ( Mt 19, 4), querendo comunicar uma participação especial na sua obra criadora, abençoou o homem e a mulher dizendo: “crescei e multiplicai-vos” ( Gn 1, 28) ». 30

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Gênesis 2, 18

Matos Soares: 18 Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: façamos-lhe um adjutório semelhante a ele.

Bíblia Portuguesa Mundial: 18 O SENHOR Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Farei para ele uma auxiliadora comparável a ele.”

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Mateus 19, 4

Matos Soares: 4 Ele respondeu-lhes: “Não lestes que no principio, o Criador fez o homem e a mulher, e disse:

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Ele respondeu: “Vocês não leram que aquele que os criou no princípio os fez macho e fêmea,

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Gênesis 1, 28

Matos Soares: 28 E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 Deus os abençoou. Deus lhes disse: “Sejam férteis, multipliquem-se, encham a terra e subjuguem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo ser vivo que se move sobre a terra.”

Ao falar de « uma participação especial » do homem e da mulher na « obra criadora » de Deus, o Concílio pretende pôr em relevo como a geração do filho é um facto não só profundamente humano mas também altamente religioso, enquanto implica os cônjuges, que formam « uma só carne » ( Gn 2, 24), e simultaneamente o próprio Deus que Se faz presente. Como escrevi na Carta às Famílias, « quando da união conjugal dos dois nasce um novo homem, este traz consigo ao mundo uma particular imagem e semelhança do próprio Deus: na biologia da geração está inscrita a genealogia da pessoa. Ao afirmarmos que os cônjuges, enquanto pais, são colaboradores de Deus Criador na concepção e geração de um novo ser humano, não nos referimos apenas às leis da biologia; pretendemos sobretudo sublinhar que, na paternidade e maternidade humana, o próprio Deus está presente de um modo diverso do que se verifica em qualquer outra geração “sobre a terra”. Efectivamente, só de Deus pode provir aquela “imagem e semelhança” que é própria do ser humano, tal como aconteceu na criação. A geração é a continuação da criação ». 31

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Gênesis 2, 24

Matos Soares: 24 Por isso deixará o homem seu pai e a sua mãe, e se unirá a sua mulher, e os dois serão uma só carne.

Bíblia Portuguesa Mundial: 24 Portanto, um homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.

Isto mesmo ensina, com linguagem clara e eloquente, o texto sagrado ao mencionar o grito jubiloso da primeira mulher, a « mãe de todos os viventes » ( Gn 3, 20); consciente da intervenção de Deus, Eva exclama: « Gerei um homem com o auxílio do Senhor » ( Gn 4, 1). Assim, na geração, através da comunicação da vida dos pais ao filho transmite-se, graças à criação da alma imortal, 32 a imagem e semelhança do próprio Deus. Neste sentido, se exprime o início do « livro da genealogia de Adão »: « Quando Deus criou o homem, fê-lo à semelhança de Deus. Criou-os varão e mulher, e abençoou-os. Deu-lhes o nome de Homem no dia em que os criou. Com cento e trinta anos, Adão gerou um filho à sua imagem e semelhança, e pôs-lhe o nome de Set » ( Gn 5, 1-3). Precisamente neste papel de colaboradores de Deus, que transmite a sua imagem à nova criatura, está a grandeza dos cônjuges, dispostos « a colaborar com o amor do Criador e Salvador, que por meio deles aumenta cada dia mais e enriquece a sua família ». 33 À luz disto, o bispo Anfilóquio exaltava o « matrimónio santo, eleito e elevado acima de todos os dons terrenos », porque « gerador da humanidade, artífice de imagens de Deus ». 34

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Gênesis 3, 20

Matos Soares: 20 E Adão pôs a sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes.

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 O homem chamou sua mulher de Eva, porque ela seria a mãe de todos os viventes.

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Gênesis 4, 1

Matos Soares: 1 E Adão conheceu sua mulher Eva, a qual concebeu e deu à luz Caim, dizendo: alcancei um homem por (auxílio de) Deus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 O homem conheceu Eva, sua mulher. Ela concebeu, deu à luz Caim, e disse: “Adquiri um homem com a ajuda do SENHOR.”

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Gênesis 5, 1-3

Matos Soares: 1 Este é o livro da posteridade de Adão. No dia em que Deus criou o homem, fê-lo à semelhança de Deus. 2 Varão e fêmea os criou, e abençoou-os; e deu-lhes o nome de Homem no dia em que foram criados. 3 Tinha Adão cento e trinta anos quando gerou um filho à sua imagem e semelhança a que pôs o nome de Seth.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, ele o fez à semelhança de Deus. 2 Ele os criou homem e mulher, e os abençoou. No dia em que foram criados, ele os chamou de Adão. 3 Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua própria semelhança, conforme a sua imagem, e o chamou de Sete.

Assim o homem e a mulher, unidos pelo matrimónio, estão associados a uma obra divina: por meio do acto da geração, o dom de Deus é acolhido, e uma nova vida se abre ao futuro.

Mas, uma vez realçada a missão específica dos pais, há que acrescentar: a obrigação de acolher e servir a vida compete a todos e deve manifestar-se sobretudo a favor da vida em condições de maior fragilidade. É o próprio Cristo quem no-lo recorda, ao pedir para ser amado e servido nos irmãos provados por qualquer tipo de sofrimento: famintos, sedentos, estrangeiros, nus, doentes, encarcerados… Aquilo que for feito a cada um deles, é feito ao próprio Cristo (cf. Mt 25, 31-46).

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Mateus 25, 31-46

Matos Soares (Mateus 25, 31-43): 31 Quando, pois, vier o Filho do homem na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se sentará sobre o trono de sua majestade. 32 Todas as nações serão congregadas diante dele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33 E porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. 34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo, 35 porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era peregrino, e recolhestes-me; (ver nota) 36 nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; estava na prisão, e fostes visitar-me, 37 Então, os justos, lhe responderão: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, e te demos de comer; sequioso, e te demos de beber? 38 Quando te vimos peregrino, e te recolhemos; nu, e te vestimos? 39 Ou quando té vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? 40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Na verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes. 41 Em seguida, dirá aos que estiverem à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para os seus anjos; 42 porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; […]

Bíblia Portuguesa Mundial (Mateus 25, 31-43): 31 “Mas quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então ele se assentará no trono da sua glória. 32 Diante dele serão reunidas todas as nações, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos bodes. 33 Ele colocará as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. 34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai, herdem o Reino preparado para vocês desde a fundação do mundo; 35 pois eu tive fome, e vocês me deram de comer. Tive sede, e vocês me deram de beber. Fui estrangeiro, e vocês me acolheram. 36 Estive nu, e vocês me vestiram. Estive doente, e vocês me visitaram. Estive na prisão, e vocês vieram me ver.’ 37 “Então os justos lhe responderão, dizendo: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38 Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou nu e te vestimos? 39 Quando te vimos doente ou na prisão e fomos te ver?’ 40 “O Rei lhes responderá: ‘Em verdade lhes digo que, visto que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, vocês o fizeram a mim.’ 41 Então ele dirá também aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastem-se de mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado para o diabo e os seus anjos; 42 pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e vocês não me deram de beber; […]

« Vós é que plasmastes o meu interior » (Sal 139 [138], 13): a dignidade da criança ainda não nascida

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Salmos 139, 13

Matos Soares (Salmos 138, 13): 13 Porque foste tu que formaste os meus rins, me entreteceste no seio de minha mãe.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Pois tu formaste o meu ser mais íntimo. Tu me teceste no ventre da minha mãe.

44. A vida humana atravessa situações de grande fragilidade, quer ao entrar no mundo, quer quando sai do tempo para ir ancorar-se na eternidade. Na Palavra de Deus, encontramos numerosos apelos ao cuidado e respeito pela vida, sobretudo quando esta aparece ameaçada pela doença e pela velhice. Se faltam apelos directos e explícitos para salvaguardar a vida humana nas suas origens, especialmente a vida ainda não nascida, ou então a vida próxima do seu termo, isso explica-se facilmente pelo facto de que a mera possibilidade de ofender, agredir ou mesmo negar a vida em tais condições estava fora do horizonte religioso e cultural do Povo de Deus.

No Antigo Testamento, a esterilidade era temida como uma maldição, enquanto se considerava uma bênção a prole numerosa: « Os filhos são bênçãos do Senhor; os frutos do ventre, um mimo do Senhor » (Sal 127 [126], 3; cf. Sal 128 [127], 3-4). Para esta convicção, concorre certamente a consciência que Israel tem de ser o povo da Aliança, chamado a multiplicar-se segundo a promessa feita a Abraão: « Ergue os olhos para os céus e conta as estrelas, se fores capaz de as contar (…) será assim a tua descendência » (Gn 15, 5). Mas influi sobretudo a certeza de que a vida transmitida pelos pais tem a sua origem em Deus, como o atestam tantas páginas bíblicas que, com respeito e amor, falam da concepção, da moldagem da vida no ventre materno, do nascimento e da ligação íntima entre o momento inicial da existência e a acção de Deus Criador.

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Salmos 127, 3

Matos Soares (Salmos 126, 3): 3 Eis que os filhos, são um dom do Senhor, o fruto das entranhas é uma recompensa. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 Eis que os filhos são herança do SENHOR. O fruto do ventre é a sua recompensa.

Salmos 128, 3-4

Matos Soares (Salmos 127, 3-4): 3 Tua esposa será como uma vide fecunda, no interior da tua casa; teus filhos, como rebentos de oliveiras, ao redor da tua mesa. 4 Eis como será abençoado o homem que teme o Senhor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 Sua esposa será como uma videira frutífera no interior da sua casa, seus filhos como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. 4 Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR.

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Gênesis 15, 5

Matos Soares: 5 Depois conduziu-o fora, e disse-lhe: olha para o céu e conta, se podes, as estrelas. Depois acrescentou: assim será a tua descendência.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 O SENHOR o levou para fora e disse: “Olhe agora para o céu e conte as estrelas, se é que você pode contá-las.” E disse a Abrão: “Assim será a sua descendência.”

« Antes que fosses formado no ventre de tua mãe, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio materno, Eu te consagrei » ( Jr 1, 5): a existência de cada indivíduo, desde as suas origens, obedece ao desígnio de Deus. Job, na profundidade da sua dor, detém-se a contemplar a obra de Deus na miraculosa formação do seu corpo no ventre da mãe, retirando daí motivo de confiança e exprimindo a certeza da existência de um projecto divino para a sua vida: « As tuas mãos formaram-me e fizeram-me e, de repente, vais aniquilar-me? Lembra-Te que me formaste com o barro; far-me-ás, agora, voltar ao pó? Não me espremeste como o leite e coalhaste como o queijo? De pele e de carne me revestiste, de ossos e de nervos me consolidaste. Deste-me a vida e favoreceste-me; a tua providência conservou o meu espírito » (10, 8-12). Modulações cheias de enlevo adorador pela intervenção de Deus na vida em formação no ventre materno ressoam também nos Salmos.

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Jeremias 1, 5

Matos Soares: 5 Antes que eu te formasse no ventre de tua mãe, te conheci; antes que tu saísses do seu seio, te consagrei e constituí profeta entre as nações.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 “Antes que eu o formasse no ventre, eu o conheci. Antes que você nascesse, eu o santifiquei. Eu o designei profeta às nações.”

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Ver, por exemplo, os Salmos 22/21, 10-11; 71/70, 6; 139/138, 13-14.

Salmos 22, 10-11

Matos Soares (Salmos 21, 10-11): 10 Sim, tu tens sido o meu guia desde o ventre (materno), tornaste-me seguro aos peitos de minha mãe. (ver nota) 11 Fui-te consagrado, logo desde o nascimento, tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 22, 9-10): 9 Contudo, você me tirou do ventre. Você me fez confiar quando eu ainda estava aos seios de minha mãe. 10 Fui lançado sobre você desde o ventre materno. Você é o meu Deus desde que minha mãe me deu à luz.

Salmos 71, 6

Matos Soares (Salmos 70, 6): 6 Em ti me firmei desde o meu nascimento, tu és o meu protector desde o ventre de minha mãe: em ti esperei sempre.

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 Em ti tenho me apoiado desde o ventre. Tu és aquele que me tirou do ventre de minha mãe. Eu sempre te louvarei.

Salmos 139, 13-14

Matos Soares (Salmos 138, 13-14): 13 Porque foste tu que formaste os meus rins, me entreteceste no seio de minha mãe. 14 Louvo-te, porque tão admiravelmente fui formado, porque são maravilhosas as tuas obras. Perfeitamente conheces a minha alma;

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Pois tu formaste o meu ser mais íntimo. Tu me teceste no ventre da minha mãe. 14 Eu te darei graças, pois fui feito de modo assombroso e maravilhoso. As tuas obras são maravilhosas. A minha alma sabe muito bem disso.

Como pensar que este maravilhoso processo de germinação da vida possa subtrair-se, por um só momento, à obra sapiente e amorosa do Criador para ficar abandonado ao arbítrio do homem? Não o pensa, seguramente, a mãe dos sete irmãos que professa a sua fé em Deus, princípio e garantia da vida desde a concepção e ao mesmo tempo fundamento da esperança da nova vida para além da morte: « Não sei como aparecestes nas minhas entranhas, porque não fui eu quem vos deu a alma nem a vida e nem fui eu quem ajuntou os vossos membros. Mas o Criador do mundo, autor do nascimento do homem e criador de todas as coisas, restituir-vos-á, na sua misericórdia, tanto o espírito como a vida, se agora fizerdes pouco caso de vós mesmos por amor das suas leis » (2 Mac 7, 22-23).

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2 Macabeus 7, 22-23

Matos Soares: 22 Dizia-lhes; Não sei como fostes formados no meu ventre; não fui eu que vos dei o espírito e a vida, ou que formei os membros do vosso corpo. 23 O Criador do mundo, que formou o homem no seu nascimento e deu a origem a todas as coisas, vos tornará a dar o espírito e a vida, por sua misericórdia, em recompensa do quanto agora vos desprezais a vós mesmos, por amor das suas leis.

Bíblia Portuguesa Mundial: 22 “Não sei como vocês apareceram em meu ventre. Não fui eu quem lhes deu o espírito e a vida, nem fui eu quem organizou os elementos de cada um de vocês. 23 Portanto, o Criador do mundo, que formou a origem do ser humano e concebeu a origem de todas as coisas, em sua misericórdia devolverá novamente a vocês tanto o espírito como a vida, porque agora vocês desprezam a si mesmos por causa das leis dele.”

45. A revelação do Novo Testamento confirma o reconhecimento indiscutível do valor da vida desde os seus inícios. A exaltação da fecundidade e o trepidante anseio da vida ressoam nas palavras com que Isabel rejubila pela sua gravidez: ao Senhor « aprouve retirar a minha ignomínia » ( Lc 1, 25). Mas o valor da pessoa, desde a sua concepção, é celebrado ainda melhor no encontro da Virgem Maria e Isabel e entre as duas crianças, que trazem no seio. São precisamente eles, os meninos, a revelarem a chegada da era messiânica: no seu encontro, começa a agir a força redentora da presença do Filho de Deus no meio dos homens. « Depressa se manifestam — escreve Santo Ambrósio — os benefícios da chegada de Maria e da presença do Senhor. (…) Isabel foi a primeira a escutar a voz, mas João foi o primeiro a pressentir a graça. Aquela escutou segundo a ordem da natureza; este exultou em virtude do mistério. Ela apreendeu a chegada de Maria; este, a do Senhor. A mulher ouviu a voz da mulher; o menino sentiu a presença do Filho. Aquelas proclamam a graça de Deus, estes realizam-na interiormente, iniciando no seio de suas mães o mistério de piedade; e, por um duplo milagre, as mães profetizam sob a inspiração de seus filhos. O filho exultou de alegria; a mãe ficou cheia do Espírito Santo. A mãe não se antecipou ao filho; foi este que, uma vez cheio do Espírito Santo, o comunicou a sua mãe ». 36

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Lucas 1, 25

Matos Soares: 25 “Isto é uma graça que me fez o Senhor nos dias em que me olhou para tirar o meu opróbrio de entre os homens.” (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 25 “Foi assim que o Senhor agiu comigo nos dias em que olhou para mim, para tirar a minha vergonha diante das pessoas.”

« Confiei mesmo quando disse: “Sou um homem de todo infeliz” » (Sal 116 [115], 10): a vida na velhice e no sofrimento

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Salmos 116, 10

Matos Soares (Salmos 115, 1): 1 Tive confiança mesmo quando disse: “Estou muito aflito.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 Eu cri, por isso falei: “Estava muito aflito.”

46. Também no que se refere aos últimos dias da existência, seria anacrónico esperar da revelação bíblica uma referência expressa à problemática actual do respeito pelas pessoas idosas e doentes, ou uma explícita condenação das tentativas de lhes antecipar violentamente o fim: encontramo-nos, de facto, perante um contexto cultural e religioso que não está pervertido por tais tentações, mas antes reconhece na sabedoria e experiência do ancião uma riqueza insubstituível para a família e a sociedade.

A velhice goza de prestígio e é circundada de veneração (cf. 2 Mac 6, 23). O justo não pede para ser privado da velhice nem do seu peso; antes pelo contrário: « Vós sois a minha esperança, a minha confiança, Senhor, desde a minha juventude. (…) Agora, na velhice e na decrepitude, não me abandoneis, ó Deus; para que narre às gerações a força do vosso braço, o vosso poder a todos os que hão-de vir » (Sal 71/70, 5.18). O ideal do tempo messiânico é apresentado como aquele em que « não mais haverá (…) um velho que não complete os seus dias » (Is 65, 20).

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2 Macabeus 6, 23

Matos Soares: 23 Ele, porém, fazendo altas considerações, dignas da sua idade, do respeito devido à sua velhice, do prestígio das suas cãs, dos irrepreensíveis costumes em que sempre vivera desde menino, e, sobretudo, das ordenações da lei santa estabelecida por Deus, respondeu que o fizessem baixar imediatamente à sepultura.

Bíblia Portuguesa Mundial: 23 Ele, porém, tomou uma decisão elevada, digna de sua idade, da honra de sua velhice, dos cabelos brancos que havia alcançado com dignidade e de sua excelente educação desde a infância — ou melhor, das santas leis estabelecidas por Deus. Declarou, portanto, sua decisão e ordenou que o enviassem rapidamente ao Hades.

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Salmos 71, 5.18

Matos Soares (Salmos 70, 5.18): 5 Com efeito, tu és a minha esperança, ó meu Deus, Senhor, (tu és a) minha esperança desde a minha mocidade. […] 18 E também na velhice e na decrepitude, ó Deus, não me desampares, enquanto eu anunciar a força do teu braço a toda esta geração, o teu poder a todas as (gerações) vindouras,

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 Pois tu és a minha esperança, Senhor DEUS, a minha confiança desde a minha juventude. […] 18 Sim, mesmo quando eu estiver velho e de cabelos brancos, ó Deus, não me desampares, até que eu tenha declarado a tua força à próxima geração, o teu poder a todos os que estão por vir.

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Isaías 65, 20

Matos Soares: 20 Não haverá ali mais menino que viva poucos dias; nem velho que não complete os seus dias; será ainda novo o que morrer aos cem anos, e o pecador sòmente aos cem anos será amaldiçoado.

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 “Não haverá mais nela um bebê que viva apenas alguns dias, nem um idoso que não tenha completado os seus dias; pois a criança morrerá aos cem anos de idade, e o pecador que chegar aos cem anos será amaldiçoado.

Mas, como enfrentar o declínio inevitável da vida, na velhice? Como comportar-se frente à morte? O crente sabe que a sua vida está nas mãos de Deus: « Senhor, nas tuas mãos está a minha vida » (cf. Sal 16/15, 5); e d’Ele aceite também a morte: « Este é o juízo do Senhor sobre toda a humanidade; e porque quererias reprovar a lei do Altíssimo? » (Sir 41, 4). O homem não é senhor nem da vida nem da morte; tanto numa como noutra, deve abandonar-se totalmente à « vontade do Altíssimo », ao seu desígnio de amor.

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Salmos 16, 5

Matos Soares (Salmos 15, 5): 5 O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice; és tu que tens na mão a minha sorte.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 O SENHOR designou a minha porção e o meu cálice. Você garante o meu quinhão.

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Eclesiástico 41, 4

Matos Soares: 4 para o homem já decrépito e consumido de cuidados, e para o que se vê sem esperança (de melhoras), e a quem falta a paciência!

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Por que resistir ao que agrada ao Altíssimo? Quer a vida dure dez, cem ou mil anos, no Hades ninguém pede contas da duração da vida.

Também no momento da doença, o homem é chamado a viver a mesma entrega ao Senhor e a renovar a sua confiança fundamental n’Aquele que « sara todas as enfermidades » (cf. Sal 103/102, 3). Quando toda e qualquer esperança de saúde parece fechar-se para o homem — a ponto de o levar a gritar: « Os meus dias são como a sombra que declina, e vou-me secando como o feno » (Sal 102/101, 12) — , mesmo então o crente está animado pela fé inabalável no poder vivificador de Deus. A doença não o leva ao desespero nem ao desejo da morte, mas a uma invocação cheia de esperança: « Confiei mesmo quando disse: “Sou um homem de todo infeliz” » (Sal 116 [115], 10); « Senhor, meu Deus, a vós clamei e fui curado. Senhor, livrastes a minha alma da mansão dos mortos; destes-me a vida quando já descia ao túmulo » (Sal 30/29, 3-4).

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Salmos 103, 3

Matos Soares (Salmos 102, 3): 3 É ele quem perdoa todas as tuas culpas, e que sara todas as tuas enfermidades.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 que perdoa todos os seus pecados, que cura todas as suas doenças,

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Salmos 102, 12

Matos Soares (Salmos 101, 12): 12 Os meus dias são semelhantes a uma sombra prolongada, e eu vou-me secando como erva.

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 102, 11): 11 Os meus dias são como uma sombra longa. Eu sequei como a erva.

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Salmos 116, 10

Matos Soares (Salmos 115, 1): 1 Tive confiança mesmo quando disse: “Estou muito aflito.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 Eu cri, por isso falei: “Estava muito aflito.”

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Salmos 30, 3-4

Matos Soares (Salmos 29, 3-4): 3 Senhor, meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste; 4 Senhor, tiraste dos infernos a minha alma, puseste-me a salvo dos que descem à cova.

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 30, 2-3): 2 SENHOR, meu Deus, eu clamei a ti, e tu me curaste. 3 SENHOR, tu fizeste subir a minha alma do Seol. Tu me mantiveste vivo, para que eu não descesse à cova.

47. A missão de Jesus, com as numerosas curas realizadas, indica quanto Deus tem a peito também a vida corporal do homem. « Médico do corpo e do espírito », 37 Jesus foi mandado pelo Pai para anunciar a boa nova aos pobres e para curar os de coração despedaçado (cf. Lc 4, 18; Is 61, 1). Depois, ao enviar os seus discípulos pelo mundo, confia-lhes uma missão na qual a cura dos doentes acompanha o anúncio do Evangelho: « Pelo caminho, proclamai que o reino dos Céus está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios » ( Mt 10, 7-8; cf. Mc 6, 13; 16, 18).

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Lucas 4, 18

Matos Soares: 18 O Espírito do Senhor repousou sobre mim; pelo que me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; me enviou a sarar os contritos do coração.

Bíblia Portuguesa Mundial: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres. Ele me enviou para curar os quebrantados de coração, para proclamar libertação aos cativos, recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos,

Isaías 61, 1

Matos Soares: 1 O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me a levar a boa nova aos infelizes, a curar os de coração despedaçado, a anunciar a redenção aos cativos e a liberdade aos encarcerados;

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 O Espírito do Senhor DEUS está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos humildes. Ele me enviou para ligar as feridas dos quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos cativos e libertação aos que estão presos,

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Mateus 10, 7-8

Matos Soares: 7 Pondo-vos a caminho, anunciai que está próximo o reino dos céus. 8 Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expeli os demônios. Dai de graça o que de graça recebestes.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 Por onde forem, preguem, dizendo: ‘O Reino dos Céus está próximo!’ 8 Curem os enfermos, purifiquem os leprosos, e expulsem os demônios. Vocês receberam de graça, portanto, deem de graça.

Marcos 6, 13

Matos Soares: 13 Expeliam muitos demônios, ungiam com óleo muitos enfermos, e curavam-nos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Expulsavam muitos demônios, e ungiam com óleo muitos enfermos e os curavam.

Marcos 16, 18

Matos Soares: 18 manusearão as serpentes, e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os enfermos, e serão curados.” (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 18 pegarão em serpentes; e se beberem algo mortífero, de modo nenhum lhes fará mal; imporão as mãos sobre os enfermos, e eles serão curados.”

Certamente, a vida do corpo na sua condição terrena não é um absoluto para o crente, de tal modo que lhe pode ser pedido para a abandonar por um bem superior; como diz Jesus, « quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por Mim e pelo Evangelho, salvá-la-á » (Mc 8, 35). A este propósito, o Novo Testamento oferece diversos testemunhos. Jesus não hesita em sacrificar-Se a Si próprio e, livremente, faz da sua vida uma oferta ao Pai (cf. Jo 10, 17) e aos seus (cf. Jo 10, 15). Também a morte de João Baptista, precursor do Salvador, atesta que a existência terrena não é o bem absoluto: é mais importante a fidelidade à palavra do Senhor, ainda que esta possa pôr em jogo a vida (cf. Mc 6, 17-29). E Estêvão, ao ser privado da vida temporal porque testemunha fiel da ressurreição do Senhor, segue os passos do Mestre e vai ao encontro dos seus lapidadores com as palavras do perdão (cf. Act 7, 59-60), abrindo a estrada do exército inumerável dos mártires, venerados pela Igreja desde o princípio.

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Marcos 8, 35

Matos Soares: 35 Porque o que quiser salvar a sua vida, a perderá; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, a salvará. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 35 Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e por causa do evangelho a salvará.

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João 10, 17

Matos Soares: 17 Se o Pai me ama, é porque dou a minha vida para outra vez a assumir.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida, para que eu possa tomá-la de novo.

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João 10, 15

Matos Soares: 15 Como o Pai me conhece, assim eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas minhas ovelhas.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 assim como o Pai me conhece, e eu conheço o Pai. Eu dou a minha vida pelas ovelhas.

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Marcos 6, 17-29

Matos Soares: 17 Porque Herodes tinha mandado prender João, e teve-o em ferros no cárcere por causa de Herodíades, mulher de Filipe, seu irmão, com a qual tinha casado (ilicitamente), 18 Porque João dizia a Herodes: “Não te é lícito ter a mulher de teu irmão.” 19 Herodíades tinha-lhe rancor e queria fazê-lo morrer, porém não podia, 20 porque Herodes, sabendo que João era varão justo e santo, olhava-o com respeito, protegia-o, e, quando o ouvia, ficava muito perplexo, porém ouvia-o de boa vontade. 21 Chegando um dia oportuno, Herodes, no aniversário do seu nascimento, deu um banquete aos grandes da corte, aos tribunos e aos principais da Galileia. 22 Tendo entrado na sala a filha da mesma Herodíades, dançou e agradou a Herodes e aos seus convivas. O rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei.” 23 E jurou-lhe: “Tudo o que me pedires, te darei, ainda que seja metade do meu reino.” 24 Ela, tendo saído, disse a sua mãe” “Que hei-de eu pedir?” Ela respondeu-lhe: “A cabeça de João Batista.” 25 Tornando logo a entrar apressadamente junto do rei, fez este pedido: “Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de João Batista.” 26 O rei entristeceu-se, mas, por causa do juramento e dos convivas, não quis desgostá-la. 27 Imediatamente mandou um guarda com ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi degolá-lo no cárcere, 28 levou a sua cabeça num prato, deu-o à moça, e a moça a deu a sua mãe. […]

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 Pois o próprio Herodes havia mandado prender João e acorrentá-lo na prisão por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe, porque havia se casado com ela. 18 Pois João dizia a Herodes: “Não lhe é lícito ter a mulher do seu irmão.” 19 Herodias guardava-lhe rancor e queria matá-lo, mas não podia, 20 porque Herodes temia a João, sabendo que era um homem justo e santo, e o mantinha em segurança. Quando o ouvia, fazia muitas coisas, e o ouvia de boa vontade. 21 Então chegou um dia oportuno, quando Herodes, no seu aniversário, deu um banquete para os seus nobres, os altos oficiais e os homens principais da Galileia. 22 Quando a própria filha de Herodias entrou e dançou, ela agradou a Herodes e aos que estavam sentados com ele. O rei disse à jovem: “Peça-me o que você quiser, e eu lhe darei.” 23 E ele lhe jurou: “Tudo o que você me pedir, eu lhe darei, até a metade do meu reino.” 24 Ela saiu e perguntou à sua mãe: “O que devo pedir?” Ela respondeu: “A cabeça de João Batista.” 25 Ela voltou imediatamente e, apressada, foi até o rei e pediu: “Quero que me dê agora mesmo a cabeça de João Batista num prato.” 26 O rei ficou profundamente triste, mas por causa dos seus juramentos e dos seus convidados, não quis recusar o pedido dela. 27 Imediatamente o rei enviou um soldado da sua guarda e ordenou que trouxesse a cabeça de João. O soldado foi à prisão e o decapitou, 28 trouxe a cabeça num prato e a deu à jovem; e a jovem a entregou à sua mãe. […]

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Atos dos Apóstolos 7, 59-60

Matos Soares: 59 Enquanto apedrejavam Estêvão, ele orava assim: “Senhor Jesus, recebe o meu espirito.” 60 Depois posto de joelhos, clamou em voz alta: “Senhor, não lhes imputes este pecado.” Tendo dito isto, adormeceu no Senhor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 59 Eles apedrejavam Estêvão enquanto ele clamava, dizendo: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” 60 Ele se ajoelhou e clamou em alta voz: “Senhor, não lhes imputes este pecado!” Depois de dizer isso, ele adormeceu.

Todavia, ninguém pode escolher arbitrariamente viver ou morrer; efectivamente, senhor absoluto de tal decisão é apenas o Criador, Aquele em quem « vivemos, nos movemos e existimos » (Act 17, 28).

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Atos dos Apóstolos 17, 28

Matos Soares: 28 porque nele vivemos, nos movemos e existimos, como até o disseram alguns dos vossos poetas: “Somos verdadeiramente da sua linhagem.” (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 ‘Pois nele vivemos, nos movemos e existimos.’ Como alguns dos seus próprios poetas disseram: ‘Pois nós também somos sua descendência.’

« Todos os que a seguirem alcançarão a vida » (Bar 4, 1): da Lei do Sinai ao dom do Espírito

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Baruc 4, 1

Matos Soares: 1 (A sabedoria) é o livro dos mandamentos de Deus e a lei que subsiste eternamente; todos os que a guardam, chegarão à vida; e os que a deixam, cairão na morte.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Este é o livro dos mandamentos de Deus e a Lei que permanece para sempre. Todos os que se apegam a ela viverão, mas os que a abandonam morrerão.

48. A vida traz indelevelmente inscrita nela uma verdade sua. O homem, ao acolher o dom de Deus, deve comprometer-se a manter a vida nesta verdade, que lhe é essencial. Desviar-se dela, equivale a condenar-se a si próprio à insignificância e à infelicidade, com a consequência de poder tornar-se também uma ameaça para a existência dos outros, já que foram rompidos os diques que garantiam o respeito e a defesa da vida, em qualquer situação.

A verdade da vida é revelada pelo mandamento de Deus. A palavra do Senhor indica concretamente a direcção que a vida deve seguir, para poder respeitar a própria verdade e salvaguardar a sua dignidade. Não é apenas o mandamento específico — « não matarás » (Ex 20, 13; Dt 5, 17) — a garantir a protecção da vida; mas a Lei do Senhor em toda a sua extensão está ao serviço dessa protecção, porque revela aquela verdade na qual a vida encontra o seu pleno significado.

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Êxodo 20, 13

Matos Soares: 13 Não matarás.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 “Você não matará.

Deuteronômio 5, 17

Matos Soares: 17 Não matarás.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 “Você não matará.

Não admira, pois, que a Aliança de Deus com o seu povo esteja tão intensamente ligada à perspectiva da vida, mesmo na sua dimensão corpórea. Naquela, o mandamento é dado como caminho da vida: « Vê, ofereço-te hoje, de um lado, a vida e o bem; de outro, a morte e o mal. Recomendo-te hoje que ames o Senhor, teu Deus, que andes nos seus caminhos, que guardes os seus preceitos, suas leis e seus decretos. Se assim fizeres, viverás, engrandecer-te-ás e serás abençoado pelo Senhor, teu Deus, na terra em que vais entrar para a possuir » (Dt 30, 15-16). Não está em questão apenas a terra de Canaã e a existência do povo de Israel, mas também o mundo de hoje e do futuro e a existência de toda a humanidade. De facto, não é possível, absolutamente, a vida permanecer autêntica e plena, quando se afasta do bem; e o bem, por sua vez, está essencialmente ligado aos mandamentos do Senhor, isto é, à « lei da vida » (Sir 17, 11). O bem que se tem de realizar, não é imposto à vida como um fardo que pesa sobre ela, porque a própria razão da vida é precisamente o bem, e a vida é construída apenas mediante o cumprimento do bem.

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Deuteronômio 30, 15-16

Matos Soares: 15 Considera que eu hoje te pus, diante de ti, duma parte a vida e o bem, e doutra parte a morte e o mal 16 para que ames o Senhor teu Deus, andes nos seus caminhos, guardes os seus mandamentos, leis e ordenações, para que, assim, vivas, e ele te multiplique e te abençoe na terra em que entrarás para a possuir.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 Eis que hoje coloquei diante de você a vida e a prosperidade, a morte e o mal. 16 Pois hoje lhe ordeno que ame o SENHOR, o seu Deus, que ande nos seus caminhos e que guarde os seus mandamentos, os seus estatutos e as suas ordenanças, para que você viva e se multiplique, e para que o SENHOR, o seu Deus, o abençoe na terra em que você está entrando para possuí-la.

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Eclesiástico 17, 11

Matos Soares: 11 Com os seus próprios olhos viram as grandezas da sua glória, e os seus ouvidos ouviram a majestade da sua voz. Ele disse-lhes: Guardai-vos de toda a iniquidade.

Bíblia Portuguesa Mundial: 11 Acrescentou-lhes conhecimento e lhes deu como herança uma lei de vida.

Portanto, é a Lei no seu todo que salvaguarda plenamente a vida do homem. Isto explica como é difícil manter-se fiel ao preceito « não matarás », quando não são observadas as demais « palavras de vida » (Act 7, 38), às quais ele está ligado. Fora deste horizonte, o mandamento acaba por se tornar uma mera obrigação extrínseca, da qual bem depressa desejar-se-ão ver os limites e procurar-se-ão as atenuantes ou as excepções. Só se nos abrirmos à plenitude da verdade acerca de Deus, do homem e da história, é que o preceito « não matarás » voltará a resplandecer como o melhor para o homem em todas as suas dimensões e relações. Nesta perspectiva, podemos atingir a plenitude da verdade contida na passagem do Livro do Deuteronómio, retomada por Jesus na resposta à primeira tentação: « O homem não vive somente de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor » (8, 3; cf. Mt 4, 4).

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Atos dos Apóstolos 7, 38

Matos Soares: 38 Este é o que esteve no meio da assembleia do povo no deserto com o Anjo, que lhe falava no monte Sinai, e com os nossos país, e o que recebeu palavras de vida, para no-las transmitir;

Bíblia Portuguesa Mundial: 38 Este é o que esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com os nossos pais; e recebeu revelações vivas para nos transmitir.

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Mateus 4, 4

Matos Soares: 4 Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Dt. 8, 3).”

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Mas ele respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.’”

É escutando a palavra do Senhor que o homem pode viver com dignidade e justiça; é observando a lei de Deus que o homem pode produzir frutos de vida e de felicidade: « Todos os que a seguirem alcançarão a vida, e os que a abandonarem cairão na morte » (Bar 4, 1).

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Baruc 4, 1

Matos Soares: 1 (A sabedoria) é o livro dos mandamentos de Deus e a lei que subsiste eternamente; todos os que a guardam, chegarão à vida; e os que a deixam, cairão na morte.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Este é o livro dos mandamentos de Deus e a Lei que permanece para sempre. Todos os que se apegam a ela viverão, mas os que a abandonam morrerão.

49. A história de Israel mostra como é difícil permanecer fiel à lei da vida, que Deus inscreveu no coração dos homens e entregou no Sinai ao povo da Aliança. Contra a busca de projectos de vida alternativos ao plano de Deus, levantam-se de modo particular os Profetas, recordando insistentemente que só o Senhor é a autêntica fonte da vida. Assim escreve Jeremias: « O meu povo cometeu um duplo crime: abandonou-Me a Mim, fonte de águas vivas, para cavar cisternas, cisternas rotas, que não podem reter as águas » (2, 13). Os Profetas apontam o dedo acusador contra aqueles que desprezam a vida e violam os direitos das pessoas: « Esmagam como o pó da terra a cabeça do pobre » (Am 2, 7); « mancharam este lugar com o sangue de inocentes » (Jr 19, 4). E a estes, vem juntar-se o profeta Ezequiel que mais de uma vez verbera a cidade de Jerusalém, designando-a como « a cidade sanguinária » (22, 2; 24, 6.9), a « cidade que derramou o sangue no seu seio » (22, 3).

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Amós 2, 7

Matos Soares: 7 esmagam sobre o pó da terra a cabeça do pobre, confundem os pequenos, porque o filho e o pai dormem com a mesma jovem, desonrando o meu santo nome,

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 Eles pisam a cabeça dos pobres no pó da terra e negam justiça aos oprimidos. Um homem e seu pai possuem a mesma jovem, para profanar o meu santo nome.

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Jeremias 19, 4

Matos Soares: 4 Com efeito, abandonaram-me, profanaram este lugar, e nele ofereceram incenso a deuses estranhos, que não conheceram, nem eles, nem seus pais nem os reis de Judá, e encheram este lugar de sangue de inocentes (sacrificados a Moloch);

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Porque eles me abandonaram, e profanaram este lugar, e nele queimaram incenso a outros deuses que não conheciam — eles, seus pais e os reis de Judá — e encheram este lugar com o sangue de inocentes,

Mas, ao mesmo tempo que denunciam as ofensas contra a vida, os Profetas preocupam-se sobretudo por suscitar a esperança de um novo princípio de vida, capaz de fundar um renovado relacionamento com Deus e com os irmãos, entreabrindo possibilidades inéditas e extraordinárias para compreender e actuar todas as exigências contidas no Evangelho da vida. Isso será possível unicamente mediante um dom de Deus, que purifique e renove: « Derramarei sobre vós uma água pura e sereis purificados; Eu vos purificarei de todas as manchas e de todos os pecados. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo » (Ez 36, 25-26; cf. Jr 31, 31-34). Graças a este « coração novo », pode-se compreender e realizar o sentido mais verdadeiro e profundo da vida: ser um dom que se consuma no dar-se. É a mensagem luminosa sobre o valor da vida que nos vem da figura do Servo do Senhor: « Oferecendo a sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura e viverá longos dias. (…) Livrada a sua alma dos tormentos, verá a luz » (Is 53, 10.11).

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Ezequiel 36, 25-26

Matos Soares: 25 Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados de todas as vossas imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos ídolos. (ver nota) 26 Dar-vos-ei um coração novo e porei um novo espírito no meio de vós; tirarei da vossa carne o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne.

Bíblia Portuguesa Mundial: 25 Aspergirei água pura sobre vocês, e vocês ficarão limpos. Eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos. 26 Também lhes darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vocês. Tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.

Jeremias 31, 31-34

Matos Soares: 31 Estão a chegar os dias, diz o Senhor, em que farei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, 32 diferente da aliança que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, aliança que eles violaram. (Por isso) fiz sentir sobre eles o meu poder, diz o Senhor. 33 Eis a aliança que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; Imprimirei a minha lei no seu íntimo. escrevê-la-ei nos seus corações; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 34 Ninguém ensinará mais o seu próximo, nem o seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor - porque todos me conhecerão, desde o mais pequeno até ao maior, diz o Senhor, pois perdoarei a sua maldade e não me lembrarei mais do seu pecado. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 31 “Eis que vêm dias”, diz o SENHOR, “em que farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, 32 não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito, aliança minha que eles quebraram, embora eu fosse um marido para eles”, diz o SENHOR. 33 “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias”, diz o SENHOR: “Porei a minha lei no seu íntimo, e a escreverei no seu coração. Serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 34 Eles não ensinarão mais cada um ao seu próximo, e cada um ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça o SENHOR’; pois todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior deles”, diz o SENHOR, “pois perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei mais do seu pecado.”

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Isaías 53, 10.11

Matos Soares (Isaías 53, 10-11): 10 O Senhor quis consumi-lo com sofrimentos: mas quando tiver oferecido a sua vida pelo pecado, verá uma descendência perdurável, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. 11 Livrado dos sofrimentos da sua alma, verá, e o que vir saciará os seus desejos. Este mesmo Justo, meu Servo, (diz o Senhor) justificará muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.

Bíblia Portuguesa Mundial (Isaías 53, 10-11): 10 Contudo, agradou ao SENHOR esmagá-lo. Ele o fez sofrer. Quando você fizer da alma dele uma oferta pelo pecado, ele verá a sua descendência. Ele prolongará os seus dias e a vontade do SENHOR prosperará em sua mão. 11 Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito. Meu servo justo justificará a muitos pelo conhecimento de si mesmo; e ele levará as iniquidades deles.

Na existência de Jesus de Nazaré, a Lei teve pleno cumprimento, ao ser dado o coração novo por meio do seu Espírito. Com efeito, Cristo não revoga a Lei, mas leva-a ao seu pleno cumprimento (cf. Mt 5, 17): a Lei e os Profetas resumem-se na regra-áurea do amor recíproco (cf. Mt 7, 12). N’Ele, a Lei torna-se definitivamente « evangelho », feliz notícia do domínio de Deus sobre o mundo, que reconduz toda a existência às suas raízes e perspectivas originais. É a Nova Lei, « a lei do Espírito que dá vida em Cristo Jesus » (Rm 8, 2), cuja expressão fundamental, a exemplo do Senhor que dá a vida pelos próprios amigos (cf. Jo 15, 13), é o dom de si no amor aos irmãos: « Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos » (1 Jo 3, 14). É lei de liberdade, alegria e felicidade.

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Mateus 5, 17

Matos Soares: 17 Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim (para os) abolir, mas sim (para os) cumprir.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 “Não pensem que vim destruir a Lei ou os Profetas. Não vim para destruir, mas para cumprir.

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Mateus 7, 12

Matos Soares: 12 Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; esta é a lei e os profetas.

Bíblia Portuguesa Mundial: 12 Portanto, tudo o que vocês desejam que os homens lhes façam, façam também a eles; pois esta é a lei e os profetas.

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Romanos 8, 2

Matos Soares: 2 Com efeito, a lei do espírito de vida em Jesus Cristo me livrou da lei do pecado e da morte. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte.

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João 15, 13

Matos Soares: 13 Não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Ninguém tem maior amor do que este: dar a própria vida pelos seus amigos.

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1 João 3, 14

Matos Soares: 14 Sabemos que fomos trasladados da morte (do pecado) para a vida (da graça), porque amamos os nossos irmãos. Aquele que não ama, permanece na morte.

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Aquele que não ama o seu irmão permanece na morte.

« Hão-de olhar para Aquele que trespassaram » (Jo 19, 37): na árvore da Cruz, cumpre-se o Evangelho da Vida

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João 19, 37

Matos Soares: 37 E também diz outro lugar da Escritura: Lançarão o olhar para aquele a quem traspassaram (Zc. 12, 10).

Bíblia Portuguesa Mundial: 37 E novamente outra Escritura diz: “Olharão para aquele a quem traspassaram.”

50. No final deste capítulo, em que meditámos a mensagem cristã sobre a vida, quereria deter-me com cada um de vós a contemplar Aquele que trespassaram e que atrai todos a Si (cf. Jo 19, 37; 12, 32). Levantando os olhos para « o espectáculo » da cruz (cf. Lc 23, 48), poderemos descobrir, nesta árvore gloriosa, o cumprimento e a plena revelação de todo o Evangelho da vida.

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João 19, 37

Matos Soares: 37 E também diz outro lugar da Escritura: Lançarão o olhar para aquele a quem traspassaram (Zc. 12, 10).

Bíblia Portuguesa Mundial: 37 E novamente outra Escritura diz: “Olharão para aquele a quem traspassaram.”

João 12, 32

Matos Soares: 32 E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 32 E eu, se for levantado da terra, atrairei todos a mim.”

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Lucas 23, 48

Matos Soares: 48 E toda a multidão que assistia a este espectáculo, e via o que sucedia, retirava-se, batendo no peito.

Bíblia Portuguesa Mundial: 48 Todas as multidões que se reuniram para ver isso, quando viram as coisas que haviam acontecido, voltaram para casa batendo no peito.

Nas primeiras horas da tarde de Sexta-feira Santa, « as trevas cobriram toda a terra (…) por o sol se haver eclipsado. O véu do Templo rasgou-se ao meio » (Lc 23, 44.45). É o símbolo de uma grande perturbação cósmica e de uma luta atroz das forças do bem contra as do mal, da vida contra a morte. Também hoje nos encontramos no meio de uma luta dramática entre a « cultura da morte » e a « cultura da vida ». Mas o esplendor da Cruz não fica submerso pelas trevas; pelo contrário, aquela desenha-se ainda mais clara e luminosa, revelando-se como o centro, o sentido e o fim da história inteira e de toda a vida humana.

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Lucas 23, 44.45

Matos Soares (Lucas 23, 44-45): 44 Era então quase a hora, sexta, e toda a terra ficou coberta de trevas até à hora nona; 45 escureceu-se o sol, e rasgou-se pelo meio o véu do templo.

Bíblia Portuguesa Mundial (Lucas 23, 44-45): 44 Já era cerca da hora sexta, e houve trevas sobre toda a terra até a hora nona. 45 O sol escureceu, e o véu do templo rasgou-se ao meio.

Jesus é pregado na cruz e levantado da terra. Vive o momento da sua máxima « impotência », e a sua vida parece totalmente abandonada aos insultos dos seus adversários e às mãos dos seus carrascos: é humilhado, escarnecido, ultrajado (cf. Mc 15, 24-36). E contudo, precisamente diante de tudo isso e « ao vê-Lo expirar daquela maneira », o centurião romano exclama: « Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus! » (Mc 15, 39). Revela-se assim, no momento da sua extrema debilidade, a identidade do Filho de Deus: na Cruz, manifesta-se a sua glória!

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Marcos 15, 24-36

Matos Soares: 24 Tendo-o crucificado, dividiram os seus vestidos, lançando sortes sobre eles, para ver a parte que cada um levaria. 25 Era a hora tércia quando o crucificaram. 26 A causa da sua condenação estava escrita nesta inscrição: O REI DOS JUDEUS. 27 Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à esquerda. 28 Cumpriu-se a Escritura, que diz: Foi contado entre os maus (Is. 53, 12). (ver nota) 29 Os que iam passando blasfemavam, abanando as suas cabeças, e dizendo: “Ah! tu, que destróis o templo de Deus, e o reedificas em três dias, 30 salva-te a ti mesmo, descendo da cruz.” 31 Do mesmo modo, escarnecendo-o também os príncipes dos sacerdotes e os escribas, diziam entre si: “Salvou os outros, e não se pode salvar a si mesmo. 32 O Cristo, o Rei de Israel desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos.” Também os que tinham sido crucificados com ele o insultavam. (ver nota) 33 Chegada a hora sexta, cobriu-se toda a terra de trevas até à hora nona. 34 E, à hora nona, exclamou Jesus em alta voz: “Eloí, Eloí, lamma sabachtani?” que quer dizer: “Deus meu. Deus meu, porque me desamparaste?” 35 Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: “Eis que chama por Elias.” […]

Bíblia Portuguesa Mundial: 24 Ao crucificá-lo, repartiram entre si as suas roupas, lançando sortes sobre elas, para decidir o que cada um levaria. 25 Era a terceira hora quando o crucificaram. 26 A inscrição com a acusação contra ele, colocada acima dele, dizia: “O REI DOS JUDEUS”. 27 Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. 28 Cumpriu-se a Escritura que diz: “Ele foi contado com os transgressores.” 29 Os que passavam blasfemavam contra ele, balançando a cabeça e dizendo: “Ah! Você que destrói o templo e o edifica em três dias, 30 salve a si mesmo, e desça da cruz!” 31 Da mesma forma, também os principais sacerdotes, zombando entre si com os escribas, diziam: “Ele salvou os outros, mas não consegue salvar a si mesmo. 32 Que o Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos nele.” Aqueles que foram crucificados com ele também o insultavam. 33 Quando chegou a sexta hora, houve trevas sobre toda a terra até a nona hora. 34 À nona hora, Jesus clamou em alta voz, dizendo: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?” que significa: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” 35 Alguns dos que estavam ali, ouvindo isso, disseram: “Vejam, ele está chamando Elias.” […]

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Marcos 15, 39

Matos Soares: 39 O centurião, que estava defronte, vendo que Jesus expirava dando este brado, disse: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 39 Quando o centurião, que estava em frente a ele, viu como ele havia clamado e expirado, disse: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus!”

Com a sua morte, Jesus ilumina o sentido da vida e da morte de todo o ser humano. Antes de morrer, Jesus reza ao Pai, pedindo o perdão para os seus perseguidores (cf. Lc 23, 34), e ao malfeitor, que Lhe pede para Se recordar dele no seu reino, responde: « Em verdade te digo: hoje estarás Comigo no Paraíso » (Lc 23, 43). Depois da sua morte, « abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos que estavam mortos, ressuscitaram » (Mt 27, 52). A salvação, operada por Jesus, é doação de vida e de ressurreição. Ao longo da sua existência, Jesus tinha concedido a salvação, curando e fazendo o bem a todos (cf. Act 10, 38). Mas os milagres, as curas e as próprias ressurreições eram sinal de outra salvação que consiste no perdão dos pecados, ou seja, na libertação do homem do mal mais profundo, e na sua elevação à própria vida de Deus.

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Lucas 23, 34

Matos Soares: 34 Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem .” Dividindo os seus vestidos, sortearam-nos (Ps. 21, 19).

Bíblia Portuguesa Mundial: 34 Jesus disse: “Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que estão fazendo.” Dividindo as suas vestes entre si, lançaram sortes.

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Lucas 23, 43

Matos Soares: 43 Jesus disse-lhe: “Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 43 Jesus lhe disse: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.”

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Mateus 27, 52

Matos Soares: 52 abriram-se as sepulturas, e muitos corpos de santos, que tinham adormecido, ressuscitaram,

Bíblia Portuguesa Mundial: 52 Os túmulos se abriram, e muitos corpos dos santos que haviam adormecido foram ressuscitados;

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Atos dos Apóstolos 10, 38

Matos Soares: 38 Como Deus ungiu com o Espírito Santo e com poder a Jesus de Nazaré, o qual andou, de lugar em lugar, fazendo bem e sarando todos os oprimidos do demônio, porque Deus era com ele.

Bíblia Portuguesa Mundial: 38 como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte fazendo o bem e curando a todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.

Na Cruz, renova-se e realiza-se, em sua perfeição plena e definitiva, o prodígio da serpente erguida por Moisés no deserto (cf. Jo 3, 14-15; Nm 21, 8-9). Também hoje, voltando o olhar para Aquele que foi trespassado, cada homem com a sua existência ameaçada recobra a esperança segura de encontrar libertação e redenção.

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João 3, 14-15

Matos Soares: 14 E como Moisés levantou no deserto a serpente, assim também importa que seja levantado o Filho do homem, 15 a fim de que todo o que crê nele tenha a vida eterna.

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15 para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Números 21, 8-9

Matos Soares: 8 e o Senhor disse-lhe: Faze uma serpente de bronze, e põe-na por sinal: aquele que, sendo ferido, olhar para ela, viverá. 9 Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e pô-la por sinal: os feridos que olhavam para ela, saravam.

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 O SENHOR disse a Moisés: “Faça uma serpente venenosa e coloque-a sobre uma haste. Acontecerá que todo aquele que for mordido, quando olhar para ela, viverá.” 9 Moisés fez uma serpente de bronze e a colocou sobre a haste. Se uma serpente mordesse algum homem, quando ele olhava para a serpente de bronze, ele vivia.

51. Mas há ainda outro acontecimento específico que atrai o meu olhar e merece compenetrada meditação. « Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: “Tudo está consumado”. E inclinando a cabeça, entregou o espírito » (Jo 19, 30). E o soldado romano « perfurou-Lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água » (Jo 19, 34).

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João 19, 30

Matos Soares: 30 Jesus, tendo tomado o vinagre, disse: “Tudo está consumado.” Depois, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.

Bíblia Portuguesa Mundial: 30 Quando Jesus, pois, recebeu o vinagre, disse: “Está consumado!” Então ele inclinou a cabeça e entregou o seu espírito.

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João 19, 34

Matos Soares: 34 mas um dos soldados traspassou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 34 No entanto, um dos soldados perfurou o seu lado com uma lança, e imediatamente saíram sangue e água.

Tudo chegou já ao seu pleno cumprimento. O « entregar o espírito » exprime certamente a morte de Jesus, semelhante à de qualquer outro ser humano, mas parece aludir também ao « dom do Espírito », com que Ele nos resgata da morte e desperta para uma vida nova.

A própria vida de Deus é participada ao homem. Mediante os sacramentos da Igreja — cujo símbolo são o sangue e a água, que brotam do lado de Cristo —, aquela vida é incessantemente comunicada aos filhos de Deus, constituídos como povo da nova aliança. Da Cruz, fonte de vida, nasce e se propaga o « povo da vida ».

Deste modo, a contemplação da Cruz leva-nos às raízes mais profundas daquilo que sucedeu. Jesus que, ao entrar no mundo, tinha dito: « Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade » (cf. Heb 10, 9), fez-Se em tudo obediente ao Pai, e tendo « amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim » (Jo 13, 1), entregando-Se inteiramente por eles.

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Hebreus 10, 9

Matos Soares: 9 em seguida declara : Eis-me que venho para fazer (ó Deus) a tua vontade. Tira o primeiro estado de coisas, para estabelecer o segundo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 ele disse então: “Eis que vim para fazer a tua vontade.” Ele remove o primeiro para estabelecer o segundo.

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João 13, 1

Matos Soares: 1 Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Ora, antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai. Ele havia amado os seus que estavam no mundo e os amou até o fim.

Ele que não « veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos » (Mc 10, 45), chega ao vértice do amor na Cruz: « Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos » (Jo 15, 13). E Ele morreu por nós, quando éramos ainda pecadores (cf. Rm 5, 8).

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Marcos 10, 45

Matos Soares: 45 Porque também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida para redenção de muitos.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 45 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate por muitos.”

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João 15, 13

Matos Soares: 13 Não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Ninguém tem maior amor do que este: dar a própria vida pelos seus amigos.

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Romanos 5, 8

Matos Soares: 8 Mas Deus manifesta a sua caridade para connosco, porque, quando ainda éramos pecadores, então morreu Cristo por nós.

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 Mas Deus demonstra o seu próprio amor para conosco: enquanto ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós.

Deste modo, Cristo proclama que a vida atinge o seu centro, sentido e plenitude quando é doada.

Chegada a este ponto, a meditação faz-se louvor e agradecimento e, ao mesmo tempo, estimula-nos a imitar Jesus e a seguir os seus passos (cf. 1 Ped 2, 21).

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1 Pedro 2, 21

Matos Soares: 21 Com efeito para isto é que vós fostes chamados, pois que Cristo também sofreu por vós deixando-vos o exemplo, para que sigais as suas pisadas,

Bíblia Portuguesa Mundial: 21 Pois para isso vocês foram chamados, porque Cristo também sofreu por nós, deixando a vocês um exemplo, para que sigam os seus passos,

Também nós somos chamados a dar a nossa vida pelos irmãos, realizando assim, na sua verdade mais plena, o sentido e o destino da nossa existência.

Podê-lo-emos fazer porque Vós, Senhor, nos destes o exemplo e comunicastes a força do Espírito. Podê-lo-emos fazer se cada dia, Convosco e como Vós, formos obedientes ao Pai e fizermos a sua vontade.

Concedei-nos, pois, ouvir com coração dócil e generoso toda a palavra que sai da boca de Deus: aprenderemos assim não apenas a « não matar » a vida do homem, mas também a sabê-la venerar, amar e promover.

 

CAPÍTULO III

NÃO MATARÁS

A LEI SANTA DE DEUS

« Se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos » (Mt 19, 17): Evangelho e mandamento

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Mateus 19, 17

Matos Soares: 17 Jesus respondeu-lhe: “Porque me interrogas acerca do que é bom? Um só é bom, Deus. Porém, se queres entrar na vida (eterna) guarda os mandamentos.” (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 Ele lhe disse: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Mas se você quer entrar na vida, guarde os mandamentos.”

52. « Aproximou-se d’Ele um jovem e disse-Lhe: “Que hei-de fazer de bom para alcançar a vida eterna?” » (Mt 19, 16). Jesus respondeu: « Se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos » (Mt 19, 17). O Mestre fala da vida eterna, isto é, da participação na própria vida de Deus. A esta vida, chega-se através da observância dos mandamentos, incluindo naturalmente aquele que diz « não matarás ». Este é precisamente o primeiro preceito do Decálogo que Jesus recorda ao jovem, quando este Lhe solicita os mandamentos que terá de cumprir: « Retorquiu Jesus: “Não matarás; não cometerás adultério; não roubarás…” » (Mt 19, 18).

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Mateus 19, 16

Matos Soares: 16 Aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: “Mestre, que hei-de eu fazer de bom para alcançar a vida eterna?”

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Eis que alguém se aproximou dele e disse: “Bom Mestre, que coisa boa devo fazer para ter a vida eterna?”

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Mateus 19, 17

Matos Soares: 17 Jesus respondeu-lhe: “Porque me interrogas acerca do que é bom? Um só é bom, Deus. Porém, se queres entrar na vida (eterna) guarda os mandamentos.” (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 Ele lhe disse: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Mas se você quer entrar na vida, guarde os mandamentos.”

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Mateus 19, 18

Matos Soares: 18 “Quais?”, perguntou ele. Jesus disse: “Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não dirás falso testemunho.

Bíblia Portuguesa Mundial: 18 Ele lhe perguntou: “Quais?” Jesus disse: “‘Não matarás’. ‘Não adulterarás’. ‘Não furtarás’. ‘Não darás falso testemunho’.

O mandamento de Deus nunca está separado do seu amor: é sempre um dom para o crescimento e a alegria do homem. Como tal, constitui um aspecto essencial e um elemento inalienável do Evangelho, mais, o próprio mandamento se configura como « evangelho », ou seja, uma boa e feliz notícia. Também o Evangelho da vida é um grande dom de Deus e simultaneamente uma exigente tarefa para o homem. Aquele suscita assombro e gratidão na pessoa livre e pede para ser acolhido, guardado e valorizado com vivo sentimento de responsabilidade: dando-lhe a vida, Deus exige do homem que a ame, respeite e promova. Deste modo, o dom faz-se mandamento, e o mandamento é em si mesmo um dom.

Imagem viva de Deus, o homem foi querido pelo seu Criador como rei e senhor. « Deus fez o homem — escreve S. Gregório de Nissa — de forma tal que pudesse desempenhar a sua função de rei da terra. (…) O homem foi criado à imagem d’Aquele que governa o universo. Tudo indica que, desde o princípio, a sua natureza está marcada pela realeza. (…) Assim a natureza humana, criada para ser senhora das outras criaturas, à semelhança do Soberano do universo, foi estabelecida como sua imagem viva, participante da dignidade do divino Arquétipo ». 38 Chamado para ser fecundo e multiplicar-se, sujeitar a terra e dominar sobre os seres que lhe são inferiores (cf. Gn 1, 28), o homem é rei e senhor não apenas das coisas, mas também e primariamente de si mesmo 39 e, em certo sentido, da vida que lhe é dada e que ele pode transmitir por meio da geração cumprida no amor e no respeito do desígnio de Deus. No entanto, o seu domínio não é absoluto, mas ministerial: é reflexo concreto do domínio único e infinito de Deus. Por isso, o homem deve vivê-lo com sabedoria e amor, participando da sabedoria e do amor incomensurável de Deus. E isto verifica-se pela obediência à sua Lei santa: uma obediência livre e alegre (cf. Sal 119/118) que nasce e se alimenta da certeza de que os preceitos do Senhor são dons de graça, confiados ao homem sempre e só para o seu bem, para a defesa da sua dignidade pessoal e para a prossecução da sua felicidade.

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Gênesis 1, 28

Matos Soares: 28 E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 28 Deus os abençoou. Deus lhes disse: “Sejam férteis, multipliquem-se, encham a terra e subjuguem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo ser vivo que se move sobre a terra.”

Aquilo que foi dito no referente às coisas, vale ainda mais agora no contexto da vida: o homem não é senhor absoluto e árbitro incontestável, mas — e nisso está a sua grandeza incomparável — é « ministro do desígnio de Deus ». 40

A vida é confiada ao homem como um tesouro que não pode malbaratar, como um talento que há-de pôr a render. Dela terá de prestar contas ao seu Senhor (cf. Mt 25, 14-30; Lc 19, 12-27).

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Mateus 25, 14-30

Matos Soares (Mateus 25, 14-26): 14 Será também como um homem que, estando para empreender uma viagem, chamou os seus servos, e lhes entregou os seus bens. 15 Deu a um cinco talentos, a outro dois, a outro um, a cada um, segundo a sua capacidade, e partiu. 16 Logo em seguida, o que tinha recebido cinco talentos foi, negociou com eles, e ganhou outros cinco. 17 Da mesma sorte o que tinha recebido dois, ganhou outros dois. 18 Mas o que tinha recebido um só, foi fazer uma cova na terra, e nela escondeu o dinheiro do seu senhor. 19 Muito tempo depois, voltou o senhor daqueles servos, e chamou-os a contas. 20 Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo: Senhor, tu entregaste-me cinco talentos, eis outros cinco que lucrei. 21 Seu senhor disse-Ihe: Está bem, servo bom e fiel, já que foste fiel em poucas coisas, dar-te-ei a intendência de muitas; entra no gozo de teu senhor. 22 Apresentou-se também o que tinha recebido dois talentos, e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos, eis que lucrei outros dois. 23 Seu senhor disse-lhe: Está bem, servo bom e fiel, já que foste fiel em poucas coisas, dar-te-ei a intendência de muitas; entra no gozo de teu senhor. 24 Apresentando-se também o que tinha recebido um só talento, disse: Senhor, sei que és um homem austero, que colhes onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste. 25 Tive receio e fui esconder o teu talento na terra; eis o que é teu. […]

Bíblia Portuguesa Mundial (Mateus 25, 14-22.24-26): 14 “Pois será como um homem que, viajando para outro país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 15 A um ele deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um de acordo com a sua própria capacidade. Então ele seguiu viagem. 16 Imediatamente, o que havia recebido cinco talentos saiu, negociou com eles e ganhou mais cinco talentos. 17 Da mesma forma, o que havia recebido dois ganhou mais dois. 18 Mas o que havia recebido um talento saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19 “Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e acertou as contas com eles. 20 O que havia recebido os cinco talentos aproximou-se e trouxe mais cinco talentos, dizendo: ‘Senhor, o senhor me entregou cinco talentos. Eis que ganhei mais cinco talentos além deles.’ 21 “O seu senhor lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Você foi fiel no pouco; eu o encarregarei de muitas coisas. Entre na alegria do seu senhor.’ 22 “O que havia recebido os dois talentos também se aproximou e disse: ‘Senhor, o senhor me entregou dois talentos. Eis que ganhei mais dois talentos além deles.’ […] 24 “Então, o que havia recebido um talento aproximou-se e disse: ‘Senhor, eu sabia que o senhor era um homem severo, que colhe onde não semeou e ajunta onde não espalhou. 25 Tive medo, saí e escondi o seu talento na terra. Eis aqui o que é seu.’ 26 “Mas o seu senhor lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não semeei e ajunto onde não espalhei?

Lucas 19, 12-27

Matos Soares (Lucas 19, 12-24): 12 Disse pois: “Um homem nobre foi para um país distante tomar posse de um reino, para depois voltar. 13 Chamando dez dos seus servos, deu-lhes dez marcos de prata, e disse-lhes: Negociai com eles até eu vir. 14 Mas os seus concidadãos aborreciam-no; e enviaram atrás dele deputados encarregados de dizer: Não queremos que este reine sobre nós. 15 Quando ele voltou, depois de ter tomado posse do reino, mandou chamar aqueles servos, a quem dera o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado. 16 Veio o primeiro e disse: Senhor, o teu marco rendeu dez marcos. 17 Ele disse-lhe: Está bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, serás governador de dez cidades. 18 Veio o segundo e disse: Senhor, o teu marco rendeu cinco marcos. 19 Respondeu-lhe: Sê tu também governador de cinco cidades. 20 Veio depois o outro e disse: Senhor, eis o teu marco que guardei embrulhado num lenço; 21 porque tive medo de ti, que és um homem austero, que tiras donde não puseste, e recolhes o que não semeaste. 22 Disse-lhe o senhor: Servo mau, pela tua mesma boca te julgo. Sabias que eu sou um homem austero, que tiro donde não pus, e recolho o que não semeei; 23 logo, porque não puseste o meu dinheiro num banco, para que, quando eu viesse, o recebesse com os juros? […]

Bíblia Portuguesa Mundial (Lucas 19, 12-24): 12 Ele disse, portanto: “Certo homem nobre foi para um país distante para receber para si um reino e voltar. 13 Ele chamou dez dos seus servos e lhes deu dez moedas de mina, e disse-lhes: ‘Façam negócios até que eu volte.’ 14 Mas os seus cidadãos o odiavam, e enviaram uma delegação atrás dele, dizendo: ‘Não queremos que este homem reine sobre nós.’ 15 “Quando ele voltou, tendo recebido o reino, mandou chamar aqueles servos a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que haviam ganhado fazendo negócios. 16 O primeiro apresentou-se diante dele, dizendo: ‘Senhor, a sua mina rendeu mais dez minas.’ 17 “Ele lhe disse: ‘Muito bem, bom servo! Porque você foi fiel em algo muito pequeno, terá autoridade sobre dez cidades.’ 18 “O segundo veio, dizendo: ‘A sua mina, Senhor, rendeu cinco minas.’ 19 “Então ele lhe disse: ‘E você terá autoridade sobre cinco cidades.’ 20 Outro veio, dizendo: ‘Senhor, eis aqui a sua mina, que guardei embrulhada em um lenço, 21 pois tive medo do senhor, porque é um homem rigoroso. O senhor tira o que não depositou e colhe o que não semeou.’ 22 “Ele lhe disse: ‘Eu o julgarei pelas suas próprias palavras, servo mau! Você sabia que sou um homem rigoroso, que tiro o que não depositei e colho o que não semeei. 23 Então, por que você não depositou o meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu o recebesse com juros?’ […]

« Ao homem, pedirei contas da vida do homem » (Gn 9, 5): a vida humana é sagrada e inviolável

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Gênesis 9, 5

Matos Soares: 5 porque eu vingarei o vosso sangue da mão de todos os animais (que o derramarem); e ao homem que matar seu irmão, pedirei contas da vida deste homem.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 Certamente pedirei contas do sangue da vida de vocês. Das mãos de todos os animais eu o requererei. Das mãos do homem, sim, das mãos do irmão de cada homem, eu requererei a vida do homem.

53. « A vida humana é sagrada, porque, desde a sua origem, supõe “a acção criadora de Deus” e mantém-se para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Só Deus é senhor da vida, desde o princípio até ao fim: ninguém, em circunstância alguma, pode reivindicar o direito de destruir directamente um ser humano inocente ». 41 Com estas palavras, a Instrução Donum vitae expõe o conteúdo central da revelação de Deus sobre a sacralidade e inviolabilidade da vida humana.

De facto, a Sagrada Escritura apresenta ao homem o preceito « não matarás » (Ex 20, 13; Dt 5, 17) como mandamento divino. Como já sublinhei, encontra-se no Decálogo, no coração da Aliança, que o Senhor concluiu com o povo eleito; mas estava já contido na aliança primordial de Deus com a humanidade, após o castigo purificador do dilúvio, que fora provocado pelo incremento do pecado e da violência (cf. Gn 9, 5-6).

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Êxodo 20, 13

Matos Soares: 13 Não matarás.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 “Você não matará.

Deuteronômio 5, 17

Matos Soares: 17 Não matarás.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 “Você não matará.

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Gênesis 9, 5-6

Matos Soares: 5 porque eu vingarei o vosso sangue da mão de todos os animais (que o derramarem); e ao homem que matar seu irmão, pedirei contas da vida deste homem. 6 Todo o que derramar o sangue humano, (será castigado) com a efusão do seu próprio sangue, porque o homem foi feito à imagem de Deus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 Certamente pedirei contas do sangue da vida de vocês. Das mãos de todos os animais eu o requererei. Das mãos do homem, sim, das mãos do irmão de cada homem, eu requererei a vida do homem. 6 Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado, pois Deus fez o homem à sua própria imagem.

Deus proclama-Se Senhor absoluto da vida do homem, formado à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26-28). A vida humana possui, portanto, um carácter sagrado e inviolável, no qual se reflecte a própria inviolabilidade do Criador. Por isso mesmo, será Deus que Se fará juiz severo de qualquer violação do mandamento « não matarás », colocado na base de toda a convivência social. Deus é o go’el, ou seja, o defensor do inocente (cf. Gn 4, 9-15; Is 41, 14; Jr 50, 34; Sal 19 [18], 15). Deus comprova, assim também, que não Se alegra com a perdição dos vivos (cf. Sab 1, 13). Com esta, apenas Satanás se pode alegrar: foi pela sua inveja que a morte entrou no mundo (cf. Sab 2, 24). « Assassino desde o princípio », o diabo é também « mentiroso e pai da mentira » (Jo 8, 44): enganando o homem, levou-o para metas de pecado e de morte, apresentadas como objectivos e frutos de vida.

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Gênesis 1, 26-28

Matos Soares: 26 e (por fim) disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e presida aos peixes do mar, e as aves do Céu, e aos animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis, que se movem sobre a terra. 27 E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, varão e fêmea os criou. 28 E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Que eles tenham domínio sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo animal rastejante que rasteja sobre a terra.” 27 Deus criou o homem à sua própria imagem. À imagem de Deus ele o criou; macho e fêmea ele os criou. 28 Deus os abençoou. Deus lhes disse: “Sejam férteis, multipliquem-se, encham a terra e subjuguem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo ser vivo que se move sobre a terra.”

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Gênesis 4, 9-15

Matos Soares: 9 E o Senhor disse a Caim: onde está teu irmão Abel? E ele respondeu: não sei. Porventura sou eu o guarda de meu irmão? 10 E o Senhor disse-lhe: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão ergue o seu clamor da terra até mim. 11 Agora, pois, serás maldito sobre a terra, que abriu a sua boca, e recebeu da tua mão o sangue de teu irmão. 12 Quando a cultivares, ela não te dará os seus frutos; serás vagabundo e fugitivo sobre a terra. 13 E Caim disse ao Senhor: Insuportavelmente grande é o meu castigo, grande demais para que eu mereça perdão. 14 Eis que tu hoje me expulsas desta terra, e eu me esconderei da tua face, e serei vagabundo e fugitivo na terra; portanto todo o que me achar, me matará. 15 E o Senhor disse-lhe: não será assim; mas qualquer que matar Caim, será castigado sete vezes mais. E o Senhor pôs um sinal em Caim, para que o não matasse ninguém que o encontrasse.

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 O SENHOR disse a Caim: “Onde está Abel, seu irmão?” Ele respondeu: “Eu não sei. Sou eu o guardador do meu irmão?” 10 O SENHOR disse: “O que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra. 11 Agora você é amaldiçoado pela terra, que abriu a sua boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão. 12 De agora em diante, quando você cultivar a terra, ela não lhe dará mais a sua força. Você será um fugitivo e um errante pela terra.” 13 Caim disse ao SENHOR: “Meu castigo é maior do que posso suportar. 14 Eis que hoje o Senhor me expulsa da face da terra. Estarei escondido da sua face, e serei um fugitivo e um errante pela terra. Quem me encontrar me matará.” 15 O SENHOR lhe disse: “Portanto, quem matar Caim, sofrerá vingança sete vezes.” O SENHOR colocou um sinal em Caim, para que ninguém que o encontrasse o ferisse.

Isaías 41, 14

Matos Soares: 14 Não temas, ó vermezinho de Jacob, pobre resto de Israel! Eu sou o teu auxílio, diz o Senhor: o teu Redentor é o Santo de Israel. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Não tenha medo, verme de Jacó, e vocês, homens de Israel. Eu o ajudarei”, diz o SENHOR. “O seu Redentor é o Santo de Israel.

Jeremias 50, 34

Matos Soares: 34 Porém o vingador deles é forte: Senhor dos exércitos é o seu nome. Defenderá em juízo a sua causa, para dar repouso à terra e fazer tremer os moradores de Babilônia.

Bíblia Portuguesa Mundial: 34 O Redentor deles é forte. O SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Ele defenderá vigorosamente a causa deles, para que possa dar descanso à terra, e perturbar os habitantes da Babilônia.

Salmos 19, 15

Matos Soares (Salmos 18, 15): 15 Sejam aceites as palavras da minha boca e a meditação do meu coração, diante de ti, ó Senhor, minha Rocha e meu Redentor.

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 19, 14): 14 Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam aceitáveis à sua vista, SENHOR, minha rocha e meu redentor.

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Sabedoria 1, 13

Matos Soares: 13 Com efeito. Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos vivos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 porque Deus não fez a morte, nem tem prazer na destruição dos vivos.

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Sabedoria 2, 24

Matos Soares: 24 Por inveja do demônio, é que entrou no mundo a morte; (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 24 mas, pela inveja do diabo, a morte entrou no mundo, e os que pertencem a ele a experimentam.

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João 8, 44

Matos Soares: 44 Vós tendes por pai o demônio, e quereis satisfazer os desejos do vosso pai. Ele foi homicida desde o principio, e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando ele diz a mentira, fala do que é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

Bíblia Portuguesa Mundial: 44 Vocês são do pai de vocês, o diabo, e querem realizar os desejos do pai de vocês. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere uma mentira, fala do que lhe é próprio; pois é mentiroso e o pai da mentira.

54. O preceito « não matarás », explicitamente, tem um forte conteúdo negativo: indica o limite extremo que nunca poderá ser transposto. Implicitamente, porém, induz a uma atitude positiva de respeito absoluto pela vida, levando a promovê-la e a crescer seguindo a estrada do amor que se dá, acolhe e serve. Também o povo da Aliança, ainda que lentamente e não sem contradições, experimentou um amadurecimento progressivo nessa direcção, preparando-se assim para a grande proclamação de Jesus: o amor do próximo é um mandamento semelhante ao do amor de Deus; « destes dois mandamentos depende toda a Lei e os Profetas » (Mt 22, 36-40). « Com efeito, (…) não matarás (…) e qualquer dos outros mandamentos — sublinha S. Paulo — resumem-se nestas palavras: “Amarás ao próximo como a ti mesmo” » (Rm 13, 9; cf. Gal 5, 14). Assumido e levado à perfeição na Nova Lei, o preceito « não matarás » permanece como condição indispensável para poder « entrar na vida » (cf. Mt 19, 16-19). E, nesta mesma perspectiva, aponta decisivamente a palavra do apóstolo João: « Todo aquele que odeia o seu irmão é homicida e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanentemente em si » (1 Jo 3, 15).

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Mateus 22, 36-40

Matos Soares: 36 “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” 37 Jesus disse-lhe: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espirito (Dt. 6, 4-5). 38 Este é o maior e o primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv. 19, 18). 40 Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 36 “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” 37 Jesus lhe disse: “‘Ame ao Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.’ 38 Este é o primeiro e grande mandamento. 39 E o segundo, semelhante a este, é: ‘Ame ao seu próximo como a si mesmo.’ 40 Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

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Romanos 13, 9

Matos Soares: 9 Em verdade, (estes mandamentos): — Não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não cobiçarás — e qualquer outro mandamento, todos se resumem nesta palavra : amarás o teu próximo como a ti mesmo. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 Pois os mandamentos: “Não cometerás adultério”, “Não matarás”, “Não furtarás”, “Não cobiçarás”, e quaisquer outros mandamentos que existam, todos se resumem nesta frase, a saber: “Você amará o seu próximo como a si mesmo.”

Gálatas 5, 14

Matos Soares: 14 porque toda a lei se encerra nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv. 19, 18).

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Pois toda a lei se cumpre em uma só palavra, nesta: “Você amará o seu próximo como a si mesmo.”

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Mateus 19, 16-19

Matos Soares: 16 Aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: “Mestre, que hei-de eu fazer de bom para alcançar a vida eterna?” 17 Jesus respondeu-lhe: “Porque me interrogas acerca do que é bom? Um só é bom, Deus. Porém, se queres entrar na vida (eterna) guarda os mandamentos.” (ver nota) 18 “Quais?”, perguntou ele. Jesus disse: “Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não dirás falso testemunho. 19 Honra teu pai e tua mãe, e ama o teu próximo como a ti mesmo (Ex. 20, 12-16; Lv. 19, 18; Dt. 5, 16-20).”

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Eis que alguém se aproximou dele e disse: “Bom Mestre, que coisa boa devo fazer para ter a vida eterna?” 17 Ele lhe disse: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Mas se você quer entrar na vida, guarde os mandamentos.” 18 Ele lhe perguntou: “Quais?” Jesus disse: “‘Não matarás’. ‘Não adulterarás’. ‘Não furtarás’. ‘Não darás falso testemunho’. 19 ‘Honra a teu pai e a tua mãe’. E, ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.”

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1 João 3, 15

Matos Soares: 15 Todo o que tem ódio a seu irmão é um homicida, e vós sabeis que a vida eterna não tem morada em nenhum homicida.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem a vida eterna permanecendo nele.

Desde os seus primórdios, a Tradição viva da Igreja — como testemunha a Didaké, o escrito cristão extra-bíblico mais antigo — reafirmou de modo categórico o mandamento « não matarás »: « Há dois caminhos, um da vida e o outro da morte; mas entre os dois existe uma grande diferença. (…) Segundo o preceito da doutrina: não matarás; (…) não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido. (…) Este é o caminho da morte: (…) não têm compaixão do pobre, não sofrem com o enfermo, nem reconhecem o seu Criador; assassinam os seus filhos e pelo aborto fazem perecer criaturas de Deus; desprezam o necessitado, oprimem o atribulado, são defensores dos ricos e juízes injustos dos pobres; estão cheios de todo o pecado. Possais, filhos, permanecer sempre longe de todas estas culpas! ». 42

Ao longo dos tempos, a Tradição da Igreja ensinou sempre e unanimamente o valor absoluto e permanente do mandamento « não matarás ». É sabido que, nos primeiros séculos, o homicídio se contava entre os três pecados mais graves — juntamente com a apostasia e o adultério —, e exigia-se uma penitência pública particularmente onerosa e demorada, antes de ser concedido ao homicida arrependido o perdão e a readmissão na comunidade eclesial.

55. Não há de que se maravilhar! Matar o ser humano, no qual está presente a imagem de Deus, é pecado de particular gravidade. Só Deus é dono da vida! No entanto, frente aos múltiplos casos, frequentemente dramáticos, que a vida individual e social apresenta, a reflexão dos crentes procurou sempre alcançar um conhecimento mais completo e profundo daquilo que o mandamento de Deus proíbe e prescreve. 43Com efeito, há situações onde os valores propostos pela Lei de Deus parecem formar um verdadeiro paradoxo. É o caso, por exemplo, da legítima defesa, onde o direito de proteger a própria vida e o dever de não lesar a alheia se revelam, na prática, dificilmente conciliáveis. Sem dúvida que o valor intrínseco da vida e o dever de dedicar um amor a si mesmo não menor que aos outros, fundam um verdadeiro direito à própria defesa. O próprio preceito que manda amar os outros, enunciado no Antigo Testamento e confirmado por Jesus, supõe o amor a si mesmo como termo de comparação: « Amarás o teu próximo como a ti mesmo » ( Mc 12, 31). Portanto, ninguém poderia renunciar ao direito de se defender por carência de amor à vida ou a si mesmo, mas apenas em virtude de um amor heróico que, na linha do espírito das bem-aventuranças evangélicas (cf. Mt 5, 38- 48), aprofunde o amor a si mesmo, transfigurando-o naquela oblação radical cujo exemplo mais sublime é o próprio Senhor Jesus.

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Marcos 12, 31

Matos Soares: 31 O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv. 19, 18). Não há outro mandamento maior do que estes.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 31 O segundo é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo.’ Não há outro mandamento maior do que estes.”

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Mateus 5, 38- 48

Matos Soares (Mateus 5, 38-48): 38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente (Lv. 24, 19-20). 39 Eu, porém, digo-vos que não resistais ao (que é) mau; mas, se alguém te ferir na tua face direita, apresenta-lhe também a outra; 40 e ao que quer chamar-te a juízo para te tirar a túnica, cede-Ihe também a capa. (ver nota) 41 Se alguém te forçar a dar mil passos, vai com ele mais dois mil. (ver nota) 42 Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. 43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo (Lv. 19, 18) e aborrecerás o teu inimigo. 44 Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. 45 Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre os justos e injustos. 46 Porque, se amais (sòmente) os que vos amara, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47 E se saudardes sòmente os vossos irmãos, que fazeis (nisso) de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? 48 Sede pois perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Bíblia Portuguesa Mundial (Mateus 5, 38-48): 38 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho, e dente por dente.’ 39 Mas eu lhes digo: não resistam ao perverso; se alguém bater na sua face direita, ofereça-lhe também a outra. 40 Se alguém quiser processá-lo para tirar a sua túnica, deixe que leve também a sua capa. 41 Se alguém o forçar a caminhar uma milha, vá com ele duas. 42 Dê a quem lhe pedir, e não se recuse a emprestar a quem lhe pedir emprestado. 43 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.’ 44 Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos, abençoem os que os amaldiçoam, façam o bem aos que os odeiam e orem pelos que os maltratam e os perseguem, 45 para que vocês sejam filhos do seu Pai que está nos céus. Pois ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons, e envia chuva sobre justos e injustos. 46 Pois se vocês amarem os que os amam, que recompensa vocês têm? Não fazem os cobradores de impostos a mesma coisa? 47 E se vocês saudarem apenas os seus amigos, o que fazem de mais? Não fazem os cobradores de impostos a mesma coisa? 48 Portanto, sejam perfeitos, assim como o Pai de vocês que está nos céus é perfeito.

Por outro lado, « a legítima defesa pode ser, não somente um direito, mas um dever grave, para aquele que é responsável pela vida de outrem, do bem comum da família ou da sociedade ». 44 Acontece, infelizmente, que a necessidade de colocar o agressor em condições de não molestar implique, às vezes, a sua eliminação. Nesta hipótese, o desfecho mortal há-de ser atribuído ao próprio agressor que a tal se expôs com a sua acção, inclusive no caso em que ele não fosse moralmente responsável por falta do uso da razão. 45

56. Nesta linha, coloca-se o problema da pena de morte, à volta do qual se regista, tanto na Igreja como na sociedade, a tendência crescente para pedir uma aplicação muito limitada, ou melhor, a total abolição da mesma. O problema há-de ser enquadrado na perspectiva de uma justiça penal, que seja cada vez mais conforme com a dignidade do homem e portanto, em última análise, com o desígnio de Deus para o homem e a sociedade. Na verdade, a pena, que a sociedade inflige, tem « como primeiro efeito o de compensar a desordem introduzida pela falta ». 46A autoridade pública deve fazer justiça pela violação dos direitos pessoais e sociais, impondo ao réu uma adequada expiação do crime como condição para ser readmitido no exercício da própria liberdade. Deste modo, a autoridade há-de procurar alcançar o objectivo de defender a ordem pública e a segurança das pessoas, não deixando, contudo, de oferecer estímulo e ajuda ao próprio réu para se corrigir e redimir. 47

Claro está que, para bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro modo. Mas, hoje, graças à organização cada vez mais adequada da instituição penal, esses casos são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes.

Em todo o caso, permanece válido o princípio indicado pelo novo Catecismo da Igreja Católica: « na medida em que outros processos, que não a pena de morte e as operações militares, bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a paz pública, tais processos não sangrentos devem preferir-se, por serem proporcionados e mais conformes com o fim em vista e a dignidade humana ». 48

57. Se se deve mostrar uma atenção assim tão grande por qualquer vida, mesmo pela do réu e a do injusto agressor, o mandamento « não matarás » tem valor absoluto quando se refere à pessoa inocente. E mais ainda, quando se trata de um ser frágil e inerme que encontra a sua defesa radical do arbítrio e da prepotência alheia, unicamente na força absoluta do mandamento de Deus.

De facto, a inviolabilidade absoluta da vida humana inocente é uma verdade moral explicitamente ensinada na Sagrada Escritura, constantemente mantida na Tradição da Igreja e unanimamente proposta pelo seu Magistério. Tal unanimidade é fruto evidente daquele « sentido sobrenatural da fé » que, suscitado e apoiado pelo Espírito Santo, preserva do erro o Povo de Deus, quando « manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes ». 49

Face ao progressivo enfraquecimento, nas consciências e na sociedade, da percepção da absoluta e grave ilicitude moral da eliminação directa de qualquer vida humana inocente, sobretudo no seu início e no seu termo, o Magistério da Igreja intensificou as suas intervenções em defesa da sacralidade e inviolabilidade da vida humana. Ao Magistério pontifício, particularmente insistente, sempre se uniu o Magistério episcopal, com numerosos e amplos documentos doutrinais e pastorais emanados quer pelas Conferências Episcopais, quer pelos Bispos individualmente. Não faltou sequer, forte e incisiva na sua brevidade, a intervenção do Concílio Vaticano II. 50 50

Portanto, com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a morte directa e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral. Esta doutrina, fundada naquela lei não-escrita que todo o homem, pela luz da razão, encontra no próprio coração (cf. Rm 2, 14-15), é confirmada pela Sagrada Escritura, transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magisterio ordinário e universal. 51

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Romanos 2, 14-15

Matos Soares: 14 Com efeito, quando os gentios, que não têm lei (escrita), fazem naturalmente as coisas que são da lei, esses, não tendo lei, a si mesmos servem de lei (ver nota) 15 e mostram que o que a lei ordena está escrito nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua própria consciência e os pensamentos, que os acusam (se fizerem o mal) ou defendem (se fizerem o bem) .

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 (pois, quando os gentios, que não têm a lei, fazem por natureza o que a lei exige, eles, embora não tenham a lei, são lei para si mesmos, 15 mostrando que a obra da lei está escrita em seus corações, enquanto a consciência deles também dá testemunho, e seus pensamentos ora os acusam, ora os defendem)

A decisão deliberada de privar um ser humano inocente da sua vida é sempre má do ponto de vista moral, e nunca pode ser lícita nem como fim, nem como meio para um fim bom. É, de facto, uma grave desobediência à lei moral, antes ao próprio Deus, autor e garante desta; contradiz as virtudes fundamentais da justiça e da caridade. « Nada e ninguém pode autorizar que se dê a morte a um ser humano inocente seja ele feto ou embrião, criança ou adulto, velho, doente incurável ou agonizante. E também a ninguém é permitido requerer este gesto homicida para si ou para outrem confiado à sua responsabilidade, nem sequer consenti-lo explícita ou implicitamente. Não há autoridade alguma que o possa legitimamente impor ou permitir ». 52

No referente ao direito à vida, cada ser humano inocente é absolutamente igual a todos os demais. Esta igualdade é a base de todo o relacionamento social autêntico, o qual, para o ser verdadeiramente, não pode deixar de se fundar sobre a verdade e a justiça, reconhecendo e tutelando cada homem e cada mulher como pessoa, e não como coisa de que se possa dispor. Diante da norma moral que proíbe a eliminação directa de um ser humano inocente, « não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último “miserável” sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais ». 53

« Vossos olhos contemplaram-me ainda em embrião » (Sal 139 [138], 16): o crime abominável do aborto

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Salmos 139, 16

Matos Soares (Salmos 138, 16): 16 Os teus olhos viram os meus actos, e no teu livro todos estão inscritos; são fixados os dias, antes que um só deles existisse.

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Os teus olhos viram o meu corpo. No teu livro foram todos escritos, os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nenhum deles.

58. Dentre todos os crimes que o homem pode realizar contra a vida, o aborto provocado apresenta características que o tornam particularmente grave e abjurável. O Concílio Vaticano II define-o, juntamente com o infanticídio, « crime abominável ». 54

Mas hoje, a percepção da sua gravidade vai-se obscurecendo progressivamente em muitas consciências. A aceitação do aborto na mentalidade, nos costumes e na própria lei, é sinal eloquente de uma perigosíssima crise do sentido moral que se torna cada vez mais incapaz de distinguir o bem do mal, mesmo quando está em jogo o direito fundamental à vida. Diante de tão grave situação, impõe-se mais que nunca a coragem de olhar frontalmente a verdade e chamar as coisas pelo seu nome, sem ceder a compromissos com o que nos é mais cómodo, nem à tentação de auto-engano. A propósito disto, ressoa categórica a censura do Profeta: « Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que têm as trevas por luz e a luz por trevas » (Is 5, 20). Precisamente no caso do aborto, verifica-se a difusão de uma terminologia ambígua, como « interrupção da gravidez », que tende a esconder a verdadeira natureza dele e a atenuar a sua gravidade na opinião pública. Talvez este fenómeno linguístico seja já, em si mesmo, sintoma de um mal-estar das consciências. Mas nenhuma palavra basta para alterar a realidade das coisas: o aborto provocado é a morte deliberada e directa, independentemente da forma como venha realizada, de um ser humano na fase inicial da sua existência, que vai da concepção ao nascimento.

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Isaías 5, 20

Matos Soares: 20 Ai de vós os que ao mal chamais bem, e ao bem mal, que tomais as trevas por luz, e a luz por trevas, que tendes o amargo por doce, e o doce por amargo!

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 Ai daqueles que chamam ao mal bem, e ao bem mal; que colocam as trevas por luz, e a luz por trevas; que colocam o amargo por doce, e o doce por amargo!

A gravidade moral do aborto provocado aparece em toda a sua verdade, quando se reconhece que se trata de um homicídio e, particularmente, quando se consideram as circunstâncias específicas que o qualificam. A pessoa eliminada é um ser humano que começa a desabrochar para a vida, isto é, o que de mais inocente, em absoluto, se possa imaginar: nunca poderia ser considerado um agressor, menos ainda um injusto agressor! É frágil, inerme, e numa medida tal que o deixa privado inclusive daquela forma mínima de defesa constituída pela força suplicante dos gemidos e do choro do recém-nascido. Está totalmente entregue à protecção e aos cuidados daquela que o traz no seio. E todavia, às vezes, é precisamente ela, a mãe, quem decide e pede a sua eliminação, ou até a provoca.

É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um carácter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente.

59. A decidirem a morte da criança ainda não nascida, a par da mãe, aparecem, com frequência, outras pessoas. Antes de mais, culpado pode ser o pai da criança, não apenas quando claramente constringe a mulher ao aborto, mas também quando favorece indirectamente tal decisão ao deixá-la sozinha com os problemas de uma gravidez: 55 desse modo, a família fica mortalmente ferida e profanada na sua natureza de comunidade de amor e na sua vocação para ser « santuário da vida ». Nem se podem calar as solicitações que, às vezes, provêm do âmbito familiar mais alargado e dos amigos. A mulher, não raro, é sujeita a pressões tão fortes que se sente psicologicamente constrangida a ceder ao aborto: não há dúvida que, neste caso, a responsabilidade moral pesa particularmente sobre aqueles que directa ou indirectamente a forçaram a abortar. Responsáveis são também os médicos e restantes profissionais da saúde, sempre que põem ao serviço da morte a competência adquirida para promover a vida.

Mas a responsabilidade cai ainda sobre os legisladores que promoveram e aprovaram leis abortistas, e sobre os administradores das estruturas clínicas onde se praticam os abortos, na medida em que a sua execução deles dependa. Uma responsabilidade geral, mas não menos grave, cabe a todos aqueles que favoreceram a difusão de uma mentalidade de permissivismo sexual e de menosprezo pela maternidade, como também àqueles que deveriam ter assegurado — e não o fizeram — válidas políticas familiares e sociais de apoio às famílias, especialmente às mais numerosas ou com particulares dificuldades económicas e educativas. Não se pode subestimar, enfim, a vasta rede de cumplicidades, nela incluindo instituições internacionais, fundações e associações, que se batem sistematicamente pela legalização e difusão do aborto no mundo. Neste sentido, o aborto ultrapassa a responsabilidade dos indivíduos e o dano que lhes é causado, para assumir uma dimensão fortemente social: é uma ferida gravíssima infligida à sociedade e à sua cultura por aqueles que deveriam ser os seus construtores e defensores. Como escrevi na Carta às Famílias, « encontramo-nos defronte a uma enorme ameaça contra a vida, não apenas dos simples indivíduos, mas também de toda a civilização ». 56 Achamo-nos perante algo que bem se pode definir uma « estrutura de pecado » contra a vida humana ainda não nascida.

60. Alguns tentam justificar o aborto, defendendo que o fruto da concepção, pelo menos até um certo número de dias, não pode ainda ser considerado uma vida humana pessoal. Na realidade, porém, « a partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida que não é a do pai nem a da mãe, mas sim a de um novo ser humano que se desenvolve por conta própria. Nunca mais se tornaria humana, se não o fosse já desde então. A esta evidência de sempre (…) a ciência genética moderna fornece preciosas confirmações. Demonstrou que, desde o primeiro instante, se encontra fixado o programa daquilo que será este ser vivo: uma pessoa, esta pessoa individual, com as suas notas características já bem determinadas. Desde a fecundação, tem início a aventura de uma vida humana, cujas grandes capacidades, já presentes cada uma delas, apenas exigem tempo para se organizar e encontrar prontas a agir ». 57 Não podendo a presença de uma alma espiritual ser assinalada através da observação de qualquer dado experimental, são as próprias conclusões da ciência sobre o embrião humano a fornecer « uma indicação valiosa para discernir racionalmente uma presença pessoal já a partir desta primeira aparição de uma vida humana: como poderia um indivíduo humano não ser uma pessoa humana? ». 58

Aliás, o valor em jogo é tal que, sob o perfil moral, bastaria a simples probabilidade de encontrar-se em presença de uma pessoa para se justificar a mais categórica proibição de qualquer intervenção tendente a eliminar o embrião humano. Por isso mesmo, independentemente dos debates científicos e mesmo das afirmações filosóficas com os quais o Magistério não se empenhou expressamente, a Igreja sempre ensinou — e ensina — que tem de ser garantido ao fruto da geração humana, desde o primeiro instante da sua existência, o respeito incondicional que é moralmente devido ao ser humano na sua totalidade e unidade corporal e espiritual: « O ser humano deve ser respeitado e tratado como uma pessoa desde a sua concepção e, por isso, desde esse mesmo momento, devem-lhe ser reconhecidos os direitos da pessoa, entre os quais e primeiro de todos, o direito inviolável de cada ser humano inocente à vida ». 59

61. Os textos da Sagrada Escritura, que nunca falam do aborto voluntário e, por conseguinte, também não apresentam condenações directas e específicas do mesmo, mostram pelo ser humano no seio materno uma consideração tal que exige, como lógica consequência, que se estenda também a ele o mandamento de Deus: « não matarás ».

A vida humana é sagrada e inviolável em cada momento da sua existência, inclusive na fase inicial que precede o nascimento. Desde o seio materno, o homem pertence a Deus que tudo perscruta e conhece, que o forma e plasma com suas mãos, que o vê quando ainda é um pequeno embrião informe, e que nele entrevê o adulto de amanhã, cujos dias estão todos contados e cuja vocação está já escrita no « livro da vida » (cf. Sal 139/138, 1.13-16). Quando está ainda no seio materno — como testemunham numerosos textos bíblicos — já o homem é objecto muito pessoal da amorosa e paterna providência de Deus.

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Salmos 139, 1.13-16

Matos Soares (Salmos 138, 1.13-16): 1 Ao mestre do coro. De Davide. Salmo. Senhor, tu me sondas, me conheces, […] 13 Porque foste tu que formaste os meus rins, me entreteceste no seio de minha mãe. 14 Louvo-te, porque tão admiravelmente fui formado, porque são maravilhosas as tuas obras. Perfeitamente conheces a minha alma; 15 a minha estrutura não te foi desconhecida, quando me ia formando em segredo, quando ia sendo entre tecido nas entranhas da terra. 16 Os teus olhos viram os meus actos, e no teu livro todos estão inscritos; são fixados os dias, antes que um só deles existisse.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. […] 13 Pois tu formaste o meu ser mais íntimo. Tu me teceste no ventre da minha mãe. 14 Eu te darei graças, pois fui feito de modo assombroso e maravilhoso. As tuas obras são maravilhosas. A minha alma sabe muito bem disso. 15 A minha estrutura não estava escondida de ti, quando eu era feito em segredo, tecido nas profundezas da terra. 16 Os teus olhos viram o meu corpo. No teu livro foram todos escritos, os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nenhum deles.

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Diz o profeta Jeremias: « Foi-me dirigida nestes termos a palavra do Senhor: “Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” ». (1, 4-5). O Salmista, por sua vez, dirige-se deste modo ao Senhor: « Em vós eu me apoiei desde que nasci, desde o seio materno » ( Sal 71/70, 6; cf. Is 46, 3; Jó 10, 8-12; Sl 22/21, 10-11). Também o evangelista Lucas ― no magnífico episódio do encontro das mães, Isabel e Maria, e dos filhos, João Baptista e Jesus, ambos ainda no seio materno (cf. 1, 39-45) ―  assinala como a criança adverte a vinda da Criança e exulta de alegria.

Salmos 71, 6

Matos Soares (Salmos 70, 6): 6 Em ti me firmei desde o meu nascimento, tu és o meu protector desde o ventre de minha mãe: em ti esperei sempre.

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 Em ti tenho me apoiado desde o ventre. Tu és aquele que me tirou do ventre de minha mãe. Eu sempre te louvarei.

Isaías 46, 3

Matos Soares: 3 Ouvi-me, casa de Jacob, e vós todos, restos da casa de Israel, vós, que eu tomei desde que nascestes, a quem trago desde o seio materno.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 “Ouçam-me, casa de Jacó, e todo o remanescente da casa de Israel, que têm sido carregados desde o nascimento, que foram levados desde o ventre.

Jó 10, 8-12

Matos Soares: 8 As tuas mãos fizeram-me e modelaram-me e assim de repente me vais destruir? 9 Lembra-te que me formaste como barro; ir-me-ás reduzir novamente ao pó? 10 Porventura não me mugiste como leite, e coagulaste como queijo? (ver nota) 11 De pele e de carne me vestiste; de ossos e de nervos me organizaste. 12 Concede-me, com a vida, a misericórdia, a tua providência guardou o meu espírito,

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 “‘Tuas mãos me formaram e me modelaram por completo; contudo, tu me destróis. 9 Lembra-te, eu te peço, de que me moldaste como o barro. E agora me farás voltar ao pó? 10 Não me derramaste como leite, e me coalhaste como queijo? 11 Tu me vestiste de pele e carne, e me teceste com ossos e tendões. 12 Tu me concedeste vida e amor leal. O teu cuidado preservou o meu espírito.

Salmos 22, 10-11

Matos Soares (Salmos 21, 10-11): 10 Sim, tu tens sido o meu guia desde o ventre (materno), tornaste-me seguro aos peitos de minha mãe. (ver nota) 11 Fui-te consagrado, logo desde o nascimento, tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 22, 9-10): 9 Contudo, você me tirou do ventre. Você me fez confiar quando eu ainda estava aos seios de minha mãe. 10 Fui lançado sobre você desde o ventre materno. Você é o meu Deus desde que minha mãe me deu à luz.

A Tradição cristã — como justamente se realça na Declaração sobre esta matéria, emanada pela Congregação para a Doutrina da Fé 61 — é clara e unânime, desde as suas origens até aos nossos dias, em classificar o aborto como desordem moral particularmente grave. A comunidade cristã, desde o seu primeiro confronto com o mundo greco-romano onde se praticava amplamente o aborto e o infanticídio, opôs-se radicalmente, com a sua doutrina e a sua praxe, aos costumes generalizados naquela sociedade, como o demonstra a já citada Didaké. 62Entre os escritores eclesiásticos da área linguística grega, Atenágoras recorda que os cristãos consideram homicidas as mulheres que recorrem a produtos abortivos, porque os filhos, apesar de estarem ainda no seio da mãe, « são já objecto dos cuidados da Providência divina ». 63 Entre os latinos, Tertuliano afirma: « É um homicídio premeditado impedir de nascer; pouco importa que se suprima a alma já nascida ou que se faça desaparecer durante o tempo até ao nascer. É já um homem aquele que o será ». 64

Ao longo da sua história já bimilenária, esta mesma doutrina foi constantemente ensinada pelos Padres da Igreja, pelos seus Pastores e Doutores. Mesmo as discussões de carácter científico e filosófico acerca do momento preciso da infusão da alma espiritual não incluíram nunca a mínima hesitação quanto à condenação moral do aborto.

62. O Magistério pontifício mais recente reafirmou, com grande vigor, esta doutrina comum. Em particular Pio XI, na encíclica Casti connubii rejeitou as alegadas justificações do aborto; 65 Pio XII excluiu todo o aborto directo, isto é, qualquer acto que vise directamente destruir a vida humana ainda não nascida, « quer tal destruição seja pretendida como fim ou apenas como meio para o fim »; 66 João XXIII corroborou que a vida humana é sagrada, porque « desde o seu despontar empenha directamente a acção criadora de Deus ». 67 O Concílio Vaticano II, como já foi recordado, condenou o aborto com grande severidade: « A vida deve, pois, ser salvaguardada com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis ». 68

A disciplina canónica da Igreja, desde os primeiros séculos, puniu com sanções penais aqueles que se manchavam com a culpa do aborto, e tal praxe, com penas mais ou menos graves, foi confirmada nos sucessivos períodos históricos. O Código de Direito Canónico de 1917, para o aborto, prescrevia a pena de excomunhão. 69 Também a legislação canónica, há pouco renovada, continua nesta linha quando determina que « quem procurar o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae », 70 isto é, automática. A excomunhão recai sobre todos aqueles que cometem este crime com conhecimento da pena, incluindo também cúmplices sem cujo contributo o aborto não se teria realizado: 71 com uma sanção assim reiterada, a Igreja aponta este crime como um dos mais graves e perigosos, incitando, deste modo, quem o comete a ingressar diligentemente pela estrada da conversão. Na Igreja, de facto, a finalidade da pena de excomunhão é tornar plenamente consciente da gravidade de um determinado pecado e, consequentemente, favorecer a adequada conversão e penitência.

Frente a semelhante unanimidade na tradição doutrinal e disciplinar da Igreja, Paulo VI pôde declarar que tal ensinamento não conheceu mudança e é imutável. 72 Portanto, com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos — que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que, na consulta referida anteriormente, apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina — declaro que o aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal. 73

Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão, e proclamada pela Igreja.

63. A avaliação moral do aborto deve aplicar-se também às recentes formas de intervenção sobre embriões humanos, que, não obstante visarem objectivos em si legítimos, implicam inevitavelmente a sua morte. É o caso da experimentação sobre embriões, em crescente expansão no campo da pesquisa biomédica e legalmente admitida em alguns países. Se « devem ser consideradas lícitas as intervenções no embrião humano, sob a condição de que respeitem a vida e a integridade do embrião, não comportem para ele riscos desproporcionados, e sejam orientadas para a sua cura, para a melhoria das suas condições de saúde ou para a sua sobrevivência individual », 74 impõe-se, pelo contrário, afirmar que o uso de embriões ou de fetos humanos como objecto de experimentação constitui um crime contra a sua dignidade de seres humanos, que têm direito ao mesmo respeito devido à criança já nascida e a qualquer pessoa. 75

A mesma condenação moral vale para o sistema que desfruta os embriões e os fetos humanos ainda vivos — às vezes « produzidos » propositadamente para este fim através da fecundação in vitro — seja como « material biológico » à disposição, seja como fornecedores de órgãos ou de tecidos para transplante no tratamento de algumas doenças. Na realidade, o assassínio de criaturas humanas inocentes, ainda que com vantagem para outras, constitui um acto absolutamente inaceitável.

Especial atenção há-de ser reservada à avaliação moral das técnicas de diagnose pré-natal, que permitem individuar precocemente eventuais anomalias do nascituro. Com efeito, devido à complexidade dessas técnicas, a avaliação em causa deve fazer-se mais cuidadosa e articuladamente. Quando estão isentas de riscos desproporcionados para a criança e para a mãe, e se destinam a tornar possível uma terapia precoce ou ainda a favorecer uma serena e consciente aceitação do nascituro, estas técnicas são moralmente lícitas. Mas, dado que as possibilidade de cura antes do nascimento são hoje ainda reduzidas, acontece bastantes vezes que essas técnicas são postas ao serviço de uma mentalidade eugenista que aceita o aborto selectivo, para impedir o nascimento de crianças afectadas por tipos vários de anomalias. Semelhante mentalidade é ignominiosa e absolutamente reprovável, porque pretende medir o valor de uma vida humana apenas segundo parâmetros de « normalidade » e de bem-estar físico, abrindo assim a estrada à legitimação do infanticídio e da eutanásia.

Na realidade, porém, a própria coragem e serenidade com que muitos irmãos nossos, afectados por graves deficiências, conduzem a sua existência quando são aceites e amados por nós, constituem um testemunho particularmente eficaz dos valores autênticos que qualificam a vida e a tornam, mesmo em condições difíceis, preciosa para o próprio e para os outros. A Igreja sente-se solidária com os cônjuges que, com grande ansiedade e sofrimento, aceitam acolher os seus filhos gravemente deficientes, tal como se sente grata a todas as famílias que, pela adopção, acolhem os que são abandonados pelos seus pais por causa de limitações ou doenças.

« Só Eu é que dou a vida e dou a morte » (Dt 32, 39): o drama da eutanásia

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Deuteronômio 32, 39

Matos Soares: 39 Vede que sou eu só (o verdadeiro Deus), e que não há outro Deus fora de mim; eu faço morrer, e faço viver; firo e curo, e não há quem possa tirar da minha mão (coisa alguma).

Bíblia Portuguesa Mundial: 39 “Vejam agora que eu mesmo sou ele. Não há deus comigo. Eu mato e eu faço viver. Eu firo e eu curo. Não há ninguém que possa livrar da minha mão.

64. No outro topo da existência, o homem encontra-se diante do mistério da morte. Hoje, na sequência dos progressos da medicina e num contexto cultural frequentemente fechado à transcendência, a experiência do morrer apresenta-se com algumas características novas. Com efeito, quando prevalece a tendência para apreciar a vida só na medida em que proporciona prazer e bem-estar, o sofrimento aparece como um contratempo insuportável, de que é preciso libertar-se a todo o custo. A morte, considerada como « absurda » quando interrompe inesperadamente uma vida ainda aberta para um futuro rico de possíveis experiências interessantes, torna-se, pelo contrário, uma « libertação reivindicada », quando a existência é tida como já privada de sentido porque mergulhada na dor e inexoravelmente votada a um sofrimento sempre mais intenso.

Além disso, recusando ou esquecendo o seu relacionamento fundamental com Deus, o homem pensa que é critério e norma de si mesmo e julga que tem inclusive o direito de pedir à sociedade que lhe garanta possibilidades e modos de decidir da própria vida com plena e total autonomia. Em particular, o homem que vive nos países desenvolvidos é que assim se comporta: a tal se sente impelido, entre outras coisas, pelos contínuos progressos da medicina e das suas técnicas cada vez mais avançadas. Por meio de sistemas e aparelhagens extremamente sofisticadas, hoje a ciência e a prática médica são capazes de resolver casos anteriormente insolúveis e de aliviar ou eliminar a dor, como também de sustentar e prolongar a vida até em situações de debilidade extrema, de reanimar artificialmente pessoas cujas funções biológicas elementares sofreram danos imprevistos, de intervir para tornar disponíveis órgãos para transplante.

Num tal contexto, torna-se cada vez mais forte a tentação da eutanásia, isto é, de apoderar-se da morte, provocando-a antes do tempo e, deste modo, pondo fim « docemente » à vida própria ou alheia. Na realidade, aquilo que poderia parecer lógico e humano, quando visto em profundidade, apresenta-se absurdo e desumano. Estamos aqui perante um dos sintomas mais alarmantes da « cultura de morte » que avança sobretudo nas sociedades do bem-estar, caracterizadas por uma mentalidade eficientista que faz aparecer demasiadamente gravoso e insuportável o número crescente das pessoas idosas e debilitadas. Com muita frequência, estas acabam por ser isoladas da família e da sociedade, organizada quase exclusivamente sobre a base de critérios de eficiência produtiva, segundo os quais uma vida irremediavelmente incapaz não tem mais qualquer valor.

65. Para um correcto juízo moral da eutanásia, é preciso, antes de mais, defini-la claramente. Por eutanásia, em sentido verdadeiro e próprio, deve-se entender uma acção ou uma omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objectivo de eliminar o sofrimento. « A eutanásia situa-se, portanto, ao nível das intenções e ao nível dos métodos empregues ». 76

Distinta da eutanásia é a decisão de renunciar ao chamado « excesso terapêutico », ou seja, a certas intervenções médicas já inadequadas à situação real do doente, porque não proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado gravosas para ele e para a sua família. Nestas situações, quando a morte se anuncia iminente e inevitável, pode-se em consciência « renunciar a tratamentos que dariam somente um prolongamento precário e penoso da vida, sem, contudo, interromper os cuidados normais devidos ao doente em casos semelhantes ». 77 Há, sem dúvida, a obrigação moral de se tratar e procurar curar-se, mas essa obrigação há-de medir-se segundo as situações concretas, isto é, impõe-se avaliar se os meios terapêuticos à disposição são objectivamente proporcionados às perspectivas de melhoramento. A renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime, antes, a aceitação da condição humana defronte à morte. 78

Na medicina actual, têm adquirido particular importância os denominados « cuidados paliativos », destinados a tornar o sofrimento mais suportável na fase aguda da doença e assegurar ao mesmo tempo ao paciente um adequado acompanhamento humano. Neste contexto, entre outros problemas, levanta-se o da licitude do recurso aos diversos tipos de analgésicos e sedativos para aliviar o doente da dor, quando isso comporta o risco de lhe abreviar a vida. Ora, se pode realmente ser considerado digno de louvor quem voluntariamente aceita sofrer renunciando aos meios lenitivos da dor, para conservar a plena lucidez e, se crente, participar, de maneira consciente, na Paixão do Senhor, tal comportamento « heróico » não pode ser considerado obrigatório para todos. Já Pio XII afirmara que é lícito suprimir a dor por meio de narcóticos, mesmo com a consequência de limitar a consciência e abreviar a vida, « se não existem outros meios e se, naquelas circunstâncias, isso em nada impede o cumprimento de outros deveres religiosos e morais ». 79 É que, neste caso, a morte não é querida ou procurada, embora por motivos razoáveis se corra o risco dela: pretende-se simplesmente aliviar a dor de maneira eficaz, recorrendo aos analgésicos postos à disposição pela medicina. Contudo, « não se deve privar o moribundo da consciência de si mesmo, sem motivo grave »: 80 quando se aproxima a morte, as pessoas devem estar em condições de poder satisfazer as suas obrigações morais e familiares, e devem sobretudo poder-se preparar com plena consciência para o encontro definitivo com Deus.

Feitas estas distinções, em conformidade com o Magistério dos meus Predecessores 81 e em comunhão com os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal. 82

A eutanásia comporta, segundo as circunstâncias, a malícia própria do suicídio ou do homicídio.

66. Ora, o suicídio é sempre moralmente inaceitável, tal como o homicídio. A tradição da Igreja sempre o recusou, como opção gravemente má. 83 Embora certos condicionalismos psicológicos, culturais e sociais possam levar a realizar um gesto que tão radicalmente contradiz a inclinação natural de cada um à vida, atenuando ou anulando a responsabilidade subjectiva, o suicídio, sob o perfil objectivo, é um acto gravemente imoral, porque comporta a recusa do amor por si mesmo e a renúncia aos deveres de justiça e caridade para com o próximo, com as várias comunidades de que se faz parte, e com a sociedade no seu conjunto. 84 No seu núcleo mais profundo, o suicídio constitui uma rejeição da soberania absoluta de Deus sobre a vida e sobre a morte, deste modo proclamada na oração do antigo Sábio de Israel: « Vós, Senhor, tendes o poder da vida e da morte, e conduzis os fortes à porta do Hades e de lá os tirais » ( Sab 16, 13; cf. Tob 13, 2).

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Sabedoria 16, 13

Matos Soares: 13 Tu, Senhor, és o que tens o poder da vida e da morte, e o que nos levas às portas da morte, e o que de lá nos tiras.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Tu tens autoridade sobre a vida e a morte, fazes descer às portas do Hades e fazes subir novamente.

Tobias 13, 2

Matos Soares: 2 Com efeito, tu castigas e salvas, conduzes até ao sepulcro e ressuscitas, e ninguém há que possa subtrair-se á tua mão.

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 Pois ele castiga e mostra misericórdia. Faz descer à sepultura, e faz subir novamente. Ninguém escapa de sua mão.

Compartilhar a intenção suicida de outrem e ajudar a realizá-la mediante o chamado « suicídio assistido », significa fazer-se colaborador e, por vezes, autor em primeira pessoa de uma injustiça que nunca pode ser justificada, nem sequer quando requerida. « Nunca é lícito — escreve com admirável actualidade Santo Agostinho — matar o outro: ainda que ele o quisesse, mesmo se ele o pedisse, porque, suspenso entre a vida e a morte, suplica ser ajudado a libertar a alma que luta contra os laços do corpo e deseja desprender-se; nem é lícito sequer quando o doente já não estivesse em condições de sobreviver ». 85 Mesmo quando não é motivada pela recusa egoísta de cuidar da vida de quem sofre, a eutanásia deve designar-se uma falsa compaixão, antes uma preocupante « perversão » da mesma: a verdadeira « compaixão », de facto, torna solidário com a dor alheia, não suprime aquele de quem não se pode suportar o sofrimento. E mais perverso ainda se manifesta o gesto da eutanásia, quando é realizado por aqueles que — como os parentes — deveriam assistir com paciência e amor o seu familiar, ou por quantos — como os médicos —, pela sua específica profissão, deveriam tratar o doente, inclusive nas condições terminais mais penosas.

A decisão da eutanásia torna-se mais grave, quando se configura como um homicídio, que os outros praticam sobre uma pessoa que não a pediu de modo algum nem deu nunca qualquer consentimento para a mesma. Atinge-se, enfim, o cúmulo do arbítrio e da injustiça, quando alguns, médicos ou legisladores, se arrogam o poder de decidir quem deve viver e quem deve morrer. Aparece assim reproposta a tentação do Éden: tornar-se como Deus « conhecendo o bem e o mal » (cf. Gn 3, 5). Mas, Deus é o único que tem o poder de fazer morrer e de fazer viver: « Só Eu é que dou a vida e dou a morte » (Dt 32, 39; cf. 2 Re 5, 7; 1 Sam 2, 6). Ele exerce o seu poder sempre e apenas segundo um desígnio de sabedoria e amor. Quando o homem usurpa tal poder, subjugado por uma lógica insensata e egoísta, usa-o inevitavelmente para a injustiça e a morte. Assim, a vida do mais fraco é abandonada às mãos do mais forte; na sociedade, perde-se o sentido da justiça e fica minada pela raiz a confiança mútua, fundamento de qualquer relação autêntica entre as pessoas.

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Gênesis 3, 5

Matos Soares: 5 mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 porque Deus sabe que no dia em que comerem dele, os seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal.”

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Deuteronômio 32, 39

Matos Soares: 39 Vede que sou eu só (o verdadeiro Deus), e que não há outro Deus fora de mim; eu faço morrer, e faço viver; firo e curo, e não há quem possa tirar da minha mão (coisa alguma).

Bíblia Portuguesa Mundial: 39 “Vejam agora que eu mesmo sou ele. Não há deus comigo. Eu mato e eu faço viver. Eu firo e eu curo. Não há ninguém que possa livrar da minha mão.

2 Reis 5, 7

Matos Soares: 7 O rei de Israel, lida a carta, rasgou as suas vestes e disse; Porventura sou eu Deus, que posso tirar e dar a vida, para que este me mande dizer que cure um homem da lepra? Adverti, e vereis que ele anda buscando pretextos contra mim.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 Quando o rei de Israel leu a carta, rasgou as suas vestes e disse: “Acaso sou Deus, para matar e para dar vida, para que este homem envie a mim alguém para curá-lo da sua lepra? Mas, por favor, considerem e vejam como ele busca contenda contra mim.”

1 Samuel 2, 6

Matos Soares: 6 O Senhor é quem tira a vida e a dá, leva à habitação dos mortos e tira dela.

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 “O SENHOR mata e preserva a vida; ele faz descer ao Seol e faz subir.

67. Bem diverso, ao contrário, é o caminho do amor e da verdadeira compaixão, que nos é imposto pela nossa comum humanidade e que a fé em Cristo Redentor, morto e ressuscitado, ilumina com novas razões. A súplica que brota do coração do homem no confronto supremo com o sofrimento e a morte, especialmente quando é tentado a fechar-se no desespero e como que a aniquilar-se nele, é sobretudo uma petição de companhia, solidariedade e apoio na prova. É um pedido de ajuda para continuar a esperar, quando falham todas as esperanças humanas. Como nos recordou o Concílio Vaticano II, « é em face da morte que o enigma da condição humana mais se adensa » para o homem; e, todavia, « a intuição do próprio coração fá-lo acertar, quando o leva a aborrecer e a recusar a ruína total e o desaparecimento definitivo da sua pessoa. O germe de eternidade que nele existe, irredutível à pura matéria, insurge-se contra a morte ». 86

Esta repugnância natural da morte e este germe de esperança na imortalidade são iluminadas e levadas à plenitude pela fé cristã, que promete e oferece a participação na vitória de Cristo Ressuscitado: é a vitória d’Aquele que, pela sua morte redentora, libertou o homem da morte, « salário do pecado » (Rm 6, 23), e lhe deu o Espírito, penhor de ressurreição e de vida (cf. Rm 8, 11). A certeza da imortalidade futura e a esperança na ressurreição prometida projectam uma luz nova sobre o mistério do sofrimento e da morte e infundem no crente uma força extraordinária para se abandonar ao desígnio de Deus.

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Romanos 6, 23

Matos Soares: 23 Porque o salário do pecado é a morte, ao passo que o dom de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 23 Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

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Romanos 8, 11

Matos Soares: 11 E, se o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dos mortos, habita em vós, ele, que ressuscitou a Jesus Cristo dos mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vós.

Bíblia Portuguesa Mundial: 11 Mas, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos também dará vida aos seus corpos mortais, por meio do seu Espírito que habita em vocês.

O apóstolo Paulo exprimiu esta novidade em termos de pertença total ao Senhor que abraça qualquer condição humana: « Nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor » ( Rm 14, 7-8). Morrer para o Senhor significa viver a própria morte como acto supremo de obediência ao Pai (cf. Fil 2, 8), aceitando encontrá-la na « hora » querida e escolhida por Ele (cf. Jo 13, 1), o único que pode dizer quando está cumprido o caminho terreno. Viver para o Senhor significa também reconhecer que o sofrimento, embora permaneça em si mesmo um mal e uma prova, sempre se pode tornar fonte de bem. E torna-se tal se é vivido por amor e com amor, na participação, por dom gratuito de Deus e por livre opção pessoal, no próprio sofrimento de Cristo crucificado. Deste modo, quem vive o seu sofrimento no Senhor fica mais plenamente configurado com Ele (cf. Fil 3, 10; 1 Ped 2, 21) e intimamente associado à sua obra redentora a favor da Igreja e da humanidade. 87 É esta experiência do Apóstolo, que toda a pessoa que sofre é chamada a viver: « Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja » ( Col 1, 24).

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Romanos 14, 7-8

Matos Soares: 7 Com efeito, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. 8 De facto, se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Logo, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 7 Pois nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum morre para si mesmo. 8 Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos. Ou, se morremos, para o Senhor morremos. Portanto, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor.

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Filipenses 2, 8

Matos Soares: 8 Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte da cruz.

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 E, sendo encontrado em forma humana, ele humilhou a si mesmo, tornando-se obediente até a morte — e morte de cruz.

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João 13, 1

Matos Soares: 1 Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Ora, antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai. Ele havia amado os seus que estavam no mundo e os amou até o fim.

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Filipenses 3, 10

Matos Soares: 10 a fim de o conhecer a ele e a virtude da sua ressurreição e a participação dos seus sofrimentos, assemelhando-me à sua morte,

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 para que eu possa conhecê-lo, conhecer o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, tornando-me conforme à sua morte,

1 Pedro 2, 21

Matos Soares: 21 Com efeito para isto é que vós fostes chamados, pois que Cristo também sofreu por vós deixando-vos o exemplo, para que sigais as suas pisadas,

Bíblia Portuguesa Mundial: 21 Pois para isso vocês foram chamados, porque Cristo também sofreu por nós, deixando a vocês um exemplo, para que sigam os seus passos,

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Colossenses 1, 24

Matos Soares: 24 Eu, agora, me alegro nos sofrimentos por vós e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, pelo seu corpo (místico), que é a Igreja, (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 24 Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo, da minha parte, em minha carne, o que falta das aflições de Cristo em favor do seu corpo, que é a igreja,

« Importa mais obedecer a Deus do que aos homens » (Act 5, 29): a lei civil e a lei moral

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Atos dos Apóstolos 5, 29

Matos Soares: 29 Pedro e os Apóstolos responderam: “Deve-se obedecer antes a Deus que aos homens.

Bíblia Portuguesa Mundial: 29 Mas Pedro e os apóstolos responderam: “Devemos obedecer a Deus antes que aos homens.

68. Uma das características dos actuais atentados à vida humana — como já se disse várias vezes — é a tendência para exigir a sua legitimação jurídica, como se fossem direitos que o Estado deveria, pelo menos em certas condições, reconhecer aos cidadãos e, consequentemente, a pretensão da execução dos mesmos com a assistência segura e gratuita dos médicos e restantes profissionais da saúde.

Considera-se, não raro, que a vida daquele que ainda não nasceu ou está gravemente debilitado, seria um bem simplesmente relativo: teria de ser confrontada e ponderada com outros bens, segundo uma lógica proporcionalista ou de puro cálculo. Igualmente pensa-se que só quem se encontra na situação concreta e nela está pessoalmente implicado é que poderia realizar uma justa ponderação dos bens em jogo: por conseguinte, unicamente essa pessoa poderia decidir sobre a moralidade da sua escolha. Por isso, e no interesse da convivência civil e da harmonia social, o Estado deveria respeitar essa escolha, chegando mesmo a admitir o aborto e a eutanásia.

Outras vezes, julga-se que a lei civil não poderia exigir que todos os cidadãos vivessem segundo um grau de moralidade mais elevado do que aquele que eles mesmos reconhecem e condividem. Por isso, a lei deveria exprimir sempre a opinião e a vontade da maioria dos cidadãos e reconhecer-lhes também, pelo menos em certos casos extremos, o direito ao aborto e à eutanásia. Nesses casos, aliás, a proibição e a punição dos referidos actos conduziria inevitavelmente — assim o dizem — a um aumento de práticas clandestinas: e estas escapariam ao necessário controlo social e seriam realizadas sem a devida segurança médica. E interrogam-se, além disso, se o apoiar uma lei que não é concretamente aplicável não significaria, em última análise, minar também a autoridade de qualquer outra lei.

Nas opiniões mais radicais, chega-se mesmo a defender que, numa sociedade moderna e pluralista, deveria ser reconhecida a cada pessoa total autonomia para dispor da própria vida e da vida de quem ainda não nasceu: não seria competência da lei fazer a escolha entre as diversas opiniões morais, e menos ainda poderia ela pretender impor uma opinião particular em detrimento das outras.

69. Certo é que, na cultura democrática do nosso tempo, se acha amplamente generalizada a opinião, segundo a qual o ordenamento jurídico de uma sociedade haveria de limitar-se a registar e acolher as convicções da maioria e, consequentemente, dever-se-ia construir apenas sobre aquilo que a própria maioria reconhece e vive como moral. Se, depois, se chega a pensar que uma verdade comum e objectiva seria realmente inacessível, então o respeito pela liberdade dos cidadãos — que, num regime democrático, são considerados os verdadeiros soberanos — exigiria que, a nível legislativo, se reconhecesse a autonomia da consciência de cada um e, por conseguinte, ao estabelecer aquelas normas que são absolutamente necessárias à convivência social, se adequassem exclusivamente à vontade da maioria, fosse ela qual fosse. Desta maneira, todo o político deveria separar claramente, no seu agir, o âmbito da consciência privada e o do comportamento público.

Em consequência disto, registam-se duas tendências que na aparência são diametralmente opostas. Por um lado, os indivíduos reivindicam para si a mais completa autonomia moral de decisão, e pedem que o Estado não assuma nem imponha qualquer concepção ética, mas se limite a garantir o espaço mais amplo possível à liberdade de cada um, tendo como único limite externo não lesar o espaço de autonomia a que cada um dos outros cidadãos também tem direito. Mas por outro lado, pensa-se que, no desempenho das funções públicas e profissionais, o respeito pela liberdade alheia de escolha obrigaria cada qual a prescindir das próprias convicções para se colocar ao serviço de qualquer petição dos cidadãos, que as leis reconhecem e tutelam, aceitando como único critério moral no exercício das próprias funções aquilo que está estabelecido pelas mesmas leis. Deste modo, a responsabilidade da pessoa é delegada na lei civil com a abdicação da própria consciência moral, pelo menos no âmbito da acção pública.

70. Raiz comum de todas estas tendências é o relativismo ético, que caracteriza grande parte da cultura contemporânea. Não falta quem pense que tal relativismo seja uma condição da democracia, visto que só ele garantiria tolerância, respeito recíproco entre as pessoas e adesão às decisões da maioria, enquanto as normas morais, consideradas objectivas e vinculantes, conduziriam ao autoritarismo e à intolerância.

Mas é exactamente a problemática conexa com o respeito da vida que mostra os equívocos e contradições, com terríveis resultados práticos, que se escondem nesta posição.

É verdade que a história regista casos de crimes cometidos em nome da « verdade ». Mas crimes não menos graves e negações radicais da liberdade foram também cometidos e cometem-se em nome do « relativismo ético ». Quando uma maioria parlamentar ou social decreta a legitimidade da eliminação, mesmo sob certas condições, da vida humana ainda não nascida, porventura não assume uma decisão « tirânica » contra o ser humano mais débil e indefeso? Justamente reage a consciência universal diante dos crimes contra a humanidade, de que o nosso século viveu tão tristes experiências. Porventura deixariam de ser crimes, se, em vez de terem sido cometidos por tiranos sem escrúpulos, fossem legitimados por consenso popular?

Não se pode mitificar a democracia até fazer dela o substituto da moralidade ou a panaceia da imoralidade. Fundamentalmente, é um « ordenamento » e, como tal, um instrumento, não um fim. O seu carácter « moral » não é automático, mas depende da conformidade com a lei moral, à qual se deve submeter como qualquer outro comportamento humano: por outras palavras, depende da moralidade dos fins que persegue e dos meios que usa. Regista-se hoje um consenso quase universal sobre o valor da democracia, o que há-de ser considerado um positivo « sinal dos tempos », como o Magistério da Igreja já várias vezes assinalou. 88 Mas, o valor da democracia vive ou morre nos valores que ela encarna e promove: fundamentais e imprescindíveis são certamente a dignidade de toda a pessoa humana, o respeito dos seus direitos intangíveis e inalienáveis, e bem assim a assunção do « bem comum » como fim e critério regulador da vida política.

Na base destes valores, não podem estar « maiorias » de opinião provisórias e mutáveis, mas só o reconhecimento de uma lei moral objectiva que, enquanto « lei natural » inscrita no coração do homem, seja ponto normativo de referência para a própria lei civil. Quando, por um trágico obscurecimento da consciência colectiva, o cepticismo chegasse a pôr em dúvida mesmo os princípios fundamentais da lei moral, então o próprio ordenamento democrático seria abalado nos seus fundamentos, ficando reduzido a puro mecanismo de regulação empírica dos diversos e contrapostos interesses. 89

Alguém poderia pensar que, na falta de melhor, já esta função reguladora fosse de apreciar em vista da paz social. Mesmo reconhecendo qualquer ponto de verdade em tal avaliação, é difícil não ver que, sem um ancoradouro moral objectivo, a democracia não pode assegurar uma paz estável, até porque é ilusória a paz não fundada sobre os valores da dignidade de cada homem e da solidariedade entre todos os homens. Nos próprios regimes de democracia representativa, de facto, a regulação dos interesses é frequentemente feita a favor dos mais fortes, sendo estes os mais competentes para manobrar não apenas as rédeas do poder, mas também a formação dos consensos. Em tal situação, facilmente a democracia se torna uma palavra vazia.

71. Para bem do futuro da sociedade e do progresso de uma sã democracia, urge, pois, redescobrir a existência de valores humanos e morais essenciais e congénitos, que derivam da própria verdade do ser humano, e exprimem e tutelam a dignidade da pessoa: valores que nenhum indivíduo, nenhuma maioria e nenhum Estado poderá jamais criar, modificar ou destruir, mas apenas os deverá reconhecer, respeitar e promover.

Importa retomar, neste sentido, os elementos fundamentais da visão das relações entre lei civil e lei moral, tal como os propõe a Igreja, mas que fazem parte também do património das grandes tradições jurídicas da humanidade.

Certamente, a função da lei civil é diversa e de âmbito mais limitado que a da lei moral. De facto, « em nenhum âmbito da vida, pode a lei civil substituir-se à consciência, nem pode ditar normas naquilo que ultrapassa a sua competência », 90 que é assegurar o bem comum das pessoas, mediante o reconhecimento e defesa dos seus direitos fundamentais, a promoção da paz e da moralidade pública. 91 Com efeito, a função da lei civil consiste em garantir uma convivência social na ordem e justiça verdadeira, para que todos « tenhamos vida tranquila e sossegada, com toda a piedade e honestidade » ( 1 Tm 2, 2). Por isso mesmo, a lei civil deve assegurar a todos os membros da sociedade o respeito de alguns direitos fundamentais, que pertencem por natureza à pessoa e que qualquer lei positiva tem de reconhecer e garantir. Primeiro e fundamental entre eles é o inviolável direito à vida de todo o ser humano inocente. Se a autoridade pública pode, às vezes, renunciar a reprimir algo que, se proibido, provocaria um dano maior, 92 ela não poderá nunca aceitar como direito dos indivíduos — ainda que estes sejam a maioria dos membros da sociedade —, a ofensa infligida a outras pessoas através do menosprezo de um direito tão fundamental como o da vida. A tolerância legal do aborto ou da eutanásia não pode, de modo algum, fazer apelo ao respeito pela consciência dos outros, precisamente porque a sociedade tem o direito e o dever de se defender contra os abusos que se possam verificar em nome da consciência e com o pretexto da liberdade. 93

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1 Timóteo 2, 2

Matos Soares: 2 pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que levemos uma vida sossegada e tranquila, em toda a piedade e dignidade. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 pelos reis e por todos os que estão em posições elevadas, para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, em toda piedade e reverência.

A este propósito, João XXIII recordara na Encíclica Pacem in terris: « Hoje em dia crê-se que o bem comum consiste sobretudo no respeito dos direitos e deveres da pessoa. Oriente-se, pois, o empenho dos poderes públicos sobretudo no sentido que esses direitos sejam reconhecidos, respeitados, harmonizados, tutelados e promovidos, tornando-se assim mais fácil o cumprimento dos respectivos deveres. “A função primordial de qualquer poder público é defender os direitos invioláveis da pessoa e tornar mais viável o cumprimento dos seus deveres”. Por isso mesmo, se a autoridade não reconhecer os direitos da pessoa, ou os violar, não só perde ela a sua razão de ser como também as suas disposições estão privadas de qualquer valor jurídico ». 94

72. Também está em continuidade com toda a Tradição da Igreja, a doutrina da necessidade da lei civil se conformar com a lei moral, como se vê na citada encíclica de João XXIII: « A autoridade é exigência da ordem moral e promana de Deus. Por isso, se os governantes legislarem ou prescreverem algo contra essa ordem e, portanto, contra a vontade de Deus, essas leis e essas prescrições não podem obrigar a consciência dos cidadãos. (…) Neste caso, a própria autoridade deixa de existir, degenerando em abuso do poder ». 95 O mesmo ensinamento aparece claramente em S. Tomás de Aquino, que escreve: « A lei humana tem valor de lei enquanto está de acordo com a recta razão: derivando, portanto, da lei eterna. Se, porém, contradiz a razão, chama-se lei iníqua e, como tal, não tem valor, mas é um acto de violência ». 96 E ainda: « Toda a lei constituída pelos homens tem força de lei só na medida em que deriva da lei natural. Se, ao contrário, em alguma coisa está em contraste com a lei natural, então não é lei mas sim corrupção da lei ». 97

Ora, a primeira e mais imediata aplicação desta doutrina diz respeito à lei humana que menospreza o direito fundamental e primordial à vida, direito próprio de cada homem. Assim, as leis que legitimam a eliminação directa de seres humanos inocentes, por meio do aborto e da eutanásia, estão em contradição total e insanável com o direito inviolável à vida, próprio de todos os homens, e negam a igualdade de todos perante a lei. Poder-se-ia objectar que é diverso o caso da eutanásia, quando pedida em plena consciência pelo sujeito interessado. Mas um Estado que legitimasse tal pedido, autorizando a sua realização, estaria a legalizar um caso de suicídio-homicídio, contra os princípios fundamentais da não-disponibilidade da vida e da tutela de cada vida inocente. Deste modo, favorece-se a diminuição do respeito pela vida e abre-se a estrada a comportamentos demolidores da confiança nas relações sociais.

As leis que autorizam e favorecem o aborto e a eutanásia colocam-se, pois, radicalmente não só contra o bem do indivíduo, mas também contra o bem comum e, por conseguinte, carecem totalmente de autêntica validade jurídica. De facto, o menosprezo do direito à vida, exactamente porque leva a eliminar a pessoa, ao serviço da qual a sociedade tem a sua razão de existir, é aquilo que se contrapõe mais frontal e irreparavelmente à possibilidade de realizar o bem comum. Segue-se daí que, quando uma lei civil legitima o aborto ou a eutanásia, deixa, por isso mesmo, de ser uma verdadeira lei civil, moralmente obrigatória.

73. O aborto e a eutanásia são, portanto, crimes que nenhuma lei humana pode pretender legitimar. Leis deste tipo não só não criam obrigação alguma para a consciência, como, ao contrário, geram uma grave e precisa obrigação de opor-se a elas através da objecção de consciência. Desde os princípios da Igreja, a pregação apostólica inculcou nos cristãos o dever de obedecer às autoridades públicas legitimamente constituídas (cf. Rm 13, 1-7; 1 Ped 2, 13-14), mas, ao mesmo tempo, advertiu firmemente que « importa mais obedecer a Deus do que aos homens » (Act 5, 29). Já no Antigo Testamento e a propósito de ameaças contra a vida, encontramos um significativo exemplo de resistência à ordem injusta da autoridade. As parteiras dos hebreus opuseram-se ao Faraó, que lhes tinha dado a ordem de matarem todos os rapazes por ocasião do parto. « Não cumpriram a ordem do rei do Egipto, e deixaram viver os rapazes » (Ex 1, 17). Mas há que salientar o motivo profundo deste seu comportamento: « As parteiras temiam a Deus » (Ex 1, 17). É precisamente da obediência a Deus — o único a Quem se deve aquele temor que significa reconhecimento da sua soberania absoluta — que nascem a força e a coragem de resistir às leis injustas dos homens. É a força e a coragem de quem está disposto mesmo a ir para a prisão ou a ser morto à espada, na certeza de que nisto « está a paciência e a fé dos Santos » (Ap 13, 10).

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Romanos 13, 1-7

Matos Soares: 1 Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores, porque não há autoridade que não venha de Deus e as que existem, foram instituídas por Deus. (ver nota) 2 Aquele, pois, que resiste à autoridade, resiste à ordenação de Deus. E os que resistem, atraem sobre si próprios a condenação. 3 Com efeito, os príncipes não são para temer pelas acções boas, mas pelas más. Queres, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás o louvor dela, 4 porque (o príncipe) é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é debalde que ele traz a espada. Porquanto ele é ministro de Deus vingador, para punir aquele que faz o mal. 5 É pois, necessário que lhe estejais sujeitos, não sòmente pelo temor da ira, mas também por motivo de consciência. 6 De facto, também por esta causa é que pagarás os tributos, pois são ministros de Deus, quando exercem o seu oficio. 7 Pagai, pois, a todos o que lhes é devido: a quem o imposto, o imposto; a quem as taxas, as taxas; a quem o temor, o temor; a quem a honra, a honra.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Que toda pessoa se sujeite às autoridades superiores, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram ordenadas por Deus. 2 Portanto, aquele que resiste à autoridade opõe-se à ordenação de Deus; e os que se opõem atrairão julgamento sobre si mesmos. 3 Pois os governantes não são motivo de temor para quem faz o bem, mas para quem faz o mal. Você deseja não ter medo da autoridade? Faça o que é bom, e receberá louvor dela, 4 pois ele é servo de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o que é mau, tenha medo, pois ele não carrega a espada em vão; pois é servo de Deus, um vingador para trazer a ira sobre aquele que pratica o mal. 5 Portanto, é necessário estar sujeito, não apenas por causa da ira, mas também por causa da consciência. 6 Por esta razão vocês também pagam impostos, pois eles são servos de Deus, dedicando-se continuamente a esse serviço. 7 Portanto, deem a todos o que vocês devem: se devem impostos, paguem impostos; se tributos, então tributos; se respeito, então respeito; se honra, então honra.

1 Pedro 2, 13-14

Matos Soares: 13 Sede submissos a toda a instituição humana, por causa do Senhor, quer ao rei, como a soberano, 14 quer aos governadores, como enviados por ele para punir os malfeitores e louvar os bons,

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Portanto, sujeitem-se a toda instituição humana por causa do Senhor: seja ao rei, como autoridade suprema, 14 ou aos governadores, como enviados por ele para castigar os malfeitores e louvar os que fazem o bem.

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Atos dos Apóstolos 5, 29

Matos Soares: 29 Pedro e os Apóstolos responderam: “Deve-se obedecer antes a Deus que aos homens.

Bíblia Portuguesa Mundial: 29 Mas Pedro e os apóstolos responderam: “Devemos obedecer a Deus antes que aos homens.

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Êxodo 1, 17

Matos Soares: 17 Contudo as parteiras temeram a Deus e não obedeceram à ordem do rei do Egipto, mas conservavam os meninos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 Mas as parteiras temeram a Deus, e não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenou, mas deixaram os meninos vivos.

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Êxodo 1, 17

Matos Soares: 17 Contudo as parteiras temeram a Deus e não obedeceram à ordem do rei do Egipto, mas conservavam os meninos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 17 Mas as parteiras temeram a Deus, e não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenou, mas deixaram os meninos vivos.

ix

Apocalipse 13, 10

Matos Soares: 10 Aquele que está destinado ao cativeiro, irá para o cativeiro; aquele que matar à espada, importa que seja morto à espada. Aqui está a paciência e a fé dos santos. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 Se alguém há de ir para o cativeiro, para o cativeiro irá. Se alguém há de ser morto à espada, à espada deve ser morto. Aqui está a perseverança e a fé dos santos.

Portanto, no caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, « nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação com o próprio voto ». 98

Um particular problema de consciência poder-se-ia pôr nos casos em que o voto parlamentar fosse determinante para favorecer uma lei mais restritiva, isto é, tendente a restringir o número dos abortos autorizados, como alternativa a uma lei mais permissiva já em vigor ou posta a votação. Não são raros tais casos. Sucede, com efeito, que, enquanto, nalgumas partes do mundo, continuam as campanhas para a introdução de leis favoráveis ao aborto, tantas vezes apoiadas por organismos internacionais poderosos, noutras nações, pelo contrário — particularmente naquelas que já fizeram a amarga experiência de tais legislações permissivas —, vão-se manifestando sinais de reconsideração. No caso hipotizado, quando não fosse possível esconjurar ou abrogar completamente uma lei abortista, um deputado, cuja absoluta oposição pessoal ao aborto fosse clara e conhecida de todos, poderia licitamente oferecer o próprio apoio a propostas que visassem limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos negativos no âmbito da cultura e da moralidade pública. Ao proceder assim, de facto, não se realiza a colaboração ilícita numa lei injusta; mas cumpre-se, antes, uma tentativa legítima e necessária para limitar os seus aspectos iníquos.

74. A introdução de legislações injustas põe frequentemente os homens moralmente rectos frente a difíceis problemas de consciência em matéria de colaboração, por causa da imperiosa afirmação do próprio direito de não ser obrigado a participar em acções moralmente más. Às vezes, as opções que se impõem tomar, são dolorosas e podem requerer o sacrifício de posições profissionais consolidadas ou a renúncia a legítimas perspectivas de promoção na carreira. Noutros casos, pode acontecer que o cumprimento de algumas acções, em si mesmas indiferentes ou mesmo até positivas, previstas no articulado de legislações globalmente injustas, consinta a salvaguarda de vidas humanas ameaçadas. Mas, por outro lado, pode-se justamente temer que a disponibilidade a realizar tais acções não só provoque um escândalo e favoreça o enfraquecimento da oposição necessária aos atentados contra a vida, como insensivelmente induza também a conformar-se cada vez mais com uma lógica permissiva.

Para iluminar esta difícil questão moral, é preciso recorrer aos princípios gerais referentes à cooperação em acções moralmente más. Os cristãos, como todos os homens de boa vontade, são chamados, sob grave dever de consciência, a não prestar a sua colaboração formal em acções que, apesar de admitidas pela legislação civil, estão em contraste com a lei de Deus. Na verdade, do ponto de vista moral, nunca é lícito cooperar formalmente no mal. E essa cooperação verifica-se quando a acção realizada, pela sua própria natureza ou pela configuração que tem assumido num contexto concreto, se qualifica como participação directa num acto contra a vida humana inocente ou como aprovação da intenção moral do agente principal. Tal cooperação nunca pode ser justificada invocando o respeito da liberdade alheia, nem apoiando-se no facto de que a lei civil a prevê e requer: com efeito, nos actos cumpridos pessoalmente por cada um, existe uma responsabilidade moral, à qual ninguém poderá jamais subtrair-se e sobre a qual cada um será julgado pelo próprio Deus (cf. Rm 2, 6; 14, 12).

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Romanos 2, 6

Matos Soares: 6 que há-de dar a cada um segundo as suas obras: (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 que “retribuirá a cada um segundo as suas obras:”

Romanos 14, 12

Matos Soares: 12 Portanto, cada um de nós dará conta de si a Deus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 12 Assim, pois, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.

Recusar a própria participação para cometer uma injustiça é não só um dever moral, mas também um direito humano basilar. Se assim não fosse, a pessoa seria constrangida a cumprir uma acção intrinsecamente incompatível com a sua dignidade e, desse modo, ficaria radicalmente comprometida a sua própria liberdade, cujo autêntico sentido e fim reside na orientação para a verdade e o bem. Trata-se, pois, de um direito essencial que, precisamente como tal, deveria estar previsto e protegido pela própria lei civil. Nesse sentido, a possibilidade de se recusar a participar na fase consultiva, preparatória e executiva de semelhantes actos contra a vida, deveria ser assegurada aos médicos, aos outros profissionais da saúde e aos responsáveis pelos hospitais, clínicas e casas de saúde. Quem recorre à objecção de consciência deve ser salvaguardado não apenas de sanções penais, mas ainda de qualquer dano no plano legal, disciplinar, económico e profissional.

« Amarás ao teu próximo como a ti mesmo » (Lc 10, 27): « promove » a vida

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Lucas 10, 27

Matos Soares: 27 Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e o teu próximo como a ti mesmo.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 27 Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e ao teu próximo como a ti mesmo.”

75. Os mandamentos de Deus ensinam-nos o caminho da vida. Os preceitos morais negativos, isto é, aqueles que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada acção, têm um valor absoluto para a liberdade humana: valem sempre e em todas as circunstâncias, sem excepção. Indicam que a escolha de determinado comportamento é radicalmente incompatível com o amor a Deus e com a dignidade da pessoa, criada à sua imagem: por isso, tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer intenção ou consequência, está em contraste insanável com a comunhão entre as pessoas, contradiz a decisão fundamental de orientar a própria vida para Deus. 99

Já neste sentido, os preceitos morais negativos têm uma função positiva importantíssima: o “não” que exigem incondicionalmente, aponta o limite intransponível abaixo do qual o homem livre não pode descer, e simultaneamente indica o mínimo que ele deve respeitar e do qual deve partir para pronunciar inumeráveis « sins », capazes de cobrir progressivamente todo o horizonte do bem (cf. Mt 5, 48), em cada um dos seus âmbitos. Os mandamentos, de modo particular os preceitos morais negativos, são o início e a primeira etapa necessária do caminho da liberdade: « A primeira liberdade — escreve Santo Agostinho — consiste em estar isento de crimes (…), como seja o homicídio, o adultério, a fornicação, o roubo, a fraude, o sacrilégio, e assim por diante. Quando alguém começa a não ter estes crimes (e nenhum cristão os deve ter), começa a levantar a cabeça para a liberdade, mas isto é apenas o início da liberdade, não a liberdade perfeita ». 100

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Mateus 5, 48

Matos Soares: 48 Sede pois perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Bíblia Portuguesa Mundial: 48 Portanto, sejam perfeitos, assim como o Pai de vocês que está nos céus é perfeito.

76. O mandamento « não matarás » estabelece, pois, o ponto de partida de um caminho de verdadeira liberdade, que nos leva a promover activamente a vida e a desenvolver determinadas atitudes e comportamentos ao seu serviço: procedendo assim, exercemos a nossa responsabilidade para com as pessoas que nos estão confiadas, e manifestamos, em obras e verdade, o nosso reconhecimento a Deus pelo grande dom da vida (cf. Sal 139 [138], 13-14).

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Salmos 139, 13-14

Matos Soares (Salmos 138, 13-14): 13 Porque foste tu que formaste os meus rins, me entreteceste no seio de minha mãe. 14 Louvo-te, porque tão admiravelmente fui formado, porque são maravilhosas as tuas obras. Perfeitamente conheces a minha alma;

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Pois tu formaste o meu ser mais íntimo. Tu me teceste no ventre da minha mãe. 14 Eu te darei graças, pois fui feito de modo assombroso e maravilhoso. As tuas obras são maravilhosas. A minha alma sabe muito bem disso.

O Criador confiou a vida do homem à sua solicitude responsável, não para que disponha arbitrariamente dela mas a guarde com sabedoria e administre com amorosa fidelidade. O Deus da Aliança confiou a vida de cada homem ao homem, seu irmão, segundo a lei da reciprocidade no dar e no receber, no dom de si e no acolhimento do outro. Na plenitude dos tempos, o Filho de Deus, encarnando e dando a sua vida pelo homem, mostrou a altura e profundidade a que pode chegar esta lei da reciprocidade. Com o dom do seu Espírito, Cristo dá conteúdos e significados novos à lei da reciprocidade, à entrega do homem ao homem. O Espírito, que é artífice de comunhão no amor, cria entre os homens uma nova fraternidade e solidariedade, verdadeiro reflexo do mistério de recíproca doação e acolhimento próprios da Santíssima Trindade. O próprio Espírito torna-Se a lei nova, que dá força aos crentes e apela à sua responsabilidade para viverem reciprocamente o dom de si e o acolhimento do outro, participando no próprio amor de Jesus Cristo e segundo a sua medida.

77. Animado e plasmado por esta lei nova está também o mandamento que diz « não matarás ». Para o cristão, isto implica, em última análise, o imperativo de respeitar, amar e promover a vida de cada irmão, segundo as exigências e as dimensões do amor de Deus em Jesus Cristo. « Ele deu a Sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos » (1 Jo 3, 16).

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1 João 3, 16

Matos Soares: 16 Nisto conhecemos o amor (de Deus): em ter dado a sua vida por nós. Igualmente nós devemos também (estar prontos a) dar a vida pelos nossos irmãos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Nisto conhecemos o amor: que ele deu a sua vida por nós. E nós também devemos dar as nossas vidas pelos irmãos.

O mandamento « não matarás », inclusive nos seus conteúdos mais positivos de respeito, amor e promoção da vida humana, vincula todo o homem. De facto, ressoa na consciência moral de cada um como um eco irreprimível da aliança primordial de Deus criador com o homem; todos o podem conhecer pela luz da razão e observar pela obra misteriosa do Espírito que, soprando onde quer (cf. Jo 3, 8), alcança e inspira todo o homem que vive neste mundo.

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João 3, 8

Matos Soares: 8 O vento sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes donde ele vem, nem para onde vai, assim é todo aquele que nasceu do Espírito.

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 O vento sopra onde quer, e você ouve o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito.”

Constitui, portanto, um serviço de amor, aquele que todos estamos empenhados em assegurar ao nosso próximo, para que a sua vida seja defendida e promovida sempre, mas sobretudo quando é mais débil ou ameaçada. É uma solicitude pessoal mas também social, que todos devemos cultivar, pondo o respeito incondicional da vida humana como fundamento de uma sociedade renovada.

É-nos pedido que amemos e honremos a vida de cada homem e de cada mulher, e que trabalhemos, com constância e coragem, para que, no nosso tempo atravessado por demasiados sinais de morte, se instaure finalmente uma nova cultura da vida, fruto da cultura da verdade e do amor.

 

CAPÍTULO IV

A MIM O FIZESTES

POR UMA NOVA CULTURA DA VIDA HUMANA

« Vós sois o povo adquirido por Deus, para proclamardes as suas obras maravilhosas » (1 Ped 2, 9): o povo da vida e pela vida

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1 Pedro 2, 9

Matos Soares: 9 Vós, porém, sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma gente santa, um povo adquirido por Deus, para que publiqueis as perfeições daquele que das trevas vos chamou à luz admirável. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 Mas vocês são raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, para que proclamem as excelências daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

78. A Igreja recebeu o Evangelho, como anúncio e fonte de alegria e de salvação. Recebeu-o em dom de Jesus, que foi enviado pelo Pai « para anunciar a Boa Nova aos pobres » ( Lc 4, 18). Recebeu-o através dos Apóstolos, que o Mestre enviou pelo mundo inteiro (cf. Mc 16, 15; Mt 28, 19-20). Nascida desta acção missionária, a Igreja ouve ressoar em si mesma todos os dias aquela palavra de incitamento apostólico: « Ai de mim se não evangelizar! » ( 1 Cor 9, 16). « Evangelizar — como escrevia Paulo VI — constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar ». 101

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Lucas 4, 18

Matos Soares: 18 O Espírito do Senhor repousou sobre mim; pelo que me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; me enviou a sarar os contritos do coração.

Bíblia Portuguesa Mundial: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres. Ele me enviou para curar os quebrantados de coração, para proclamar libertação aos cativos, recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos,

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Marcos 16, 15

Matos Soares: 15 Disse-lhes: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 Ele lhes disse: “Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda a criação.

Mateus 28, 19-20

Matos Soares: 19 Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, 20 ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 19 Vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que eu lhes ordenei. Eis que estou com vocês sempre, até o fim dos tempos.” Amém.

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1 Coríntios 9, 16

Matos Soares: 16 Porquanto, se eu evangelizar, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação. Ai de mim, se eu não evangelizar!

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Pois, se eu prego o Evangelho, não tenho do que me orgulhar, pois essa obrigação me é imposta; mas ai de mim se eu não pregar o Evangelho.

A evangelização é uma acção global e dinâmica que envolve a Igreja na sua participação da missão profética, sacerdotal e real do Senhor Jesus. Por isso, a evangelização compreende indivisivelmente as dimensões do anúncio, da celebração e do serviço da caridade. É um acto profundamente eclesial, que compromete todos os operários do Evangelho, cada um segundo os seus carismas e o próprio ministério.

O mesmo acontece quando se trata de anunciar o Evangelho da vida, parte integrante do Evangelho que é Jesus Cristo. Nós estamos ao serviço deste Evangelho, amparados na certeza de o termos recebido em dom e de sermos enviados a proclamá-lo a toda a humanidade, « até aos confins do mundo » (Act 1, 8). Por isso, grata e humildemente conservamos a consciência de ser o povo da vida e pela vida e assim nos apresentamos diante de todos.

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Atos dos Apóstolos 1, 8

Matos Soares: 8 mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até às extremidades da terra.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 Mas vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês. E serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.”

79. Somos o povo da vida, porque Deus, no seu amor generoso, deu-nos o Evangelho da vida e, por este mesmo Evangelho, fomos transformados e salvos. Fomos reconquistados pelo « Príncipe da vida » (Act 3, 15), com o preço do seu sangue precioso (cf. 1 Cor 6, 20; 7, 23; 1 Ped 1, 19), e, pelo banho baptismal, fomos enxertados n’Ele (cf. Rm 6, 4-5; Col 2, 12) como ramos que recebem seiva e fecundidade da única árvore (cf. Jo 15, 5). Interiormente renovados pela graça do Espírito, « Senhor que dá a vida », tornámo-nos um povo pela vida, e como tal somos chamados a comportar-nos.

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Atos dos Apóstolos 3, 15

Matos Soares: 15 e matastes o autor da vida, a quem Deus ressuscitou dos mortos, do que nós somos testemunhas.

Bíblia Portuguesa Mundial: 15 e mataram o Príncipe da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, e nós somos testemunhas disso.

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1 Coríntios 6, 20

Matos Soares: 20 Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 pois vocês foram comprados por um preço. Portanto, glorifiquem a Deus no seu corpo e no seu espírito, os quais são de Deus.

1 Coríntios 7, 23

Matos Soares: 23 Por grande preço fostes comprados! Não vos torneis servos dos homens.

Bíblia Portuguesa Mundial: 23 Vocês foram comprados por um preço. Não se tornem escravos de homens.

1 Pedro 1, 19

Matos Soares: 19 mas pelo precioso sangue de Cristo, o cordeiro sem defeito e sem mancha.

Bíblia Portuguesa Mundial: 19 mas com o precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito ou mancha, o sangue de Cristo,

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Romanos 6, 4-5

Matos Soares: 4 Fomos, pois, sepultados com ele, a fim de morrer (para o pecado) pelo baptismo, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim nós vivamos uma vida nova. (ver nota) 5 Porque, se nos tornamos um mesmo ser com ele, por uma morte semelhante à sua, o mesmo sucederá por uma ressurreição semelhante, (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Fomos, portanto, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova. 5 Pois, se fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, também participaremos da sua ressurreição;

Colossenses 2, 12

Matos Soares: 12 Tendo sido sepultados (para o pecado) com ele no batismo, com ele também ressuscitastes (para a vida da graça) mediante a fé na ação de Deus, que o ressuscitou dos mortos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 12 tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também foram ressuscitados com ele mediante a fé na atuação de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.

jm

João 15, 5

Matos Soares: 5 Eu sou a videira, vós as varas. O que permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque, sem mim, nada podeis fazer.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 Eu sou a videira. Vocês são os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim vocês não podem fazer nada.

Somos enviados: estar ao serviço da vida não é para nós um título de glória, mas um dever que nasce da consciência de sermos « o povo adquirido por Deus para proclamar as suas obras maravilhosas » (cf. 1 Ped 2, 9). No nosso caminho, guia-nos e anima-nos a lei do amor: um amor, cuja fonte e modelo é o Filho de Deus feito homem que « pela sua morte deu a vida ao mundo ». 102

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1 Pedro 2, 9

Matos Soares: 9 Vós, porém, sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma gente santa, um povo adquirido por Deus, para que publiqueis as perfeições daquele que das trevas vos chamou à luz admirável. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 9 Mas vocês são raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, para que proclamem as excelências daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

Somos enviados como povo. O compromisso de servir a vida incumbe sobre todos e cada um. É uma responsabilidade tipicamente « eclesial », que exige a acção concertada e generosa de todos os membros e estruturas da comunidade cristã. Mas a sua característica de dever comunitário não elimina nem diminui a responsabilidade de cada pessoa, a quem é dirigido o mandamento do Senhor de « fazer-se próximo » de todo o homem: « Vai e faz tu também do mesmo modo » (Lc 10, 37).

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Lucas 10, 37

Matos Soares: 37 Ele respondeu: “O que usou com ele de misericórdia.” Então Jesus disse-lhe: “Vai, e faz tu o mesmo.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 37 Ele disse: “Aquele que teve misericórdia dele.” Então Jesus lhe disse: “Vai, e faze tu o mesmo.”

Todos juntos sentimos o dever de anunciar o Evangelho da vida, de o celebrar na liturgia e na existência inteira, de o servir com as diversas iniciativas e estruturas de apoio e promoção.

« O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos » (1 Jo 1, 3): anunciar o Evangelho da vida

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1 João 1, 3

Matos Soares: 3 isso que vimos e ouvimos, vo-lo anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco, e para que a nossa comunhão seja com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 o que vimos e ouvimos anunciamos a vocês, para que vocês também tenham comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.

80. « O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos apalparam acerca do Verbo da vida (…) isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco » (1 Jo 1, 1.3). Jesus é o único Evangelho: Ele é tudo o que temos para dizer e testemunhar.

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1 João 1, 1.3

Matos Soares: 1 O que era desde o principio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos, o que apalparam as nossas mãos relativamente ao Verbo da vida, […] 3 isso que vimos e ouvimos, vo-lo anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco, e para que a nossa comunhão seja com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram, a respeito do Verbo da vida […] 3 o que vimos e ouvimos anunciamos a vocês, para que vocês também tenham comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.

O próprio anúncio de Jesus é anúncio da vida. Ele, de facto, é o « Verbo da vida » (1 Jo 1, 1). N’Ele, « a vida manifestou-se » (1 Jo 1, 2); melhor, Ele mesmo é a « vida eterna que estava no Pai e que nos foi manifestada » (1 Jo 1, 2). Esta mesma vida, graças ao dom do Espírito, foi comunicada ao homem. Orientada para a vida em plenitude — a « vida eterna » —, também a vida terrena de cada um adquire o seu sentido pleno.

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1 João 1, 1

Matos Soares: 1 O que era desde o principio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos, o que apalparam as nossas mãos relativamente ao Verbo da vida,

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram, a respeito do Verbo da vida

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1 João 1, 2

Matos Soares: 2 porque a vida se manifestou: nós a vimos, damos dela testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e nos apareceu

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 (e a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testemunhamos, e anunciamos a vocês a vida, a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada);

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1 João 1, 2

Matos Soares: 2 porque a vida se manifestou: nós a vimos, damos dela testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e nos apareceu

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 (e a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testemunhamos, e anunciamos a vocês a vida, a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada);

Iluminados pelo Evangelho da vida, sentimos a necessidade de o proclamar e testemunhar pela surpreendente novidade que o caracteriza: identificando-se com o próprio Jesus, portador de toda a novidade 103 e vencedor daquele « envelhecimento » que provém do pecado e conduz à morte, 104 este Evangelho supera toda a expectativa do homem e revela a grandeza excelsa, a que a dignidade da pessoa é elevada pela graça. Assim a contempla S. Gregório de Nissa: « Quando comparado com os outros seres, o homem nada vale, é pó, erva, ilusão; mas, uma vez adoptado como filho pelo Deus do universo, é feito familiar deste Ser, cuja excelência e grandeza ninguém pode ver, ouvir nem compreender. Com que palavra, pensamento ou arroubo de espírito poderemos celebrar a superabundância desta graça? O homem supera a sua natureza: de mortal passa a imortal, de perecível a imperecível, de efémero a eterno, de homem torna-se deus ». 105

A gratidão e a alegria por esta dignidade incomensurável do homem incitam-nos a tornar os demais participantes desta mensagem: « O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco » (1 Jo 1, 3). É necessário fazer chegar o Evangelho da vida ao coração de todo o homem e mulher, e inseri-lo nas pregas mais íntimas do tecido da sociedade inteira.

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1 João 1, 3

Matos Soares: 3 isso que vimos e ouvimos, vo-lo anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco, e para que a nossa comunhão seja com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 o que vimos e ouvimos anunciamos a vocês, para que vocês também tenham comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.

81. Trata-se em primeiro lugar de anunciar o núcleo deste Evangelho: é o anúncio de um Deus vivo e solidário, que nos chama a uma profunda comunhão Consigo e nos abre à esperança segura da vida eterna; é a afirmação do laço indivisível que existe entre a pessoa, a sua vida e a própria corporeidade; é a apresentação da vida humana como vida de relação, dom de Deus, fruto e sinal do seu amor; é a proclamação da extraordinária relação de Jesus com todo o homem, que permite reconhecer o rosto de Cristo em cada rosto humano; é a indicação do « dom sincero de si » como tarefa e lugar de plena realização da própria liberdade.

Importa, depois, mostrar todas as consequências deste mesmo Evangelho, que se podem resumir assim: a vida humana, dom precioso de Deus, é sagrada e inviolável, e, por isso mesmo, o aborto provocado e a eutanásia são absolutamente inaceitáveis; a vida do homem não apenas não deve ser eliminada, mas há-de ser protegida com toda a atenção e carinho; a vida encontra o seu sentido no amor recebido e dado, em cujo horizonte haurem plena verdade a sexualidade e a procriação humana; nesse amor, até mesmo o sofrimento e a morte têm um sentido, podendo tornar-se acontecimentos de salvação, não obstante perdurar o mistério que os envolve; o respeito pela vida exige que a ciência e a técnica estejam sempre orientadas para o homem e para o seu desenvolvimento integral; a sociedade inteira deve respeitar, defender e promover a dignidade de toda a pessoa humana, em cada momento e condição da sua vida.

82. Para sermos verdadeiramente um povo ao serviço da vida, temos de propor, com constância e coragem, estes conteúdos, desde o primeiro anúncio do Evangelho, e, depois, na catequese e nas diversas formas de pregação, no diálogo pessoal e em toda a acção educativa. Aos educadores, professores, catequistas e teólogos, incumbe o dever de pôr em destaque as razões antropológicas que fundamentam e apoiam o respeito de cada vida humana. Desta forma, ao mesmo tempo que faremos resplandecer a original novidade do Evangelho da vida, poderemos ajudar os demais a descobrirem, inclusive à luz da razão e da experiência, como a mensagem cristã ilumina plenamente o homem e o significado do seu ser e existir; encontraremos valiosos pontos de encontro e diálogo também com os não crentes, empenhados todos juntos a fazer despertar uma nova cultura da vida.

Cercados pelas vozes mais contrastantes, enquanto muitos rejeitam a sã doutrina sobre a vida do homem, sentimos dirigida a nós a recomendação de Paulo a Timóteo: « Prega a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, repreende, censura e exorta com bondade e doutrina » ( 2 Tm 4, 2). Com particular vigor, há-de ressoar esta exortação no coração de quantos na Igreja, mais directamente e a diverso título, participam da sua missão de « mestra » da verdade. Ressoe, antes de mais, em nós, Bispos, que somos os primeiros a quem é pedido tornar-se incansável anunciador do Evangelho da vida; está-nos confiado também o dever de vigiar sobre a transmissão íntegra e fiel do ensinamento proposto nesta Encíclica, e de recorrer às medidas mais oportunas para que os fiéis sejam preservados de toda a doutrina contrária ao mesmo. Havemos de dedicar especial atenção às Faculdades Teológicas, aos Seminários e às diversas Instituições Católicas, para que aí seja comunicado, ilustrado e aprofundado o conhecimento da sã doutrina. 106 A exortação de Paulo seja também ouvida por todos os teólogos, pastores e quantos desempenham tarefas de ensino, catequese e formação das consciências: cientes do papel que lhes cabe, não assumam nunca a grave responsabilidade de atraiçoar a verdade e a própria missão, expondo ideias pessoais contrárias ao Evangelho da vida, que o Magistério fielmente propõe e interpreta.

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2 Timóteo 4, 2

Matos Soares: 2 prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo, repreende, corrige, admoesta com toda a paciência e doutrina,

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 pregue a palavra; insista, seja o momento oportuno ou não; repreenda, censure e exorte com toda a paciência e ensino.

Quando anunciarmos este Evangelho, não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo (cf. Rm 12, 2). Com a força recebida de Cristo, que venceu o mundo pela sua morte e ressurreição (cf. Jo 16, 33), devemos estar no mundo, mas não ser do mundo (cf. Jo 15, 19; 17, 16).

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Romanos 12, 2

Matos Soares: 2 Não vos conformeis com este mundo, mas reformai-vos com o renovamento do vosso espírito, para que reconheçais qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 Não se conformem com este mundo, mas sejam transformados pela renovação da sua mente, para que possam comprovar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

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João 16, 33

Matos Soares: 33 Disse-vos estas coisas, para que tenhais paz em mim. Haveis de ter aflições no mundo; mas tende confiança, eu venci o mundo.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 33 Eu lhes disse estas coisas para que em mim vocês tenham paz. No mundo vocês têm aflições; mas tenham bom ânimo! Eu venci o mundo.”

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João 15, 19

Matos Soares: 19 Se fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece.

Bíblia Portuguesa Mundial: 19 Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria os que lhe pertencem. Mas porque vocês não são do mundo, pois eu os escolhi do mundo, por isso o mundo os odeia.

João 17, 16

Matos Soares: 16 Eles não são do mundo, como também não sou do mundo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.

« Eu Vos louvo porque me fizestes como um prodígio » (Sal 139 [138], 14): celebrar o Evangelho da vida

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Salmos 139, 14

Matos Soares (Salmos 138, 14): 14 Louvo-te, porque tão admiravelmente fui formado, porque são maravilhosas as tuas obras. Perfeitamente conheces a minha alma;

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Eu te darei graças, pois fui feito de modo assombroso e maravilhoso. As tuas obras são maravilhosas. A minha alma sabe muito bem disso.

83. Enviados ao mundo como « povo pela vida », o nosso anúncio deve tornar-se também uma verdadeira e própria celebração do Evangelho da vida. É precisamente esta celebração, com toda a força evocativa dos seus gestos, símbolos e ritos, que se torna o lugar mais precioso e significativo para transmitir a beleza e a grandeza desse Evangelho.

Para isso, urge, antes de mais, cultivar, em nós e nos outros, um olhar contemplativo. 107 Este nasce da fé no Deus da vida, que criou cada homem fazendo dele um prodígio (cf. Sal 139 [138], 14). É o olhar de quem observa a vida em toda a sua profundidade, reconhecendo nela as dimensões de generosidade, beleza, apelo à liberdade e à responsabilidade. É o olhar de quem não pretende apoderar-se da realidade, mas a acolhe como um dom, descobrindo em todas as coisas o reflexo do Criador e em cada pessoa a sua imagem viva (cf. Gn 1, 27; Sal 8, 6). Este olhar não se deixa cair em desânimo à vista daquele que se encontra enfermo, atribulado, marginalizado, ou às portas da morte; mas deixa-se interpelar por todas estas situações procurando nelas um sentido, sendo, precisamente em tais circunstâncias, que se apresenta disponível para ler de novo no rosto de cada pessoa um apelo ao entendimento, ao diálogo, à solidariedade.

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Salmos 139, 14

Matos Soares (Salmos 138, 14): 14 Louvo-te, porque tão admiravelmente fui formado, porque são maravilhosas as tuas obras. Perfeitamente conheces a minha alma;

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Eu te darei graças, pois fui feito de modo assombroso e maravilhoso. As tuas obras são maravilhosas. A minha alma sabe muito bem disso.

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Gênesis 1, 27

Matos Soares: 27 E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, varão e fêmea os criou.

Bíblia Portuguesa Mundial: 27 Deus criou o homem à sua própria imagem. À imagem de Deus ele o criou; macho e fêmea ele os criou.

Salmos 8, 6

Matos Soares: 6 Tu o fizeste pouco inferior aos anjos, de glória e de honra o coroaste;

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 8, 5): 5 Pois o Senhor o fez um pouco menor que os anjos, e o coroou de glória e honra.

É tempo de todos assumirem este olhar, tornando-se novamente capazes de venerar e honrar cada homem, com ânimo repleto de religioso assombro, como nos convidava a fazer Paulo VI numa das suas mensagens natalícias. 108 Animado por este olhar contemplativo, o povo novo dos redimidos não pode deixar de prorromper em hinos de alegria, louvor e gratidão pelo dom inestimável da vida, pelo mistério do chamamento de todo o homem a participar, em Cristo, na vida da graça e numa existência de comunhão sem fim com Deus Criador e Pai.

84. Celebrar o Evangelho da vida significa celebrar o Deus da vida, o Deus que dá a vida: « Nós devemos celebrar a Vida eterna, da qual procede qualquer outra vida. Dela recebe a vida, na proporção das respectivas capacidades, todo o ser que, de algum modo, participa da vida. Essa Vida divina, que está acima de qualquer vida, vivifica e conserva a vida. Toda a vida e qualquer movimento vital procedem desta Vida que transcende cada vida e cada princípio de vida. A Ela devem as almas a sua incorruptibilidade, como também vivem, graças a Ela, todos os animais e todas as plantas que recebem da vida um eco mais débil. Aos homens, seres compostos de espírito e matéria, a Vida dá a vida. Se depois nos acontece abandoná-la, então a Vida, pelo transbordar do seu amor pelo homem, converte-nos e chama-nos a Si. E mais… Promete também conduzir-nos — alma e corpo — à vida perfeita, à imortalidade. É demasiado pouco dizer que esta Vida é viva: Ela é Princípio de vida, Causa e Fonte única de vida. Todo o vivente deve contemplá-la e louvá-la: é Vida que transborda de vida ». 109

Como o Salmista, também nós, na oração diária individual e comunitária, louvamos e bendizemos a Deus nosso Pai que nos plasmou no seio materno, viu-nos e amou-nos quando estávamos ainda em embrião (cf. Sal 139 [138], 13.15-16), e exclamamos, com alegria irreprimível: « Eu Vos louvo porque me fizestes como um prodígio; as vossas obras são admiráveis, conheceis a sério a minha alma » ( Sal 139 [138], 14). Sim, « esta vida mortal, não obstante as suas aflições, os seus mistérios obscuros, os seus sofrimentos, a sua fatal caducidade, é um facto belíssimo, um prodígio sempre original e enternecedor, um acontecimento digno de ser cantado com júbilo e glória ». 110 Mais, o homem e a sua vida não se revelam apenas como um dos prodígios mais altos da criação: Deus conferiu ao homem uma dignidade quase divina (cf. Sal 8, 6-7). Em cada criança que nasce e em cada homem que vive ou morre, reconhecemos a imagem da glória de Deus: nós celebramos esta glória em cada homem, sinal do Deus vivo, ícone de Jesus Cristo.

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Salmos 139, 13.15-16

Matos Soares (Salmos 138, 13.15-16): 13 Porque foste tu que formaste os meus rins, me entreteceste no seio de minha mãe. […] 15 a minha estrutura não te foi desconhecida, quando me ia formando em segredo, quando ia sendo entre tecido nas entranhas da terra. 16 Os teus olhos viram os meus actos, e no teu livro todos estão inscritos; são fixados os dias, antes que um só deles existisse.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Pois tu formaste o meu ser mais íntimo. Tu me teceste no ventre da minha mãe. […] 15 A minha estrutura não estava escondida de ti, quando eu era feito em segredo, tecido nas profundezas da terra. 16 Os teus olhos viram o meu corpo. No teu livro foram todos escritos, os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nenhum deles.

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Salmos 139, 14

Matos Soares (Salmos 138, 14): 14 Louvo-te, porque tão admiravelmente fui formado, porque são maravilhosas as tuas obras. Perfeitamente conheces a minha alma;

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 Eu te darei graças, pois fui feito de modo assombroso e maravilhoso. As tuas obras são maravilhosas. A minha alma sabe muito bem disso.

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Salmos 8, 6-7

Matos Soares: 6 Tu o fizeste pouco inferior aos anjos, de glória e de honra o coroaste; 7 deste-lhe o mando sobre as obras das tuas mãos, sujeitaste todas as coisas debaixo de seus pés:

Bíblia Portuguesa Mundial (Salmos 8, 5-6): 5 Pois o Senhor o fez um pouco menor que os anjos, e o coroou de glória e honra. 6 O Senhor o faz governar sobre as obras das suas mãos. O Senhor colocou todas as coisas debaixo dos seus pés:

Somos chamados a exprimir assombro e gratidão pela vida recebida em dom e a acolher, saborear e comunicar o Evangelho da vida, não só através da oração pessoal e comunitária, mas sobretudo com as celebrações do ano litúrgico. No mesmo contexto, há que recordar, de modo particular, os Sacramentos, sinais eficazes da presença e acção salvadora do Senhor Jesus na existência cristã: tornam os homens participantes da vida divina, assegurando-lhes a energia espiritual necessária para realizarem plenamente o verdadeiro significado do viver, do sofrer e do morrer. Graças a uma genuína descoberta do sentido dos ritos e à sua adequada valorização, as celebrações litúrgicas, sobretudo as sacramentais, serão capazes de exprimir cada vez melhor a verdade plena acerca do nascimento, da vida, do sofrimento e da morte, ajudando a viver estas realidades como participação no mistério pascal de Cristo morto e ressuscitado.

85. Na celebração do Evangelho da vida, é preciso saber apreciar e valorizar também os gestos e os símbolos, de que são ricas as diversas tradições e costumes culturais dos povos. Trata-se de momentos e formas de encontro, pelos quais, nos diversos países e culturas, se manifesta a alegria pela vida que nasce, o respeito e defesa de cada existência humana, o cuidado por quem sofre ou passa necessidade, a solidariedade com o idoso ou o moribundo, a partilha da tristeza de quem está de luto, a esperança e o desejo da imortalidade.

Nesta perspectiva e acolhendo a sugestão feita pelos Cardeais no Consistório de 1991, proponho que se celebre anualmente um Dia em defesa da Vida, nas diversas Nações, à semelhança do que já se verifica por iniciativa de algumas Conferências Episcopais. É necessário que essa ocorrência seja preparada e celebrada com a activa participação de todas as componentes da Igreja local. O seu objectivo principal é suscitar nas consciências, nas famílias, na Igreja e na sociedade, o reconhecimento do sentido e valor da vida humana em todos os seus momentos e condições, concentrando a atenção de modo especial na gravidade do aborto e da eutanásia, sem contudo transcurar os outros momentos e aspectos da vida que merecem ser, de vez em quando, tomados em atenta consideração, conforme a evolução da situação histórica sugerir.

86. Em coerência com o culto espiritual agradável a Deus (cf. Rm 12, 1), a celebração do Evangelho da vida requer a sua concretização sobretudo na existência quotidiana, vivida no amor pelos outros e na doação de si próprio. Assim, toda a nossa existência tornar-se-á acolhimento autêntico e responsável do dom da vida e louvor sincero e agradecido a Deus que nos fez esse dom. É o que sucede já com tantos e tantos gestos de doação, frequentemente humilde e escondida, cumpridos por homens e mulheres, crianças e adultos, jovens e idosos, sãos e doentes.

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Romanos 12, 1

Matos Soares: 1 Rogo-vos, pois, Irmãos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais os vossos corpos como uma hóstia viva, santa, agradável a Deus: tal é o culto que a razão exige de vós.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Portanto, rogo-lhes, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresentem os seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o seu culto espiritual.

É neste contexto, rico de humanidade e amor, que nascem também os gestos heróicos. Estes são a celebração mais solene do Evangelho da vida, porque o proclamam com o dom total de si; são a manifestação refulgente do mais elevado grau de amor, que é dar a vida pela pessoa amada (cf. Jo 15, 13); são a participação no mistério da Cruz, na qual Jesus revela quão grande valor tem para Ele a vida de cada homem e como esta se realiza em plenitude no dom sincero de si. Além dos factos clamorosos, existe o heroísmo do quotidiano, feito de pequenos ou grandes gestos de partilha que alimentam uma autêntica cultura da vida. Entre estes gestos, merece particular apreço a doação de órgãos feita, segundo formas eticamente aceitáveis, para oferecer uma possibilidade de saúde e até de vida a doentes, por vezes já sem esperança.

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João 15, 13

Matos Soares: 13 Não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos.

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Ninguém tem maior amor do que este: dar a própria vida pelos seus amigos.

A tal heroísmo do quotidiano, pertence o testemunho silencioso, mas tão fecundo e eloquente, de « todas as mães corajosas, que se dedicam sem reservas à própria família, que sofrem ao dar à luz os próprios filhos, e depois estão prontas a abraçar qualquer fadiga e a enfrentar todos os sacrifícios, para lhes transmitir quanto de melhor elas conservam em si ». 111 No cumprimento da sua missão, « nem sempre estas mães heróicas encontram apoio no seu ambiente. Antes, os modelos de civilização, com frequência promovidos e propagados pelos meios de comunicação, não favorecem a maternidade. Em nome do progresso e da modernidade, são apresentados como já superados os valores da fidelidade, da castidade e do sacrifício, nos quais se distinguiram e continuam a distinguir-se multidões de esposas e de mães cristãs. (…) Nós vos agradecemos, mães heróicas, o vosso amor invencível! Nós vos agradecemos a intrépida confiança em Deus e no seu amor. Nós vos agradecemos o sacrifício da vossa vida. (…) Cristo, no Mistério Pascal, restituiu-vos o dom que Lhe fizestes. Ele, de facto, tem o poder de vos restituir a vida, que Lhe levastes em oferenda ». 112

« De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé se não tiver obras? » (Tg 2, 14): servir o Evangelho da vida

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Tiago 2, 14

Matos Soares: 14 Que aproveitará, irmãos meus, se alguém diz que tem fé e não tem obras? Porventura poderá salvá-lo tal fé?

Bíblia Portuguesa Mundial: 14 De que adianta, meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode essa fé salvá-lo?

87. Em virtude da participação na missão real de Cristo, o apoio e a promoção da vida humana devem actuar-se através do serviço da caridade, que se exprime no testemunho pessoal, nas diversas formas de voluntariado, na animação social e no compromisso político. Trata-se de uma exigência sobremaneira premente na hora actual, em que a « cultura da morte » se contrapõe à « cultura da vida », de forma tão forte que muitas vezes parece levar a melhor. Antes ainda, porém, trata-se de uma exigência que nasce da « fé que actua pela caridade » (Gal 5, 6), como nos adverte a Carta de S. Tiago: « De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé se não tiver obras? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhe disser: “Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos”, sem lhes dar o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, é morta em si mesma » (2, 14-17).

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Gálatas 5, 6

Matos Soares: 6 Porque, em Jesus Cristo, nem a circuncisão vale coisa alguma nem a incircuncisão, mas sim a fé que obra (animada) pela caridade.

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 Pois em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor algum, mas sim a fé que atua pelo amor.

No serviço da caridade, há uma atitude que nos há-de animar e caracterizar: devemos cuidar do outro enquanto pessoa confiada por Deus à nossa responsabilidade. Como discípulos de Jesus, somos chamados a fazermo-nos próximo de cada homem (cf. Lc 10, 29-37), reservando uma preferência especial a quem vive mais pobre, sozinho e necessitado. É precisamente através da ajuda prestada ao faminto, ao sedento, ao estrangeiro, ao nu, ao doente, ao encarcerado — como também à criança ainda não nascida, ao idoso que está doente ou perto da morte —, que temos a possibilidade de servir Jesus, como Ele mesmo declarou: « Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes » ( Mt 25, 40). Por isso, não podemos deixar de nos sentir interpelados e julgados por esta página sempre actual de S. João Crisóstomo: « Queres honrar o corpo de Cristo? Não O transcures quando se encontrar nu! Não vale prestares honras aqui no templo com tecidos de seda, e depois transcurá-Lo lá fora, onde sofre frio e nudez ». 113

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Lucas 10, 29-37

Matos Soares: 29 Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus, retomando a palavra, disse; “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que o despojaram, e, tendo-lhe feito feridas, retiraram-se, deixando-o meio morto. 31 Ora aconteceu que descia pelo mesmo caminho um sacerdote, o qual, quando o viu, passou de largo. 32 Igualmente um levita, chegando perto daquele lugar, e vendo-o, passou adiante. 33 Um samaritano, porém, que ia de viagem, chegou perto dele, e, quando o viu, moveu-se de compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, lançando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu jumento, levou-o a uma estalagem, e teve cuidado dele. 35 No dia seguinte tirou dois dinheiros, deu-os ao estalajadeiro, e disse-lhe: Tem cuidado dele; quanto gastares a mais, eu to satisferei quando voltar. 36 Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?” 37 Ele respondeu: “O que usou com ele de misericórdia.” Então Jesus disse-lhe: “Vai, e faz tu o mesmo.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 29 Mas ele, desejando justificar a si mesmo, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus respondeu: “Um certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e o espancaram, e se retiraram, deixando-o quase morto. 31 Por acaso, um certo sacerdote descia por aquele caminho. Quando o viu, passou pelo outro lado. 32 Do mesmo modo, também um levita, quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. 33 Mas um certo samaritano, estando de viagem, chegou onde ele estava. Quando o viu, moveu-se de compaixão, 34 aproximou-se dele e atou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Ele o colocou sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. 35 No dia seguinte, ao partir, ele tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e lhe disse: ‘Cuide dele. O que gastar além disso, eu lhe pagarei quando voltar.’ 36 Qual destes três, pois, lhe parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” 37 Ele disse: “Aquele que teve misericórdia dele.” Então Jesus lhe disse: “Vai, e faze tu o mesmo.”

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Mateus 25, 40

Matos Soares: 40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Na verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.

Bíblia Portuguesa Mundial: 40 “O Rei lhes responderá: ‘Em verdade lhes digo que, visto que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, vocês o fizeram a mim.’

O serviço da caridade a favor da vida deve ser profundamente unitário: não pode tolerar unilateralismos e discriminações, já que a vida humana é sagrada e inviolável em todas as suas fases e situações; é um bem indivisível. Trata-se de «cuidar » da vida toda e da vida de todos. Ou melhor ainda e mais profundamente, trata-se de ir até às próprias raízes da vida e do amor.

Partindo exactamente deste amor profundo por todo o homem e mulher, foi-se desenvolvendo, ao longo dos séculos, uma extraordinária história de caridade, que introduziu, na vida eclesial e civil, numerosas estruturas de serviço à vida, que suscitam a admiração até do observador menos prevenido. É uma história que cada comunidade cristã deve, com renovado sentido de responsabilidade, continuar a escrever graças a uma múltipla acção pastoral e social. Neste sentido, é preciso criar formas discretas mas eficazes de acompanhamento da vida nascente, prestando uma especial solidariedade àquelas mães que, mesmo privadas do apoio do pai, não temem trazer ao mundo o seu filho e educá-lo. Cuidado análogo deve ser reservado à vida provada pela marginalização ou pelo sofrimento, de forma particular nas suas etapas finais.

88. Tudo isto comporta uma obra educativa paciente e corajosa, que estimule todos e cada um a carregar os fardos dos outros (cf. Gal 6, 2); requer uma contínua promoção das vocações ao serviço, particularmente entre os jovens; implica a realização de projectos e iniciativas concretas, sólidas e inspiradas evangelicamente.

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Gálatas 6, 2

Matos Soares: 2 Levai os fardos uns dos outros: desta maneira, cumprireis a lei de Cristo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 Carreguem os fardos uns dos outros, e assim cumpram a lei de Cristo.

Múltiplos são os instrumentos a valorizar por um empenho competente e sério. Relativamente às fontes da vida, sejam promovidos os centros com os métodos naturais de regulação da fertilidade, como válida ajuda à paternidade e maternidade responsável, na qual cada pessoa, a começar do filho, é reconhecida e respeitada por si mesma, e cada decisão é animada e guiada pelo critério do dom sincero de si. Também os consultórios matrimoniais e familiares, através da sua acção específica de consulta e prevenção, desenvolvida à luz de uma antropologia coerente com a visão cristã da pessoa, do casal e da sexualidade, constituem um precioso serviço para descobrir o sentido do amor e da vida, e para apoiar e assistir cada família na sua missão de « santuário da vida ». Ao serviço da vida nascente, estão ainda os centros de ajuda à vida e os lares de acolhimento da vida. Graças à sua acção, tantas mães-solteiras e casais em dificuldade readquirem razões e convicções, e encontram assistência e apoio para superar contrariedades e medos no acolhimento de uma vida nascitura ou que acaba de vir à luz.

Diante da vida condicionada por dificuldades, extravio, doença ou marginalização, outros instrumentos — como as comunidades para a recuperação dos toxicodependentes, os lares para abrigo de menores ou dos doentes mentais, os centros para acolhimento e tratamento dos doentes da SIDA, as Cooperativas de solidariedade sobretudo para inválidos — são expressões eloquentes daquilo que a caridade sabe inventar para dar novas razões de esperança e possibilidades concretas de vida a cada um.

Quando, depois, a existência terrena se encaminha para o seu termo, é ainda a caridade que encontra as modalidades mais oportunas para os idosos, sobretudo se não-autosuficientes, e os chamados doentes terminais poderem gozar de uma assistência verdadeiramente humana e receber respostas adequadas às suas exigências, especialmente à sua angústia e solidão. Nestes casos, é insubstituível o papel das famílias; mas estas podem encontrar grande ajuda nas estruturas sociais de assistência e, quando necessário, no recurso aos cuidados paliativos, valendo-se para o efeito dos idóneos serviços clínicos e sociais, sejam os existentes nos edifícios públicos de internamento e tratamento, sejam os disponíveis para apoio no domicílio.

Em particular, ocorre reconsiderar o papel dos hospitais, das clínicas e das casas de saúde: a sua verdadeira identidade não é a de serem apenas estruturas onde se cuida dos enfermos e doentes terminais, mas e primariamente ambientes nos quais o sofrimento, a dor e a morte sejam reconhecidos e interpretados no seu significado humano e especificamente cristão. De modo especial, tal identidade deve manifestar-se clara e eficientemente nas instituições dependentes de religiosos ou, de alguma maneira, ligadas à Igreja.

89. Estas estruturas e lugares de serviço à vida, e todas as demais iniciativas de apoio e solidariedade, que as diversas situações poderão sugerir em cada ocasião, precisam de ser animados por pessoas generosamente disponíveis e profundamente conscientes de quão decisivo seja o Evangelho da vida para o bem do indivíduo humano e da sociedade.

Peculiar é a responsabilidade confiada aos profissionais da saúde — médicos, farmacêuticos, enfermeiros, capelães, religiosos e religiosas, administradores e voluntários: a sua profissão pede-lhes que sejam guardiães e servidores da vida humana. No actual contexto cultural e social, em que a ciência e a arte médica correm o risco de extraviar-se da sua dimensão ética originária, podem ser às vezes fortemente tentados a transformarem-se em fautores de manipulação da vida, ou mesmo até em agentes de morte. Perante tal tentação, a sua responsabilidade é hoje muito maior e encontra a sua inspiração mais profunda e o apoio mais forte precisamente na intrínseca e imprescindível dimensão ética da profissão clínica, como já reconhecia o antigo e sempre actual juramento de Hipócrates, segundo o qual é pedido a cada médico que se comprometa no respeito absoluto da vida humana e da sua sacralidade.

O respeito absoluto de cada vida humana inocente exige inclusivamente o exercício da objecção de consciência frente ao aborto provocado e à eutanásia. O « fazer morrer » nunca pode ser considerado um cuidado médico, nem mesmo quando a intenção fosse apenas a de secundar um pedido do paciente: pelo contrário, é a própria negação da profissão médica, que se define como um apaixonado e vigoroso « sim » à vida. Também a pesquisa biomédica, campo fascinante e promissor de novos e grandes benefícios para a humanidade, deve sempre rejeitar experiências, investigações ou aplicações que, menosprezando a dignidade inviolável do ser humano, deixam de estar ao serviço dos homens para se transformarem em realidades que, parecendo socorrê-los, efectivamente os oprimem.

90. Um papel específico são chamadas a desempenhar as pessoas empenhadas no voluntariado: oferecem um contributo precioso ao serviço da vida, quando sabem conjugar capacidade profissional com um amor generoso e gratuito. O Evangelho da vida impele-as a elevarem os sentimentos de simples filantropia até à altura da caridade de Cristo; a reavivarem diariamente, por entre fadigas e cansaços, a consciência da dignidade de cada homem; a irem à procura das carências das pessoas, iniciando — se necessário — novos caminhos em lugares onde a necessidade é mais urgente, e a atenção e o apoio menos consistentes.

O realismo pertinaz da caridade exige que o Evangelho da vida seja servido ainda por meio de formas de animação social e de empenho político, que defendam e proponham o valor da vida nas nossas sociedades cada vez mais complexas e pluralistas. Indivíduos, famílias, grupos, entidades associativas têm a sua responsabilidade, mesmo se a título e com método diverso, na animação social e na elaboração de projectos culturais, económicos, políticos e legislativos que, no respeito de todos e segundo a lógica da convivência democrática, contribuam para edificar uma sociedade, onde a dignidade de cada pessoa seja reconhecida e tutelada, e a vida de todos fique tutelada e promovida.

Semelhante tarefa incumbe, de modo particular, sobre os responsáveis da vida pública. Chamados a servir o homem e o bem comum, têm o dever de realizar opções corajosas a favor da vida, primeiro que tudo, no âmbito das disposições legislativas. Num regime democrático, onde as leis e as decisões se estabelecem sobre a base do consenso de muitos, pode atenuar-se na consciência dos indivíduos investidos de autoridade o sentido da responsabilidade pessoal. Mas ninguém pode jamais abdicar desta responsabilidade, sobretudo quando tem um mandato legislativo ou poder decisório que o chama a responder perante Deus, a própria consciência e a sociedade inteira de opções eventualmente contrárias ao verdadeiro bem comum. Se as leis não são o único instrumento para defender a vida humana, desempenham, contudo, um papel muito importante, por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e dos costumes. Afirmo, uma vez mais, que uma norma que viola o direito natural de um inocente à vida, é injusta e, como tal, não pode ter valor de lei. Por isso, renovo o meu veemente apelo a todos os políticos para não promulgarem leis que, ao menosprezarem a dignidade da pessoa, minam pela raiz a própria convivência social.

A Igreja sabe que é difícil actuar uma defesa legal eficaz da vida no contexto das democracias pluralistas, por causa da presença de fortes correntes culturais de matriz diversa. Todavia, movida pela certeza de que a verdade moral não pode deixar de ter eco no íntimo de cada consciência, ela encoraja os políticos — a começar pelos que são cristãos — a não se renderem, mas tomarem aquelas decisões que, tendo em conta as possibilidades concretas, levem a restabelecer uma ordem justa na afirmação e promoção do valor da vida. Nesta perspectiva, convém sublinhar que não basta eliminar as leis iníquas. Mas terão de ser removidas as causas que favorecem os atentados contra a vida, sobretudo garantindo o devido apoio à família e à maternidade: a política familiar deve constituir o ponto fulcral e o motor de todas as políticas sociais. Para isso, é necessário activar iniciativas sociais e legislativas, capazes de garantir condições de autêntica liberdade de escolha em ordem à paternidade e à maternidade; impõe-se, além disso, reordenar as políticas do emprego, de urbanização, da habitação, dos serviços sociais, para se conseguir conciliar entre si os tempos do trabalho e da família, tornando possível um efectivo cuidado das crianças e dos idosos.

91. Um capítulo importante da política em favor da vida é constituído hoje pela problemática demográfica. As autoridades públicas têm certamente a responsabilidade de intervir com válidas iniciativas « para orientar a demografia da população »; 114 mas tais iniciativas devem pressupor e respeitar sempre a responsabilidade primária e inalienável dos esposos e das famílias, e não podem recorrer a métodos desrespeitadores da pessoa e dos seus direitos fundamentais, a começar pelo direito à vida de todo o ser humano inocente. Por isso, é moralmente inaceitável que, para regular a natalidade, se encoraje ou até imponha o uso de meios como a contracepção, a esterilização e o aborto.

Bem diferentes são os caminhos para resolver o problema demográfico: os Governos e as várias instituições internacionais devem, antes de tudo, visar a criação de condições económicas, sociais, médico-sanitárias e culturais que permitam aos esposos realizarem as suas opções procriadoras, com plena liberdade e verdadeira responsabilidade; devem esforçar-se, depois, por « aumentar os meios e distribuir com maior justiça a riqueza, para que todos possam participar equitativamente dos bens da criação. São necessárias soluções a nível mundial, que instaurem uma verdadeira economia de comunhão e participação de bens, tanto na ordem internacional como nacional ». 115 Esta é a única estrada que respeita a dignidade das pessoas e das famílias, como também o autêntico património cultural dos povos.

Vasto e complexo é, portanto, o serviço ao Evangelho da vida. Ele manifesta-se cada vez mais como âmbito precioso e favorável para uma efectiva colaboração com os irmãos das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, na linha daquele ecumenismo das obras que o Concílio Vaticano II, com autoridade, encorajou. 116 Além disso, o referido serviço apresenta-se como espaço providencial para o diálogo e colaboração com os sequazes de outras religiões e com todos os homens de boa vontade: a defesa e a promoção da vida não são monopólio de ninguém, mas tarefa e responsabilidade de todos. O desafio que temos pela frente, na vigília do terceiro milénio, é árduo: somente a cooperação concorde de todos aqueles que acreditam no valor da vida, poderá evitar uma derrota da civilização com consequências imprevisíveis.

« Os filhos são bênçãos do Senhor; os frutos do ventre, um mimo do Senhor » (Sal 127 [126], 3): a família « santuário da vida »

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Salmos 127, 3

Matos Soares (Salmos 126, 3): 3 Eis que os filhos, são um dom do Senhor, o fruto das entranhas é uma recompensa. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 Eis que os filhos são herança do SENHOR. O fruto do ventre é a sua recompensa.

92. No seio do « povo da vida e pela vida », resulta decisiva a responsabilidade da família: é uma responsabilidade que brota da própria natureza dela — uma comunidade de vida e de amor, fundada sobre o matrimónio — e da sua missão que é « guardar, revelar e comunicar o amor ». 117 Em causa está o próprio amor de Deus, do qual os pais são constituídos colaboradores e como que intérpretes na transmissão da vida e na educação da mesma segundo o seu projecto de Pai. 118 É, por conseguinte, o amor que se faz generosidade, acolhimento, doação: na família, cada um é reconhecido, respeitado e honrado porque pessoa, e se alguém está mais necessitado, maior e mais diligente é o cuidado por ele.

A família tem a ver com os seus membros durante toda a existência de cada um, desde o nascimento até à morte. Ela é verdadeiramente « o santuário da vida (…), o lugar onde a vida, dom de Deus, pode ser convenientemente acolhida e protegida contra os múltiplos ataques a que está exposta, e pode desenvolver-se segundo as exigências de um crescimento humano autêntico ». 119 Por isso, o papel da família é determinante e insubstituível na construção da cultura da vida.

Como igreja doméstica, a família é chamada a anunciar, celebrar e servir o Evangelho da vida. Esta tríplice função compete primariamente aos cônjuges, chamados a serem transmissores da vida, apoiados numa consciência sempre renovada do sentido da geração, enquanto acontecimento onde, de modo privilegiado, se manifesta que a vida humana é um dom recebido a fim de, por sua vez, ser dado. Na geração de uma nova vida, eles tomam consciência de que o filho « se é fruto da recíproca doação de amor dos pais, é, por sua vez, um dom para ambos: um dom que promana do dom ».

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Discurso aos participantes no VII Simpósio dos Bispos europeus (17 de Outubro de 1989), 5: Insegnamenti XII, 2 (1989), 945. A tradição bíblica apresenta os filhos como um dom de Deus (cf. Sal 127/126, 3); e como um sinal de sua bênção aos homens que andam pelos seus caminhos (cf. Sal 128/127, 3-4).

Salmos 127, 3

Matos Soares (Salmos 126, 3): 3 Eis que os filhos, são um dom do Senhor, o fruto das entranhas é uma recompensa. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 Eis que os filhos são herança do SENHOR. O fruto do ventre é a sua recompensa.

Salmos 128, 3-4

Matos Soares (Salmos 127, 3-4): 3 Tua esposa será como uma vide fecunda, no interior da tua casa; teus filhos, como rebentos de oliveiras, ao redor da tua mesa. 4 Eis como será abençoado o homem que teme o Senhor.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 Sua esposa será como uma videira frutífera no interior da sua casa, seus filhos como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. 4 Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR.

A família cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho da vida, principalmente através da educação dos filhos. Pela palavra e pelo exemplo, no relacionamento mútuo e nas opções quotidianas, e mediante gestos e sinais concretos, os pais iniciam os seus filhos na liberdade autêntica, que se realiza no dom sincero de si, e cultivam neles o respeito do outro, o sentido da justiça, o acolhimento cordial, o diálogo, o serviço generoso, a solidariedade e os demais valores que ajudam a viver a existência como um dom. A obra educadora dos pais cristãos deve constituir um serviço à fé dos filhos e prestar uma ajuda para eles cumprirem a vocação recebida de Deus. Entra na missão educadora dos pais ensinar e testemunhar aos filhos o verdadeiro sentido do sofrimento e da morte: podê-lo-ão fazer se souberem estar atentos a todo o sofrimento existente ao seu redor e, antes ainda, se souberem desenvolver atitudes de solidariedade, assistência e partilha com doentes e idosos no âmbito familiar.

93. Além disso, a família celebra o Evangelho da vida com a oração diária, individual e familiar: nela, agradece e louva o Senhor pelo dom da vida e invoca luz e força para enfrentar os momentos de dificuldade e sofrimento, sem nunca perder a esperança. Mas a celebração que dá significado a qualquer outra forma de oração e de culto é a que se exprime na existência quotidiana da família, quando esta é uma existência feita de amor e doação.

A celebração transforma-se assim num serviço ao Evangelho da vida, que se exprime através da solidariedade, vivida no seio e ao redor da família como atenção carinhosa, vigilante e cordial nas acções pequenas e humildes de cada dia. Uma expressão particularmente significativa de solidariedade entre as famílias é a disponibilidade para a adopção ou para o acolhimento das crianças abandonadas pelos seus pais ou, de qualquer modo, em situação de grave dificuldade. O verdadeiro amor paterno e materno sabe ir além dos laços da carne e do sangue para acolher também crianças de outras famílias, oferecendo-lhes quanto seja necessário para a sua vida e o seu pleno desenvolvimento. Entre as formas de adopção, merece ser assinalada a adopção à distância, que se há-de preferir sempre que o abandono tenha por único motivo as condições de grave pobreza da família. Na realidade, com esta espécie de adopção é oferecida aos pais a ajuda necessária para manter e educar os próprios filhos, sem ter de os desarraigar do seu ambiente natural.

Concebida como « determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum », 121 a solidariedade requer ser também concretizada mediante formas de participação social e política. Consequentemente, servir o Evangelho da vida implica que as famílias, nomeadamente tomando parte em apropriadas associações, se empenhem por que as leis e as instituições do Estado não lesem de modo algum o direito à vida, desde a sua concepção até à morte natural, mas o defendam e promovam.

94. Um lugar especial há-de ser reconhecido aos idosos. Enquanto, nalgumas culturas, a pessoa de mais idade permanece inserida na família com um papel activo importante, noutras, ao contrário, quem chegou à velhice é sentido como um peso inútil e fica abandonado a si mesmo: em tal contexto, pode mais facilmente surgir a tentação de recorrer à eutanásia.

A marginalização ou mesmo a rejeição dos idosos é intolerável. A sua presença na família ou, pelo menos, a estreita solidariedade desta com eles quando, pelo reduzido espaço da habitação ou outros motivos, essa presença não fosse possível, é de importância fundamental para criar um clima de intercâmbio recíproco e de comunicação enriquecedora entre as várias idades da vida. Por isso, é importante que se conserve, ou se restabeleça onde tal se perdeu, uma espécie de « pacto » entre as gerações, de modo que os pais idosos, chegados ao termo da sua caminhada, possam encontrar nos filhos aquele acolhimento e solidariedade que lhes tinham oferecido quando estes estavam a desabrochar para a vida: exige-o a obediência ao mandamento divino que ordena honrar o pai e a mãe (cf. Ex 20, 12; Lv 19, 3). Mas há mais… O idoso não há-de ser considerado apenas objecto de atenção, solidariedade e serviço. Também ele tem um valioso contributo a prestar ao Evangelho da vida. Graças ao rico património de experiência adquirido ao longo dos anos, o idoso pode e deve ser transmissor de sabedoria, testemunha de esperança e de caridade.

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Êxodo 20, 12

Matos Soares: 12 Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas uma vida dilatada sobre a terra que o Senhor teu Deus te dá.

Bíblia Portuguesa Mundial: 12 “Honre o seu pai e a sua mãe, para que os seus dias se prolonguem na terra que o SENHOR, o seu Deus, lhe dá.

Levítico 19, 3

Matos Soares: 3 Cada um respeite seu pai e sua mãe. Guardai os meus sábados. Eu sou o Senhor vosso Deus.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 “’Cada um de vocês respeitará a sua mãe e o seu pai. Vocês guardarão os meus sábados. Eu sou o SENHOR, o seu Deus.

Se é verdade que « o futuro da humanidade passa pela família », 122 tem-se de reconhecer que as actuais condições sociais, económicas e culturais frequentemente tornam mais árdua e penosa a tarefa da família ao serviço da vida. Para poder realizar a sua vocação de « santuário da vida », enquanto célula de uma sociedade que ama e acolhe a vida, é necessário e urgente que a família como tal seja ajudada e apoiada. As sociedades e os Estados devem assegurar todo o apoio necessário, mesmo económico, para que as famílias possam responder de forma mais humana aos próprios problemas. Por seu lado, a Igreja deve promover incansavelmente uma pastoral familiar capaz de ajudar cada família a redescobrir, com alegria e coragem, a sua missão no que diz respeito ao Evangelho da vida.

« Comportai-vos como filhos da luz » (Ef 5, 8): para realizar uma viragem cultural

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Efésios 5, 8

Matos Soares: 8 Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz,

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 Pois outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Andem como filhos da luz,

95. « Comportai-vos como filhos da luz. (…) Procurai o que é agradável ao Senhor, e não participeis das obras infrutuosas das trevas » (Ef 5, 8.10-11). No contexto social de hoje, marcado por uma luta dramática entre a « cultura da vida » e a « cultura da morte », importa maturar um forte sentido crítico, capaz de discernir os verdadeiros valores e as autênticas exigências.

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Efésios 5, 8.10-11

Matos Soares: 8 Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz, […] 10 Examinando o que é agradável a Deus, 11 não tomeis parte nas obras infrutuosas (dos filhos) das trevas, mas antes condenai-as.

Bíblia Portuguesa Mundial: 8 Pois outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Andem como filhos da luz, […] 10 discernindo o que é agradável ao Senhor. 11 Não tenham comunhão com as obras infrutíferas das trevas; ao contrário, repreendam-nas.

Urge uma mobilização geral das consciências e um esforço ético comum, para se actuar uma grande estratégia a favor da vida. Todos juntos devemos construir uma nova cultura da vida: nova, porque em condições de enfrentar e resolver os problemas inéditos de hoje acerca da vida do homem; nova, porque assumida com convicção mais firme e laboriosa por todos os cristãos; nova, porque capaz de suscitar um sério e corajoso confronto cultural com todos. A urgência desta viragem cultural está ligada à situação histórica que estamos a atravessar, mas radica-se sobretudo na própria missão evangelizadora confiada à Igreja. De facto, o Evangelho visa « transformar a partir de dentro e fazer nova a própria humanidade »; 123 é como o fermento que leveda toda a massa (cf. Mt 13, 33) e, como tal, é destinado a permear todas as culturas e a animá-las a partir de dentro, 124para que exprimam a verdade integral sobre o homem e sua vida.

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Mateus 13, 33

Matos Soares: 33 Disse-lhes outra parábola; “O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que o todo fica fermentado.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 33 Ele lhes contou outra parábola: “O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher pegou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo ficasse levedado.”

Tem-se de começar por renovar a cultura da vida no seio das próprias comunidades cristãs. Muitas vezes os crentes, mesmo até os que participam activamente na vida eclesial, caiem numa espécie de dissociação entre a fé cristã e as suas exigências éticas a propósito da vida, chegando assim ao subjectivismo moral e a certos comportamentos inaceitáveis. Devemos, pois, interrogar-nos, com grande lucidez e coragem, acerca da cultura da vida que reina hoje entre os indivíduos cristãos, as famílias, os grupos e as comunidades das nossas Dioceses. Com igual clareza e decisão, teremos de individuar os passos que somos chamados a dar para servir a vida na plenitude da sua verdade. Ao mesmo tempo, devemos promover um confronto sério e profundo com todos, inclusive com os não crentes, sobre os problemas fundamentais da vida humana, tanto nos lugares da elaboração do pensamento, como nos diversos âmbitos profissionais e nas situações onde se desenrola diariamente a existência de cada um.

96. O primeiro e fundamental passo para realizar esta viragem cultural consiste na formação da consciência moral acerca do valor incomensurável e inviolável de cada vida humana. Suma importância tem aqui a descoberta do nexo indivisível entre vida e liberdade. São bens inseparáveis: quando um é violado, o outro acaba por o ser também. Não há liberdade verdadeira, onde a vida não é acolhida nem amada; nem há vida plena senão na liberdade. Ambas as realidades têm, ainda, um peculiar e natural ponto de referência que as une indissoluvelmente: a vocação ao amor. Este, enquanto sincero dom de si, 125 é o sentido mais verdadeiro da vida e da liberdade da pessoa.

Na formação da consciência, igualmente decisiva é a descoberta do laço constitutivo que une a liberdade à verdade. Como disse já várias vezes, o desarraigar a liberdade da verdade objectiva torna impossível fundar os direitos da pessoa sobre uma base racional sólida, e cria as premissas para se afirmar, na sociedade, o arbítrio desenfreado dos indivíduos ou o totalitarismo repressivo do poder público. 126

Então é essencial que o homem reconheça a evidência primordial da sua condição de criatura que recebe de Deus o ser e a vida como dom e tarefa: só admitindo esta inata dependência no seu ser, pode o homem realizar em plenitude a vida e a liberdade própria e, simultaneamente, respeitar em toda a sua profundidade a vida e a liberdade alheia. É sobretudo aqui que se manifesta como, « no centro de cada cultura, está o comportamento que o homem assume diante do mistério maior: o mistério de Deus ». 127 Quando se nega Deus e se vive como se Ele não existisse ou de qualquer modo não se tem em conta os seus mandamentos, então facilmente se acaba por negar ou comprometer também a dignidade da pessoa humana e a inviolabilidade da sua vida.

97. À formação da consciência está estritamente ligada a obra educativa, que ajuda o homem a ser cada vez mais homem, introdu-lo sempre mais profundamente na verdade, orienta-o para um crescente respeito da vida, forma-o nas justas relações entre as pessoas.

De modo particular, é necessário educar para o valor da vida, a começar das suas próprias raízes. É uma ilusão pensar que se pode construir uma verdadeira cultura da vida humana, se não se ajudam os jovens a compreender e a viver a sexualidade, o amor e a existência inteira no seu significado verdadeiro e na sua íntima correlação. A sexualidade, riqueza da pessoa toda, « manifesta o seu significado íntimo ao levar a pessoa ao dom de si no amor ». 128 A banalização da sexualidade conta-se entre os principais factores que estão na origem do desprezo pela vida nascente: só um amor verdadeiro sabe defender a vida. Não é possível, pois, eximir-nos de oferecer, sobretudo aos adolescentes e aos jovens, uma autêntica educação da sexualidade e do amor, educação essa que requer a formação para a castidade, como virtude que favorece a maturidade da pessoa e a torna capaz de respeitar o significado « esponsal » do corpo.

A obra de educação para a vida comporta a formação dos cônjuges sobre a procriação responsável. No seu verdadeiro significado, esta exige que os esposos sejam dóceis ao chamamento do Senhor e vivam como fiéis intérpretes do seu desígnio: este cumpre-se com a generosa abertura da família a novas vidas, permanecendo em atitude de acolhimento e de serviço à vida, mesmo quando os cônjuges, por sérios motivos e no respeito da lei moral, decidem evitar, com ou sem limites de tempo, um novo nascimento. A lei moral obriga-os, em qualquer caso, a dominar as tendências do instinto e das paixões e a respeitar as leis biológicas inscritas na pessoa de ambos. É precisamente este respeito que torna legítimo, ao serviço da procriação responsável, o recurso aos métodos naturais de regulação da fertilidade: estes têm-se aperfeiçoado progressivamente sob o ponto de vista científico e oferecem possibilidades concretas para decisões de harmonia com os valores morais. Uma honesta ponderação dos resultados conseguidos deveria fazer ruir preconceitos ainda demasiado difusos e convencer os cônjuges, bem como os profissionais da saúde e da assistência social, sobre a importância de uma adequada formação a tal respeito. A Igreja está agradecida àqueles que, com sacrifício pessoal e dedicação frequentemente ignorada, se empenham na pesquisa e na difusão de tais métodos, promovendo ao mesmo tempo uma educação dos valores morais que o seu uso supõe.

A obra educativa não pode deixar de tomar em consideração, ainda, o sofrimento e a morte. Na realidade, ambos fazem parte da experiência humana, e é vão, para além de ilusório, procurá-los reprimir ou ignorar. Ao contrário, cada um deve ser ajudado a compreender, na concreta e dura realidade, o seu mistério profundo. Também a dor e o sofrimento têm um sentido e um valor, quando são vividos em estreita ligação com o amor recebido e dado. Nesta perspectiva, quis que se celebrasse anualmente o Dia Mundial do Doente, fazendo ressaltar « a índole salvífica da oferta do sofrimento, que, vivido em comunhão com Cristo, pertence à essência mesma da redenção ». 129 Até a morte, aliás, não é de forma alguma aventura sem esperança: é a porta da existência que se abre de par em par à eternidade e, para aqueles que a vivem em Cristo, é experiência de participação no mistério da sua morte e ressurreição.

98. Em resumo, podemos dizer que a viragem cultural, aqui desejada, exige de todos a coragem de assumir um novo estilo de vida que se exprime colocando, no fundamento das decisões concretas — a nível pessoal, familiar, social e internacional —, uma justa escala dos valores: o primado do ser sobre o ter, 130 da pessoa sobre as coisas. 131 Este novo estilo de vida implica também a passagem da indiferença ao interesse pelo outro, a passagem da recusa ao seu acolhimento: os outros não são concorrentes de quem temos de nos defender, mas irmãos e irmãs de quem devemos ser solidários; hão-de ser amados por si mesmos; enriquecem-nos pela sua própria presença.

Na mobilização por um nova cultura da vida, que ninguém se sinta excluído: todos têm um papel importante a desempenhar. Ao lado da tarefa das famílias, é particularmente valiosa a missão dos professores e dos educadores. Deles está em larga medida dependente a possibilidade de os jovens, formados para uma autêntica liberdade, saberem preservar dentro de si e espalhar ao seu redor ideais autênticos de vida, e saberem crescer no respeito e ao serviço de cada pessoa, em família e na sociedade.

Também os intelectuais muito podem fazer para construir uma nova cultura da vida humana. Responsabilidade particular cabe aos intelectuais católicos, chamados a estarem activamente presentes nas sedes privilegiadas da elaboração cultural, ou seja, no mundo da escola e das universidades, nos ambientes da investigação científica e técnica, nos lugares da criação artística e da reflexão humanista. Alimentando o seu génio e acção na seiva límpida do Evangelho, devem comprometer-se ao serviço de uma nova cultura da vida, através da produção de contributos sérios, documentados e capazes de se imporem pelos seus méritos ao respeito e interesse de todos. Precisamente nesta perspectiva, instituí a Pontifícia Academia para a Vida, com a missão de « estudar, informar e formar acerca dos principais problemas de biomedicina e de direito, relativos à promoção e à defesa da vida, sobretudo na relação directa que eles têm com a moral cristã e as directrizes do Magistério da Igreja ». 132 Um contributo específico há-de vir das Universidades, em particular católicas, e dos Centros, Institutos e Comissões de bioética.

Grande e grave é a responsabilidade dos profissionais dos mass-media, chamados a pugnarem por que as mensagens, transmitidas com tamanha eficácia, sejam um verdadeiro contributo para a cultura da vida. Importa, por isso, apresentar exemplos altos e nobres de vida e dar espaço aos testemunhos positivos e por vezes heróicos de amor pelo homem; propor, com grande respeito, os valores da sexualidade e do amor, sem contemporizar com nada daquilo que deturpa e degrada a dignidade do homem. Na leitura da realidade, hão-de recusar-se a pôr em destaque tudo o que possa inspirar ou fazer crescer sentimentos ou atitudes de indiferença, desprezo ou rejeição da vida. Na escrupulosa fidelidade à verdade dos factos, eles são chamados a conjugar num todo a liberdade de informação, o respeito por cada pessoa e um profundo sentido de humanidade.

99. Nessa viragem cultural a favor da vida, as mulheres têm um espaço de pensamento e acção singular e talvez determinante: compete a elas fazerem-se promotoras de um « novo feminismo » que, sem cair na tentação de seguir modelos « masculinizados », saiba reconhecer e exprimir o verdadeiro génio feminino em todas as manifestações da convivência civil, trabalhando pela superação de toda a forma de discriminação, violência e exploração.

Retomando as palavras da mensagem conclusiva do Concílio Vaticano II, também eu dirijo às mulheres este premente convite: « Reconciliai os homens com a vida ». 133Vós sois chamadas a testemunhar o sentido do amor autêntico, daquele dom de si e acolhimento do outro, que se realizam de modo específico na relação conjugal, mas devem ser também a alma de qualquer outra relação interpessoal. A experiência da maternidade proporciona-vos uma viva sensibilidade pela outra pessoa e confere-vos, ao mesmo tempo, uma missão particular: « A maternidade comporta uma comunhão especial com o mistério da vida, que amadurece no seio da mulher. (…) Este modo único de contacto com o novo homem que se está formando, cria, por sua vez, uma atitude tal para com o homem — não só para com o próprio filho, mas para com o homem em geral — que caracteriza profundamente toda a personalidade da mulher ». 134 Com efeito, a mãe acolhe e leva dentro de si um outro, proporciona-lhe forma de crescer no seu seio, dá-lhe espaço, respeitando-o na sua diferença. Deste modo, a mulher percebe e ensina que as relações humanas são autênticas quando se abrem ao acolhimento da outra pessoa, reconhecida e amada pela dignidade que lhe advém do facto mesmo de ser pessoa e não de outros factores, como a utilidade, a força, a inteligência, a beleza, a saúde. Este é o contributo fundamental que a Igreja e a humanidade esperam das mulheres. E é premissa insubstituível para uma autêntica viragem cultural.

Um pensamento especial quereria reservá-lo para vós, mulheres, que recorrestes ao aborto. A Igreja está a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influído sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decisão difícil, talvez dramática. Provavelmente a ferida no vosso espírito ainda não está sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto. Mas não vos deixeis cair no desânimo, nem percais a esperança. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se não o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericórdia espera-vos para vos oferecer o seu perdão e a sua paz no sacramento da Reconciliação. A este mesmo Pai e à sua misericórdia, podeis com esperança confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos à vida. Através do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido através do acolhimento e atenção a quem está mais carecido de solidariedade, sereis artífices de um novo modo de olhar a vida do homem.

100. Neste grande esforço por uma nova cultura da vida, somos sustentados e fortalecidos pela confiança de quem sabe que o Evangelho da vida, como o Reino de Deus, cresce e dá frutos abundantes (cf. Mc 4, 26-29). Certamente é enorme a desproporção existente entre os meios numerosos e potentes, de que estão dotadas as forças propulsoras da « cultura da morte », e os meios de que dispõem os promotores de uma « cultura da vida e do amor ». Mas nós sabemos que podemos confiar na ajuda de Deus, para Quem nada é impossível (cf. Mt 19, 26).

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Marcos 4, 26-29

Matos Soares: 26 Dizia também: “O reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra. 27 Dorme e se levanta, noite e dia, e a semente brota e cresce sem ele saber como. (ver nota) 28 Porque a terra por si mesma produz, primeiramente, a erva, depois a espiga, e por último o trigo grado na espiga. 29 E, quando o fruto está maduro, mete logo a fouce, porque está chegado o tempo da ceifa.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Ele disse: “O Reino de Deus é como se um homem lançasse semente na terra, 27 e dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem que ele saiba como. 28 Pois a terra por si mesma produz fruto: primeiro o broto, depois a espiga e, por fim, o grão cheio na espiga. 29 Mas, quando o fruto amadurece, logo ele passa a foice, porque chegou a colheita.”

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Mateus 19, 26

Matos Soares: 26 Porém, Jesus, olhando para eles, disse-lhes: “Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Olhando para eles, Jesus disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis.”

Com esta certeza no coração e movido de pungente solicitude pela sorte de cada homem e mulher, repito hoje a todos aquilo que disse às famílias, empenhadas em suas difíceis tarefas por entre as ciladas que as ameaçam: 135 é urgente uma grande oração pela vida, que atravesse o mundo inteiro. Com iniciativas extraordinárias e na oração habitual, de cada comunidade cristã, de cada grupo ou associação, de cada família e do coração de cada crente eleve-se uma súplica veemente a Deus, Criador e amante da vida. O próprio Jesus nos mostrou com o seu exemplo que a oração e o jejum são as armas principais e mais eficazes contra as forças do mal (cf. Mt 4, 1-11), e ensinou aos seus discípulos que alguns demónios só desse modo se expulsam (cf. Mc 9, 29). Então, encontremos novamente a humildade e a coragem de orar e jejuar, para conseguir que a força que vem do Alto faça ruir os muros de enganos e mentiras que escondem, aos olhos de muitos dos nossos irmãos e irmãs, a natureza perversa de comportamentos e de leis contrárias à vida, e abra os seus corações a propósitos e desígnios inspirados na civilização da vida e do amor.

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Mateus 4, 1-11

Matos Soares: 1 Então Jesus foi conduzido pelo Espírito (Santo) ao deserto, para ser tentado pelo demônio. 2 Jejuou quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. 3 E, aproximando-se dele o tentador, disse-lhe: “Se és Filho de Deus, diz que estas pedras se convertam em pães.” 4 Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Dt. 8, 3).” 5 Então o demónio transportou-o à cidade santa, pô-lo sobre o pináculo do templo, 6 e disse-lhe: “Se és Filho de Deus. lança-te daqui abaixo, porque está escrito: Mandou aos seus anjos em teu favor, eles te levarão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra (Ps. 90, 11-12).” 7 Jesus disse-lhe: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt. 6, 16).” 8 De novo o demônio o transportou a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua magnificência, 9 e lhe disse: “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.” 10 Então Jesus disse-lhe: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: O Senhor teu Deus adorarás, e a ele só servirás (Dt. 6, 13).” 11 Então o demónio deixou-o; e eis que os anjos se aproximaram, e o serviram.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, ele teve fome. 3 O tentador aproximou-se e lhe disse: “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pão.” 4 Mas ele respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.’” 5 Então o diabo o levou à cidade santa. Ele o colocou sobre o pináculo do templo, 6 e lhe disse: “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo, pois está escrito: ‘Aos seus anjos ele dará ordens a seu respeito’, e, ‘Eles o sustentarão nas mãos, para que você não tropece em alguma pedra.’” 7 Jesus lhe disse: “Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus.’” 8 Novamente, o diabo o levou a um monte altíssimo e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a glória deles. 9 E lhe disse: “Tudo isso lhe darei, se você se prostrar e me adorar.” 10 Então Jesus lhe disse: “Para trás de mim, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore ao Senhor, o seu Deus, e sirva somente a ele.’” 11 Então o diabo o deixou, e eis que anjos vieram e o serviram.

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Marcos 9, 29

Matos Soares: 29 Respondeu-lhes: “Esta casta de demônios não se pode expelir, senão mediante a oração e o jejum.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 29 Ele lhes disse: “Esta espécie só pode sair por meio de oração e jejum.”

« Escrevemo-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa » (1 Jo 1, 4): o Evangelho da vida é para bem da cidade dos homens

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1 João 1, 4

Matos Soares: 4 Estas coisas vos escrevemos, para que a nossa alegria seja completa.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 E escrevemos estas coisas a vocês, para que a nossa alegria seja completa.

101. « Escrevemo-vos estas coisas, para que a vossa alegria seja completa » (1 Jo 1, 4). A revelação do Evangelho da vida foi-nos confiada como um bem que há-de ser comunicado a todos: para que todos os homens estejam em comunhão connosco e com a Santíssima Trindade (cf. 1 Jo 1, 3). Nem nós poderíamos viver em alegria plena, se não comunicássemos este Evangelho aos outros, mas o guardássemos apenas para nós.

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1 João 1, 4

Matos Soares: 4 Estas coisas vos escrevemos, para que a nossa alegria seja completa.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 E escrevemos estas coisas a vocês, para que a nossa alegria seja completa.

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1 João 1, 3

Matos Soares: 3 isso que vimos e ouvimos, vo-lo anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco, e para que a nossa comunhão seja com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.

Bíblia Portuguesa Mundial: 3 o que vimos e ouvimos anunciamos a vocês, para que vocês também tenham comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.

O Evangelho da vida não é exclusivamente para os crentes: destina-se a todos. A questão da vida e da sua defesa e promoção não é prerrogativa unicamente dos cristãos. Mesmo se recebe uma luz e força extraordinária da fé, aquela pertence a cada consciência humana que aspira pela verdade e vive atenta e apreensiva pela sorte da humanidade. Na vida, existe seguramente um valor sagrado e religioso, mas de modo algum este interpela apenas os crentes: trata-se, com efeito, de um valor que todo o ser humano pode enxergar, mesmo com a luz da razão, e, por isso, diz necessariamente respeito a todos.

Por isso, a nossa acção de « povo da vida e pela vida » pede para ser interpretada de modo justo e acolhida com simpatia. Quando a Igreja declara que o respeito incondicional do direito à vida de toda a pessoa inocente — desde a sua concepção até à morte natural — é um dos pilares sobre o qual assenta toda a sociedade, ela « quer simplesmente promover um Estado humano. Um Estado que reconheça como seu dever primário a defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente da mais débil ». 136

O Evangelho da vida é para bem da cidade dos homens. Actuar em favor da vida é contribuir para o renovamento da sociedade, através da edificação do bem comum. De facto, não é possível construir o bem comum sem reconhecer e tutelar o direito à vida, sobre o qual se fundamentam e desenvolvem todos os restantes direitos inalienáveis do ser humano. Nem pode ter sólidas bases uma sociedade que se contradiz radicalmente, já que por um lado afirma valores como a dignidade da pessoa, a justiça e a paz, mas por outro aceita ou tolera as mais diversas formas de desprezo e violação da vida humana, sobretudo se débil e marginalizada. Só o respeito da vida pode fundar e garantir bens tão preciosos e necessários à sociedade como a democracia e a paz.

De facto, não pode haver verdadeira democracia, se não é reconhecida a dignidade de cada pessoa e não se respeitam os seus direitos.

Nem pode haver verdadeira paz, se não se defende e promove a vida, como recordava Paulo VI: « Todo o crime contra a vida é um atentado contra a paz, especialmente se ele viola os costumes do povo (…), enquanto nos lugares onde os direitos do homem são realmente professados e publicamente reconhecidos e defendidos, a paz torna-se a atmosfera feliz e geradora de convivência social ». 137

O « povo da vida » alegra-se de poder partilhar o seu empenho com muitos outros, de modo que seja cada vez mais numeroso o « povo pela vida », e a nova cultura do amor e da solidariedade possa crescer para o verdadeiro bem da cidade dos homens.

 

CONCLUSÃO

102. Chegados ao termo desta Encíclica, espontaneamente o olhar volta a fixar-se no Senhor Jesus, o « Menino nascido para nós » (cf. Is 9, 5), a fim de n’Ele contemplar « a Vida » que « se manifestou » (1 Jo 1, 2). No mistério deste nascimento, realiza-se o encontro de Deus com o homem e tem início o caminho do Filho de Deus sobre a terra, caminho esse que culminará com o dom da vida na Cruz: com a sua morte, Ele vencerá a morte e tornar-Se-á para a humanidade princípio de vida nova.

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Isaías 9, 5

Matos Soares: 5 Porquanto um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado, e foi posto o principado sobre o seu ombro; chama-se Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai eterno, Príncipe da paz.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 Pois um menino nos nasceu. Um filho nos foi dado; e o governo estará sobre os seus ombros. O seu nome será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

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1 João 1, 2

Matos Soares: 2 porque a vida se manifestou: nós a vimos, damos dela testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e nos apareceu

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 (e a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testemunhamos, e anunciamos a vocês a vida, a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada);

Quem esteve a acolher « a vida » em nome e proveito de todos, foi Maria, a Virgem Mãe, a qual, por isso mesmo, mantém laços pessoais estreitíssimos com o Evangelho da vida. O consentimento de Maria, na Anunciação, e a sua maternidade situam-se na própria fonte do mistério daquela vida, que Cristo veio dar aos homens (cf. Jo 10, 10). Através do acolhimento e carinho que Ela prestou à vida do Verbo feito carne, a vida do homem foi salva da condenação à morte definitiva e eterna.

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João 10, 10

Matos Soares: 10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que elas tenham vida e estejam na abundância.

Bíblia Portuguesa Mundial: 10 O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.

Por isso, « como a Igreja, de que é figura, Maria é a Mãe de todos os que renascem para a vida. Ela é verdadeiramente a Mãe da Vida que faz viver todos os homens; ao gerar a Vida, gerou de certo modo todos aqueles que haviam de viver dessa Vida ». 138

Ao contemplar a maternidade de Maria, a Igreja descobre o sentido da própria maternidade e o modo como é chamada a exprimi-la. Ao mesmo tempo, a experiência materna da Igreja entreabre uma perspectiva mais profunda para compreender a experiência de Maria, qual modelo incomparável de acolhimento e cuidado da vida.

« Apareceu um grande sinal no Céu: uma mulher revestida de Sol » (Ap 12, 1): a maternidade de Maria e da Igreja

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Apocalipse 12, 1

Matos Soares: 1 Depois apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, com a lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.

103. A relação recíproca entre Maria e o mistério da Igreja manifesta-se claramente no « grande sinal » descrito no Apocalipse: « Apareceu um grande sinal no céu: uma mulher revestida de Sol, tendo a Lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça » (12, 1). Neste sinal, a Igreja reconhece uma imagem do próprio mistério: apesar de imersa na história, ela está consciente de a transcender, porquanto constitui na terra « o germe e o princípio » do Reino de Deus. 139 Tal mistério, a Igreja vê-o realizado, de modo pleno e exemplar, em Maria. É Ela a mulher gloriosa, na qual o desígnio de Deus se pôde actuar com a máxima perfeição.

Aquela « mulher revestida de Sol » — assinala o Livro do Apocalipse — « estava grávida » (12, 2). A Igreja está plenamente consciente de trazer em si o Salvador do mundo, Cristo Senhor, e de ser chamada a dá-Lo ao mundo, regenerando os homens para a própria vida de Deus. Mas não pode esquecer que esta sua missão tornou-se possível pela maternidade de Maria, que concebeu e deu à luz Aquele que é « Deus de Deus », « Deus verdadeiro de Deus verdadeiro ». Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus, a Theotokos, em cuja maternidade é exaltada, até ao grau supremo, a vocação à maternidade inscrita por Deus em cada mulher. Assim Maria apresenta-se como modelo para a Igreja, chamada a ser a « nova Eva », mãe dos crentes, mãe dos « viventes » (cf. Gn 3, 20).

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Gênesis 3, 20

Matos Soares: 20 E Adão pôs a sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes.

Bíblia Portuguesa Mundial: 20 O homem chamou sua mulher de Eva, porque ela seria a mãe de todos os viventes.

A maternidade espiritual da Igreja só se realiza — também disto está ciente a Igreja — no meio das ânsias e « dores de parto » (Ap 12, 2), isto é, em perene tensão com as forças do mal, que continuam a sulcar o mundo e a dominar o coração dos homens, que opõem resistência a Cristo: « N’Ele estava a Vida e a Vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a acolheram » (Jo 1, 4-5).

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Apocalipse 12, 2

Matos Soares: 2 Ela está grávida, e clama com dores, atormentada para dar a luz.

Bíblia Portuguesa Mundial: 2 Ela estava grávida. E gritava de dor, em trabalho de parto, para dar à luz.

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João 1, 4-5

Matos Soares: 4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens, 5 e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não o receberam.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5 A luz brilha nas trevas, e as trevas não a venceram.

À semelhança da Igreja, também Maria teve de viver a sua maternidade sob o signo do sofrimento: « Este Menino está aqui (…) para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações » (Lc 2, 34-35). Nas palavras que Simeão dirige a Maria, já no alvorecer da existência do Salvador, está sinteticamente representada aquela rejeição de Jesus — e com Ele a rejeição de Maria —, que culmina no Calvário. « Junto da cruz de Jesus » (Jo 19, 25), Maria participa no dom que o Filho faz de Si mesmo: oferece Jesus, dá-O, gera-O definitivamente para nós. O « sim » do dia da Anunciação amadurece plenamente no dia da Cruz, quando chega para Maria o tempo de acolher e gerar como filho cada homem feito discípulo, derramando sobre ele o amor redentor do Filho: « Então Jesus, ao ver sua mãe e junto dela, o discípulo que Ele amava, Jesus disse a sua mãe: “Mulher, eis aí o teu filho” » (Jo 19, 26).

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Lucas 2, 34-35

Matos Soares: 34 Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe : “Eis que este Menino está posto para ruína e ressurgimento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. (ver nota) 35 E uma espada trespassará a tua alma! Assim se descobrirão os pensamentos escondidos nos corações de muitos.” (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 34 Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe dele: “Eis que este menino está destinado para a queda e o levantamento de muitos em Israel e para ser um sinal contra o qual se falará. 35 Sim, uma espada traspassará a tua própria alma, para que os pensamentos de muitos corações sejam revelados.”

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João 19, 25

Matos Soares: 25 Junto à cruz de Jesus estavam sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.

Bíblia Portuguesa Mundial: 25 Mas, junto à cruz de Jesus, estavam em pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.

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João 19, 26

Matos Soares: 26 Jesus, vendo sua Mãe, e, junto dela, o discípulo que amava, disse a sua Mãe: “Mulher, eis o teu filho.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 26 Quando Jesus, pois, viu sua mãe e o discípulo a quem ele amava em pé ali, disse a sua mãe: “Mulher, eis aí o seu filho!”

« O dragão deteve-se diante da mulher (…) para lhe devorar o filho que estava para nascer » (Ap 12, 4): a vida ameaçada pelas forças do mal

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Apocalipse 12, 4

Matos Soares: 4 A sua cauda arrasta a terça parte das estrelas do céu, e precipitou-as na terra. Depois o Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, a fim de devorar o seu filho, logo que ela o tivesse dado à luz. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 A sua cauda arrastou um terço das estrelas do céu, e as lançou sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para dar à luz, para que, quando ela desse à luz, ele devorasse o seu filho.

104. No Livro do Apocalipse, o « grande sinal » da « mulher » (12, 1) é acompanhado por « outro sinal no céu »: « um grande dragão vermelho » (12, 3), que representa Satanás, potência pessoal maléfica, e conjuntamente todas as forças do mal que agem na história e contrariam a missão da Igreja.

Também nisto, Maria ilumina a Comunidade dos Crentes: de facto, a hostilidade das forças do mal é uma obstinada oposição que, antes de tocar os discípulos de Jesus, se dirige contra a sua Mãe. Para salvar a vida do Filho daqueles que O temem como se fosse uma perigosa ameaça, Maria tem de fugir com José e o Menino para o Egipto (cf. Mt 2, 13-15).

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Mateus 2, 13-15

Matos Soares: 13 Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para Egipto, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para lhe tirar a vida.” 14 E ele, levantando-se de noite, tomou o menino e sua mãe, e retirou-se para o Egipto. 15 Lá esteve até à morte de Herodes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta: Do Egipto chamei o meu filho (Os. 11, 1).

Bíblia Portuguesa Mundial: 13 Depois que eles partiram, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em um sonho, dizendo: “Levante-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes procurará o menino para matá-lo.” 14 Ele se levantou, tomou o menino e sua mãe, de noite, e partiu para o Egito, 15 e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta, que disse: “Do Egito chamei o meu filho.”

Assim, Maria ajuda a Igreja a tomar consciência de que a vida está sempre no centro de uma grande luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. O dragão queria devorar « o filho que estava para nascer » ( Ap 12, 4), figura de Cristo, que Maria gera na « plenitude dos tempos » ( Gal 4, 4) e que a Igreja deve continuamente oferecer aos homens nas sucessivas épocas da história. Mas é também, de algum modo, figura de cada homem, de cada criança, sobretudo de cada criatura débil e ameaçada, porque — como recorda o Concílio — « pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem ». 140 Precisamente na « carne » de cada homem, Cristo continua a revelar-Se e a entrar em comunhão connosco, pelo que a rejeição da vida do homem, nas suas diversas formas, é realmente rejeição de Cristo. Esta é a verdade fascinante mas exigente, que Cristo nos manifesta e que a sua Igreja incansavelmente propõe: « Quem receber um menino como este, em meu nome, é a Mim que recebe » ( Mt 18, 5); « Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes » ( Mt 25, 40).

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Apocalipse 12, 4

Matos Soares: 4 A sua cauda arrasta a terça parte das estrelas do céu, e precipitou-as na terra. Depois o Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, a fim de devorar o seu filho, logo que ela o tivesse dado à luz. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 A sua cauda arrastou um terço das estrelas do céu, e as lançou sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para dar à luz, para que, quando ela desse à luz, ele devorasse o seu filho.

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Gálatas 4, 4

Matos Soares: 4 Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, feito da mulher, feito sob a lei,

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei,

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Mateus 18, 5

Matos Soares: 5 E o que receber em meu nome um menino como este, é a mim que recebe.

Bíblia Portuguesa Mundial: 5 E quem receber uma criança como esta em meu nome, recebe a mim;

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Mateus 25, 40

Matos Soares: 40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Na verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.

Bíblia Portuguesa Mundial: 40 “O Rei lhes responderá: ‘Em verdade lhes digo que, visto que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, vocês o fizeram a mim.’

« Não mais haverá morte » (Ap 21, 4): o esplendor da ressurreição

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Apocalipse 21, 4

Matos Soares: 4 Enxugar-lhes-á todas as lágrimas dos seus olhos; não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte; nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor. As primeiras coisas já passaram.”

105. A anunciação do anjo a Maria está inserida no meio destas expressões tranquilizadoras: « Não tenhas receio, Maria » e « Nada é impossível a Deus » ( Lc 1, 30.37). Na verdade, toda a existência da Virgem Mãe está envolvida pela certeza de que Deus está com Ela e A acompanha com a sua benevolência providente. O mesmo se passa também com a existência da Igreja que encontra « um refúgio » (cf. Ap 12, 6) no deserto, lugar da provação mas também da manifestação do amor de Deus pelo seu povo (cf. Os 2, 16). Maria é uma mensagem de viva consolação para a Igreja na sua luta contra a morte. Ao mostrar-nos o seu Filho, assegura-nos que n’Ele as forças da morte já foram vencidas: « Morte e vida combateram, mas o Príncipe da vida reina vivo após a morte ». 141

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Lucas 1, 30.37

Matos Soares: 30 O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; […] 37 porque a Deus nada é impossível.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 30 O anjo lhe disse: “Não tenha medo, Maria, pois você achou graça diante de Deus. […] 37 Pois nada do que Deus diz é impossível.”

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Apocalipse 12, 6

Matos Soares: 6 A Mulher fugiu para o deserto, onde tinha um retiro que Deus lhe havia preparado, para aí a sustentarem durante mil e duzentos e sessenta dias. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 6 A mulher fugiu para o deserto, onde tem um lugar preparado por Deus, para que ali a sustentem durante mil duzentos e sessenta dias.

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Oseias 2, 16

Matos Soares: 16 Por isso a atrairei, conduzi-la-ei à soledade e falar-lhe-ei ao coração. (ver nota)

Bíblia Portuguesa Mundial: 16 “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.

O Cordeiro imolado vive com os sinais da paixão, no esplendor da ressurreição. Só Ele domina todos os acontecimentos da história: abre os seus « selos » (cf. Ap 5, 1-10) e consolida, no tempo e para além dele, o poder da vida sobre a morte. Na « nova Jerusalém », ou seja, no mundo novo para o qual tende a história dos homens, « não mais haverá morte, nem pranto, nem gritos, nem dor, por que as primeiras coisas passaram » (Ap 21, 4).

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Apocalipse 5, 1-10

Matos Soares: 1 E vi na mão direita do que estava sentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. (ver nota) 2 E vi um anjo forte que gritava em alta voz: “Quem é digno de abrir o livro e de quebrar os seus selos?” 3 E ninguém podia, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, abrir o livro, nem olhar para ele. 4 E eu chorava muito, porque não se tinha encontrado ninguém que fosse digno de abrir o livro, nem de olhar para ele. 5 Então um dos anciães disse-me: “Não chores; eis que o leão da tribo de Judá, a estirpe de David, venceu de maneira a poder abrir o livro e os seus sete selos.” (ver nota) 6 Então vi no meio do trono e dos quatro animais, e no meio dos anciães, um Cordeiro de pé, como imolado, o qual tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, mandados por toda a terra. (ver nota) 7 Ele veio e recebeu o livro da mão direita do que estava sentado no trono. 8 E, tendo aberto o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciães prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma citara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos. 9 Cantam um cântico novo, dizendo: “Digno és de receber o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e resgataste para Deus, com o teu sangue, homens de toda a tribo, língua, povo e nação, 10 e fizeste deles, para o nosso Deus, um reino e sacerdotes, e reinam sobre a terra.”

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Vi, na mão direita daquele que estava sentado no trono, um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. 2 Vi um anjo poderoso proclamando em alta voz: “Quem é digno de abrir o livro e de quebrar os seus selos?” 3 Ninguém, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro ou olhar para dentro dele. 4 Então eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro ou de olhar para dentro dele. 5 E um dos anciãos me disse: “Não chore. Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.” 6 Vi no meio do trono e dos quatro seres viventes, e no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como se tivesse sido morto. Ele tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra. 7 Então ele veio e pegou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono. 8 E quando ele pegou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. 9 E eles cantavam um cântico novo, dizendo: “Tu és digno de pegar o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda tribo, língua, povo e nação, 10 e nos fizeste reis e sacerdotes para o nosso Deus; e reinaremos sobre a terra.”

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Apocalipse 21, 4

Matos Soares: 4 Enxugar-lhes-á todas as lágrimas dos seus olhos; não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

Bíblia Portuguesa Mundial: 4 Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte; nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor. As primeiras coisas já passaram.”

Como povo peregrino, povo da vida e pela vida, enquanto caminhamos confiantes para « um novo céu e uma nova terra » ( Ap 21, 1), voltamos o olhar para Aquela que é para nós « sinal de esperança segura e consolação ». 142

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Apocalipse 21, 1

Matos Soares: 1 Depois vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra desapareceram, e o mar já não existia.

Bíblia Portuguesa Mundial: 1 Vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra já passaram, e o mar já não existe.

Ó Maria,
aurora do mundo novo,
Mãe dos viventes,
confiamo-Vos a causa da vida:
olhai, Mãe,
para o número sem fim
de crianças a quem é impedido nascer,
de pobres para quem se torna difícil viver,
de homens e mulheres
vítimas de inumana violência,
de idosos e doentes assassinados
pela indiferença
ou por uma presunta compaixão.
Fazei com que todos aqueles que crêem
no vosso Filho
saibam anunciar com desassombro e amor
aos homens do nosso tempo
o Evangelho da vida.
Alcançai-lhes a graça de o acolher
como um dom sempre novo,
a alegria de o celebrar com gratidão
em toda a sua existência,
e a coragem para o testemunhar
com laboriosa tenacidade,
para construírem,
juntamente com todos os homens
de boa vontade,
a civilização da verdade e do amor,
para louvor e glória de Deus Criador
e amante da vida.

 

Dado em Roma, junto de S. Pedro, no dia 25 de Março, solenidade da Anunciação do Senhor, do ano 1995, décimo sétimo de Pontificado.

 

IOANNES PAULUS PP. II

Notas

  1. 1 Na realidade, a expressão « Evangelho da vida » não se encontra como tal na Sagrada Escritura. Todavia, esta corresponde a um aspecto essencial da mensagem bíblica.
  2. 2 Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 22.
  3. 3 Cf. Carta Enc. Redemptor hominis (4 de Março de 1979), 10: AAS 71 ( 1979), 275.
  4. 4 Cf. Ibid, 14: l.c., 285.
  5. 5 Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 27.
  6. 6 Cf. Carta a todos os Bispos da Igreja sobre a intangibilidade da vida humana (19 de Maio de 1991): Insegnamenti XIV, 1 (1991), 1293-1296.
  7. 7 Ibid., l.c., 1294.
  8. 8 Carta às Famílias Gratissimam sane (2 de Fevereiro de 1994), 4: AAS 86 ( 1994), 871.
  9. 9 Carta Enc. Centesimus annus (1 de Maio de 1991), 39: AAS 83 (1991), 842.
  10. 10 N. 2259.
  11. 11 Cf. S. Ambrósio, De Noe, 26, 94-96: CSEL 32, 480-481.
  12. 12 Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1867 e 2268.
  13. 13 De Cain et Abel, II, 10, 38: CSEL 32, 408.
  14. 14 Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação: AAS 80 (1988), 70-102.
  15. 15 Vigília de Oração com os jovens por ocasião da VIII Jornada Mundial da Juventude (14 de Agosto de 1993), II, 3: AAS 86 (1994), 419.
  16. 16 Discurso aos participantes no Congresso de Estudos sobre o «O Direito à vida e Europa» (18 de Dezembro de 1987): Insegnamenti X, 3 (1987), 1446-1447.
  17. 17 Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 36.
  18. 18 Cf. ibid., 16.
  19. 19 Cf. S. Gregório Magno, Moralia in Job, 13, 23: CCL 143 A, 683.
  20. 20 Carta Enc. Redemptor hominis (4 de Março de 1979), 10: AAS 71 ( 1979), 274.
  21. 21 Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 50.
  22. 22 Const. dogm. Dei Verbum, sobre a Revelação divina, 4.
  23. 23 « Gloria Dei vivens homo »: Contra as heresias, IV, 20, 7: SCh 100/2, 648-649.
  24. 24 Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 12.
  25. 25 Confessiones, I, 1: CCL 27, 1.
  26. 26 Exameron, VI, 75-76: CSEL 32, 260-261.
  27. 27 « Vita autem hominis visio Dei »: Contra as heresias, IV, 20, 7. SCh 100/2, 648-649.
  28. 28 Cf. Carta Enc. Centesimus annus (1 de Maio de 1991), 38; AAS ( 1991), 840-841.
  29. 29 Carta enc. Sollicitudo rei socialis (30 de Dezembro de 1987), 34: AAS 80 ( 1988), 560.
  30. 30 Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 50.
  31. 31 Carta às Famílias Gratissimam sane (2 de Fevereiro de 1994), 9: AAS 86 ( 1994), 878; cf. Pio XII, Carta Enc. Humani generis (12 de Agosto de 1950): AAS 42 (1950), 574.
  32. 32 « Animas enim a Deo immediate creari catholica fides nos retinere iubet »: Pio XII, Carta Enc. Humani generis (12 de Agosto de 1950): AAS 42 ( 1950), 575.
  33. 33 Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 50; cf. Exort. Apost. Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), 28: AAS 74 (1982), 114.
  34. 34 Homilias, II, 1; CCSG 3, 39.
  35. 36 Expositio Evangelii secundum Lucam, II, 22-23: CCL 14, 40-41.
  36. 37 S. Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios, 7, 2; Patres Apostolici, ed. F.X. Funk, II, 82.
  37. 38 A criação do homem, 4: PG 44, 136.
  38. 39 Cf. S. João Damasceno, De fide orthodoxa, 2, 12: PG 94, 920.922, citado em S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I-II, Prol.
  39. 40 Paulo VI, Carta Enc. Humanae vitae (25 de Julho de 1968), 13: AAS 60 ( 1968), 489.
  40. 41 Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação: (22 febrero 1987), Introd., 5: AAS 80 (1988), 76-77; cf. Catecismo da Igreja Católica, 2258.
  41. 42 Didaké, I, 1; II, 1-2; V, 1 e 3: Patres Apostolici, ed. F.X. Funk, I, 2-3, 6-9, 14-17; cf. Epistula Pseudo-Bernabae, XIX, 5: l.c., 90-93.
  42. 43 Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2263-2269; cf, Catecismo do Concílio de Trento III, 327-332.
  43. 44 Catecismo da Igreja Católica, 2265.
  44. 45 Cf. S. ’I’omás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 6-1, a. 7; S. Alfonso de Ligório, Theologia moralis, I. III, tr. 4, C. 1 dub. 3.
  45. 46 Catecismo da Igreja Católica, 2266.
  46. 47 Cf. Ibid.
  47. 48 N. 2267.
  48. 49 Conc, Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, sobre a Igreja, 12.
  49. 50 Cf. Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 27.
  50. 51 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, sobre a Igreja, 25.
  51. 52 Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Iura et bona, sobre a eutanásia (5 de Maio de 1980), II: AAS 72 ( 1980), 546.
  52. 53 Carta Enc., Veritatis splendor (6 de Agosto de 1993), 96: AAS 85 ( 1993 ), 1209.
  53. 54 Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 51: « Abortus necnon infanticidium nefanda sunt crimina ».
  54. 55 Cf. Carta Apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988),14: AAS 80 (1988), 1686.
  55. 56 N. 21: AAS 86 (1994), 920.
  56. 57 Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre o aborto provocado (18 de Novembro de 1974), 12-13: AAS 66 (1974), 738.
  57. 58 Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação: (22 de Fevereiro de 1987), I, 1: AAS 80 (1988), 78-79.
  58. 59 Ibid., l.c., 79.
  59. 61 cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre o aborto provocado (18 de Novembro de 1974), AAS 66 (1974), 740-747.
  60. 62 « Tu não matarás, mediante o aborto, o fruto do seio; e não farás perecer a criança já nascida »: V, 2, Patres Apostolici, ed. F.X. Funk, I, 17.
  61. 63 Libellus pro christianis, 35: PG 6, 969.
  62. 64 Apologeticum, IX, 8; CSEL 69, 24.
  63. 65 Cf. Carta enc. Casti connubii (31 de Dezembro de 1930), II: AAS 22 (1930), 562-592.
  64. 66 Discurso à União médico-biológica «S. Lucas» (12 de Novembro de 1944): Discorsi e radiomessaggi, VI, (1944-1945),191; cf, Discurso à União Católica Italiana de Obstetras (29 de Outubro de 1951), 2: AAS 43 (1951), 838.
  65. 67 Carta Enc. Mater et Magistra (15 de Maio de 1961), 3: AAS 53 ( 1961 ), 447.
  66. 68 Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 51.
  67. 69 Cf. Cân. 2350, § 1.
  68. 70 Código de Direito Canónico, cân. 1398; cf. Código dos Cânones das Igrejas Orientais, cân. 1450 §2.
  69. 71 Cf. Ibid., cân.1329; Código dos Cânones das Igrejas Orientais, cân. 1417.
  70. 72 Cf. Discurso ao Congresso da Associação de Juristas Católicos Italianos (9 de Dezembro de 1972): AAS 64 (1972), 777; Carta Enc. Humanae vitae (25 de Julho de 1968), 14: AAS 60 ( 1968), 490.
  71. 73 Cf. Conc Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, sobre a Igreja, 25.
  72. 74 Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação: (22 de Fevereiro de 1987), I, 3: AAS 80 (1988), 80.
  73. 75 Cf. Carta dos Direitos da Família (22 de Outubro de 1983), art. 4b, Tipografía Poliglota Vaticana, 1983,
  74. 76 Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Iura et bona, sobre a eutanásia (5 de Maio de 1980), II: AAS 72 (1980), 546.
  75. 77 Ibid., IV, l.c., 551.
  76. 78 Cf. Ibid.
  77. 79 Discurso em um encontro internacional de médicos (24 de Fevereiro de 1957), III; AAS 49 (1957), 147; Cf.. Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Iura et bona, sobre a eutanásia (5 de Maio de 1980), III: AAS 72 (1980), 547-548.
  78. 80 Pio XII, Discurso em um encontro internacional de médicos (24 de Fevereiro de 1957), III: AAS 49 (1957), 145.
  79. 81 Cf. Pio XII, Discurso em um encontro internacional de médicos (24 de Fevereiro de 1957): AAS 49 (1957), 129-147; Congregação do Santo Ofício, Decretum de directa insontium occisione (2 de Dezembro de 1940): AAS 32 ( 1940), 553-554; Paulo VI, Mensagem à televisão francesa: « Toda vida é sagrada » (27 de Janeiro de 1971): Insegnamenti IX 1971 ), 57-58; Discurso ao International College of Surgeons (1 de Junho de 1972): AAS 64 (1972), 432-436; Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 27.
  80. 82 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, sobre a Igreja, 25.
  81. 83 Cf. S. Agostinho, De Civitate Dei I, 20: CCL 47, 22; S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 6, a. 5.
  82. 84 Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Iura et bona, sobre a eutanásia (5 de Maio de 1980), I: AAS 72 (1980), 545; Catecismo da Igreja Católica, 2281-2283.
  83. 85 Epistula 204, 5: CSEL 57, 320.
  84. 86 Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 18.
  85. 87 Cf. Carta Apost.. Salvifici doloris (11 febrero 1984), 14-24: AAS 76 ( 1984 ), 214-234.
  86. 88 Cf, Carta Enc. Centesimus annus (1 de Maio de 1991), 46: AAS 83 (1991), 850; Pio XII, Radiomensagem de Natal (24 de Dezembro de 1944): AAS 37 (1945), 10-20.
  87. 89 Cf. Carta Enc, Veritatis splendor (6 de Agosto de 1993), 97 e 99: AAS 85 ( 1993 ), 1209-1211.
  88. 90 Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Donum vitae, sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação: (22 de Fevereiro de 1987), III; AAS 80 (1988), 98.
  89. 91 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decl. Dignitatis humanae, sobre a liberdade religiosa, 7.
  90. 92 Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I-II, q. 96, a. 2.
  91. 93 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decl. Dignitatis humanae, sobre a liberdade religiosa, 7.
  92. 94 Carta Enc. Pacem in terris (11 abril 1963 ), II: AAS 55 ( 1963 ), 273-274; a citação interna é extraída da Radiomensagem de Pentecostes 1941 (1 de Junho de 1941 ) de Pio XII: AAS 33 ( 1941 ), 200. Sobre este tema a Encíclica faz referência em nota a: Pio XI, Carta Enc. Mit brennender Sorge (14 de Março de 1937): AAS 29 (1937), 159; Carta Enc. Divini Redemptoris (19 de Março de 1937), III: AAS 29 (1937), 79; Pio XII, Radiomensagem de Natal (24 de Dezembro de 1942): AAS 35 (1943), 9-24.
  93. 95 Carta Enc. Pacem in terris (11 de Abril de 1963), l.c., 271.
  94. 96 Summa Theologiae, I-II, q. 93, a. 3, ad 2um.
  95. 97 Ibid., I-II, q. 95, a. 2. O Aquinate cita S. Agostinho: «Non videtur esse lex, quae insta non fuerit», De libero arbitrio, I, 5, 11: PL 32, 1227.
  96. 98 Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre o aborto provocado (18 de Novembro de 1974), 22: AAS 66 (1974), 744.
  97. 99 Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1753-1755; Carta Enc, Veritatis splendor (6 de Agosto de 1993), 81-82; AAS 85 (1993), 1198-1199.
  98. 100 In Iohannis Evangelium Tractatus, 41,10: CCL 36, 363; cf. Carta Enc, Veritatis splendor (6 de Agosto de 1993), 13: AAS 85 (1993), 1144.
  99. 101 Exort. Apost. Evangelii nuntiandi (8 de Dezembro de 1975),14: AAS 68 (1976), 13,
  100. 102 Cf. Missal romano, Oração do celebrante antes da comunhão.
  101. 103 Cf. S. Ireneu: « Omnem novitatem attulit, semetipsum afferens, qui fuerat annuntiatus », Contra as heresias, IV, 34, 1: SCh 100/2, 846-847.
  102. 104 Cf. S. Tomás de Aquino « Peccator inveterascit, recedens a novitate Christi », In Psalmos Davidis lectura, 6, 5.
  103. 105 Sobre as bem-aventuranças, Sermão VII: PG 44, 1280.
  104. 106 Cf. Carta enc, Veritatis splendor (6 de Agosto de 1993), 116: AAS 85 ( 1993 ), 1224.
  105. 107 Cf. Carta enc. Centesimus annus (1 de Maio de 1991), 37: AAS 83 ( 1991 ), 840.
  106. 108 Cf. Mensagem por ocasião do Natal de 1967: AAS 60 ( 1968), 40.
  107. 109 Pseudo-Dionísio Areopagita, Sobre os nomes divinos, 6, 1-3: PG 3, 856-857.
  108. 110 Paulo VI, Pensamento da morte, Instituto Paulo VI, Bréscia 1988, 24.
  109. 111 Homilia para a beatificação de Isidoro Bakanja, Elisabeth Canori Mora e Gianna Beretta Molla (24 de Abril de 1994).
  110. 112 Ibid.
  111. 113 Homilias sobre Mateus, L, 3: PG 58, 508.
  112. 114 Catecismo da Igreja Católica, 2372.
  113. 115 Discurso à IV Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Santo Domingo (12 de Outubro de 1992), 15: AAS 85 (1993), 819.
  114. 116 Cf. Decr. Unitatis redintegratio, sobre o Ecumenismo, 12; Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 90.
  115. 117 Exort. Apost. Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), 17: AAS 74 (1982), 100.
  116. 118 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 50.
  117. 119 Carta enc. Centesimus annus (1 de Maio de 1991), 39: AAS 83 (1991), 842.
  118. 121 Cart Enc. Sollicitudo rei socialis (30 de Dezembro de 1987), 38: AAS 80 (1988), 565-566.
  119. 122 Exort. Apost. Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), 86: AAS 74 (1982), 188.
  120. 123 Paulo VI, Exort. Apost. Evangelii nuntiandi (8 de Dezembro de 1975), 18: AAS 68 (1976), 17.
  121. 124 Cf. Ibid., 20, l.c., 18.
  122. 125 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 24.
  123. 126 Cf.  Carta Enc. Centesimus annus (1 de Maio de 1991), 17: AAS 83 (1991), 814; Carta enc, Veritatis splendor (6 de Agosto de 1993), 95-101: AAS 85 (1993), 1208-1213.
  124. 127 Carta Enc. Centesimus annus (1 de Maio de 1991), 24: AAS 83 (1991), 822.
  125. 128 Exort. Apost. Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), 37: AAS 74 (1982), 128.
  126. 129 Carta com a qual se institui o Dia Mundial do Doente (13 de Maio de 1992), 2: Insegnamenti XV, 1 (1992), 1440.
  127. 130 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 35; Pablo VI, Carta Enc. Populorum progressio (26 de Março de 1967), 15: AAS 59 (1967), 265.
  128. 131 Cf. Carta às Famílias Gratissimam sane (2 de Fevereiro de 1994), 13: AAS 86 (1994), 892.
  129. 132 Motu proprio Vitae mysterium (11 de Fevereiro de 1994), 4: AAS 86 (1994), 386-387.
  130. 133 Mensagens do Concílio à humanidade (8 de Dezembro de 1965): Às mulheres.
  131. 134 Carta Apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 18: AAS 80 (1988), 1696.
  132. 135 Cf. Carta às Famílias Gratissimam sane (2 de Fevereiro de 1994), 5: AAS 86 (1994), 872
  133. 136 Discurso aos participantes na reunião de estudos sobre o tema: « O direito à vida e Europa » (18 de Dezembro de 1987): Insegnamenti X, 3 (1987), 1446.
  134. 137 Mensagem para o Dia Mundial da Paz 1977: AAS 68 (1976), 711-712.
  135. 138 Bto. Guerrico D’Igny, In Assumptione B. Mariae, sermo I, 2: PL, 185, 188.
  136. 139 Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, sobre a Igreja, 5.
  137. 140 Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 22.
  138. 141 Missal romano, Sequência do Domingo na Páscoa da Ressurreição.
  139. 142 Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, sobre a Igreja, 68.